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modernidade:

Evidentemente, a minimização do Estado em países que passaram pela etapa do Estado Providência ou 5 tem conseqüências da minimização do Estado em países como o

Brasil, ; . (…)

No Brasil, a modernidade é tardia e arcaica. O que houve (há) é um . Como muito bem assinala Eric Hobsbawn, o Brasil é ‘um monumento à negligência social’, ficando atrás do Sri Lanka em vários indicadores sociais, como mortalidade infantil e alfabetizção, tudo porque o Estado, no Sri Lanka, empenhou"se na redução das desigualdades (HOBSBAWN, Eric. 1 $ Trad. de Marcos Santarrita. Companhia das Letras, 1995). Ou seja, em nosso país as promessas da modernidade ainda não se realizaram. E, já que tais

econômicos no Brasil: desafios e perspectivas p. 61). No mesmo artigo publicado na = ; , a citada professora apresenta inúmeros precedentes jurisprudenciais que confirmam sua conclusão (( p. 59"69). Lenio Streck, por sua vez, lança a seguinte crítica a respeito do tema: “Talvez por acreditar em (…) verdades apofânticas, é que os aplicadores do Direito, inseridos na já delineada crise de paradigma de dupla face, ‘consigam’ (re)produzir decisões sem se darem conta das repercussões socias e da própria função social dele – jurista – e do (des)cumprimento do texto da Constituição. X *

$ * ,O-

! $

, ; - Veja"se, a propósito disto, que, enquanto milhões de pessoas não têm o mínimo de atendimento médico, o governo gastou, para salvar o Banco Bamerindus, o montante de 6 bilhões de reais, afora outros 20 bilhões gastos com outras instituições bancárias. O Poder Judiciário, quando instado a se pronunciar acerca da interpretação do art. 196 da Constituição Federal, que reza que ‘a saúde é direito de todos e dever do Estado …’, negou (e tem (só)negado) efetividade a esse direito. Argumento usado para negar o direito: a interpretação ‘correta’ do art. 196 da CF – que, consoante a doutrina dominante, é uma norma programática ( ) – não leva ao entendimento de que o Estado tenha a obrigação de atender os pedidos de remédios, e atendimentos médicos, pois, onde, no art. 196, está escrito , não se pode ler

' … (…) Parece que a linguagem, isto é, o discurso jurídico interpretante,

, - E # 8 E 8 ! E 8 $

E 8” (Hermenêutica jurídica e(m) crise: uma exploração hermenêutica da construção do Direito, p. 235"237) (os grifos são do autor) E isso nos preocupa, pois se mesmo em casos envolvendo o direito à saúde – que está diretamente relacionado com o direito à vida, um dos valores mais intensamente protegidos pela Constituição – o Judiciário por vezes tem se omitido, deixando de conferir"lhe efetividade e, assim, de garantir a concretização da Constituição, o que dizer então de casos em que o direito violado pelo Estado é de menor expressão, como é, por exemplo, o direito à “justiça tributária” (de que já tratamos de forma intensa no item 5.2, , deste trabalho), objeto de análise do presente trabalho? Daí porque temos defendido, no presente estudo, uma mudança radical da forma de agir dos operadores do direito, para que passe a ser mais comprometida com a concretização do conjunto principiológico constitucional.

449

A respeito do Estado Social, ver: BONAVIDES, Paulo. Do Estado Liberal ao Estado Social

450

A respeito do Estado Democrático de Direito, ver: REALE, Miguel. O Estado Democrático de Direito e o conflito das ideologias

promessas não se realizaram, a solução que o apresenta, por paradoxal que possa parecer, é o retorno ao Estado (neo)liberal451.

Veja"se, por exemplo, que as primeiras medidas adotadas por nossos

governantes, quando do advento da Constituição de 1988, não foram a reforma

tributária (para desonerar os mais necessitados e as empresas e, assim, contribuir

com minimização das desigualdades sociais e o desenvolvimento econômico, neste

caso com o conseqüente aumento dos postos de trabalho), nem a reforma

previdenciária (capaz de garantir dignidade àqueles que dela carecem) ou política

451

Ainda a respeito dessa questão, vale citar os seguintes trechos da obra de Lenio Streck: “Daí que a pós"modernidade é vista como a visão neoliberal. * ! $ deficit

' !

* # Daí vir a propósito o dizer de Boaventura Santos, para quem o Estado não pode pretender ser fraco: ‘. ;

$ 8 E acrescenta: ‘) !

; ,O- Nunca os incluídos estiveram tão incluídos e os excluídos, tão excluídos’ (SANTOS, Boaventura de Sousa. Boaventura defende o Estado forte. Correio do Povo. Seção Geral. Porto Alegre, 6 de abril de 1988, p. 9). É evidente, pois, que em países como o Brasil, em que o Estado Social não existiu, o agente principal de toda política

social deve ser o Estado. 1 ' ! ;

Veja"se o exemplo ocorrido na França, onde, recentemente, após uma avanço dos neoliberais, a pressão popular exigiu a volta das políticas típicas do Estado Providência. Já em nosso país, ao contrário disto, seguimos na contramão, é dizer, quando países de ponta rediscutem e questionam a eficácia (social) do neoliberalismo, caminhamos, cada vez mais, rumo ao ‘Estado absenteísta’, ‘minimizado’, ‘enxuto’ e ‘desregulamentado’ ( ), ao ponto de um dos líderes do PFL – Partido da Frente Liberal, Sem. Jorge Bornhausen, que apoiou o governo Fernando Henrique Cardoso, nos oito anos de mandato, declarar, no jornal Folha de S. Paulo do dia 10.12.98, que se fazia urgente

, -, deixando"o absolutamente mínimo, propondo, inclusive, a venda da Petrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal… É esse, pois, o dilema: !

' I ! ; I !

Y Tudo isso acontece na contramão do que estabelece o ordenamento constitucional brasileiro, ! ;

, na esteira daquilo que, contemporaneamente, se entende como Estado Democrático de Direito. Desse modo, é razoável afirmar que o Direito, enquanto legado da modernidade – até porque temos uma Constituição democrática –

(…) Por isto, não tenho dúvidas em concordar com Warat quando afirma que a '

, - #

A (STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica jurídica e(m) crise: uma exploração hermenêutica da construção do Direito, p. 26"27) (os grifos são do autor). Aliás, a respeito das promessas não realizadas da modernidade, bem como das lutas da “globalização contra"hegemônica” (defendida por Boaventura em face da “globalização neoliberal”, por ele reconhecida como sendo, contemporaneamente, a hegemônica), vale citar o seguinte trecho da obra de Boaventura de Sousa Santos: “(…) o FMS [Fórum Mundial Social] está nos antípodas da utopia jurídica presente no centro das sociedades capitalistas modernas. No entanto, as lutas da globalização contra"hegemônica, cientes do risco que seria deitar fora o bebé com a água do banho, não podem dar"se ao luxo de não fazer uso de todos os meios não violentos ao seu alcance para combater a modernidade capitalista, incluindo os que foram inventados pela modernidade capitalista para trair as suas próprias promessas de liberdade, igualdade e não discriminação. Nisto reside uma concepção transmoderna e intercultural do direito e da política”. (SANTOS, Boaventura de Sousa. A gramática do tempo: para uma nova cultura política – Coleção para um novo senso comum, v. 4, p. 431)

(para sanar as vicissitudes do sistema atual), muito menos a implementação de

serviços eficazes de educação, saúde e segurança. Pelo contrário, o que vimos foi,

primeiramente, uma abertura irresponsável das nossas fronteiras conjuntamente

com o confisco da poupança dos cidadãos (governo Collor de Mello) e, na seqüência

(governo Fernando Henrique), a privatização de setores essenciais (energia elétrica,

telefonia, bancos, estradas – estas por meio de concessões – etc.) que, se mantidos

com o governo, poderiam ser utilizados como fortes instrumentos para minimizar as

desigualdades sociais (como, por exemplo, por meio da fixação de uma tarifa zero

para quem não pode pagá"la)

452

.

E, mais recentemente, a esperança da maioria do povo brasileiro foi toda

lançada num grupo que se dizia (nas campanhas pré"eleitorais de 2002) ser a

esperança para a sociedade brasileira, em especial para a classe menos favorecida

socioeconomicamente, que é a que mais sofre com o paradigma liberal individualista

(e, agora, com o neoliberalismo que se faz cada vez mais presente). Foi assim que o

Partido dos Trabalhadores ascendeu ao Poder, ou seja, com a bandeira da

esperança de que enfim o Estado Democrático de Direito teria sua vez no Brasil.

Esse sentimento de esperança, contudo, transformou"se em frustração para

milhares de pessoas, conforme pode ser verificado da entrevista concedida por

Celso Antônio Bandeira de Mello

453

ao >

JJ, do Centro Acadêmico 22 de

Benzer Belgeler