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Örgütlerde Kontrolün Analizi: Örgütsel ve Yönetsel Alanlar

BÖLÜM 2: ÖRGÜTLERDE KONTROL ve YÖNETİM UYGULAMALARI-

2.3. Örgütlerde Kontrolün Analizi: Örgütsel ve Yönetsel Alanlar

Tem hora que eu me pergunto: mas de onde vem tanta coisa? E a gente não conhece nada! Dona E, 52 anos.

De um modo geral, o CET dos habitantes mostrou-se racionalmente coerente com o conhecimento entomológico acadêmico (CEA). Uma vez que os indivíduos estão agindo com base em motivos “racionais”, pode-se dizer que o conjunto de conhecimentos e crenças que constituem seu corpus etnoentomológico se caracteriza como um tipo de cognição que Anderson (1996) denominou de “quente” (hot cognition). Segundo este autor, quanto mais “quente” a cognição sobre um determinado objeto, mais os indivíduos tendem a pensar,

conhecer, falar e agir sobre ele. E os moradores de Pedra Branca manifestam comportamentos, conhecimentos e atitudes notavelmente particulares com relação aos insetos.

A etnotaxonomia de alguns grupos de insetos é discutida ao longo do texto de forma muito breve, visto que o presente trabalho privilegiou a percepção e as formas de uso ao invés dos princípios classificatórios. Desse modo, o sistema de classificação etnoentomológico dos habitantes de Pedra Branca precisa ser mais investigado, desenvolvendo-se estudos lingüísticos para discutir com maior segurança a semântica dos nomes populares dos insetos e as características taxonômicas do sistema de classificação local.

A correspondência entre a fenologia de alguns insetos e os fenômenos biológicos relacionados, segundo os marcos cronológicos e climatológicos percebidos pelos entrevistados, encontra-se disponível na Tabela 5. Apenas para citar um exemplo, comenta-se sobre as borboletas: No mês de dezembro passa tanta borboleta vinda do sul para o norte.

Tem dia que chega de nuvem aqui. Tanta borboleta, de toda cor. A mais que dá aqui é amarela, mas passa mesmo de não parar (Dona L., 57 anos). A passagem de “nuvens de

borboletas” no povoado de Pedra Branca no mês de dezembro talvez possa ser explicada pelo fenômeno migratório que esses lepidópteros realizam ora em busca de fontes de nutrientes, pois os machos necessitam absorver sais minerais que são essenciais à sua nutrição e maturação sexual, ora à procura de locais quentes e próprios para sua reprodução. Na Amazônia, a concentração de borboletas é conhecida como panapaná. Otero e Marigo (1990) afirmam que nuvens formadas por milhares de machos do pierídeo Phoebis philea (L., 1763) aventuram-se até pelo oceano a longas distâncias da costa.

Procurou-se saber como os indivíduos diferenciam borboletas de mariposas. Segundo as características salientadas pelos entrevistados, as diferenças são as seguintes: as mariposas são “gordinhas”, cabeludas, soltam poeira ou cinza e são atraídas pela luz das lâmpadas residenciais e dos postes de eletricidade; as borboletas são “sequinhas”, lisas, limpas (sem pó)

Tabela 5. Correspondência entre a fenologia dos insetos e os fenômenos biológicos relacionados, segundo os marcos cronológicos e climatológicos percebidos pelos moradores do povoado de Pedra Branca, Santa Terezinha, Bahia.

Marcos cronológicos e climatológicos

Insetos Fenômenos biológi- cos relacionados

Depoimentos

Inverno Lagarta-sete-couro Reprodução Só se vê mais no inverno (Seu D.,

+ 70 anos).

Mês das flores Abelhas Ecologia trófica O tempo que elas mais aparece é no mês das flores (Dona L., + 60

anos).

Tempo do café Marimbondos Ecologia trófica? Os marimbondos aparecem mais em agosto, no tempo do café (Seu

J., + de 80 anos). Serrador Ecologia trófica/

Reprodução

Ele só aparece nos tempos do caju

(Seu E., 62 anos). Tempo do caju

Cigarra Reprodução O tempo da cigarra é o tempo do cajueiro botar flor e dar o caju. Quatro meses que ela aparece

(Seu E., 62 anos).

Tempo do fumo Grilo Ecologia trófica O grilo aparece mais em tempo de plantação de malhada de fumo, que a pessoa planta e eles volta e come tudo (Seu J. R., + 60 anos).

Besouro-de-chifre Lucifilia Aparece em tempo de trovoada, nos postes de luz (P., 19 anos).

Trovoada

Lagarta-de- preguiça

Reprodução Ela dá em época de trovoada

(Dona R., 55 anos).

Cont.

Marcos cronológicos e climatológicos

Insetos Fenômenos biológi- cos relacionados

Depoimentos

Tanajura Reprodução Aparece na época de trovoada (Dona M., 55 anos).

Jequitiranabóia Lucifilia Quando é tempo de trovoada, de trovão forte, quando é no outro dia pode olhar que se encontra ela assim nos postes (Seu J., 80

anos). Bichinho-da-

fartura

Reprodução Quando é tempo de trovoada, aí elas aparecem toda carregadinha

(Dona M., 73 anos).

Cigarra Reprodução Tempo de cigarra é verão (Dona

M., 55 anos). Verão

Marimbondo-três- irmãos

Reprodução Ele gosta mais de verão (Seu Z.,

53 anos).

Dezembro Borboletas Migração No mês de dezembro passa tanta

borboleta vinda do sul para o norte (Dona L., 57 anos).

e são atraídas pelas flores. Enquanto que as mariposas são maiores que as borboletas, estas têm asas mais largas. Segundo dados da literatura pertinente (LIVO; MEGLATHERY; LIVO, 1995), as diferenças entre mariposas e borboletas são as seguintes: as primeiras costumam ser ativas à noite, enquanto que as segundas normalmente estão ativas durante o dia; as mariposas, embora sejam lindamente coloridas, tendem a ter poucas cores vistosas e

brilhantes; elas têm antenas filamentosas, enquanto que as antenas das borboletas são claviformes e finas; a maioria das mariposas mantém suas asas fechadas quando em repouso e as borboletas mantêm suas asas abertas na perpendicular; a maioria das mariposas tem um pequeno gancho ou cerda na margem frontal de cada asa posterior que as une às asas anteriores.

Sobre o louva-deus, foi dito que só tem vida enquanto não faz sexo. A fêmea come a

cabeça do macho e ali ela está enxertada (Seu F., 40 anos). De fato, não há como analisar a

sexualidade de qualquer espécie de mantódeo sem considerar a questão do canibalismo sexual ou androfagia – ato de a fêmea devorar o macho antes, durante ou após a cópula (TERRA, 1996).

Baseando-se em desenhos esquemáticos, registrou-se a topografia corporal de pelo menos quatro tipos de insetos com o objetivo de saber como os indivíduos denominam as partes externas (Fig. 7). Por exemplo, antenas também são chamadas de chifres ou barbas; e as antenas curtas, como as do bicho-pau, são chamadas de chifrinhos. As pernas são rotuladas de pés ou patas, sendo que a porção final do primeiro par de pernas pode ser chamada de mão, como disseram para a mosca. O abdome geralmente é denominado de barriga e a porção final de cabo ou ferrão. Dependendo da habilidade de observação do indivíduo e do tamanho das estruturas corporais dos insetos, às vezes determinadas partes não são conhecidas e/ou nomeadas, como fica evidente no seguinte trecho: “Borboleta tem barba e a cigarra não tem.

É sempre assim os tipos de inseto de um pro outro. Sempre tem uma diferençazinha, tem um modelo de um não se combinar com um outro (Seu E., 62 anos).

Ainda com relação à percepção da morfologia do inseto, os entrevistados empregam os termos “bitelo” e seu derivado, “bitelão”, para se referirem a um inseto de médio a grande porte, como o besouro-de-chifre (Dynastes hercules [L., 1758]) e outras espécies de escaravelhos.

Mão Braço/Patinha Pescoço Ferrão/Cabo Chifre/Chifrinho Ol ho Boca Perna Barriga Co rpo Perna Corpo Antena/Chifre Mão Cabeça Pena/Asa Costas Olho Asas Pés/Pernas/ Patas Barriga Olho Cabeça Chifre/Barba/Antena Corpo Asas Barriga Cabeça Perna Antena

Fig. 7. Topografia corporal de um bicho-pau (Phasmatodea), de um barbeiro (Hemiptera), de uma cigarra (Homoptera) e de uma mosca (Diptera), de acordo com os termos apontados por cinco, três, cinco e quatro informantes, respectivamente. Desenhos extraídos de Revel (1990).

Como pode ser observado na discussão acima e a partir dos próximos capítulos, o conhecimento etnoentomológico dos moradores de Pedra Branca revela-se quase inteiramente afinado com o conhecimento entomológico acadêmico. No entanto, diferenças nas respostas dos informantes (variação intracultural) foram notadas durante as entrevistas. Houve variações na capacidade de percepção da quantidade de insetos percebidos tanto entre grupos de entrevistados quanto para o mesmo indivíduo em momentos diferentes. Uma vez que os aspectos sócio-econômicos não foram levantados no presente estudo, torna-se difícil avaliar e discutir as causas dessa variação. Apenas para citar algumas, têm-se: o estresse de estar sendo questionado e/ou avaliado pelo pesquisador; o tempo e qualidade do contato com o inseto; interesse pelo animal; e tipo de informação cultural acerca do mesmo. Para corrigir as alterações quantitativas quanto ao número de etnoespécies citadas e de conhecimento sobre as mesmas, entrevistas foram repetidas em situações sincrônicas (diferentes indivíduos em um mesmo período de tempo) e diacrônicas (mesmo indivíduo em tempos distintos).

É evidente que diferenças sociais e culturais no conhecimento tradicional devem ser esperadas nos grupos e indivíduos, uma vez que os seres humanos utilizam e definem o ambiente diferentemente. Como Barth (2002) declara, populações humanas locais exibem uma diversidade etnográfica surpreendente no conhecimento que compartilham. A divisão tradicional de trabalho contribui para as diferenças no conhecimento entre homens e mulheres. Por exemplo, no nordeste da Tailândia, são as mulheres quem coletam os adultos, pupas e ovos das formigas-vermelhas; os homens participam apenas quando os insetos são coletados para a venda (SOMNASANG; MORENO-BLACK; CHUSIL, 1998). Também são as mulheres aborígines quem sabem onde e como coletar as formigas-de-mel, sendo esse ensino transmitido pelas anciãs da comunidade (CONWAY, 1994). Entre os Araweté, os homens encarregam-se de tirar mel e as mulheres de coletar larvas (VIVEIROS DE CASTRO, 1992).