• Sonuç bulunamadı

5. İletişim planının hazırlanması

2.7.11. Örgütsel Küçülmenin Olumsuz Yanları Ve Örnekler

Saltar pelo processo histórico de modo célere para adentrar diretamente na Renascença, centrando reflexão, mais especificamente em torno de Erasmo de Roterdam, não se justifica pela diferenciação das heranças romana e cristã ao humanismo. Abalizam- se estes como fenômenos de considerável sustentação aos humanismos que os seguiram. Registra-se, especialmente, o espólio difundido pelo direito romano da possibilidade de igualdade dos homens, do mesmo modo que o reconhecimento do humanismo cristão e seu anúncio de libertação47.

O grande rasgo histórico, desse modo, aterrissa no contexto da Renascença.

47 Contudo, refere-se à libertação interior do humano, de seus instintos, de suas paixões, da servidão

espiritual, da escravidão. No humanismo cristão, a libertação chama-se o ―reino de Deus‖, sendo operada pela graça, pelo sobrenatural (NOGARE, 1994, p. 45-46).

Entre o século XII e o apogeu no século XVI, esse acontecimento recebeu o nome Renascimento ou Renascença48. Caracterizado como o período da redescoberta e da revalorização, de referências culturais da antiguidade clássica49, o termo Renascimento foi utilizado por homens da época para definir um novo tempo. Tempo para despertar a negação do ascetismo medieval50.

A Renascença representa o período em que se vislumbra a construção de novos modos de existir, em que a humanidade passa a ser o parâmetro de si mesma. O modelo antropocêntrico avança pelo teocêntrico, e o homem olha a si, reconhecendo-se e, de modo mais racional, se torna observação e observador51. Otimista, racional, hedonista, antropocêntrico, individualista, estabelece retorno ao humanismo greco-romano.

Nele, o homem toma o posto mais próximo das criaturas superiores: arcanjos, anjos, querubins e serafins e, até mesmo, de rei e Deus. Essa ideia central é denominada também de humanismo, ideia mediada pela relação com um mundo que refloresce em torno do sentido de busca da perfeição e do domínio da natureza, domínio incitado pelas transformações ocorridas na Europa, naquele período.

Em Toledo (2004), a designação de humanistas trata de uma tentativa de distanciamento e diferenciação em relação à expressão ―teólogo‖, reconhecida pelo intelectual da Idade Média. Com certa aproximação religiosa cristã, imprimiu-se a expressão, exportando um modo mais laico à arte e à educação; logo, o ensino foi evoluindo por um viés pedagógico ligado ao humanismo.

É nesse cenário que Erasmo de Roterdam (1467-1536) firma-se não apenas pelo seu conjunto de obras, mas pela relevância de estudos dedicados às questões da juventude em ―Civilidade pueril‖, ―Plano de estudos‖ e ―De pueris‖ (FIGUEIRA, 1998). Considerado um

48 Por esse período não se tem consenso. Para alguns historiadores, teve início no século IX, na época de

Carlos Magno; outros o situam no século XII, em torno do poeta Petrarca (ACKER, 2009, p. 6-7).

49 Salienta-se que esta redescoberta ocorria, de modo mais locado, na Idade Média, entre uma seleta minoria:

sacerdotes e homens cultos.

50 Para Aranha (2006), a negação do ascetismo medieval revela-se com a busca pelos prazeres e alegrias do

mundo, desde o luxo da corte, o gosto pela indumentária cuidadosa, até os amenos deleites da vida familiar. O olhar humano desvia-se do céu para a terra e a curiosidade aguçada amplia-se em conhecimentos pela anatomia humana, pela nova imagem de homem difundida pela teoria heliocêntrica, pela arte, pela individualidade, pela liberdade.

51 Para Nogare (1994, p. 72), ocorre um pecado na Renascença, e este não é a valorização em demasia do

homem, mas seu sentido unilateral: erro que levou, aos poucos, por força de outros acontecimentos, ao antropocentrismo e até ao ateísmo. O homem exalta tanto a si mesmo que se convence de que ele é o criador, senhor absoluto do universo.

dos maiores humanistas da Renascença entre os não italianos, o holandês Roterdam é reconhecido como ―o sol dos intelectuais do mundo‖; ―o astro da cristandade‖ ou a ― figura principal da Renascença‖ (NOGARE, 1994, p. 72-73).

O ingresso à ascese deu-se muito mais pelo que a vida conventual poderia lhe proporcionar que pelo amor a Deus. Seu estudo e admiração por Lourenço Valla, humanista epicureu52, ―que chamava os papas de ‗tiranos, ladrões e salteadores‘‖ (NOGARE, 1994, p. 73), demonstra seu descontentamento com a observância e as penitências proferidas, assim como ao sistema de ensino vigente.

Em sua obra clássica ―Elogio da loucura‖53, Erasmo de Roterdam expressa o estágio de profunda lucidez em que se encontra, observando e ridicularizando os acontecimentos da vida humana pela exaltação da loucura.

E quem acreditaria, agora, que essa minha conduta devesse provocar desprezo? Até agora, é voz geral, ninguém pensou em prestar à Loucura honras divinas; ninguém lhe consagrou um templo; ninguém a nutriu com vapores das vítimas. Para falar-vos com franqueza, e creio que já o disse, tamanha ingratidão me causa grande surpresa; mas pouco me importa isso e, de acordo com a minha natural facilidade, não levo a coisa a mal. Eu cheiraria à sabedoria e seria indigna de ser Loucura se reclamasse essas honras divinas (ROTERDAM, 2002, p. 34).

Com pontual ironia, satiriza, toda a ―gentinha‖, os ―grosseiros homenzinhos‖, que vão desde os apaixonados, avarentos, negociantes, advogados, aos do clero, oradores, gramáticos, intérpretes, aos da corte, o rei, demostrando assim sua insatisfação por meio da sua ―loucura‖, privilégio de poucos, apenas dos lúcidos.

Impôs denúncia ao sistema de ensino regido pela Igreja, desde ―o que‖ ensinava até ―ao modo‖ como ensinava as crianças e a juventude. ―Santo Deus! Que é, afinal, a vida humana? Como é miserável, como é sórdido o nascimento! Como é penosa a educação! A

52 O termo epicureu remete ao sistema filosófico que tem o prazer sabiamente como racionalizado.

53 Como amigo de Thomas More, importante humanista contemporâneo de Roterdam, inspira-se na

elaboração da obra, já a dedicando em suas primeiras linhas. ―E foste tu, meu caro More, o primeiro a aparecer aos meus olhos, pois que malgrado tanta distância, eu via e falava contigo com o mesmo prazer que costumava ter em tua presença e que juro não ter experimentado maior em minha vida. Não desejando, naquele intervalo, passar por indolente, e não me parecendo as circunstâncias adequadas aos pensamentos sérios, julguei conveniente divertir-me com um elogio da Loucura. [...] Mas, assim como, pela excelência do gênio e de talentos, estás acima da maioria dos homens, assim também, pela rara suavidade do costume e pela singular afabilidade, sabes e gostas, sempre e em toda parte, de habituar-te a todos e a todos parecer amável e grato‖ (ROTERDAM, 2002, p. 1).

quantos males está exposta a infância! Como sua a juventude!‖ (ROTERDAM, 2002, p. 19).

A fim de proteger as crianças de ―más influências‖54, propôs-se uma hierarquia

diferente, submetendo-as à severa disciplina, inclusive a castigos corporais. A meta da escola não se restringia à transmissão de conhecimentos, mas à formação moral. O regime de estudo era de certo modo rigoroso e extremo. Os programas continuavam a se basear nos clássicos trivium e quadrivium, persistindo, portanto, a educação formal de gramática e retórica como na Idade Média. Não foi abandonada a ênfase no estudo do latim, com freqüente descaso pela língua materna (ARANHA, 2006, p. 126).

Para seus comentaristas, Roterdam propunha um método de educação que repugnava os castigos, a excessiva memorização, que respeitasse as características e os interesses individuais de cada criança e adolescente, que passasse a priorizar a inteligência e a reflexão (FIGUEIRA, 1998, p. 3).

Toledo (2004) reconhece que as concepções de Roterdam sobre a educação e a Pedagogia foram decisivas aos novos modos de ensinar e aprender, caracterizando o alvorescer do mundo Moderno. Como principal contribuição pedagógica, o mesmo autor acredita que se trata da obra Declamatio de pueris statim ac liberaliter instituendis, a precoce e liberal educação das crianças55, pois é nela que Roterdam deixa expressa a educação voltada para as crianças, incomum na época. Entretanto, alerta que essa visão possuía traços aristocráticos, muito reconhecida entre os humanistas da época. Distingue Roterdam como um dos principais idealizadores da antropologização cultural, caracterizada pela Pedagogia centrada no educando.

Nascimento (2007, p. 49-57) dispõe que a educação proposta por Roterdam está associada a uma concepção de natureza humana predisposta ao bem. Seu humanismo cristão concebe o homem à imagem e semelhança de Deus. Entretanto, é diferente dos outros seres, pois é racional, capaz de compreender os princípios do bem e da virtude. As crianças devem aprender jogando e divertindo-se e adquirindo conhecimentos sobre as letras do alfabeto, a prática das línguas, as apologias e as fábulas poéticas. Roterdam estabeleceu que uma boa aprendizagem prescreve a confiança e o respeito mútuo entre docente e discente. Mediante a observação e o respeito às potencialidades da criança,

54 Realce da autora.

ensinando-as por meio de uma educação moderada, misturada de alegria e variedades, com doçura e graça, é possível levar o espírito humano à perfeição.

Todo esse cuidado com a educação das crianças, recomendada por Roterdam, não se restringe apenas ao Estado, mas compete também aos pais, que devem considerar seus filhos entre os seres mais valiosos e amados (NASCIMENTO, 2007, p. 59).

O humanismo de Roterdam assenta-se no nexo de que são factíveis novos modos de ensinar, logo, de redimensionar a ―loucura humana‖. Para além dessas, ―uma sociedade que passa a reger-se pelo princípio do ―faz-te a ti mesmo‖, do ―serás aquilo que conquistares‖, passa, da mesma maneira, a requerer novos projetos para a formação do indivíduo, não sendo mais o método o caminho, mas um subordinado ao objetivo que se quer alcançar: da concepção de mundo e de homem que se tem (FIGUEIRA, 1998, p. 4-5).

Nesse período, outro projeto roterdano dava sinais de arquitetura: uma arquitetura centrada na individualidade humana.