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8. SONUÇLAR VE ÖNERĠLER

8.2. Öneriler

Fatores de risco moral na utilização excessiva do serviço de saúde

Vimos que a referência do serviço de saúde na especialidade de genética por parte

das operadoras de plano de saúde, assim como a indicação por outros médicos

influenciam o nível de utilização do serviço. A média de ocorrência do evento visitas

médicas em especialidade estimada pelos modelos variam entre 3,38 e 3,70 no

intervalo de tempo de 3 anos. Considerando apenas as visitas médicas vmed0

condicionadas à indicação e ao referenciamento, temos como média estimada 3,88

com intervalo de confiança de 3,71 e 4,05 no caso do modelo Binomial negativa.

Assim, entendemos que o fato das operadoras de planos de saúde referenciarem o

serviço na especialidade de genética médica e que o beneficiário não precisa

necessariamente ser indicado por um médico ou profisional da saúde para utilizar o

serviço em genética médica, evidencia a existência de um risco moral na utilização

dessa especialidade, possibilitando o uso excessivo do serviço. Vimos também que

a indicação médica ou o encaminhamento por parte de outro profissional da saúde

para o serviço de genética é menos relevante quanto à referência por parte do plano

de saúde e poderia significar um risco moral de demanda induzida se houvesse

algum tipo de interesse por parte do agente que indicasse o serviço. Como não é o

caso no serviço de saúde estudado, podemos concluir que a indicação não

representa evidência de demanda induzida (SID) e apenas reforça a situação de

risco moral no caso de utilização excessiva do serviço de saúde.

Fatores de risco moral na demanda induzida (SID) pelo serviço de saúde

Com relação à questão de risco moral com a demanda induzida (SID), as variáveis

que influenciam as decisões de magnitude do uso do serviço de genética médica

são condizentes com o perfil do paciente usuário desse serviço, ou seja, as variáveis

sexo, criança e gravidez (ou mesmo nos modelos com termos de interação as

variáveis femgrav e i0010) representam os grupos nos quais são realizados o

aconselhamento genético e o seguimento, tanto junto às mulheres na fase de

assistência materna pré-natal, quanto ao acompanhamento do desenvolvimento

intelectual e motor de crianças portadoras de síndromes genéticas. Podemos dessa

forma supor que pelo fato do aumento no número de visitas médicas ser limitado ao

perfil dos pacientes usuários desse serviço não há evidência de risco moral de

demanda induzida na determinação de visitas médicas dos pacientes com outro

perfil, como, é o caso da população de pacientes homens adultos, para a qual tem-

se uma média de visitas estimadas em 3,04, valor este inferior às médias dos

modelos.

Por outro lado, é importante verificar o risco moral de demanda induzida dentro do

perfil dos pacientes usuários do serviço de genética. As médias estimadas de visitas

em especialidade condicionadas às variáveis criança e gravidez, são,

respectivamente, 3,56 e 5,29 visitas médicas no período de janeiro de 2009 a

dezembro de 2011. Se considerarmos a condição criança, indicada e referenciada,

obtemos uma média de 4,09. Finalmente, a ocorrência de visitas médicas nesse

serviço para estes pacientes é proporcional ao período de seguimento no pré-natal e

nas fases de desenvolvimento infantil. Portanto, podemos supor que para a decisão

de magnitude do uso do serviço de saúde em genética médica para o perfil de

pacientes indicados para este serviço, não há possibilidade de afirmar se há ou não

risco moral com relação a demanda induzida (SID).

Vmed OLS pvalue Vmed Poisson pvalue Vmed Negbin pvalue Vmed0 OLS pvalue Vmed0 Poisson pvalue Vmedd0 Negbin pvalue Vmed0 Logit pvalue Vmed0 Poisson pvalue Vmed0 Negbin pvalue Idade -0,012 0,020 -0,003 0,025 -0,003 0,016 -0,017 0,001 -0,004 0,003 -0,005 0,002 -0,027 0,005 -0,003 0,028 -0,004 0,014 (0,005) (0,001) (0,001) (0,005) (0,001) (0,001) (0,009) (0,001) (0,001) Residsp 0,171 0,055 0,045 0,058 0,041 0,077 0,125 0,151 0,034 0,164 0,029 0,230 -0,254 0,113 0,049 0,059 0,049 0,091 (0,089) (0,023) (0,023) (0,087) (0,024) (0,024) (0,161) (0,029) Indicado 0,299 0,002 0,078 0,001 0,074 0,002 0,398 <0,001 0,111 <0,001 0,108 <0,001 0,729 <0,001 0,0872 0,001 0,088 0,003 (0,096) (0,024) (0,024) (0,094) (0,025) (0,025) (0,166) (0,029) Escolaanos 0,030 <0,001 0,007 <0,001 0,007 <0,001 0,0319 <0,001 0,008 <0,001 0,008 <0,001 0,024 0,097 0,008 <0,001 0,009 <0,001 (0,008) (0,001) (0,001) (0,007) (0,001) (0,001) (0,014) (0,002) Sexo 0,542 <0,00 0,1496 <0,001 0,154 <0,001 0,497 <0,001 0,149 <0,001 0,154 <0,001 0,031 0,820 0,168 <0,001 0,196 <0,001 (0,086) (0,023) (0,023) (0,084) (0,024) (0,024) (0,137) (0,029) Naosolteiro 0,313 0,001 0,090 0,001 0,090 0,001 0,379 <0,001 0,118 <0,001 0,124 <0,001 0,715 <0,001 0,103 0,001 0,116 0,001 (0,098) (0,028) (0,028) (0,095) (0,029) (0,029) (0,173) (0,035) Referenciado 0,370 <0,00 0,106 <0,001 0,106 <0,001 0,639 <0,001 0,201 <0,001 0,205 <0,001 1,564 <0,001 0,122 <0,001 0,135 <0,001 (0,093) (0,025) (0,025) (0,093) (0,028) (0,027) (0,154) (0,031)

Classerenda -2,7e-4 <0,00 -8,4e-5 <0,001 -8,6e-5 <0,001 -3,3e-4 <0,001 -1,2e-4 <0,001 -1,2e-4 <0,001 -3,5e-4 <0,001 -9,8e-5 <0,001 -1,1e-4 0,010

(0,000) (0,000) (0,000) (0,000) (0,000) (0,000) (0,000) (0,000) Criança 0,523 0,008 0,142 0,009 0,141 0,009 0,203 0,270 0,072 0,197 0,073 0,200 -1,220 <0,001 0,160 0,009 0,176 0,010 (0,197) (0,054) (0,054) (0,184) (0,056) (0,056) (0,331) (0,068) Gravidez 1,699 <0,00 0,370 <0,001 0,367 <0,001 1,759 <0,001 0,392 <0,001 0,392 <0,001 1,174 0,100 0,394 <0,001 0,425 <0,001 (0,316) (0,058) (0,056) (0,313) (0,059) (0,057) (0,713) (0,062) _cons 3,463 <0,00 1,239 <0,001 1,251 <0,001 3,393 <0,001 1,213 <0,001 1,234 <0,001 3,626 <0,001 1,201 <0,001 1,142 <0,001 (0,245) (0,069) (0,068) (0,233) (0,072) (0,071) (0,407) (0,086) R2 0,078 Ps R2 0,033 - R2 0,112 Ps R2 0,0547 - AIC 4,549 AIC 4,316 LPs Lh -8945 LPs Lh -8635 LPs Lh -9741 LPs Lh -9263 LPs Lh -9617 LPs Lh -9124

WaldX2 380,9 WaldX2 390,6 WaldX2 565,6 WaldX2 568,0 WaldX2 436,2 WaldX2 436,2

hat 1,334 hat 0,611 hat 1,406 hat 0,677

N 3.947 3.947 3.947 4233 4233 4233 4233 4233 4233

Tabela 4.14. Resultados dos estimadores para modelos de regressão com termos de interação

Negbin

vmed Std err pvalue

Negbin

Vmed0 Std err pvalue Logit

Vmed0 Std err pvalue Negbin Std err pvalue

I0010 0,280 (0,042) <0,001 0,264 (0,044) <0,001 0,337 (0,279) 0,227 0,340 (0,769) <0,001 I1020 0,210 (0,055) <0,001 -0,168 (0,122) 0,170 -0,556 (0,298) 0,062 0,253 (0,698) <0,001 I2030 -0,080 (0,058) 0,169 -0,069 (0,061) 0,257 0,258 (0,341) 0,449 -0,110 (0,074) 0,140 I3040 0,131 (0,032) <0,001 0,268 (0,050) <0,001 0,885 (0,243) <0,001 0,136 (0,045) 0,003 Indicado 0,005 (0,043) 0,909 0,145 (0037) <0,001 1,137 (0,272) <0,001 0,026 (0,064) 0,686 Naosolteiro 0,032 (0,033) 0,333 0,079 (0,037) 0,034 0,460 (0,240) 0,056 0,070 (0,045) 0,122 Referenciado 0,069 (0,035) 0,049 0,215 (0,039) <0,001 1,848 (0,268) <0,001 0,086 (0,047) 0,068 C2 0,863 (0,548) 0,115 2,416 (0,391) <0,001 4,422 (1,068) <0,001 -0,841 (0,680) 0,231 C3 0,150 (0,071) 0,036 2,406 (0,391) <0,001 4,950 (1,055) <0,001 -0,832 (0,679) 0,221 C4 0,132 (0,070) 0,061 2,351 (0,391) <0,001 5,689 (1,070) <0,001 -0,934 (0,679) 0,169 C5 0,049 (0,070) 0,478 2,292 (0,396) <0,001 5,370 (1,165) <0,001 -0,996 (0,684) 0,145 C6 -0,413 (0,084) <0,001 1,505 (0,393) <0,001 3,081 (1,051) 0,003 -1,609 (0,682) 0,018 Femgrav 0,768 (0,097) <0,001 0,777 (0,105) <0,001 0,355 (0,810) 0,661 0,736 (0,990) <0,001 Femnaograv 0,179 (0,022) <0,001 0,181 (0,023) <0,001 0,095 (0,143) 0,505 0,230 (0,028) <0,001

D30i0010 Idade Refer -1,166 (0,318) <0,001 -0,0005 (0,071) 0,994

D59 Ind Nsol -0,088 (0,048) 0,069 0,245 (0,406) 0,551 -0,093 (0,062) 0,133 D61 Ind Refer 0,094 (0,050) 0,061 0,201 (0,418) 0,630 0,117 (0,064) 0,065 D29i1020 Idade Ind Refer -0,444 (0,202) 0,029

D30i1020 Idade Refer 0,371 (0,135) 0,006

D31i1020 Idade Ind 0,441 (0,178) 0,013

D20i2030 Idade Nsol Femgrav -0,045 (0,163) 0,006 -0,455 (0,176) 0,010

D28i2030 Idade Nsol 0,206 (0,065) 0,002 0,218 (0,693) 0,002 0,402 (0,479) 0,401 0,232 (0,082) 0,005 D24i3040 Idade Femgrav 0,298 (0,116) <0,001 0,272 (0,125) 0,030 13,421 (555,6) 0,981 0,174 (0,126) 0,168

D30i3040 Idade Refer -0,152 (0,519) 0,003

D31i3040 Idade Ind -1,576 (0,409) <0,001 0,060 (0,062) 0,341

_cons 0,902 0,078 <0,001 -1,568 (0,388) <0,001 -3,391 (1,028) <0,001 1,691 (0,677) 0,012

Fonte: elaborado pelo autor conforme anexo 4.12.5.

Capítulo 5– Conclusões

A análise estatística de dados de contagem utilizada para descrever casos

empíricos de economia da saúde tem sido relevante em diversos estudos.

Entendemos que o desenvolvimento de seu arcabouço teórico deve-se ao contínuo

uso destes modelos nas mais variadas situações encontradas em economia da

saúde, permitindo, como salientado por POLHLMEIER & ULRICH (1995), pesquisas

futuras sobre o comportamento dos diversos agentes.

Contudo, os modelos de dados de contagem apresentam limitações quanto aos

resultados obtidos. As limitações podem ser de caráter informativo, ou seja, é

importante ressaltar algumas questões como a existência de heterogeneidade não

observada (situação quando falta informação disponível sobre o usuário do sistema

de saúde). Por outro lado, estes modelos são, a priori, mais úteis para descrever as

condições de uso de serviços de saúde do que propriamente revelar as condições

de escolha dos agentes para maximizar suas utilidades.

Limitações dos modelos

Os resultados mostraram os fatores que influenciam a demanda por serviços de

saúde no caso de especialidade médica seguindo as premissas do modelo de

GROSSMAN (1972a), como a relação positiva entre a demanda pelo serviço de

saúde e o perfil de idade do paciente e a cobertura do assegurado (CAMERON et.

al. 1988). Entretanto, não pudemos mostrar a relação da demanda com o estado de

saúde dos indivíduos. Para tal, poderíamos ter incluído o resultado dos exames de

citogenética dos pacientes (i.e., estado alterado e não alterado), que não estão

disponíveis na base de dados que utilizamos. Isso implicaria em retringir a

população de pacientes para apenas aqueles que realizaram cariótipos nesse

serviço assistencial em genética médica.

Além do mais, a base de dados deveria ser atualizada com as informações relativas

ao nível de educação e a renda do pacientes (não apenas a renda classificada por

faixa, como foi o nosso caso). Isso poderia aumentar a significância destes dois

fatores na interpretação dos resultados, como vimos em parte na metodologia que

utilizou os termos de interação.

Estudos futuros

A evolução do sistema regulatório brasileiro da Saúde Suplementar tem direcionado

o setor de economia de saúde para condições de verticalização e de concentração,

como exposto por SANTACRUZ (2010). Acreditamos que a metodologia de análise

estatística de dados de contagem pode contribuir para as pesquisas sobre eficiência

do sistema de Saúde Suplementar e dos agentes reguladores, complementando

outras metodologias já difundidas nos estudos atuais, como a avaliação com base

em fronteira de eficiências não estocásticas com modelos de regressão e a análise

envoltória de dados (ou Data Envelopment Analysis). Outro campo relevante para

possível utilização de modelos de análise de dados de contagem é na definição da

metodologia definida pela ANS para os reajustes dos planos de saúde, que

atualmente está em discussão (ANS, 2011a).

Finalmente, esperamos que este trabalho tenha exposto de forma clara o potencial

de utilização da metodologia de análise estatística de dados de contagem em todas

as áreas da economia.

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Benzer Belgeler