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1.3 ÖRGÜTSEL DEĞİŞİME DİRENÇ

1.3.2 Örgütsel Değişime Direncin Bireysel Nedenleri

Existem vários tipos de custos que compõem os custos de transação. Os custos de transação incorridos até a efetivação do contrato são denominados custos ex ante, e compreendem os gastos relacionados com:

- Custos de identificação dos potenciais contratantes, que correspondem à prospecção de entidades com os quais se pretende contratar.

- Custos de busca de informação sobre os potenciais contratantes, que ocorrem quase simultaneamente aos gastos com a sua identificação e correspondem à tentativa de quebra (redução) da assimetria informacional entre as partes contratantes para que cada um conheça o outro além daquilo que estão dispostos a evidenciar; também visa reduzir o risco da seleção adversa.

- Custo de negociação; conhecendo aqueles com quem se pretende negociar e verificando as demais variáveis do ambiente contratual, as partes precisam analisar e decidir o nível de governança que será acordado, estabelecendo-se as salvaguardas e os critérios de punição.

- Custos de redação; com as regras contratuais negociadas e estabelecidas, as partes precisam redigi-las, em se tratando de um contrato escrito, ou estabelecê- las clara e firmemente, tratando-se de um contrato não escrito.

Sobre os custos de transação também incorrem os custos de transação ex post. Diferentemente dos custos ex ante, são os custos de transação incorridos após a efetivação do contrato e compreendem os gastos relacionados com:

- Custos de coordenação do negócio; decorrem da manutenção do acordo em vigência.

- Custos de monitoramento; são aqueles que verificam se a outra parte permanece cumprindo o que foi acordado, ou se está agindo oportunisticamente em prol de seu auto-interesse, ou seja, com o monitoramento se procura afastar o risco moral.

- Custo da busca de provas; muitas vezes, a ação oportunista do agente pode ser observada, mas não é verificável, ou seja, o contratante não consegue obter evidências que sirvam de provas para levar a questão a uma terceira parte isenta que julgará a “lide” (Poder Judiciário ou a um árbitro).

- Custos de ruptura contratual; ocorrem quando as partes rompem o contrato, incorrem em perdas com os ativos específicos (custos de perdas) e buscam ter seus danos reparados (recorrendo ao Poder Judiciário, por exemplo).

- Custos de perda de reputação; quando a parte identificada por ter rompido o contrato pode incorrer numa perda de reputação que tenderá a dificultar a efetivação de contratos futuros. Essa dificuldade pode ser verificada, dentre outras formas, pelo fato de entidades se recusarem a contratá-la ou por exigirem mais salvaguardas que antes, caso não tivesse rompido com o contrato anterior. - Custos de realinhamento contratual; ocorrem quando as partes voltam a negociar, estabelecendo novas salvaguardas e revendo as demais cláusulas contratuais.

- Custos de uma nova contratação; quando não é viável o realinhamento contratual e havendo interesse em continuar a operação que suscitou o contrato, as partes deverão buscar novos contratantes, iniciando-se novo ciclo cujos gastos corresponderão aos custos ex ante para o novo contrato.

Willianson (1975: 20-40) apresenta as características dos agentes econômicos que propiciam a existência dos custos de transação, entre eles o oportunismo que é a situação em que os agentes econômicos se movem em busca de seu auto-interesse, não havendo restrições ao comportamento aético. Para Siffert Filho (1996: 52-7), o oportunismo se caracteriza de diversas formas:

- Auto-interesse; significa que os objetivos (interesses) dos agentes podem não coincidir com os objetivos do principal, e o agente pode se ver tentado a alcançar seu auto-interesse em detrimento dos interesses do principal.

- Assimetria de informação ou informação privilegiada; são as ações do agente que não são facilmente observáveis pelo contratante. O agente, na busca de seu auto-interesse, tende a se beneficiar da dificuldade natural que aquele tem para observar suas ações e ainda pode tender a criar novos obstáculos, mantendo ou aumentando essa assimetria. Dessa forma, não consegue observar as conseqüências do oportunismo do agente, ou quando consegue, já é relativamente tarde para evitar o dano.

- Quase-renda; é um resíduo, ou seja, é um excedente medido pela diferença entre o melhor uso possível (mediante a coordenação natural) de um recurso em comparação com seu emprego atual (mediante uma coordenação específica). Esse excedente surge como conseqüência de um contrato caracterizado por ativos específicos e não é atribuível a qualquer dos contratantes individualmente, pois não existe um critério “objetivo” para dividi-lo entre as partes. Apresentam dois problemas relacionados ao oportunismo, a seleção adversa e o risco moral. O problema de seleção adversa pode acontecer ex ante à contratação, quando o potencial agente dispõe de informações que o potencial principal não tem e, em vista disso, oculta outras para aumentar suas chances de fechar o contrato, ou de

inserir, nesse contrato, cláusulas que lhe sejam favoráveis. Em outras palavras, a seleção adversa é aquela situação na qual o principal escolhe (seleciona) um agente com quem não contrataria caso a informação fosse simétrica. No que diz respeito à seleção adversa, a informação é assimétrica, entre outros motivos, pelo comportamento oportunista do agente. Já o problema de risco moral pode ocorrer ex post; uma vez que o contrato já foi fechado, o agente, agindo oportunisticamente, altera seu comportamento, utilizando os recursos que lhe foram confiados pelo principal de forma contrária ao que havia sido contratado pelas partes, buscando realizar seu auto-interesse e apropriando a quase-renda. Contrapondo ao oportunismo, Zylbersztajn in Zylbersztajn e Neves (2000:31-33) apresenta três razões para o agente não buscar seu auto-interesse com avidez:

- Garantias legais; correspondem ao ambiente institucional formal (aquele estabelecido pelo aparato legal: leis, normas, regulamentos etc.), de forma que o principal pode recorrer ao sistema judicial contra o agente oportunista.

- Princípios éticos; correspondem ao ambiente institucional informal (estabelecido por “regras” de conduta social e pelas sanções impostas por grupos sociais de intensa interação, quer pela força, quer pela exclusão), de forma que o agente pode ter sua reputação abalada em função de sanções impostas pela sociedade, podendo levá-lo a incorrer em custos maiores para transacionar com membros do grupo.

- Reputação; pressupõe freqüência nas transações e a consciência do agente de que seu oportunismo pode levar ao rompimento do contrato e, conseqüentemente, à interrupção do fluxo de renda futura. Então o agente (com sua limitada racionalidade – que será discutida adiante) compara o fluxo de renda futura projetado caso o contrato não seja rompido com o benefício que ele

pode obter oportunisticamente. Em outras palavras, o fluxo futuro de renda que o agente vai deixar de ganhar caso rompa o contrato é o custo de oportunidade da atitude oportunista. Portanto, a reputação surge de uma deliberação do agente após analisar os custos e benefícios do rompimento do contrato, caso ele opte por não rompê-lo, e sendo essa atitude reconhecida pelo grupo social com o qual o agente interage. Cabe observar que essa decisão ocorre num ambiente de risco (ou até de incerteza). Então, o fluxo de renda futura é projetado mediante consideração da distribuição das probabilidades (ou por arbitragem). Kreps (2004: 575-579) apresenta algumas ressalvas com relação à reputação, principalmente com relação à construção da reputação, como o ruído e a ambigüidade.

Siffert Filho (1996: 51-52) afirma que a racionalidade limitada considera que os agentes tentam ser racionais, mas só conseguem sê-lo parcialmente, ou melhor, os indivíduos são menos racionais do que gostariam. Pela teoria neoclássica, os agentes fazem escolhas entre uma determinada amostragem de alternativas; as escolhas são associadas a probabilidades de resultados e buscam maximizar o valor da utilidade de uma dada função.

A consideração da racionalidade limitada, tal qual o oportunismo, torna-se necessária para se desenvolver uma teoria condizente com o mundo real. Afinal, não é raro se observar que os agentes são incapazes de antecipar todas as contingências de um contrato, quanto mais de mensurar previamente todos os seus efeitos com razoável grau de assertividade. Pode-se afirmar que os agentes são racionais no sentido comum e assim, não se pode ignorar que eles:

- Não dispõem de um saber pronto para empregar sobre todas as alternativas que são oferecidas.

- Não conhecem integralmente as conseqüências de suas decisões.

- Não dispõem, necessariamente, de uma função de utilidade que eles buscam maximizar.

Saes in Zylbersztajn e Neves (2000:167) afirma que “os agentes econômicos são racionais, mas não conseguem prever nem processar todas as eventualidades”. Por fim, mais um conceito muito relevante da TCT é o da especificidade dos ativos. Um ativo é dito específico a uma transação quando seu valor é substancialmente reduzido se for empregado em um uso alternativo. Williamson (1981:1546) afirma que o indivíduo típico é menos competente e honrado que o homem-econômico usualmente empregado pela economia neoclássica. Com isso, Williamson sintetiza duas críticas da NEI à teoria neoclássica, demonstrando a racionalidade limitada e o comportamento oportunista.

Assim, pode-se propor a utilização dos elementos relacionados na Teoria dos Custos de Transação na análise de custos envolvidos no relacionamento entre organizações numa cadeia de organizações qualquer, permitindo que se tenha uma medida real dos custos ao se realizar as transações entre seus elos. Também é possível se propor a hipótese de que quando esses custos têm um aumento decorrente de ineficiências estabelecidas nesses processos, essas ineficiências serão repassadas sucessivamente e somadas a cada elo aos preços finais dos bens comercializados. Ainda que esses custos de transação não sejam medidos serão, de alguma forma, inputados; caso contrário, algumas organizações da cadeia apresentarão prejuízos até a sua falência total. Desta forma, cada organização na cadeia produtiva pela qual passa sucessivamente o fluxo de

produção proverá uma somatória dos acréscimos desses custos, até influenciar os preços finais nos mercados de consumo. Assim, a incidência dos custos de transação ao longo de toda a cadeia de organizações pode ser uma medida eficiente do desempenho de uma cadeia como um todo.

Ora, se é possível medir verticalmente os custos de transação em cada nível da cadeia de organizações e somá-los, também pode se tornar relevante estabelecer outras medidas ligadas aos custos de produção e logística em cada nível organizacional que, quando somadas, podem permitir a mensuração da eficiência da cadeia de organizações como um todo. Essas são as medidas que poderiam ser adotadas, entre outras: a somatória dos custos das ineficiências com os retrabalhos, com as perdas, com os estoques em excesso ou em falta, com falta de informações no tempo adequado e com os lead times exagerados ou incorretos. Assim, é possível se afirmar que existe a possibilidade de gerenciar estrategicamente uma cadeia de organizações como um todo, desde que se tenha acesso e controle sobre os custos dos fatores acima arrolados, e adicionar eficiência àqueles que estão envolvidos em cada organização-chave pertencente a essa cadeia.

Como decorrência dessas conclusões, a possibilidade de gestão estratégica de uma cadeia de organizações implica em promover a criação de uma forma de se levantar os custos observáveis de transação e os níveis de ineficiências (retrabalhos, perdas, estoques em excesso ou em falta, falta de informações no tempo adequado e lead times exagerados ou incorretos) nas organizações-chave e mensurá-los adequadamente para se iniciar a modelagem de um sistema de cadeia de organizações. .

Benzer Belgeler