2.2. ÖRGÜTSEL BAĞLILIK
2.2.3. Örgütsel Bağlılığın Sonuçları
As notícias relativas a acontecimentos, pessoas e lugares estão baseadas em determinados critérios de organização da informação para atender às diretrizes empresariais da rede noticiosa de TV e aos objetivos do seu telejornalismo. Para que o noticiário esteja na TV, é necessária a demanda cotidiana ao acervo de documentos audiovisuais previamente indexados pelos bibliotecários. Como profissionais da informação na rede noticiosa, os bibliotecários atuam como organizadores da informação e realizam o processamento técnico e intelectual dos documentos elaborados pelos jornalistas e cinegrafistas, documentos que serão recolocados em circulação em futuras reportagens. Como práticas informacionais destacadas do processamento, na análise dos
documentos audiovisuais, na indexação dos conteúdos e na recuperação da informação, há um alto nível de complexidade, de abstração e de subjetividade, como assinalam González e Arillo (2003), Brasil (2002, 2005a), Leon, M.P. (2005) e Quintana (2000), entre outros autores. Nessa perspectiva, os bibliotecários e jornalistas precisam traçar limites e construir possibilidades no exercício dessas etapas de produção e processamento dos documentos audiovisuais.
A informação no telejornalismo é um fenômeno social e uma construção coletiva. Agentes heterogêneos e plurais - materiais, discursivos, institucionais - participam da produção dessa modalidade de informação, entre eles os bibliotecários e os jornalistas, as tecnologias e as linguagens. A produção da informação se estabelece por meio de alinhamentos e ramificações de múltiplos parceiros, através dos quais o telejornalismo já não é o resultado unívoco de um trabalho de cunho jornalístico em sentido estrito, não é mais um produto feito exclusivamente por jornalistas. O jornalista deixa de ser, portanto, nessas condições, o usuário tradicional que vai ser provido de acesso à informação pelo bibliotecário. Cria-se aí uma mudança nas dinâmicas de trabalho, uma mistura entre as esferas da produção e da organização da informação, anteriormente condicionadas a atividades estanques, embora compatíveis e ainda isoladas, de jornalistas e bibliotecários. Assim, dá-se a passagem em que vem a atuar um novo ator, uma equipe multifuncional e interdisciplinar que, para cumprir suas atribuições na produção de reportagens e na construção da rede noticiosa de telejornalismo, exige acordos e negociações entre bibliotecários e jornalistas, técnicos e estagiários, o compartilhamento de vínculos, valores e conhecimentos para a produção de reportagens e telejornais.
Verifica-se que há novas condições de produção da informação em telejornalismo, com repercussões de interesse para a Ciência da Informação através de pesquisa empírica que busque conhecer e interpretar:
a) como situações locais e práticas informacionais cotidianas são efetivamente articuladas numa rede de relações de elementos heterogêneos, humanos e não humanos;
b) como a rede de relações, em torno das práticas informacionais, é constituída a partir do setor de documentação, enquanto pólo de conexões da rede noticiosa;
c) como os lugares e práticas dos bibliotecários se inserem na cadeia de produção do telejornalismo, com a diluição, em meio às rotinas, de fronteiras entre a produção e a organização da informação.
O interesse em estudar a rede de relações e os vínculos, valores e conhecimentos compartilhados por jornalistas e bibliotecários implica reconstituir, a partir da pesquisa de campo, as dinâmicas em que emergem acordos e negociações referentes à seleção, análise, indexação, pesquisa e recuperação de conteúdos presentes nos documentos audiovisuais do telejornalismo. Esses documentos são produtos informacionais, marcados pela reutilização e pela recontextualização freqüentes, sem o que não se processa na rede noticiosa o empreendimento do telejornalismo. No interior das empresas de comunicação, há um caráter negociado que vai ser decisivo para que seja estabelecida uma racionalidade na rede noticiosa. Como argumenta e confirma Alsina (1993), a produção de notícias é “um fenômeno negociado, constituído pelas atividades de uma complexa burocracia” (p. 108), através da interação de grupos de profissionais que fazem acontecer a rede
noticiosa de televisão. E assevera Ponte, C. (2005), as estratégias de interação serão “estruturantes da produção social da informação, da sua visibilidade e da negociação de sentidos por parte dos diversos participantes” (p. 102).
Na atualidade, as equipes dos setores de documentação de TV com formação técnico-profissional e habilidades diferenciadas interagem na consecução de processos e produtos que, realizados no contexto de uma rede de emissoras de televisão, dão vida àqueles conhecimentos e procedimentos hábeis que configuram suas práticas informacionais. Nessa perspectiva, constitui- se uma complexa rede de atores, atividades e propósitos que encarnam uma determinada modalidade de informação. Numa síntese dos pressupostos expressos anteriormente, pretende-se afirmar que:
• A atuação dos bibliotecários no telejornalismo atual favorece em suas práticas uma certa possibilidade de escolhas na análise, indexação e recuperação dos documentos audiovisuais, com a agregação de valor aos documentos com que trabalham;
• Critérios, conhecimentos, regras e procedimentos para organizar a informação se tornam objetos de troca intensiva entre os bibliotecários e os jornalistas como condição prévia para objetivar a rede noticiosa;
• Valores e princípios norteadores, identificação de conteúdos temáticos, procedimentos de seleção, análise e indexação de documentos passam por micro-processos e negociações cotidianas. Reformulações e atualizações de regras se tornam possíveis no transcorrer das rotinas
produtivas que envolvem bibliotecários e jornalistas, como atores interdependentes da rede noticiosa;
• Como rede sociotécnica, a rede noticiosa se constitui a partir de práticas
informacionais e de relações que integram humanos (bibliotecários e jornalistas, cinegrafistas, executivos, engenheiros, editores de texto, editores de imagem, operadores de áudio, estagiários, entre outros) e não humanos (câmeras, softwares, fitas de vídeo, CDs, monitores de vídeo, microfones, ilhas de edição, transmissores, discos óticos etc). As relações de bibliotecários e jornalistas podem ser apreendidas nas situações locais e cotidianas, permeadas por gamas de interesses díspares dos diferentes atores sociais que se expressam na rede noticiosa;
• A organização da informação em telejornalismo se processa e se expressa através de pactos, disputas, controvérsias e misturas que delimitam os lugares e posicionamentos de bibliotecários e jornalistas na rede noticiosa.
Enfatiza-se, portanto, na pesquisa ora apresentada, o movimento que visa repor em circulação o objeto informacional e que, para fazê-lo, o qualifica como informação jornalística viva para os telespectadores. Em outras palavras, ao enfocar a mistura e a tensão entre a produção e a organização de informação em telejornalismo, pretende-se entender como a informação se processa em uma rede noticiosa de TV e como se dá a negociação entre os sujeitos visíveis da mídia - profissionais de comunicação como os jornalistas -, e os sujeitos invisíveis - profissionais da informação como os bibliotecários -, sob as injunções do ritmo industrial da televisão.
A pergunta que a pesquisa pretende responder é:
Como se estabelecem a rede de relações, as regras, os critérios e as negociações nas práticas de seleção, análise, indexação, pesquisa e recuperação de informações em documentos audiovisuais para a realização do telejornalismo?