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5. SONUÇLAR VE ÖNERİLER

5.2. Öneriler

O autor Glauco Carneiro assinala que, em 1915, o general Abílio de Noronha presidiu uma comissão de inquérito que investigou todos os detalhes de uma conspiração promovida por praças e patrocinada por políticos. O objetivo era promover um levante, que contaria ainda com operários, estivadores e funcionários da Light do Rio de Janeiro. O governo de Venceslau Brás, contando com informações do movimento, frustrou o levante prendendo os sargentos envolvidos e depois expulsando - os.

Em trabalho publicado logo após o golpe de 1964, observou que “Assim como os tenentes em 1922/1930 e os coronéis em 1954, os sargentos surgiram em 1961 como uma nova e poderosa entidade atuante no jogo político brasileiro” (CARNEIRO, 1965, p. 536).

Outro especialista cujos trabalhos ajudam a esclarecer os conflitos envolvendo as praças, sobretudo os sargentos, é José Murilo de Carvalho. Embora estes conflitos fossem menos visíveis, eram mais graves do ponto de vista de sua proposta e organização. Quando o referido autor diz que “A história dos sargentos ainda não foi escrita e não será aqui que iremos sanar essa lacuna” (CARVALHO, 2005, p. 67), precisamos verificar a data precisa de seu estudo. Murilo escrevia isso em 1982 quando os estudos sobre praças praticamente eram inexistentes. Este cenário começou a mudar somente na década de 1990, com o trabalho de Parucker (1992), quando os pesquisadores procuraram debruçar-se sobre o tema.

Carvalho lembra que

a história militar de 1889 a 1945 e as análises feitas até agora, incluindo as nossas, padecem de forte víeis em favor do oficialato. Além de intensa participação na própria Revolução de 1930, os sargentos se salientaram em 1932 e em todas as revoltas lideradas por oficiais subalternos, particularmente as de 1935. (CARVALHO, 2005, p. 67)

No episódio do levante de 1935, conhecido como intentona comunista, pode-se destacar a figura de um sargento, Gregório Bezerra, que se tornaria um parlamentar do Partido Comunista Brasileiro (PCB), após sua expulsão do Exército. Um documento importante para se compreender estas lutas sob a perspectiva deste personagem seriam seus dois livros de memórias (BEZERRA, 1979).

Nos anos de 1920 e 1930, as revoltas promovidas por sargentos, cabos e soldados, chegaram a despertar violenta reação por parte do oficialato, inclusive dos tenentes reformistas das rebeliões de 1922, 1924 e 1930. José Murilo lembra ainda que:

Ao contrário dos generais, os movimentos típicos de sargentos eram as rebeliões de quartéis, freqüentemente violentas, com demandas às vezes radicais, embora pouco articuladas. [...] As revoltas de graduados tinham muito a ver com sua situação funcional. As queixas abrangiam ampla gama de reivindicações, com ênfase na falta de estabilidade, na ausência de promoções, nos salários baixos, na falta de assistência social (CARVALHO, 2005, p. 67).

É importante mencionar a origem dos praças que, segundo ressalta o autor, tinha seu recrutamento feito nas classes pobres (CARVALHO, 2005, p. 19). Provavelmente este componente pode ser um importante indicador de um das motivações que levaram a mobilização política dos sargentos na conjuntura 1961–1964.

Carvalho (2005), ao examinar as formas de participação na política nacional por parte dos militares, estabeleceu uma tipologiacomposta portrês tipos de soldado: soldado cidadão, ou de intervenção reformista, o soldado profissional, ou de não intervenção, e o soldado corporação ou de intervenção moderada. Acreditamos que o modelo serviu para interpretar as intervenções militares na 1.ª República, mas a princípio não haveria restrições para que fosse aplicada na questão da mobilização política dos sargentos nos anos de 1960. No entanto, optamos pela tipologia do soldado trabalhador (D’ARAUJO, 1996, p. 116) à guisa desta análise.

Este tipo de soldado comporia o chamado “Exército Democrático”, tendo a figura do marechal Lott como sua expressão maior. A apropriação de sua liderança pode ser caracterizada particularmente a partir da década de 1950, quando a ideia de um soldado

trabalhador é esboçada e passa a fazer parte da corrente de militares chamados nacionalistas. É considerado como o possível embrião da mobilização dos sargentos em torno de um movimento político e ficou bastante marcado pela conjuntura da 1.ª metade da década de 1960.

Verifica-se nas falas de muitos dos sargentos participantes das mobilizações políticas entre os anos de 1961 e 1964, que essa mobilização política advém da década de 1950, especificamente em 1955, ocasião em que o contragolpe comandado por Lott deu suporte à posse do presidente Juscelino Kubistchek. A ação de contragolpe contou com o apoio dos sargentos.

Para um destes personagens, Jelcy Rodrigues, subtenente paraquedista do Exército e importante elemento na mobilização das praças daqueles anos de 1960, “a grande explosão de consciência veio com a Cadeia da Legalidade, para defender a posse de Jango em 1961”

(COSTA, 2007, p. 53). Além disso, havia uma intensa movimentação política e “conscientização de massa”, veiculado no slogan “sargento também é povo fardado”.

Jelcy recorda em seu relato que, numa reunião com os sargentos, no Rio de Janeiro, subiu na cadeira e disse:

Olha, companheiros, não sei o que vocês pensam. Mas temos que ter consciência de que nós juramos a bandeira, a Constituição, não a este ou aquele comando em geral [...] e se o presidente renunciou quem tem de assumir é o vice, como prevê a Constituição. E todos nós juramos defender a Constituição(COSTA, 2007, p. 54). Mais tarde, na divisão de paraquedistas onde servia, seria preso pelo general Amaury Kruel.

Jacques D’Ornellas, terceiro-sargento do Exército na época, outro importante personagem da mobilização política dos sargentos naquele conturbado período, destaca que

Os movimentos dos subtenentes e sargentos, antes de 1964, eram um processo reivindicatório que visava à elevação do seu padrão de vida e à conquista de direitos básicos e elementares assegurados a qualquer cidadão e negado a esses subtenentes e sargentos (D’ORNELLAS, 1983).

Dentre os direitos sociais e aquele que se refere ao problema da empregabilidade, D’Ornellas assinala ainda:

Qualquer funcionário público, federal ou não, tinha sua estabilidade funcional assegurada aos dois anos de serviço se fosse concursado, e aos cinco anos fosse contratado. Os únicos que não tinham estabilidade com tempo nenhum de serviço eram subtenentes e sargentos. [...] Às vezes, faltando apenas meses para ser reformado, o que significava 25 anos de serviço ativo, poderia o sargento simplesmente não ter o seu pedido de reengajamento deferido, e ser afastado sem qualquer direito a indenização, com o agravamento de não possuir experiência no campo profissional civil para ganhar de outra forma o sustento suficiente para manter sua família9.

A própria garantia do emprego não estava assegurada no cenário profissional dos praças, sendo a estabilidade no serviço uma das questões pleiteadas pelos sargentos.

Benzer Belgeler