3.2.2.1. Professora colaboradora
Um perfil mais detalhado e completo da professora e de sua filosofia de ensinar será apresentando no capítulo de resultados (Cap. 4). Nesta seção, descrevo, brevemente, sua trajetória acadêmica. A participante, cujo pseudônimo escolhido é Nina, é uma professora de 24 anos de idade, atuante nessa escola, onde ela começou a trabalhar no início do ano de 2015.
Além da escola, Nina estudou Inglês desde criança em um curso particular, sem concluir todos os níveis, pois mudou de cidade para cursar sua graduação. Naquele curso, mais tarde, ela atuou como monitora e hoje é professora. Portanto, ela teve contato com a língua inglesa durante toda sua vida e sempre mostrou vontade de lecionar o idioma.
No ano de 2014, ela se formou no curso de Letras com habilitação em Inglês/Português em uma universidade federal. Durante seu processo de formação, ela participou de projetos de extensão, como PIBID e um projeto de extensão em língua inglesa dessa universidade, o qual chamarei de CEL.
O PIBID Inglês (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) é um programa da CAPES juntamente com a universidade, criado no ano de 2010, que busca a melhoria do ensino de Inglês dentro da sala de aula em escolas públicas. Além disso, é uma oportunidade para os estudantes do curso de Letras da universidade vivenciarem o contexto de ensino da língua inglesa nessas escolas antes mesmo de se formar. Os bolsistas do projeto ajudam a professora e os alunos em sala de aula por meio da orientação aos alunos, aplicação e criação de dinâmicas e atividades lúdicas, bem como a confecção de materiais que possam auxiliar no desenvolvimento das aulas e, consequentemente na melhor aprendizagem dos alunos.
O centro de extensão mencionado faz parte de um projeto do Departamento de Letras da universidade na qual a participante se formou. O curso foi criado com o intuito de oferecer aos estudantes e funcionários, do campus da universidade, como também à comunidade, cursos a preços mais acessíveis, em horários compatíveis com os horários de aulas e de expediente da instituição. O CEL é uma oportunidade para a prática e o aperfeiçoamento profissional dos estudantes do curso de Letras, uma vez que todos os professores desse curso de extensão estão vinculados à licenciatura em Língua Inglesa. Aproximadamente 750 alunos são atendidos pelo curso, desde o nível básico de conhecimento linguístico ao nível avançado. Para lecionar no CEL, os estudantes são submetidos a etapas seletivas nas quais se verificam, por meio de entrevistas, a competência linguística dos candidatos. Após essa seleção, busca-se desenvolver os conhecimentos relativos a abordagens e metodologias de ensino de línguas estrangeiras, por meio de um curso preparatório.
45 Estados Unidos, no período de três semanas, com o objetivo de aperfeiçoar o Inglês. Atualmente, Nina trabalha em uma escola regular, contexto desta pesquisa, em um curso privado de Inglês, anteriormente mencionado, o qual, neste trabalho, será denominado ‘English Center’, além de ministrar aulas particulares em sua casa. Embora tenha uma rotina pesada e trabalhe em vários locais diferentes, é importante ressaltar que Nina não recebe acompanhamento de nenhum projeto de formação continuada.
Faz-se necessário mencionar que Nina e eu já tínhamos uma forte relação de amizade antes que o processo de CI se iniciasse, o que facilitou que ela confiasse em mim para tratar sobre suas fragilidades emocionais, relações delicadas no seu local de trabalho e dificuldades pedagógicas. Portanto, a fase do CI de iniciar o contato com o professor orientado tentando criar uma relação, mesmo que mínima, de confiança, como defendido por Knight (2007), não precisou ser feita.
3.2.2.2. Pesquisadora participante
A formação da coach em questão deve ser exposta, pois Knight (2004) defende que, para um bom desenvolvimento do procedimento de
coaching, é necessário que os coaches sejam professores que se sintam
confortáveis em sala de aula, ou seja, que tenham segurança para tratar dos assuntos propostos. Assim, exponho, brevemente, minha formação: concluí o curso de Letras pela Universidade Federal de Viçosa com habilitação em Português/Inglês em 2013, e concluirei o mestrado na área de Linguística Aplicada na mesma Universidade, em 2016. Durante toda a graduação, atuei em projetos que auxiliaram minha formação profissional, tais como: PIBID, CEL (projeto de extensão), Inglês sem Fronteiras (IsF) e pesquisa de iniciação científica.
No PIBID, trabalhei como estagiária durante seis meses. Assim, tive a oportunidade de acompanhar a rotina dos professores de escola pública. No CEL, fui monitora durante seis meses, professora de Língua Inglesa p o r a p r o x i m a d a m e n t e c i n c o a n o s e acompanhei uma professora iniciante durante um ano. No IsF trabalhei, durante um ano, com a preparação de alunos que fariam o exame de proficiência denominado TOEFL, bem como em cursos de Inglês que focavam habilidades específicas, tais como: fala, gramática,
leitura e escrita. Por fim, no projeto de iniciação científica, produzi o trabalho intitulado “Experiências de professores em formação: o papel de um curso de extensão na construção identitária de uma professora”, o qual foi resultado do acompanhamento pedagógico supracitado. Nessa pesquisa, investiguei como as experiências vivenciadas pela participante contribuíram para a construção de sua identidade e para sua formação profissional. Considerei as experiências como aprendiz e monitora antes que ela ingressasse no curso de Letras; as vivenciadas durante o curso de Letras e em um curso de extensão; e as que ocorreram durante o acompanhamento pedagógico.