2. MATERYAL VE YÖNTEM
3.4. TARTIŞMA
3.4.2. Örgütsel Çatışma, Performans Değerlendirme Algısı, İş Tatmini ve Rol
Todas as sociedades produzem seus estranhos.
A partir do momento em que temos um discurso que prioriza e privilegia determinadas formas específicas de condutas e modos de ser e estar no mundo, estamos diante de um cenário predeterminado em que os indivíduos são impelidos a ocupar.
Na atualidade, o cenário espetacular pós-moderno autentica e reconhece os sujeitos- personagens capazes de participarem efetivamente de seus trâmites, ao passo que relegam ao limbo os que, por diversos motivos, apresentam-se aquém ou além do discurso social vigente.
Em todas as épocas, desde o momento em que os seres humanos passaram a se constituírem em grupos, sempre houve, por assim dizer, uma divisão de classes: as classes dominantes e as classes dominadas.
Todas as sociedades criam suas determinadas regras, bem como seus ideais supervalorizados, contudo, jamais criam as possibilidades para que todos os indivíduos e grupos sociais consigam conquistar seu quinhão de participação na cena proposta. Nos dias de hoje esta situação é facilmente visível. De fato, a maior parte da população (tomando-se o caso do Brasil) está à margem do ideal de felicidade e bem-estar estimulado pelo discurso capitalista e consumista. O número de excluídos é sempre superior ao contingente de pessoas que podem desfrutar das maravilhas do mundo novo.
Numa sociedade de consumo, os indivíduos necessitam de poderes aquisitivos consideráveis para conseguirem usufruir dos produtos que lhe garantiriam acesso ao espetáculo. Em sua raiz, a essência do ideal capitalista pressupõe sempre uma pequena elite dominadora em contraposição a uma maioria de excluídos e marginalizados. As formações de qualquer espécie de elite dependem, intrinsecamente, da produção dos excluídos e dominados. Desta forma, a própria possibilidade de participação efetiva por parte das classes assujeitadas se torna praticamente impossível, uma vez que as condições básicas para a viabilização disso
lhe são retiradas de antemão. Geralmente, as subclasses possuem subempregos (quando possuem), sobrevivendo de subsalários, construindo subestilos de existência, sendo perpetuamente subjugados pelas elites espetaculares.
Se os estranhos são pessoas que não se encaixam nos mapas cognitivos, moral ou estético do mundo [...] se eles poluem a alegria com a angústia, ao mesmo tempo em que fazem atraente o fruto proibido; se, em outras palavras, eles obscurecem e tornam tênues as linhas de fronteira que devem ser claramente vistas; se, tendo feito tudo isso, geram a incerteza, que por sua vez dá origem ao mal-estar de se sentir perdido – então cada sociedade produz esses estranhos. [...] ela não pode senão gerar pessoas que encobrem limites julgados fundamentais para a sua vida ordeira e significativa, sendo assim acusadas de causar a experiência do mal-estar como a mais dolorosa e menos tolerável. (BAUMAN, 1998, p. 27).
Assim sendo, podemos compreender que estes “estranhos”, produzidos no âmago das condições sociais, representam uma parcela de fracassados e incapazes. Ao mesmo tempo em que sua existência é pré-condição para a possibilidade de existência das elites, estes excluídos são identificados pelos signos do fracasso social. São, por assim dizer, a vergonha do ideal de sucesso espetacular, estes que devem ser escondidos do Palco Social, pois sua simples presença incomoda as classes dominantes, é uma presença ameaçadora representantes- símbolos da miséria e da falta de sorte. “A sociedade proclamou-se oficialmente espetacular. Ser conhecido fora das relações espetaculares equivale a ser conhecido como inimigo da sociedade” (DEBORD, 1997, p. 180).
Hoje em dia, todo o espectro de instabilidades e incertezas dos dispositivos pós- modernos – estes se concretizando na liquefação das instituições e dos bens duráveis –, tudo isto perpetua, por fim, a marginalização dos excluídos da sociedade espetacular. Indivíduos que nascem e crescem sob condições bio-psico-sociais desfavoráveis, muito raramente conseguirão reverter tal situação ao longo de sua existência. Isto porque a continuidade do espetáculo depende da ininterrupta reprodução da miséria e de seus excluídos. As elites, a possibilidade de existir determinado status mesmo que imaginário, a existência da fama e posições de destaque, tudo isso só é possível numa configuração social em que a heterogeneidade das classes é alicerce das relações desiguais de poder. Algo só pode ser desejado e almejado quando falta àquele que o contempla; do mesmo modo, o reconhecimento provém dos pares de iguais, mas, fundamentalmente daqueles que são “inferiores” a tal condição e que desejam o mesmo status e reconhecimento dos personagens assistidos.
Não requeridas como produtoras, inúteis como consumidoras – elas são pessoas que a “economia”, com sua lógica de suscitar necessidades e satisfazer necessidades,
poderia muito bem dispensar. O fato de estarem por perto e reivindicarem o direito à sobrevivência é um aborrecimento para o restante de nós. [...] Não há emprego suficientemente significativo para todas essas pessoas vivas e não há muita perspectiva de, algum dia, equiparar o volume de trabalho com a multidão daqueles que o querem e o necessitam para escapar à rede de “transferências secundárias” e ao estigma a ela associado. (BAUMAN, 1998, p. 196).
Os ditos “fracassados” na cena espetacular, encontram-se, por assim dizer, numa posição subjetiva de extremo desamparo em relação à sociedade do espetáculo. Como se não bastasse sua miséria em termos de recursos financeiros e materiais, estes sujeitos ainda sofrem as sucessivas frustrações simbólicas da contemporaneidade capitalista ao extremo.
Por fim, os “estranhos ao espetáculo” não pertencem somente às classes dominadas, àquelas sem favorecimento financeiro e educacional, em suma, os ditos pobres e miseráveis. O espetáculo produz seus estranhos, independente da classe social a que pertencem os indivíduos. Assim, os estranhos na atualidade são todos aqueles indivíduos que não compartilham da adesão ao espetáculo, seja por motivos de força maior provindos de circunstâncias reais, seja por uma intenção e opção voluntária. A relutância do sujeito em aderir às identificações com os símbolos brilhosos do espetáculo, preservando sua identidade particular em meio a toda cultura globalizante e massificadora, o destina a um rótulo de “inimigo nocivo” da sociedade.
Neste cenário, o espetáculo está em toda parte, e as demandas veiculadas pelos discursos sociais fazem o sujeito titubear diante de suas decisões. O mal-estar pertencente aos estranhos, neste sentido, diz respeito ao sentimento de dúvida permanente – produto das multipossibilidades espetaculares, bem como, um sentimento de culpa e dívida para com a sociedade do espetáculo.