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2.4. Örgütsel Bağlılık Kavramı

2.4.3. Örgütsel Bağlılığı Etkileyen Faktörler

A teoria dos sistemas de Niklas Luhmann consiste em uma evolução do pensamento do sociólogo político do americano Talcott Parsons, o qual analisava a sociedade por meio de uma fusão entre teoria da ação e teoria dos sistemas. A teoria de Parsons pode ser definida pela expressão action is system, na medida em que realiza o sincretismo entre o realismo normativo de Émile Durkheim e o subjetivismo de sentido de

90 “[…] A comunicação é concebida como a unidade sintética que emerge de uma tríplice seleção: (i) partindo da seleção de uma informação qualquer; (ii) tem de ser possível diferenciar a informação selecionada internamente por um sistema do ato de comunicar essa informação, a expressão performativa; e (iii) tem de ser possível diferenciar a reação da compreensão da expressão performativa dessa mensagem propriamente dita, o que pode ocorrer tanto como consenso quanto como dissenso. A expressão performativa é a seleção pela qual um sistema observa: em si mesmo, a informação selecionada internamente e, no ambiente, seu efeito sobre a compreensão”. (BACHUR, João Paulo. Às portas do

labirinto: para uma recepção crítica social de Niklas Luhmann. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2010,

p. 64).

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Max Weber. Sua principal contribuição foi descobrir que “[…] a construção de estruturas sociais se realiza sob a forma de sistemas, e a operação basal sobre a qual esse sistema se constrói é a ação.”92

A teoria de Parsons apresenta-se em duas fases distintas; na primeira fase, marcada pelo livro The Social System (1951), há a aproximação com o funcionalismo

estrutural, na medida em que se propõe a consolidar o marco teórico da manutenção da

estrutura nos sistemas, ou seja, foca sua análise, em primeiro lugar, nos problemas de manutenção da estrutura, e não tanto em relação à própria constituição do sistema. Com isso, quer-se dizer que Parsons pressupõe os sistemas sociais com determinadas estruturas e busca identificar as relações funcionais necessárias para a sua manutenção. Esta premissa de análise da complexidade social rendeu a Parsons a crítica de estar contemplando os sistemas sociais como imutáveis e, com isso, justificar, às escondidas, o status quo da realidade social93.

Porém, em sua segunda fase iniciada a partir da década de 1960, Parsons distancia-se deste tipo de funcionalismo, fornecendo contribuições valiosas para a Teoria dos Sistemas94.

Com isso, Parsons tenta conciliar a teoria da ação e a teoria dos sistemas, ao compreender que a construção de estruturas sociais se realiza pela forma de sistema e a operação pela qual esse sistema se constrói é a ação, realizada por sujeitos psíquicos e orgânicos. A partir desta percepção, Parsons pretende identificar os componentes da ação e traçar uma teoria analítica da mesma; para tanto, empresta de Weber o esquematismo fim/meio, a fim de identificar qual o fim perseguido pelo ator ao agir, e de Durkheim, a noção originária de sociedade – semelhante à precedência pré-contratual do contrato –, por considerar que, para que o ator realize a ação, este deve possuir um arcabouço valorativo capaz de identificar os meios para a realização de determinados fins95.

Parsons crê que existam quatro componentes básicos para que uma ação se realize: instrumentais (meio)/consumatórios (fins), interno (relação do sistema para fora)/

92 LUHMANN, Niklas. Introdução à Teoria dos Sistemas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009, p. 42.

93 Sobre o tema, ver artigo denominado “Sociologia como teoria dos sistemas sociais.” In: SANTOS, José Manuel (Org.). O pensamento de Niklas Luhmann. Covilhã/Portugal: UBI- Universidade da Beira Interior, 2005. (Coleção Ta Pragmata), p. 71.

94 LUHMANN, op. cit., p. 40-41.

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externo (relação do sistema com suas próprias estruturas). A combinação dos quatro elementos implica na verificação de quatro funções conhecidas como AGIL: Adaptation (adaptação), Goal-attainment (obtenção de fins), Integration (integração) e Latent

pattern-maintenance (manutenção de estruturas latentes).

A partir desse modelo, Parsons se serve de um instrumental teórico que permite não mais analisar a totalidade incansável do indivíduo, mas tão somente os componentes analíticos da ação. Deste modo, parte do pressuposto de que o ator se dirige a uma situação específica (persegue um fim) dentro de estruturas articuladas na forma de um sistema. Isso supõe um sistema integrado internamente (integração), que se adapta a situações externas (adaptação).

Um sistema social emerge na medida em que possa preencher todas as variáveis da ação, repetindo, dentro de si, as combinações do AGIL:

Tabela 1 – Combinações do AGIL

Fonte: Nafarrate96

Portanto, o sistema social compõe-se por relações sociais, destinadas a cumprir as quatro funções acima, identificadas por Parsons da seguinte maneira: (i) Economia: conduz à adaptação voltada para o futuro, na medida em que, por meio da formação do capital, o sistema social está apto a resolver situações que não podem ser previstas de antemão; (ii) Política: garantir o caráter consumatório das necessidades presentes, ou seja, atingir a realização de metas sociais; (iii) Comunidade (communal

system): responsável pela integração, consiste nas aproximações terminológicas de caráter

96 Ilustração extraída de: NAFARRATE, Javier Torres. Luhmann: la política como sistema. Ciudad de México: Universidad Iberoamericana/Facultad de Ciencias Políticas y Sociales, 2004, p. 96. O mesmo esquema pode ser visto em LUHMANN, op. cit., 2009.

Integración Mantenimiento de estructura Adaptación Obtención de fines latentes Sistema Actuar em situación Interior Exterior

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emocional e afetivo; e (iv) Instituições culturais: compartimento de maior especificação que a cultura responsável pela manutenção das estruturas de comportamento, ou seja, tem como função que os valores sociais sejam aceitos, tais como as universidades e escolas.

Porém, Parsons, apesar de introduzir uma concepção de sistemas, não abandona os elementos da teoria da ação, na medida em que define os sistemas sociais como sendo: 1) a interação de duas ou mais pessoas; 2) o fato de essas pessoas, ao agir em conjunto, levarem em conta a forma como as outras vão agir; e 3) o fato de que, às vezes, estas pessoas agem em conjunto, objetivando alcançar objetivos comuns. Sobre a perspectiva de Parsons sobre a sociedade, Dahl oferece um interessante diagrama:

Figura 2 – Diagrama sobre a perspectiva de Parsons

Fonte: Dahl97

De acordo com Parsons, um sistema político, ou econômico, constituiria uma parte, aspecto ou subsistema de um sistema social. Esta concepção é ilustrada pela Figura 2 [acima representada], onde AC representa o conjunto de todos os subsistemas políticos, e ABC representa os subsistemas que podem ser considerados como políticos ou econômicos, dependendo do aspecto que nos interessa. Exemplos de ABC seriam General Motors, a Junta de Governadores do Sistema Federal de Reserva, a Agência do Orçamento – nos Estados Unidos da América. Exemplos brasileiros seriam a companhia Volkswagen, o Ministério da Fazenda, o Banco Central.98

Levando-se este pensamento de Parsons para a análise da democracia, pode-se concluir que, nesta perspectiva, uma sociedade democrática apenas seria possível

97 DAHL, Robert Alan. Análise Política Moderna. 2. ed. Brasília: Universidade de Brasília, 1988, p. 16. 98 Ibid., loc. cit.

C SOCIEDADE AC Sistemas políticos BC Sistemas econômico AB

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com a democratização de todos os subsistemas que a compõem. Assim, para se conquistar uma sociedade democrática, devem-se democratizar as partes que constituem o todo, tais como a relação de trabalho, educacional, familiar, econômica e, não se pode olvidar, políticas e jurídicas. Segundo a leitura que Robert Dahl faz do sociólogo em comento, pode-se “[…] definir uma sociedade democrática como um sistema social que contém não só subsistemas políticos democráticos, mas também outros subsistemas, que contribuem de forma direta ou indireta para fortalecer os processos políticos democráticos”99; em contraposição, pode-se vislumbrar uma sociedade autoritária por identificar “[…] muitos subsistemas importantes, tais como a família, grupos religiosos, o sistema educacional – todos eles dando apoio aos processos totalitários.”100

Nesta perspectiva, observa-se uma constatação histórica de que não se pode instituir uma democracia meramente jurídica; ou seja, não basta que a Constituição declare tratar-se de um Estado Democrático de Direito, pois a democracia depende de uma formação social democrática. Assim, a constituição democrática da sociedade deve ter suas raízes fincadas numa sociedade democrática, sob pena de se tornar um aparato meramente retórico101.

Sobre esta perspectiva, Robert Dahl lembra que, conforme constatado por Alexis de Tocqueville (A Democracia da América), a estrutura organizacional dos Estados Unidos, formada por igualdade de condições sociais e econômicas, incentivos à economia, costumes e crenças religiosas, dentre outras condições, davam suporte ao sistema político

democrático, sendo certo afirmar que a sociedade é democrática na medida em que seu

sistema político esteia-se em outros diversos fatores sociais democráticos.

Do mesmo modo, após a Segunda Guerra Mundial, alguns observadores afirmavam ser precária a implantação de uma democracia na Alemanha, em razão da tendência autoritária das outras instituições sociais, tais como a família, as escolas, as igrejas, as empresas e, de modo geral, o relacionamento entre autoridades estatais e cidadãos. Sobre o tema, o cineasta Michael Haneke, em seu filme Das weiße Band (A Fita

Branca)102, objetivou explicar as origens do nazismo pela perspectiva do autoritarismo

99 DAHL, Robert Alan. Análise Política Moderna. 2. ed. Brasília: Universidade de Brasília, 1988, p. 17. 100 Ibid., loc. cit.

101 Esta conclusão também foi percebida por Marcelo Neves, ao tratar dos efeitos da Constituição simbólica, a qual serve apenas como aparato retórico.

102 DAS WEIßE BAND (A Fita Branca). Direção e Roteiro: Michael Haneke. Distribuidora: Imovision. Duração: 144 min. Áustria, 2009. (Site oficial: http://dasweisseband.x-verleih.de).

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existente em instituições sociais afora o sistema político, tais como a família, a religião e a educação, demonstrando que o apoio a um sistema autoritário decorre da pré-existência do autoritarismo nas outras esferas de convivência humana.

Esta perspectiva de Parsons é de grande valia para o estudo da democracia, ainda que se deva modificar o paradigma, ou seja, deixar de observar as estruturas do sistema social como algo pré-concebido e analisar a própria formação das diferenciações funcionais para se lograr atingir uma sociedade democrática. Assim, não se investigará apenas o relacionamento das “partes” que compõem o sistema social, mas, principalmente, como se dá a constituição destas “partes” nas sociedades modernas, para, após, verificar suas interações. Em termos mais claros, não é a democratização dos subsistemas sociais que formam uma sociedade democrática – tal como preconizou Parsons –, mas, sim, a própria evolução social que requer a geração de sistemas sociais diferenciados funcionalmente e autopoiéticos.

Isso porque, apesar da contribuição de Parsons para a teoria sistêmica – enfatizada por reiteradas vezes nas obras de Niklas Luhmann103 –, sua perspectiva estrutural-funcional comete a falha de considerar, como premissa teórica, o conceito de estrutura preordenado ao conceito de função; com isso, fica impedida de questionar como se dá a formação das estruturas sociais e indagar o sentido da formação sistêmica. Deste modo, ao se inverter a premissa de Parsons para uma perspectiva funcional-estrutural da teoria sistêmica, Luhmann logrou problematizar questões como a função da diferenciação sistêmica para a evolução social – eminentemente ligada à definição de democracia e o modo de interação entre os mesmos104. Esta perspectiva é fundamental para a compreensão da democracia na modernidade, dado que se torna necessário pensar a forma de diferenciação estrutural das sociedades e o modo de comunicação entre sistemas para se lograr conquistar este primado.

103 Vide LUHMANN, Niklas. Introdução à Teoria dos Sistemas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009, p. 35-59. Id.

Sociologia do direito I. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro, 1983, p. 29-37, dentre outras.

104 SAMIOS, Eva Machado Barbosa; NEVES, Clarissa Eckert Baeta (Orgs.). Niklas Luhmann: a nova Teoria dos Sistemas. Porto Alegre: UFRGS; Goethe Institut; ICBA, 1997, p. 12.

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