2. BÖLÜM: KAVRAMSAL ÇERÇEVE ĠLE ĠLGĠLĠ ARAġTIRMALAR
2.2. Örgütsel Bağlılık
2.2.3. Örgütsel Bağlılığı Etkileyen Faktörler
2.2.3.2. Örgütsel Faktörler
Quadro de atribuição terminológica termal para as Hispaniae
Denominação Quantidade de edifícios
Thermae 21 Balneum 22 Indeterminada 13 Total 56 38% 39% 23%
Gráfico de atribuição terminológica
termal para as Hispaniae
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Ambas as tabelas complementam as suas informações, contribuindo para o esclarecimento da importância que cada Banho teria em sua respectiva cidade, além de nos dar uma real dimensão dos tipos de edificações que puderam ser construídas na Península Ibérica: a partir de critérios econômicos, a possibilidade e disponibilidade de financiamento por parte das elites locais e do ordo decurionum que administrava a cidade; edilícios, disponibilidade de terreno para a construção que acaba influenciando no tamanho do edifício e os arranjos morfológico-arquitetônicos dos espaços internos e externos; culturais, a presença deles no contexto urbano, a riqueza material com a qual foram adornados e a importância social e cultural deles para as sociedades provinciais que estavam em processo constante de assimilação aos hábitos romanos; e urbanísticos, localização do edifício termal no tecido urbano e as obras de adequação viária e de instalação hidráulica para comportar este tipo de edifício. Em muitas das fichas de registro, há mais de um edifício termal, podendo ser dois edifícios diferentes ou, então, uma remodelação que possibilitou edificar um outro prédio, maior e mais elaborado arquitetonicamente, no lugar do antigo.
Tratar de definir tipologias nem sempre é tão fácil quanto parece à primeira vista, ainda mais considerando que a nossa atribuição tipológica é feita com base num determinado “tipo” de edifício romano tão característico por sua arquitetura e pelas tecnologias que são empregadas na sua edificação. A atribuição tipológica pode parecer, aparentemente, para muitos investigadores ou leigos, uma metodologia de classificação inteiramente subjetiva, em que os componentes mínimos de comparação podem focalizar as semelhanças e as diferenças de natureza morfológica, métrica, decorativa e de matéria- prima, a critério especificamente do investigador sem qualquer base científica.
Já vimos no primeiro capítulo, acerca das abordagens teórico-metodológicas, a definição de tipologia proposta pela Arqueologia da Construção. Caberá aqui relembrar essa definição: Com o sistema de classificação se dá a decomposição do edifício, como já foi dito acima. O tipo poderia se identificar como a soma de atributos, isto é, de elementos formais definidos previamente ou como um objetivo global, caracterizado por atributos específicos. E, dentro do âmbito das técnicas, haveria uma série de tipos, baseando-se no corte do material construtivo, elaboração e acabamento, nas dimensões, a presença de revestimentos, etc. Dentro do tipo levam-se em conta as variáveis (ou variantes) formais e técnicas com que podem ser caracterizados. Mas na realidade é exatamente isso o que ocorre quando o investigador se propõe a estabelecer tipologias para o seu objeto de estudo. Logo no início da pesquisa os critérios com os quais o
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investigador trabalhará para criar e estabelecer as tipologias e as suas variantes são descritas.
No nosso caso, a aplicação ou estabelecimento das tipologias precisa ser baseada numa série de premissas as quais seguimos quando diferenciamos um tipo de terma de outra no quadro edilício termal geral para as Hispaniae. O importante na atribuição tipológica edilícia não é apenas entender quais os componentes espaciais e arquitetônicos, dos ambientes internos e externos, que contribuem para determinar as especificidades de um determinado edifício em detrimento de outro, sempre dentro de uma mesmo tipo edilício geral – a terma romana. Mas saber também quais as características morfológicas arquitetônico-espaciais, construtivas, decorativas, cronológicas e de circulação interna em que cada terma se insere, como, por exemplo, quais as características que diferenciam uma casa de banho do período republicano daquela casa de banho do período imperial. A que tipo pertencem cada uma das várias termas hispano-romanas.
A tipologia com relação às termas no mundo romano baseia-se, em grande parte, na obra do investigador alemão Daniel Krencker101, Die Trierer Kaiserthermen (A terma Imperial de Tréveris), publicada em 1929, na qual as principais tipologias são definidas: o tipo linear, o anular e o imperial. As três principais obras com as quais trabalhamos, aquelas de Nielsen (1993), Yegül (1995, 2009) e Fernández Ochoa (2000), foram publicadas mais de meio século depois da de Krencker, mas ainda baseiam as suas classificações naquelas feitas pelo arqueólogo alemão.
Na obra de Inge Nielsen, Thermae et Balnea, os edifícios termais foram agrupados por regiões, cabendo as termas hispano-romanas às províncias ocidentais juntamente com as das Gálias e as da Mauritânia Tingitana. Em sua classificação tipológica, Nielsen dividiu as termas e os balnea da Hispânia em dois tipos – o linear-axial e o anular, e os seus vários subtipos. Dos edifícios tratados nesta tese, apenas a terma Maior da cidade de Itálica foi classificada por Nielsen como pertencendo ao tipo anular semi-axial. Para a autora, as termas classificadas neste subtipo são grandes edifícios, quase monumentais,
101 A problemática na atribuição tipológica para as termas romanas é outra preocupação demonstrada por Janet DeLaine em dois dos seus artigos. Essa preocupação da arqueóloga se baseia no uso quase adaptativo que muitos pesquisadores fizeram, e ainda fazem, das tipologias criadas por Krencker há quase cem anos para classificar as plantas das termas itálicas e norte-africanas a partir do seu estudo da Terma imperial de Tréveris. Apesar da problemática no estabelecimento de critérios tipológicos para a classificação das termas com base exclusivamente nas plantas dos edifícios, DeLaine não vê até o momento outra solução que não seja confiar numa versão adaptada da obra de Krencker para agrupar a enorme quantidade de termas descobertas ao longo das décadas e que necessitam de algum tipo de enquadramento comparativo entre os seus pares (DeLAINE, 1993: 354).
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que poderiam ser consideradas as mais adequadas para aquelas cidades que não poderiam pagar pelas termas imperiais.
No estudo de Yegül acerca dos edifícios e da cultura do banho no mundo romano, Baths and Bathing in Classical Antiquity, o historiador considera difícil classificar as termas romanas em tipos, ainda que a classificação tipológica seja um recurso metodológico necessário para o historiador. As tipologias das termas são o resultado de fatores culturais, tecnológicos e arquitetônicos compartilhados em todo o mundo romano. Os poucos exemplares hispano-romanos analisados por Yegül se limitam à província da Hispânia Lusitânia e são classificados como variantes do tipo pompeiano, ou seja, do tipo linear, e os seus subtipos linear-axial e linear-angular. O segundo tipo analisado pelo historiador americano, ainda que não enfoque nenhum edifício termal da Hispânia, trata do que ele rotula como tipo intermediário, isto é, as termas de circulação anular, que podem se enquadrar como semi-axiais, e que se encontram entre o plano pompeiano axial e o tipo imperial. Apesar de Yegül não dedicar um capítulo às termas da Hispânia o seu estudo nos é valioso pelo seu enfoque nas termas imperiais de Roma e do Norte da África.
Por fim, a arqueóloga Carmen Fernández Ochoa, em seu artigo Grandes conjuntos Termales públicos en Hispania sobre as termas das Hispaniae, apresenta algumas considerações teóricas sobre a questão tipológica na classificação das termas. De acordo com a autora, pode-se considerar a classificação tipológica como um critério arbitrário porque no mundo romano não existiam duas termas idênticas. Apesar disso, ao se classificar as termas em “tipos pré-fixados” deve-se levar em conta uma cronologia construtiva bem definida. Essa cronologia somente poderá ser estabelecida quando as informações estratigráficas forem suficientes para cada edifício termal. Segundo a arqueóloga, somente quando os dados cronológicos, estratigráficos e arquitetônicos forem combinados o arqueólogo terá a possibilidade de propor um modelo construtivo baseado em tipos. Com relação à tipologia das termas hispano-romanas que abordamos no estudo de caso que trataremos sobre as termas imperiais na Hispânia, Carmen Ochoa classifica como do tipo imperial apenas a terma de los Arcos I, enquanto a terma Maior é classificada como do tipo anular semi-axial e a terma da carrer de Sant Miquel, como de tipo indeterminado.
Em nossa opinião, a tipologia de uma terma só pode ser bem fundamentada se o arqueólogo levar em consideração, além do tripé cronologia-estratigrafia-arquitetura, proposto por Fernández Ochoa, também as técnicas e os materiais construtivos dos edifícios.
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Para finalizar, o arqueólogo francês Yvon Thébert (THÉBERT, 2003: 118-120) foi o único entre aqueles pesquisadores discutidos até aqui que se preocupou com a questão que consideramos essencial na atribuição tipológica para uma terma: a interligação entre o tipo de plano balneário e o itinerário percorrido pelo banhista no interior do edifício. Segundo Thébert, foi somente com a ampliação do número de salas aquecidas na época imperial que houve possibilidade do aparecimento de novos tipos de planos termais. O que leva o pesquisador a afirmar, e nisso concordamos com ele e com Carmen Ochoa, que não existe uma terma idêntica a outra no mundo romano, embora possam existir grandes tipos de planos termais, que em si mesmos acabam mascarando a enorme diversidade de planos balneários, e que acabam se impondo aos construtores, arquitetos e à elite que governa as cidades.
Tanto Thébert quanto Rebuffat, interpretação de ambos os pesquisadores com a qual também concordamos, ressaltam que há duas linhas mestras na ocasião de propor a organização de um edifício termal: a disposição interna dos ambientes (ou das salas) ou o itinerário seguido pelo banhista. A construção de um edifício termal, independentemente se ocorresse no período republicano ou no imperial, deveria sempre levar em consideração que as duas linhas mestras estão estritamente ligadas uma à outra. E isso por uma simples razão, além da que já expusemos aqui, o plano do edifício termal e o itinerário precisariam ser observados em conjunto no momento em que se planejava a localização interna dos vãos das portas, ou seja, os vãos que interligam um espaço ao outro acabariam por definir a contribuição da circulação à definição do tipo de plano a ser edificação pelos construtores.
Com relação ao itinerário (ou circulação) percorrido pelo banhista no interior da terma, podem ser classificados como itinerário retrógrado, quando o banhista percorria todo o trajeto no interior da terma até o ambiente cálido e voltava pelo mesmo caminho, e itinerário contínuo, quando o banhista percorria o trajeto podendo passar duas vezes por uma mesma sala (tepidarium de entrada e de saída) sem, no entanto, voltar pelo mesmo caminho que iniciou o percurso. Na arte a seguir sistematizamos os itinerários ou sentidos de deslocamento possíveis aos banhistas a partir dos dois principais:
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Ao lado dos itinerários, havia a intenção de estabelecer os tipos de planos mais conhecidos e disponíveis aos arquitetos das termas, e com os quais são atribuídas todas as classificações tipológicas desde a época de Krencker. Os dois principais eram os planos assimétricos e os planos simétricos.
Os assimétricos englobam o plano linear, o percurso do itinerário se fazia sobre um mesmo eixo de ambientes; o plano ortogonal, quando um dos ambientes está deslocado do eixo central da terma e, comumente, seriam os ambientes aquecidos que estariam situados num ângulo reto; e o plano circular, os ambientes são dispostos num desenho circular ou de anel.
Os planos simétricos poderiam ser o plano simétrico, considerando um tipo ideal, os ambientes são duplicados e dispostos em torno de um eixo de peças principais como o tripé frigidarium-tepidarium-caldarium e também alternativas que incluiriam a natatio e excluiriam o ambiente tépido, e o plano semi-simétrico, no qual o setor frio corresponderia ao tipo simétrico com os ambientes dispostos sobre um eixo de percurso, podendo ou não incluir os ambientes tépidos, e o setor aquecido que estaria deslocado do eixo principal e as peças não são duplicadas, mas dispostas livremente no interior do edifício.