5. SONUÇ TARTIġMA VE ÖNERĠLER
5.2. Öneriler
A CDB foi um dos principais resultados da Rio-92. Elaborada em 1992, foi no dia 29 de dezembro de 1993 que a CDB entrou em vigor com três principais objetivos: a conservação da diversidade biológica; a partilha justa e equitativa dos benefícios decorrentes da utilização dos recursos genéticos; e; o uso sustentável dos componentes da diversidade biológica; sendo o primeiro tratado internacional a defender a garantia da biodiversidade no desenvolvimento sustentável. Desta forma, a CDB reconhece que os seres humanos são partes integrantes essenciais do ecossistema por meio da diversidade cultural que os une destacando que “todos os povos e nações, ricos ou pobres, dividem o mesmo planeta e dependem da mesma reserva de biodiversidade” (CDB, 2006, p.10).
Desde então a CDB tem atuado como um dos mais importantes mecanismos internacionais, definindo marcos políticos e legais relevantes ao redor do mundo a favor da biodiversidade, tendo 193 países como Partes integrantes (CDB, 2011a). Como parte do processo da Convenção foi criado um secretariado responsável pelas negociações, pela divulgação de informações, assim como, pelo monitoramento das atividades envolvidas. Tal secretariado opera com questões altamente contraditórias que englobam interesses distintos entre diferentes atores, como: empresários e ONGs; meio ambiente e desenvolvimento; e; proprietários e aspirantes das tecnologias recentes. Outro aspecto que devemos destacar é seu papel na promoção da cooperação internacional durante a implementação da CDB, especialmente, no que tange ao processo de cooperação internacional (SIEBENHUNER, 2007).
41 Apesar do secretariado não ser um instituto de investigação científica, ele também possui as funções de reunir e disseminar o conhecimento científico. Entre estes se encontram a conservação da biodiversidade em diferentes ecossistemas (montanhas, pântanos, florestas, entre outros), além de assuntos administrativos, sociais, jurídicos e econômicos que possuam interface com o tema. O conhecimento é disponibilizado para os representantes dos governos nacionais e para os gestores envolvidos por meio de documentos oficiais, internet, relatórios, newsletter e um manual abrangente (SIEBENHUNER, 2007).
Dentre outros instrumentos elaborados pela CDB, este estudo fixar-se-á no Protocolo de Cartagena sobre biossegurança. O Protocolo representa um instrumento legal independente desenvolvido em conformidade com a Convenção em 2000, Montreal. No entanto, o Protocolo entrou em vigor apenas em 11 de setembro de 2003 e o Brasil tornou-se um de seus signatários em 2004. Atualmente, 160 países constam na lista das Partes do Protocolo (incluindo União Eurpéia) (CDB, 2011b). Destaca-se o fato de grandes produtores de OGM como Estados Unidos, Argentina, Canadá, Chile e Uruguai não serem Partes do Protocolo (CDB, 2011b), e constituírem um grupo distinto: o Miami Group (GUPTA, 2000; UNEP, 2011b), que não será tratado nesta dissertação.
O Protocolo de Cartagena representou um marco importante na regulamentação internacional sobre biossegurança ao destacar pela primeira vez internacionalmente que os OGM diferem essencialmente dos organismos naturais, tornando-se a primeira norma internacional de regulamentação sobre segurança, saúde e riscos ambientais de OGM (GUPTA e FALKNER, 2006; BENTHIEN, 2010). Gupta e Falkner (2006) reforçam tal argumento ao ressaltarem que
The Cartagena Protocol has, in fact, been hailed by its supporters as one of the key global environmental agreements to institutionalize a precautionary approach to risk governance.
Since its negotiation, there has been growing scholarly interest in this global biosafety regime. Much attention has been devoted, in particular, to potential conflict with world trade rules. (GUPTA e FALKNER, 2006, p.24)
O principal objetivo do Protocolo é contribuir para assegurar um nível adequado de proteção no domínio da transferência segura, da manipulação e da utilização dos OGM (no caso, para o Protocolo utiliza-se LMO - living modified organisms4) resultantes da
4 Significa qualquer organismo que possui uma nova combinação do material genético obtido por meio do uso da biotecnologia moderna (Tradução livre da autora desta dissertação com base no Protocolo de Cartagena, 2000). No Brasil, o termo utilizado é Organismo Geneticamente Modificado – OGM.
42 biotecnologia moderna que possam vir a ter efeitos adversos na conservação e no uso sustentável da diversidade biológica, considerando inclusive os riscos à saúde humana e, especificamente, com ênfase nos movimentos transfronteiriços. O Protocolo também adota o chamado princípio da precaução (ONU, 2000).
O fato de o Protocolo possuir um procedimento por consentimento prévio, possibilita às Partes decidir antecipadamente se devem ou não aceitar a importação de OGM destinados à introdução intencional no meio ambiente por meio de uma avaliação de risco cientificamente testada caso a caso. A gestão de riscos também está incorporada no Protocolo e possui um amplo escopo. Tal gestão inclui medidas específicas para reduzir ou prevenir os potenciais efeitos adversos identificados por avaliações de risco (HILL e SENDASHONGA, 2006).
Cabe, portanto, às Partes o adoção de medidas legais e administrativas necessárias e apropriadas para a implementação das obrigações exigidas pelo Protocolo. Por outro lado, este instrumento internacional não possui um caráter restritivo no sentido de impedir que as Partes estabeleçam ações nacionais que protejam ainda mais a conservação e o uso sustentável da diversidade biológica (ONU, 2000).
Para uma melhor compreensão a respeito dos principais tópicos tratados pelo Protocolo, o presente estudo estabeleceu, a partir deste documento, categorias de análise que não somente objetivam destacar os principais aspectos considerados no Protocolo, como também buscam orientar às possíveis conclusões da presente pesquisa no papel de subcategorias de pesquisa. As categorias são: Instituições Governamentais; Escopo; Efeitos Adversos; Normas; Recursos Humanos, Conscientização, Educação e Participação do Público; Mecanismos de Informação; Penalização e responsabilização; e, por fim; Procedimentos. A tabela 2.0 a seguir define cada uma destas categorias de análise.
43 Tabela 2.0 – Categorias de análise com base no Protocolo de Cartagena
Categorias Protocolo de Cartagena
Cada Parte tomará as medidas jurídicas, administrativas e outras necessárias e apropriadas para implementar suas obrigações no âmbito do presente Protocolo.
Instituições Governamentais
Cada Parte designará um ponto focal nacional que realizará, em seu nome, a ligação com o Secretariado. Cada Parte também designará uma ou mais autoridades nacionais competentes que serão os responsáveis pela realização das funções administrativas exigidas pelo presente Protocolo e que serão autorizadas a agir em seu nome em relação a essas funções. Uma Parte poderá designar uma única entidade para preencher as funções tanto de ponto focal como de autoridade nacional competente.
As Partes velarão para que o desenvolvimento, manipulação, transporte, utilização, transferência e liberação de todos organismos vivos modificados se realizem de maneira que evite ou reduza os riscos para a diversidade biológica, levando também em consideração os riscos para a saúde humana.
O objetivo do presente Protocolo é de contribuir para assegurar um nível adequado de proteção no campo da transferência, da manipulação e do uso seguros dos organismos vivos modificados resultantes da biotecnologia moderna que possam ter efeitos adversos na conservação e no uso sustentável da diversidade biológica, levando em conta os riscos para a saúde humana, e enfocando especificamente os movimentos transfronteiriços. Escopo
O presente Protocolo aplicar-se-á ao movimento transfronteiriço, trânsito, manipulação e utilização de todos os organismos vivos modificados que possam ter efeitos adversos na conservação e no uso sustentável da diversidade biológica, levando também em conta os riscos para a saúde humana.
Efeitos Adversos Ciente de que a biotecnologia moderna se desenvolve rapidamente e da crescente preocupação da sociedade sobre seus potenciais efeitos adversos sobre a diversidade biológica, levando também em consideração os riscos para a saúde humana (...)
Normas A Conferência das Partes, atuando na qualidade de reunião das Partes do presente Protocolo, considerará a necessidade de elaborar normas para as práticas de identificação, manipulação, embalagem e transporte, e as modalidades dessa elaboração, em consulta com outros órgãos internacionais relevantes.
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Categorias Protocolo de Cartagena
As Partes cooperarão no desenvolvimento e/ou fortalecimento dos recursos humanos e capacidades institucionais em matéria de biossegurança, inclusive biotecnologia (...)
Promoverão e facilitarão a conscientização, educação e participação do público a respeito da segurança da transferência, manipulação e uso dos organismos vivos modificados em relação à conservação e ao uso sustentável da diversidade biológica, levando também em conta os riscos para a saúde humana.
Recursos Humanos, Conscientização,
Educação e Participação do
Público
Procurarão assegurar que a conscientização e educação do público incluem acesso a informação sobre os organismos vivos modificados (...)
Mecanismos de Informação
Cada Parte velará para que seu público conheça os meios de ter acesso ao Mecanismo de Intermediação de Informação sobre Biossegurança.
Cada Parte adotará medidas internas apropriadas com o objetivo de impedir e, conforme o caso, penalizar, os movimentos transfronteiriços de organismos vivos modificados realizados em contravenção das medidas internas que regem a implementação do presente Protocolo. Esses movimentos serão considerados movimentos transfronteiriços ilícitos.
Penalização e responsabilização
A Conferência das Partes, atuando na qualidade de reunião das Partes do presente Protocolo, adotará, em sua primeira reunião, um processo em relação à elaboração apropriada de normas e procedimentos internacionais no campo da responsabilidade e compensação por danos que resultem dos movimentos transfronteiriços de organismos vivos modificados (...)
A Parte exportadora assegurará que exista uma determinação legal quanto à precisão das informações fornecidas pelo exportador.
A Parte importadora acusará o recebimento da notificação, por escrito, ao notificador no prazo de noventa dias a partir da data do recebimento.
Procedimentos
Uma Parte que tenha tomado uma decisão definitiva em relação ao uso interno, inclusive sua colocação no mercado, de um organismo vivo modificado que possa ser objeto de um movimento transfronteiriço para o uso direto como alimento humano ou animal ou ao beneficiamento, a informará às Partes, no prazo de quinze dias de tomar essa decisão, por meio do Mecanismo de Intermediação de Informação sobre Biossegurança.
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Categorias Protocolo de Cartagena
As Partes poderão concluir acordos e arranjos bilaterais, regionais e multilaterais sobre movimentos transfronteiriços intencionais de organismos vivos modificados, compatíveis com o objetivo do presente Protocolo e desde que esses acordos e arranjos não resultem em um nível de proteção inferior àquele provido pelo Protocolo.
As avaliações de risco realizadas em conformidade com o presente Protocolo serão conduzidas de maneira cientificamente sólida, de acordo com o Anexo III e levando em conta as técnicas reconhecidas de avaliação de risco.
As Partes estabelecerão e manterão mecanismos, medidas e estratégias apropriadas para regular, manejar e controlar os riscos identificados nas disposições de avaliação de risco do presente Protocolo associados ao uso, manipulação e movimento transfronteiriço de organismos vivos modificados.
Fonte: elaborado pela autora desta dissertação adaptado de ONU, 2000.
No ano de 2003 o Protocolo de Cartagena entrou em vigor, e desde então as Partes do Protocolo já se reuniram cinco vezes para articular decisões importantes como avaliação de risco, responsabilidades e compensações, incremento de capacidade, bem como compartilhamento de informações e rotulagem. Durante a quinta MOP (Meeting of the Parties) realizada em 2010, na cidade de Nagoya no Japão, um novo tratado internacional foi desenvolvido e aprovado em uma das maiores reuniões intergovernamentais já realizadas a respeito do uso seguro da biotecnologia moderna: o Protocolo de Nagoya. Este Protocolo é sumplementar ao Protocolo de Cartagena no que tange à Responsabilidade e Compensação. Entretanto, esta dissertação não analisará tal Protocolo, uma vez que esta trata da influência do Protocolo de Cartagena na Política Nacional de Biossegurança, já em vigor no Brasil.
Os arranjos pertinentes à Convenção e às decisões acordadas nas COP-MOP (Conference of the Parties serving as the Meeting of the Parties) são transferidas para o nível nacional em ações por meio de planos e estratégias nacionais de ação para a biodiversidade (National Biodiversity Strategies and Action Plans - NBSAPs). O NBSAPs estabelece que as Partes desenvolvam estratégias, planos ou programas relacionados à biossegurança e o uso sustentável da diversidade biológica ao mesmo tempo em que reflitam as medidas estabelecidas na Convenção. Além disto, é preciso que estes conceitos estejam refletidos nos planos, nos programas e nas políticas públicas setoriais ou trans-setoriais relevantes, tornando-se essenciais para o atingimento das
46 metas da Convenção (CDB, 2006). Desta forma, o Protocolo de Cartagena impacta diretamente a elaboração de Políticas Públicas nacionais relacionadas à biodiversidade nos países Partes.