V. SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER
5.3 Öneriler
Nos relatos que se seguem, pode ser notado outro fator de sofrimento, a violência nas relações institucionais e na relação professor-aluno. Sentimentos de medo no convívio com o aluno faz parte do dia a dia em sala de aula, tanto na IES A quanto na B. Também pode ser constatada nos depoimentos, a presença de alunos que brigam entre si e até com o professor. Nota-se pelos depoimentos que, diante de uma sala onde tais fatos são recorrentes, um professor se demite.
A violência que também chega à universidade parece refletir a violência generalizada gratuitamente na sociedade. A sala de aula deixou de ser um lugar sagrado, perdeu o apoio moral e a autoridade real, abrindo espaço para a entrada da violência. Existe ainda o controle na IES B, onde frequentemente o professor durante as suas aulas é vigiado e monitorado com o intuito de verificar se ele se encontra em sala de aula ou se os alunos estão em sala. Percebe- se também pelas verbalizações certo saudosismo do que possa ter sido um dia a profissão do professor. As perdas do prestígio profissional parecem também ser responsáveis por grande parcela de sofrimento, conforme se constata nos depoimentos:
Tinha uma sala que dava muito problema, (...) deu problema com uma professora de filosofia, a professora pediu demissão, os caras eram transgressores, eles eram, tipo, beirava a delinquência. Tinha um menino, ele entrava na sala, eu tremia, eu tremia, eu tinha muito medo dele (E1).
Eles brigaram na sala, mas é por conta da droga, um desses alunos, ele tinha acabado de fumar crack, uma pedra de crack e ele estava muito desorientado (E2).
(...) por exemplo (...) eu era coordenadora lá, também, quando a gente começou lá, porque não tinha coordenador. Aí o professor apavorado ‒ um professor nosso, do Marketing ‒ porque tinha uma turma que tinha acabado e tinha juntado com a outra e de fato eram duas turmas muito diferentes e eles se pegaram dentro da sala de aula (E3).
Sim, inclusive eu sofri uma situação horrorosa aqui nesta sala, o aluno virou para mim e disse: “Você é só uma funcionária da IES B”. O que eu sinto é que o professor está abaixo do aluno, ele está abaixo do inspetor, ele está abaixo da coordenação, ele está abaixo da secretária da sala dos professores, que tira o ponto da gente às 8h15... Eu tenho medo de perder a razão, porque aí se eu disser a verdade para ele, eu vou perder a razão, porque eu estou aqui como a fornecedora, ele é o cliente. Já aconteceu, isso é uma coisa importante de colocar para você, dos alunos se agredirem dentro de sala de aula. Comigo, dentro de sala de aula (...) uma foi para cima da outra, eu ouvi um murro no meio do peito da outra, e ela foi parar na enfermaria com falta de ar, foi levada para o hospital, ficou em observação e tudo, por causa do murro que ela levou da aluna, dentro da sala de aula, por causa de conflito entre grupos, problemas de grupo. Então aqui, a gente tem de tudo, tem ex-presidiário, tem ladrão, tem casos de roubo de lap-top, de celular, de bolsa, de dinheiro, tem, tem, tem casos. Tem muitos casos de roubo dentro da sala de aula. E tem gente aqui na sala de aula na condição de sentir... de você sentir que aquela pessoa não é uma pessoa do bem. Sim, você sente que aquela pessoa não é uma pessoa do bem, que aquela pessoa, não sei por que que essa pessoa está aqui na faculdade, mas tem gente que vem aqui para vender lanche, tem gente que vem aqui para namorar, tem gente que vem para usar droga, tem, tem de tudo isso. Então eu tenho medo, sim, tanto é que houve a possibilidade por parte de um coordenador, ele sugeriu a suspensão do aluno que me desrespeitou em sala de aula. E eu não mandei e-mail nenhum para ele, para mandar nada para a diretoria, por quê? Porque eu tenho medo do tipo de gente que está sendo suspensa aqui, e que na saída eu saio às onze horas da noite, esse aluno pode ser capaz de fazer alguma coisa. Tem louco para tudo e tem gente com todo tipo de caráter, então tenho medo, sim, de sofrer algum tipo de violência física, também. Tenho. Inspetor passa na porta para ver se a gente está na sala de aula (...) (E4). Então, eu queria também agregar nessa entrevista, essa questão, eu, pelo menos, me sinto humilhada aqui na faculdade, aliás, primeiro, eu me sinto um número. A gente aqui é tratado como se fosse um número, não como se fôssemos pessoas e pessoas importantes, não é, já que somos professores, eu acho que o professor (...) tem pais aí, que o professor, como diz na China, eu acho que na China ou no Japão, não sei, o professor é até referenciado pelo próprio imperador (E5).
O estudo de Martins (2007) apresentou um resultado semelhante à presente pesquisa, pois resultados destacaram que a pressão exercida sobre os professores provém de diversas situações. Na maioria das vezes, eles são desrespeitados, deparam-se com prédios mal cuidados, falta de material didático e com a violência advinda da falta de segurança nas escolas.
As relações em sala de aula entre professor e aluno de acordo com Traesel e Merlo (2013) são marcadas por situações de violência. Verificam-se casos isolados de violência física, mas que ainda assim disseminam o medo e insegurança entre os professores. O que mais se verifica é a agressão verbal, que, para os autores, exerce profundas consequências psicológicas, contribuindo para o sofrimento e até para o abandono da profissão. Isso acontece, segundo os estudiosos referenciados, por que se provoca uma significativa crise de
identidade, em que os professores passam a questionar sobre o verdadeiro sentido de seu próprio trabalho, sobre sua permanência na profissão e sobre o sentido sobre sua própria existência uma vez que o trabalho ocupa lugar de destaque no processo de construção de identidade e subjetividade do ser humano.