• Sonuç bulunamadı

Örgüt Kültürü ve Güçlendirme İlişkisi ile İlgili Yapılan Araştırmalar

2.4. İlgili Araştırmalar

2.4.1. Örgüt Kültürü ve Güçlendirme İlişkisi ile İlgili Yapılan Araştırmalar

4.1.1 Princípio da comunicação

Apesar de ser uma actividade que todos reconhecem, a comunicação é um conceito que poucos sabem definir concretamente. O termo “comunicação” tem no entanto a sua origem na mesma palavra latina que a palavra “comunidade”: communis (“comum”). Segundo Dewey (1916a) existe mais do que um laço etimológico entre as palavras comum, comunidade e comunicação:

“Muitos homens vivem numa comunidade em virtude das coisas que têm em comum e a comunicação é a forma pela qual eles conseguem possuir coisas em comum. O que devem ter em comum para formar uma comunidade ou sociedade são objectivos, crenças, aspirações, conhecimentos; enfim, uma compreensão comum” (Dewey, 1916a)

É portanto pela comunicação que as pessoas tornam conhecidos as suas crenças, interesses e necessidades, e também por ela tomam conhecimento de outras crenças e interesses, na construção de valores comuns, ou seja, no desenvolvimento de comunidades. Esta associação de ideias é importante para definir o contexto conceptual da comunicação, na medida em que situa a comunicação como um elemento plural e constituinte de uma rede de partilha de valores, práticas e significados (Silveirinha, 2004). A comunicação é assim entendida nesta dissertação, não só como um processo de interacção linguística, mas como um princípio de entendimento comum, na linha da escola semiótica44 da comunicação:

“[A escola semiótica da comunicação] estuda como as mensagens (...) interagem com as pessoas de modo a produzir significados (...) Usa termos como significação, e não considera que os mal- entendidos sejam necessariamente evidência de fracasso de comunicação – eles podem resultar de diferenças culturais entre o emissor e receptor.” (Fiske, 2004)

A escola semiótica perspectiva a comunicação enquanto interacção social entre indivíduos pertencentes a contextos subjectivos, dentro da qual ocorre ‘produção e troca de significados’ (e.g. Odgen e Richards, 1923; Peirce, 1931-58; Saussure, 1978). Neste caso, a ênfase é colocada na forma como a mensagem é ‘lida’ em função dos valores individuais dos receptores, considerando a comunicação, não como um processo estático - como assume a escola processual -, mas como uma prática dinâmica e subjectiva. A presente dissertação reflecte portanto a escola semiótica, encarando a comunicação enquanto princípio de negociação e produção conjunta de significados.

Nesta perspectiva, quando se menciona o potencial comunicativo da AAE por exemplo, o que se está a fazer é a referir a capacidade deste instrumento de estabelecer pontes de entendimento comum com os seus destinatários, nomeadamente os decisores ou o público, e o modo como essa capacidade altera a influência socio-cultural da AAE.

4.1.2 Valores dos interlocutores

Em qualquer actividade comunicativa, é o acto de dar significado à informação produzida que determina a forma como essa mesma informação é enunciada, e por último

44 Por oposição à escola processual que entende a comunicação enquanto processo unívoco de ‘transmissão de mensagens’,

passível de se decompor em esquemas sistematizados (e.g. Lasswell, 1948; Shannon e Weaver, 1949; Newcomb, 1953; Gerbner, 1956; Westley e MacLean, 1957; Jacobson, 1960): “[A escola processual] Estuda o modo como os emissores e os receptores codificam e descodificam, o modo como os transmissores usam os canais e os meios de comunicação. Estuda assuntos como a eficácia e a exactidão (...) Quando o efeito é diferente ou menor do que aquele que se pretendia, esta escola tende a falar em termos de fracasso de comunicação e a analisar os estádios do processo para descobrir onde é que a falha ocorreu” (Fiske, 2004).

interpretada, e que permite validar determinadas experiências e excluir outras do âmbito de um discurso ‘razoável’, isto é, de um discurso comum aos interlocutores. Para o linguista Ferdinand de Saussure (1978), são os valores implícitos ao discurso que, fundamentalmente, determinam esta significação comum.

Na sociedade, o(s) sistema(s) de valor(es) servem deste modo de ponto de referência comum aos discursos e acções comunicativas:

“Valores como o da vida e o da solidariedade são directa e imediatamente investidos em normas concretas que asseguram, através de inúmeros gestos quotidianos, a conformidade dos discursos, das acções e das omissões. Não há, por conseguinte, lugar para a definição formal e distinta das normas, visto elas fazerem parte intrínseca e inseparável da própria percepção de si e dos outros como parceiros de transacção comunicacional.” (Rodrigues, 2001)

Toda a comunicação é portanto baseada na procura de valores de entendimento comum. Essa procura é contínua e influenciada pelas percepções individuais dos participantes no acto comunicativo. Como diria Silveirinha (2004), recorrendo à ideia de comunidade:

“Uma comunidade partilha símbolos como a linguagem ou comportamentos, mas não necessariamente da mesma forma. Cada um dos membros fornece a sua própria interpretação do símbolo quando este é usado” (Silveirinha, 2004)

Como se diz popularmente, ‘o peixe será sempre o último a descobrir a água’, e como tal, cada interlocutor tem sempre uma visão individual enviesada, em maior ou menor escala, da informação produzida, porque - para colocar a questão de uma forma mais filosófica - “nunca desembarcamos de nós” (Pessoa, 1991). Freudenburg (1996) atribui esta condição percepcional aos blind spots de cada indivíduo:

“All of us, it turns out, have a significant risk of failing to understand how powerfully our view of the world can be shaped by the spot from which we do our viewing – the risk of being prisoners of our own perspectives. Sometimes the limitations of our vision do come from our values, which lead us to focus more intently on some parts of the picture than on others, but often, the problem is almost literally a matter of “blind spots” – of parts of the picture that are obscured from our view or that we simply fail to see. What makes the blind-spot problem so vexing is that, not only do we often fail to see something, but we fail to see that we fail to see.” (Freudenburg, 1996)

Qualquer acto comunicativo resulta portanto da tentativa de transformar valores individuais em expressões comuns de entendimento45, ou seja, em fazer convergir o mais possível as

percepções individuais que cada participante tem dos significados (valores) atribuídos à informação produzida. Neste sentido a comunicação é uma actividade intersubjectiva46, uma

vez que tenta aproximar percepções da realidade distintas.

Um acto comunicativo pode então ser considerado como o produto conjunto da intenção do emissor com a interpretação do receptor – ambas (intenção e interpretação) influenciadas pelas percepções individuais de cada um e pelo contexto que enquadra a sua relação comunicativa. Neste contexto, uma conduta comunicativa com êxito colocaria os emissores, como diria Mead (1964), num campo dentro do qual a consciência dos seus valores ajudá- los-ía a influenciar os valores dos outros.

No caso de uma AAE por exemplo, aquilo que é transmitido pelos técnicos de avaliação, não só é influenciado pelos seus próprios valores, como pelos valores dos destinatários que condicionam a interpretação da informação produzida. Isto significa, na prática, que, do ponto de vista dos técnicos de avaliação, perceber antecipadamente quais os valores implícitos ao seu discurso, e de que forma esses valores vão ser interpretados e julgados pelos destinatários (e.g. decisores), faz com que os técnicos de avaliação consigam adequar de forma mais persuasiva o seu discurso, e consequentemente serem mais eficazes na promoção dos valores que defendem. Os valores que se jogam nas relações de comunicação inerentes ao processo de uma AAE são, deste modo, os elementos centrais a partir dos quais se constrói a capacidade de influência do discurso técnico (ambiental) respectivo.