2. KURAMSAL VE KAVRAMSAL ÇERÇEVE
2.5. Öğretim Kaygısı, Sebepleri ve Etkileri
2.6.3. Örgüt İklimi Tipleri
A 25 de Abril de 1974, um golpe militar, sem paralelo, termina com a mais velha ditadura europeia.
A ditadura portuguesa acabava nesta data, sem glória nem resistência, vergada sob o peso de uma guerra colonial com o seu cortejo de mortos e feridos, da falta de democracia que uma polícia política providenciava e de um atávico atraso, provocado por uma economia baseada nos baixos salários e no esforço da guerra. Não será por isso estranha a adesão que o golpe teve desde o início da sua execução. Nem será estranha a radicalização que o próprio Movimento das Forças Armadas sofrerá no tempo imediato à concretização da queda do regime.
Este é um golpe-de-Estado que apesar de pensado, programado e organizado, pelo menos desde o ano anterior, é inesperado para a quase totalidade da popu- lação portuguesa, que vivia um crescente e inorgânico mal-estar, dada a guerra e falta de perspetivas em relação ao seu fim, que o marcelismo, à sua maneira, ia deixando expresso de forma titubeante.
Nos tempos imediatamente anteriores a Abril, havia greves, contestação estudantil, tinha havido o boicote a eleições, um agravamento da repressão policial, enfim, existia um conjunto de sinais que acusavam de forma indubitável um crescente e insuportável aumento de indignação e revolta face ao regime. Tudo isto não era, contudo, suficiente para desencadear um movimento que acabasse com a ditadura. Seria, porém, este o chão em que o golpe se transmutou em revolução, ainda que a planificação daquele não contivesse a possibilidade de semelhante transfiguração. Uma das especificidades do golpe português respeita ao patamar da hierarquia em que se situam os responsáveis pela conjura. É o patamar intermédio, formado por jovens oficiais, que vai ser o autor desta rutura.
São jovens capitães que acusam o desgaste de 13 anos de guerra sem fim à vista, sem norte, sem qualquer definição para a conclusão do conflito, que o marcelis- mo vai gerindo de forma cada vez mais trágica e inconclusiva.
Para além deste desgaste, o evidente contágio dos estudantes fardados de alferes e de furriéis terá consequências irremediáveis, sendo responsável por uma cres- cente politização do movimento.
Na verdade, a transplantação que o regime, no pânico da guerra, havia feito das Faculdades para as colónias, vai gerar um exército sui generis, com gente muito jo- vem a chefiar companhias, ao mesmo tempo que na calada da noite dedilha a viola e canta José Afonso, sabendo de cor a letra dos Vampiros.
Esta gente, a quem a guerra interrompeu o curso ou adiou a carreira, que tem saudades da família e anseia pelo regresso, será matéria-prima de inexcedível qualidade para prossecução de um projeto golpista.
E se no início os fundamentos da necessidade do golpe radicavam em questões corporativas, pouco tempo depois essas questões passam para segundo plano, assumindo-se com transparente pragmatismo ao que se vinha: instaurar a Demo- cracia para acabar com a guerra.1
A resposta popular a estes propósitos foi muito além do que os golpistas iniciais podiam alguma vez supor. Enquanto o MFA, nas suas primeiras declarações, pe- dia à população que se mantivesse em casa, enxameavam-se as ruas numa euforia garrida. Enquanto o MFA pedia calma, contenção, paciência, declinava-se a ur- gência reivindicativa.
O eco das palavras sensatas dos militares era devolvido como uma granada, na-
1 Fernando Rosas, “Notas para um debate sobre a revolução e a democracia“, Revolução ou Transição?
História e Memória da Revolução dos Cravos, coor. Raquel Varela, Bertrand editora, Lisboa, 2012, p. 266.
“Historicamente as grandes revoluções não são, nunca foram cerebrais operações de Estado-Maior claramente delineadas na sua direção principal, etapas, planeamento, etc… São uma desordem subversora em marcha, grandes movimentos telúricos de massa visando derrubar a ordem estabelecida e que explodem, as mais das vezes, sem que nenhum diretório político as convoque. Onde seguramente existem partidos e movimentos políticos, teorizando, prevendo, atuando, antes e depois, mas onde a vaga social de choque em muito os transcende. Sendo explosões que resultam de condicionalismos e fatores historicamente acumulados, as revoluções não deixam de constituir processos estruturalmente espontâneos no seu eclodir, nas suas dinâmicas. Mas que demonstram uma misteriosa inteligência coletiva, uma dupla e quase sempre certeira intuição difusa: a intuição do momento (a compreensão da correlação de forças: “Nós podemos vencer e eles não têm forças para nos derrotar”) e a intuição da força própria ( a consciência da gente simples, dos mais fracos, do mundo do trabalho, de que, naquele momento, é possível mudar o Mundo com as suas mãos, que o futuro está ao seu alcance, que vale a pena intervir, que tudo é possível). Foi isto que foi a revolução portuguesa de 1974-75.”1
Fernando Rosas, “Notas para um debate sobre a revolução e a democracia”, Revolução ou Transição? História e
queles primeiros dias que se seguiram à queda do regime, estilhaçando o poder do Estado, já desocupado das figuras que o haviam preenchido e que fugiam agora, assustadas, tentando salvar a pele.
Na altura da sua prisão, Marcello Caetano declarará que se rende” para que o poder não caia na rua”. Contudo, o poder não caía na rua porque era na rua que se levantava. Um exército a explodir de felicidade e massivamente vitoriado, um exército que interage com um movimento popular que lhe agradece a libertação, não é, não pode ser, nem o guardião do poder estatal, nem a sua insuspeitada reserva de violência. A incondicionalidade da entrega deste exército às reivindicações que explodem por toda a parte é o maior fator de radicalização que dia-a-dia vai de- correndo na sociedade portuguesa, agora em festa.
A pouco e pouco, pouco restava do golpe militar. O que agora fazia o seu caminho era uma revolução, “sem perguntar ao Estado/ qual o caminho a tomar” nas pala- vras expressivas de José Afonso.
A Revolução estava em marcha. Iniciavam-se as negociações para acabar com a guerra. Empresas ocupadas, autogeridas ou nacionalizadas, ocupações de casas devolutas, reforma agrária, emergência de órgãos de duplo poder, e todas e cada uma das chamadas liberdades democráticas, surgem em tempo record, conquista- das, ali, onde doía, na rua, como que a tentar recuperar as décadas perdidas numa ditadura que já parecia distante, embora estivesse ainda tão próxima.
A progressiva radicalização revolucionária vai ainda impor o núcleo duro de um estado social com tudo o que isto significa em termos de solidariedade social; vai possibilitar a democratização generalizada dos acessos à escolaridade, ao serviço nacional de saúde, aos cargos públicos; vai entrar de rompante na economia, nacio- nalizando a banca, e passando para as mãos do Estado os grandes grupos económicos. Quando aqui falamos da crescente radicalização não podemos esquecer que ela vai também ocorrer no quadro da resposta às tentativas da direita em recuperar o espaço que dia-a-dia ia perdendo e já em desespero reverter a situação.
Os golpes do 28 de setembro e 11 de março vão marcar de forma indelével os gran- des momentos potencializadores do avanço revolucionário.
2. A Evolução Política (28 De Setembro, 11 De Março, 25 De Novembro) Neste ponto trataremos, de modo bastante abreviado, a forma como os princi- pais momentos da evolução política nacional (28 de Setembro, 11 de Março, elei- ções para a Assembleia Constituinte, o “Verão Quente”, 25 de Novembro) irão ser vividos em Setúbal.
Daremos um destaque especial ao 7 de Março pelo enorme impacto que estes acontecimentos tiveram na cidade e também pelas consequências que acarreta- ram ao nível da radicalização da luta política.
De algum modo o General Spínola e a JSN tinham tentado, ao escolherem Adeli- no da Palma Carlos para liderar o I Governo Provisório, uma solução de estabili- dade, providenciando uma partilha de poder, pela atribuição de pastas governati-
vas aos principais líderes partidários (PS, PPD e PCP). Esta solução não aguentou mais de um mês e meio.
Não faremos nenhuma referência especial a esta primeira crise política, vivida na nova governação, dado que não teve impacto na vida política e social da cidade e ocorreu nos bastidores do poder político sem interferência direta do movimento popular.
Seguiu-se o II Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves, que toma posse a 12 de julho de 1974. Este terá sido o primeiro momento em que as forças conser- vadoras manifestam publicamente o seu desacordo com o processo revolucionário.
2.1. A maioria silenciosa
O designado golpe de 28 de Setembro foi uma segunda tentativa, mais visível e com maior impacto, de inversão do processo revolucionário. Sob a capa de uma “Maioria silenciosa” é convocada uma manifestação sendo que os seus organiza- dores não escondem o seu afecto quer pelo general Spínola quer pelo antigo regi- me. Era a direita que até aí havia estado em pousio a tentar levantar cabeça e a impor-se contra tudo o que o 25 de Abril havia trazido.
A manifestação é interditada pelo MFA. São feitos apelos “à vigilância popular” e são levantadas barricadas no sentido de impedir a concretização da manifestação que é denunciada como manobra contra revolucionária.
Spínola, na sequência destes acontecimentos, demitir-se-á.
À semelhança do que aconteceu noutros pontos do país também em Setúbal hou- ve uma forte reação por parte dos partidos de esquerda a esta tentativa de golpe. Na noite de 27 de setembro os partidos de esquerda PS, PCP, MDP, e também as organizações da esquerda revolucionária, começaram a organizar brigadas de vi- gilância nas entradas na cidade as quais revistavam todos os carros. Durante a noite e madrugada a vigilância manteve-se tendo sido presas algumas pessoas que detinham armas.
Fernando Rodrigues, dirigente do MDP e um dos organizadores locais da resis- tência ao golpe de Estado, lembra a articulação estabelecida com oficiais do MFA e a forte mobilização popular com destaque para o papel desempenhado pelos trabalhadores da IMA, da SECIL, da SAPEC e da SETENAVE neste processo: “Foi muito emocionante porque eram milhares de homens, mulheres e crianças a des- cerem pela cidade, num movimento muito forte de pessoas solidárias na luta con- tra o fascismo”.
É ainda ele que se reporta à importância que as barricadas de Setúbal desempe- nharam para impedir o movimento contrarrevolucionário: “As barricadas de Se- túbal impediram o acesso de todo o sul a Lisboa, durante dois dias, e só desmobi- lizámos quando tivemos a certeza de que as forças reacionárias tinham desmobilizado e desistido. Por isso as barricadas revelaram-se fundamentais e decisivas para impedir o avanço do fascismo. Tanto assim que esse movimento
desmembrou-se e acabou por não se concretizar, pelo menos naquela altura”2.
O Setubalense noticiou: “Cerca das duas horas da madrugada na estrada da Rasca,
foram detidos por militantes do PS, de vigia, dois elementos possuidores de uma pistola e alguns panfletos da manifestação reacionária3. Foi imediatamente co- municado o acontecimento às FA, enquanto os fascistas ficavam sob o controle daquele piquete. Mais tarde foram levados pelo exército para o Regimento de Infantaria 11”4.
Durante os dias 28 e 29 de setembro os diversos partidos políticos distribuem pela cidade e publicam na imprensa comunicados a condenar o “golpe de Esta- do” e a apelar à mobilização popular.
O Partido Socialista preconiza uma maior firmeza e unidade na “governação de- mocrática e uma aceleração do processo de democratização. Impõe-se um efetivo saneamento do aparelho de Estado de todos os provocadores e elementos antidemocráticos”5.
A Comissão Concelhia do Partido Comunista Português insurge-se contra as ma- nobras que as “forças reacionárias” têm desenvolvido contra a democracia e cons- tata que os últimos acontecimentos ocorridos em Portugal são “uma tentativa muito séria de alteração da ordem, uma tentativa de golpe com vista a repor no poder a camarilha fascista”6.
Também o Partido Popular Democrático divulga um comunicado condenando “o espírito reacionário da manifestação que se preparava para o dia 28 do corrente”. O PPD, apela à calma e vigilância do povo português e na hora difícil que se atra- vessa importa manter “bem alto o valor da liberdade e a confiança nas institui- ções democráticas pluralistas, não permitindo que sejam restaurados esquemas políticos fascistas, nem que se cometam quaisquer excessos que façam perigar a via democrática escolhida pelo Movimento das Forças Armadas no 25 de Abril”7. Por sua vez, a OCMLP – Grito do Povo explica os acontecimentos do 28 de Setem- bro pela “moleza” com que são tratados os fascistas que assim ganham coragem para passar ao ataque. Alerta contra “os fascistas que têm apoio e proteção em alguns setores do aparelho de Estado e do Exército e preparam-se para de novo nos oprimir”8.
No dia 29 de setembro o PS, PCP e MDP distribuem um comunicado conjunto a
2 Entrevista de Fernando Rodrigues. Pedro Brinca e Etelvina Baía, Op. Cit, vol.1. p. 116. 3 Referência à manifestação da “Maioria Silenciosa” de apoio ao General António Spínola e que não chegou a realizar-se.
4 O Setubalense, 30 de setembro de 1974.
5 Comunicado do Partido Socialista de 28 de setembro de 1974, publicado no jornal O Setubalense de 30 de setembro de 1974.
6 Comunicado da Comissão Concelhia de Setúbal do Partido Comunista Português, publicado no jornal O Setubalense de 30 de setembro de 1974.
7 Comunicado do Partido Popular Democrático, publicado no jornal O Setubalense de 30 de setembro de 1974.
8 Comunicado da Organização Comunista Marxista Leninista Portuguesa – Grito do Povo, publi- cado no jornal O Setubalense de 30 de setembro de 1974.
condenar as “manobras reacionárias” que estavam em preparação e apelam para a mobilização popular.
Dentro deste espírito frentista contra a “reação”, todos os partidos da coligação governamental que integram o Gover- no Provisório irão preparar uma grande manifestação e comício no dia 30 de se- tembro que termina na Praça de Bocage. No comício final dirigir-se-ão aos mani- festantes da varanda da Câmara Munici- pal o Governador Civil, representantes do Partido Socialista, do Partido Popu- lar Democrático, do Partido Comunis- ta, do Movimento Democrático Portu- guês, do Movimento da Juventude Trabalhadora, do Movimento Democrá-
tico das Mulheres e também um representante da Comissão Administrativa. Toma- rá ainda a palavra um oficial em representação do comandante do Quartel do 11. Neste período de 19 meses do PREC, esta manifestação será a iniciativa que vai congregar maior número de forças políticas. Os únicos excluídos destas manifes- tações são as organizações da esquerda radical que não tinham representação no governo. De sublinhar a hegemonia que o PCP tem nesta iniciativa. Basta consta- tar que contou com cinco intervenções no comício, se somarmos as intervenções de partidos e instituições que lhe estão próximas e que este partido controlava diretamente (Para além da intervenção a que tinha direito como membro do go- verno, tomaram a palavra representantes do MDP, MDM, MJT e CA da CMS). Outro aspeto curioso é a participação na manifestação/comício do Governador Civil que tinha tomado posse na semana anterior e havia sido contestado pelo PCP e pelo PS. Agora, é convidado a integrar esta frente anti-golpista. Ficava as- sim estabelecida a reconciliação do poder local e dos partidos políticos de es- querda com o representante do aparelho de Estado no Distrito.
O golpe/conspiração do 28 de Setembro dará gás ao movimento popular que sen- te confiança na sua força, compreendendo que foi também pela sua mobilização que se barrou o projeto conspirativo que ali se traçara.
2.2. A conjuntura política do 11 de março
O 11 de Março, por sua vez, iniciará um período sem precedentes de agudização da luta revolucionária. A natureza substantiva deste golpe é diferente da do 28 de Setembro. Se naquele se tentava pôr o que se chama hoje a sociedade civil como testa de ferro da contra revolução, neste estamos perante um dissenso dentro das próprias forças armadas. Aviação contra aviação.
Manifestantes no 28 de Setembro
Arquivo Fotográico Américo Ribeiro, Câmara Municipal de Setúbal
Às 9h da manhã, a força que iria desencadear o golpe estava pronta na pista de Tancos. Às 11h45, dois aviões T6 e quatro helicópteros sob o comando de Spínola sobrevoam e atacam com rajadas de metralhadora o quartel do RAL1, perto do aeroporto de Lisboa. Um morto (o soldado Joaquim Carvalho Luís), 15 feridos e largos danos nas instalações da Unidade. A partir daí multiplicam-se episódios de defesa e de resposta contra o golpe que às 14h00 é dado como perdido.
Imediatamente a seguir ao ataque ao RAL1 surgem os primeiros apelos à mobili- zação popular por parte da Intersindical. Levantam-se as primeiras barricadas nas estradas de Vila Franca e Setúbal e de igual modo vão-se organizar piquetes de trabalhadores em locais estratégicos: Bancos, Emissora Nacional, etc.
À semelhança do que ocorrera no golpe de setembro a população coloca-se ime- diatamente ao lado do MFA, acorrendo aos quartéis.
A casa de António de Spínola é assaltada e as sedes do PDC e do CDS em Lisboa e do PPD no Porto são alvo de retaliações.
A contrarrevolução perdera definitivamente. Mais do que isso, esta tentativa gol- pista funcionaria como um acelerador da Revolução. Três dias depois a banca é nacionalizada, assim como vários sectores estratégicos da economia portuguesa. Em Setúbal, quem passeasse pela baixa veria pessoas com o transístor colado à orelha. Os setubalenses avisavam-se uns aos outros. Um golpe.
Rapidamente as pessoas saem para a rua. As saídas da cidade são cortadas. Há barricadas nos pontos estratégicos. Piquetes mistos de civis e militares entram em ação. Todos os carros são vistoriados. Podem conter armas. No comunicado transmitido na rádio e na televisão o governo havia alertado para a eventualidade de os “grandes detentores de capital e empresários” poderem levantar todo o seu dinheiro dos bancos.
Um piquete de trabalhadores do Entreposto dirige-se ao Banco de Portugal. É encerrado. Pouco tempo depois uma ordem conjunta do COPCON, da Intersin- dical e do Sindicato dos Bancários ordena o encerramento de todas as agências bancárias, que serão posteriormente evacuadas. O comércio fecha as portas. A partir daqui, nada será como dantes.
Há em Setúbal uma especial sensibilidade para estes acontecimentos dado que a cidade havia sido confrontada quatro dias antes com gravíssimos incidentes. Es- tes incidentes dada a sua importância serão tratados em ponto autónomo. Com o 11 de março no país e particularmente em Setúbal o processo de radicali- zação política é visível a vários níveis. As nacionalizações e a reforma agrária mar- carão os meses seguintes de toda a atividade política.
A expressão “Processo Revolucionário em Curso” (PREC) vai-se rapidamente po- pularizar. Expressão utilizada quer pelos que simpatizavam com a situação políti- ca, quer por aqueles que a utilizavam de forma crítica. Os campos da Revolução e contrarrevolução tornam-se irredutíveis.
cadores que o mostram, desde o novo ciclo de ocupações de casas até às diferen- tes formas de controlo operário nas empresas.
As relações entre a esquerda e a direita estão extremadas. O que é também visível nesta tomada de posição de José Afonso perante uma eventual utilização da canção “Grândola Vila Morena”, de sua autoria, numa iniciativa do Partido Popular Demo- crático: “Tendo lido nos jornais diários a notícia de que no decurso de um comício piquenique promovido pelo PPD teria sido cantada em coro a canção “Grândola Vila Morena”, venho por este meio reafirmar que (…) estava fora de imaginar qual- quer abusiva apropriação cantante por parte de grupos ligados ao capital (…). Considero pois abuso ou despudor (…) que os mesmos indivíduos que designam para os representar na Assembleia Nacional Constituinte defensores da censura fascista e continuadores da ordem colonial, se sirvam dela para lançar poeira aos olhos dos incautos”9.
2.3. As eleições para a Assembleia Constituinte
As eleições para Assembleia Constituinte em 25 de abril de 1975 consagram uma das principais promessas do Programa do MFA. No entanto, depois do 11 de mar- ço, a realização das eleições deixa de ser uma matéria consensual.
A esquerda radical e mesmo o PCP colocam o centro das suas preocupações na