III. BÖLÜM: BULGU VE YORUMLAR
4.1. Öneriler
Os diagramas
de impedância eletroquímica, no formato Nyquist, para o POE puroe para a mistura física dos polímeros POE/PMMA, na proporção 70/30, apresentam apenas um semicírculo (região de frequências intermediárias) como mostra o Gráfico 4. Estas análises foram realizadas para efeito de comparação da condutividade do POE puro e da mistura física POE/PMMA em relação às blendas poliméricas em diferentes proporções. Os dados de impedância eletroquímica do POE puro em relação à mistura física POE/PMMA (70/30) apresentados na Tabela 5, mostram que o sistema polimérico composto pela mistura física dos polímeros leva a obtenção do material com melhor propriedade elétrica, maior condutividade, em relação ao POE puro. Esta mudança na propriedade elétrica da mistura física POE/PMMA (70/30) em relação à do POE puro é coerente com o estudo realizado por Aouachaia et al (2011), as misturas poliméricas proporciona a obtenção de material polimérico com melhor propriedade em relação ao polímero isolado. Os cálculos detalhados para obtenção dos dados apresentados na Tabela 5 estão no Apêndice A.
GRÁFICO 4- Diagramas de impedância eletroquímica, no formato Nyquist, para o POE puro (■) e para a mistura física dos polímeros PEO/PMMA (70/30) (■).
Fonte: Elaborado pelo autor.
TABELA 5- Propriedades elétricas obtidas, a partir dos espectros de impedância, do POE
puro e da mistura física POE/PMMA.
Amostras σ / S.cm-1 C
dc/ pF RΩ/ Ω Rp/ Ω
POE Puro 5,44 x 10-8 28,5 4,05 x 105 1,41 x 108
POE/PMMA (70/30) 2,50 x 10-7 27,5 8,18 x 104 7,01 x 107
σ = condutividade elétrica das blendas poliméricas; Cdc = capacitância da dupla camada das blendas poliméricas; RΩ = resistência das blendas poliméricas;
Rp = resistência de polarização.
Fonte: Elaborada pelo autor.
As blendas poliméricas B1, B2, B3, B4 e B5 apresentaram melhor condutividade elétrica, respectivamente, 1,20 x 10-6; 1,56 10-6; 1,02 x 10-6; 1,48 x 10-6 e 1,53 x 10-6 S.cm-1
quando comparadas ao do POE puro (5,44 x 10-8 S.cm-1) e a mistura física dos polímeros POE/PMMA na composição 70/30 (2,50 x 10-7 S.cm-1). Comparando a condutividade elétrica da blenda B5 (70/30/0,1) com a mistura física POE/PMMA (70/30) se observa que a blenda B5 apresenta melhor condutividade elétrica em relação a mistura física dos polímeros na composição 70/30.
A diminuição da condutividade elétrica da mistura física dos polímeros e o POE puro em relação às blendas, assim como, da mistura física POE/PMMA (70/30) em relação à blenda B5 (70/30/0,1), pode ser explicado de duas maneiras: a primeira, é que a condutividade das blendas pode ser influenciada pela presença do TiO2 , uma vez que, este
óxido é um semicondutor, com condutividade elétrica 2,78 x 10-4 S.cm-1, segundo Maria (2011, p. 82). A segunda é devido ao método de obtenção do material utilizado para confeccionar as pastilhas. Este pode ter influenciado a condutividade elétrica da blenda. As blendas obtidas a partir do processo de evaporação e em seguida maceradas, baseado nos dados da condutividade elétrica do material polimérico, mostraram ser mais eficiente, em relação ao polímero puro e a mistura física, ambos utilizados para confeccionar as pastilhas, conforme adquirido da ALDRICH® na forma de pó sem nenhum tratamento prévio.
4.1.2 Espectroscopia de Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR)
Os espectros de infravermelho para os polímeros PMMA e POE puro no modo de ATR (Attenuated total reflectance), e o espectro do POE puro em pastilha de KBr são apresentados no Gráfico 5. Os espectros (a), (b) e (c) do Gráfico 5 são, respectivamente, do PMMA puro e do POE puro, ambos no modo de ATR, e do POE em pastilha de KBr.
GRÁFICO 5 - Espectros de infravermelho do PMMA puro (a), do POE puro (b) e do POE em pastilha de KBr (c). 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 85 90 95 100 105 110 (a) 750 cm -1 840 cm -1 987 cm -1 1142 cm-1 138 7 cm- 1 143 4 cm- 1 1722 cm-1 294 9 cm -1 Int ens idade (u.a) PMMA ATR 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 85 90 95 100 105 (b) 840 cm -1 960 cm -1 105 9 cm -1 1095 cm-1 114 1 cm- 1 127 9 cm -1 134 1 cm -1 146 7 cm- 1 287 6 cm -1 Int ens idade (u.a) POE ATR 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 60 70 80 90 100 (c) 840 cm -1 960 cm-1 1059 cm-1 1095 cm-1 114 1 cm -1 127 9 cm -1 134 1 cm -1 146 7 cm -1 163 8 cm -1 197 1 cm -1 287 6 cm -1 363 8-3276 cm -1 Int ens idade (u.a) Número de onda cm-1 POE KBr
Fonte: Elaborado pelo autor.
No espectro do PMMA puro no modo de ATR, mostrado no Gráfico 5 (a), são observadas bandas nas seguintes regiões: 2949, 1722, 1434, 1387, 1142, 987, 840 e 750 cm-1. A banda em 2949 cm-1 é atribuída ao estiramento CH3 e CH2. A banda em 1722 cm-1 é
atribuída ao estiramento C=O, sendo esta banda característica do PMMA (HU, 2012; MOTAUNG, 2012). As bandas em 1434 e 1387 cm-1 são atribuídas à vibração de flexão do CH2 e CH3, respectivamente. As bandas em 1142 cm-1 e 750 cm-1 são atribuídas ao
estiramento C-O e CH2. Enquanto as bandas em 987 cm-1 e 840 cm-1 são atribuídas ao
estiramento C-C. As atribuições destas bandas são apresentadas na Tabela 6.
TABELA6 - Atribuições das bandas na região de infravermelho para PMMA.
Número de onda (cm-1) Atribuição
2949 Estiramento CH3 e CH2 1722 Estiramento C=O 1387 Vibração de flexão CH3 1434 Vibração de flexão CH2 1142 Estiramento C-O 960 e 840 Estiramento C-C 750 Estiramento CH2
Fonte: Elaborada pelo autor.
No espectro do POE puro no modo de ATR, espectro (b), mostrado no Gráfico 5, são observadas as bandas nas regiões: 2876, 1467, 1355, 1279, 1141, 1095, 1059, 960 e 840 cm-1. As bandas na região entre 1355 e 1279 cm-1 estão relacionadas, respectivamente, à
deformação angular simétrica e assimétrica do grupo CH2 fora do plano, assim como, as
bandas em 960 e 840 cm-1são relacionadas à deformação angular assimétrica -CH2-, enquanto
a banda em 1467 cm-1 é atribuída à deformação angular simétrica no plano do grupo CH2em
concordância com dados encontrados na literatura (GONDALIYA et al., 2012; ROCCO; FONSECA; PEREIRA, 2002; MALIK et al., 2012; TRINDADE NETO, 2008). As atribuições destas bandas são apresentadas na Tabela 7. As três bandas nas regiões de 1141, 1095 e 1059 cm-1, sendo a banda de maior intensidade em 1095 cm-1, são resultantes do estiramento de vibração C-O-C, estas são bandas características que confirmam a fase semicristalina do POE (ROCCO; FONSECA; PEREIRA, 2002; GONDALIYA et al., 2012).
A banda em 2876 cm-1 é atribuída ao estiramento assimétrico do CH2 (SHEN; SIMON;
CHENG, 2002).
TABELA 7 - Atribuições das bandas na região de infravermelho para POE.
Número de onda /cm-1 Atribuição
3638-3276 Deformação axial O-H
2876 Estiramento assimétrico C-H2
1971 ---
1638 Estiramento O-H
1467 Deformação angular simétrica planar CH2
1355 Deformação angular simétrica não planar
CH2
1275 Deformação angular assimétrica não planar
CH2
1141, 1095 e 1059 Estiramento da vibração C-O-C
960 e 840 Deformação angular assimétrica -CH2
Fonte: Elaborada pelo autor.
No espectro do POE puro em pastilha de KBr, espectro (c), mostrado no Gráfico 5, são observadas três bandas em 3638-3276 cm-1, 1971 e 1638 cm-1, que não são observadas para o POE puro no modo de ATR, espectro (b) no Gráfico 5. A banda larga na região entre 3638 e 3276 cm-1 é resultante da deformação axial da ligação O-H, presente na molécula de água. Esta banda pode ser da água adsorvida pela pastilha de KBr, uma vez que, o material foi analisado em forma de pastilha de KBr e este absorve fortemente moléculas de água presente no ambiente (umidade relativa). Enquanto a banda na região de 1638 cm-1 pode ser atribuída à presença de água adsorvida na amostra uma vez que, como já citado anteriormente, a referente amostra foi analisada em pastilha de KBr. De acordo com Silverstein (SILVERSTEIN, WEBSTER, KIEMLE, 2006, p. 77) a confecção de pastilhas para obtenção
de espectros na região de infravermelho usando KBr possibilita a observação de bandas em 3448 e 1639 cm-1, por causa da umidade do ar adsorvida pela amostra.
No Gráfico 6 são apresentados os espectros de infravermelho do POE puro, espectro (a), das blendas poliméricas em diferentes proporções: B1 (b); B2 (c); B3 (d); B4 (e) e B5 (f)
dopadas com dióxido de titânio (POE/PMMA/TiO2), da mistura física POE/PMMA (70/30)
sem adição do dióxido de titânio (g) e do PMMA puro (h).
GRÁFICO 6 - Espectros de infravermelho (a) POE puro, blendas poliméricas modificadas
com dióxido de titânio (POE/PMMA/TiO2): (b) B1; (c) B2; (d) B3; (e) B4 e
(f) B5; (g) POE/PMMA (70/30) sem dióxido de titânio e (h) PMMA puro.
Fonte: Elaborado pelo autor.
O Gráfico 6 mostra o espectro da blenda dopada com TiO2 (POE/PMMA/TiO2), de
composição 90/10/0,1(B1), espectro (b). Neste espectro, uma nova banda em 1741 cm-1 é observada em relação ao espectro do POE puro em pastilha de KBr, espectro (a). Esta banda é característica do estiramento do grupo funcional carbonila, C=O, presente no monômero MMA (HU et al., 2012; MOTAUNG et al., 2012) e observada no espectro (h), PMMA puro,
em 1722 cm-1 com maior intensidade em relação à banda em 1741 cm-1 do espectro (b). Entretanto, com o aumento da quantidade de PMMA nas blendas, esta banda tem sua intensidade aumentada. Isto é perceptível nos espectros das blendas B2 à B4 em relação à B1, sendo que no espectro da B4 esta banda se apresenta com maior intensidade. O deslocamento desta banda para 1741 cm-1 em relação ao do PMMA puro, indica uma possível interação entre os dois polímeros.
Os espectros (b), (c), (d), (e) e (f), mostrados no Gráfico 6, apresentam uma banda larga de 3638 a 3276 cm-1, referente à deformação axial da ligação O-H que aumenta com a adição do PMMA na blenda. Este comportamento pode ser explicado pelo fato da solução de PMMA ter sido preparada utilizando o ácido acético como solvente, que em sua estrutura apresenta o grupo (O-H), isto leva a uma maior concentração deste grupo nesta região dos espectros. É observado, nestes espectros, que a intensidade das bandas apresenta uma pequena variação em relação às bandas do espectro (a), espectro do POE puro. Este comportamento pode ser explicado através do estiramento assimétrico de C-CH3 e do
estiramento vibracional do O-CH3 em 2859 cm-1 e 2845, respectivamente, em concordância o
trabalho de Hu (HU et al., 2012; MOTAUNG et al., 2012). As atribuições das bandas são apresentadas na Tabela 7.
4.1.3 Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV)
A microscopia eletrônica de varredura foi utilizada para analizar a morfologia da superfície dos polímeros puro: POE e PMMA, e das suas blendas POE/PMMA/TiO2 em
diferentes proporções: B1; B2; B3; B4 e B5.
Na Figura 6 são apresentadas as micrografias da morfologia da superfície dos polímeros puros: POE (a) e PMMA (b), e das blendas poliméricas POE/PMMA/TiO2: B1 (c);
FIGURA 6 – Micrografias da morfologia do POE puro (a), do PMMA puro (b) e das blendas poliméricas, POE/PMMA/TiO2, em diferentes proporções: B1 (c); B2
(d); B3 (e); B4 (f) e B5 (g).
Fonte: Elaborada pelo autor.
(a) A)) (b) A (c) (d) (e) ) (f) (g)
As imagens da morfologia da superfície dos polímeros POE e PMMA puros, micrografias (a) e (b), respectivamente, na Figura 6, mostram que os dois polímeros têm aspectos morfológicos diferentes. O POE apresenta pequenas partículas no formato esférico e superfície heterogênea. Enquanto o PMMA apresenta partículas grandes em formato menos esférico, ou seja, mais lisa e superfície homogênea. Este aspecto morfológico diferenciado está relacionado com a composição e estrutura molecular dos polímeros (CANEVAROLO JR, 2004; RINALDI, 2005; PADILHA, 2006).
As micrografias das blendas B1; B2; B3; B4 e B5, respectivamente, (c), (d), (e), (f) e (g) estão apresentadas na Figura 6. Na micrografia da blenda B1 (90/10/0,1), blenda com a menor composição de PMMA, Figura 6(c), é observado aspectos morfológicos diferentes em relação à morfologia do POE e PMMA puros, isto sugere que a morfologia do POE é influenciada pela presença do PMMA. Este comportamento é uma possível indicação de que as propriedades do POE são modificadas com a adição do PMMA, uma vez que, os polímeros apresentam características morfológicas diferentes. Enquanto o POE é semicristalino o PMMA é amorfo. Devido ao PMMA ser amorfo, então, sua presença na blenda polimérica inibe a cristalinidade do POE segundo Jeddi et al (2010). No caso do presente trabalho, espera-se que este efeito de inibição modifique as propriedades elétricas das blendas estudadas. Entretanto, se observa pelos dados obtidos na mistura física POE/PMMA (70/30) que sua condutividade elétrica é 2,50x10-7 S.cm-1, ou seja, uma ordem de grandeza maior que
a do POE puro que é 5,44x10-8 S.cm-1. Este resultado sugere que a presença do PMMA,
independente da forma que se prepara a amostra, afeta as propriedades elétricas do POE. A Figura 6 mostra as micrografias (f) e (g), respectivamente, das blendas poliméricas B4 e B5. Observa-se que o aspecto morfológico destas blendas B4 e B5 apresenta formato aparentemente, lamelar, sugerindo características diferentes em relação aos polímeros puros (POE e PMMA). Este aspecto lamelar é mais evidenciado na blenda B5, micrografia (g), provavelmente, devido à separação de fases em que o POE cristalino forma as lamelas que estão intercaladas por fase amorfa do POE/PMMA/TiO2.
Observa-se nas micrografias das blendas B1 (c), B2 (d), B3 (e), B4 (f) e B5 (g), Figura 6, pontos brancos em sua superfície morfológica. Sendo a blenda B2 (POE/PMMA/TiO2) de
composição 85/15/0,1 a que apresentou maior quantidade desses pontos brancos. Nas demais (B1, B3, B4 e B5) a presença destes pontos aparece em menor quantidade. Os dados do espectro obtido da análise semiquantitativa de EDS de um destes pontos na superfície
morfológica da blenda B4 (POE/PMMA/TiO2), mostram a presença da nanopartícula de
titânio na área (ponto branco) que foi analisada, identificada na micrografia mostrada na Figura 7 (a), enquanto a Figura 7 (b) apresenta o espectro de EDS obtido da análise. Os dados semiquantitativos dos elementos químicos presentes na amostra são apresentados na Tabela 8. Com exceção do alumínio, que aparece no espectro, por ser o material de confecção do porta- amostra utilizado na análise.
Observou-se que os diagramas no formato Nyquist das blendas apresentam tendência de formação de um segundo semicírculo na região de baixa frequência caracterizada pelo transporte de difusão de massa. Obteve-se, para a blenda B2, um coeficiente de difusão de 7,54 x 10-7 m2.s-1 (segundo semicírculo) e uma condutividade elétrica de 1,56 x 10-6 S.cm-1 (primeiro semicírculo) que é a maior entre as blendas estudadas. Fazendo a correlação com os dados obtidos na microscopia de varredura eletrônica, a blenda B2 foi a que apresentou maior quantidade de pontos brancos (nanopartículas de titânio) na sua superfície, sugerindo que a presença do titânio na superfície morfológica induza a um aumento da condutividade elétrica, em consequência, da sua mobilidade na blenda. A blenda B5 apresenta maior coeficiente de difusão (1,07 x 10-6 m2.s-1) em relação às demais. De acordo com a sua micrografia, que apresentar aspecto lamelar, sugerindo uma separação de fases entre os polímeros e, em consequência, uma maior mobilidade do titânio entre estas lamelas induzindo a um aumento na condutividade (1,53x10-6 S.cm-1) que se assemelha a aquela da blenda B2 (1,56x10-6 S.cm- 1).
Com base nos dados morfológicos das blendas estudadas percebe-se que é possível melhorar as propriedades do material, uma vez que, a morfologia de um dado polímero é modificada pela presença de outro polímero com propriedades que lhe permita uma boa
miscibilidade (OKERBERG; MORANDA, 2007). As mudanças nas propriedadesdas blendas
estudadas neste trabalho, também podem ser sugeridas pela presença da banda em 1741 cm-1 (C=O) que foi deslocada e apresenta-se com menor intensidade em relação a do PMMA puro (1722 cm-1).
FIGURA 7 – Quantificação de titânio na blenda (POE/PMMA/TiO2) em proporção de
75/25/0,1 (B4) (a) e o espectro obtido da análise de EDS (b).
Fonte: Elaborada pelo autor.
TABELA 8 - Dados obtidos da análise de EDS da blenda (POE/PMMA/TiO2) na composição
75/25/0,1 (B4).
Elemento % massa %Densidade % atômica
Carbono 63,930 0,880 70,998
Oxigênio 33,937 0,894 28,295
Alumínio 0,524 0,065 0,259
Titânio 1,608 0,131 0,448
Fonte: Elaborada pelo autor.
Em todas as micrografias apresentadas é possível observar que as blendas, à medida que se aumenta a quantidade de PMMA, vão perdendo o aspecto morfológico predominante do POE. As blendas com composição de PMMA acima de 20% apresentam menor condutividade elétrica em relação à blenda B2 (85/15/0,1) (15%), de acordo com os resultados de impedância eletroquímica. Nesta proporção o material estudado apresenta maior condutividade (1,56x10-6 S.cm-1).
4.1.4 Difração de Raios X (DRX)
4.1.4.1 Difração de Raios X dos polímeros puros: (a) POE e (b) PMMA, e das blendas poliméricas
No Gráfico 7 mostra os difratogramas de raios X para os pós dos polímeros puro: (a) POE e (b) PMMA e das blendas poliméricas, POE/PMMA/TiO2: (c) B1; (d) B2; (e) B3; (f)
conjectura da estrutura dos polímeros. Segundo Sperling (2006), as substâncias amorfas não exibem uma cristalinidade padrão de difração de raios X, ou seja, picos bem definidos, enquanto para as substâncias cristalinas estes são bem definidos. Este tipo de comportamento amorfo ou cristalino está relacionado ao grau de desordem ou ordem, respectivamente, das estruturas das substâncias.
GRÁFICO 7 - Difratogramas dos polímeros puros: (a) POE; (b) PMMA e das blendas
poliméricas, POE/PMMA/TiO2:(c) B1; (d) B2; (e) B3; (f) B4 e (g) B5.
Fonte: Elaborado pelo autor.
O difratograma do POE puro, mostrado no Gráfico 7 (a), apresenta dois picos bem definidos em 19,0 e 23,5° que, pela equação de Bragg (Equação 11), correspondem à distância interplanar 4,7 e 3,78 Å, respectivamente. Segundo Li, Li e Zhang (2009) estes picos são característicos da difração de raios X do POE. O pico em 19,0° é atribuído ao plano cristalográfico (120) e o pico em 23,5° é atribuído a uma série de planos cristalográficos: (032), (132), (112), (212), (004) e (124) (BURBA; FRECH; GRADY, 2007). Neste mesmo difratograma são observados picos de menor intensidade em 14,8; 27,0; 36,4 e 40,0°, os quais
são resultantes da difração dos planos laterais (ZHANG; ZHANG; BI, 2011). Estes resultados evidenciam a natureza semicristalina do POE, uma vez, que este apresenta uma estrutura semicristalina característica bastante discutida na literatura (ZENG; FANG; XU; 2004, PRODDUTURI et al., 2005).
No difratograma do PMMA puro, apresentado no Gráfico 7 (b), são observados dois picos largos, um na região de 13,5° e o outro, de menor intensidade, na região de 30,0°. Alguns autores caracterizam estas regiões de região corcunda (TRIPATHI et al., 2009) e específica de material amorfo. Sendo, portanto, os picos do difratograma nessa região característicos do PMMA (SINGH et al., 2010; CEBE; CHUNG, 1999). Com base nestes dados a estrutura do PMMA apresenta elevado grau de desordem, evidenciado pelas regiões corcundas do difratograma (b).
No Gráfico 7 (c)-(e) são mostrados os difratogramas da blenda POE/PMMA/TiO2
nas diferentes composições estudadas. Observa-se que a intensidade dos picos em 19,0 e 23,5° diminuem com aumento da composição do PMMA na blenda, assim como, os demais picos de menor intensidade existente no difratograma. Este comportamento evidencia a interação entre o sistema semicristalino, POE, e o sistema amorfo, PMMA. Conforme os dados fornecidos pelos difratogramas, Gráfico 7 (c)-(e), referentes às proporções poliméricas 90/10/0,1; 85/15/0,1 e 80/20/0,1, respectivamente, o aumento da quantidade de PMMA na composição da blenda provoca a inibição da cristalinidade do POE e, em consequência, a diminuição da cristalinidade do sistema em concordância com o observado por Singh et al (2010). Outra observação interessante é o fato de que, na literatura, picos de difração de raios X nas regiões: 43,0, 41,50, 31,0 e 27,55° são atribuídos ao TiO2, segundo Li, Li e Zhang
(2012). Entretanto, no presente estudo esses picos não são observados, provavelmente, devido ao reduzido volume (0,1 mL) da substância precursora do TiO2. A qual foi adicionada em
cada blenda polimérica e proporcionando uma boa distribuição das pequenas partículas, as quais, não identificável no DRX.
Observando os difratogramas no Gráfico 7 (f) e (g) das blendas nas composições 75/25/0,1 (B4) e 70/30/0,1 (B4), respectivamente, percebe-se que a cristalinidade do material nestas proporções aumenta, ou seja, os sistemas poliméricos apresentam comportamento reverso.
Tal comportamento do material pode ser explicado pela análise da distância interplanar do POE, utilizando a equação de Bragg (Equação 11), a partir dos dados obtidos
da difração de raios X e apresentados na Tabela 9. Para o POE puro o pico em 23,5° corresponde à distância interplanar de aproximadamente 3,78 Å. No caso das blendas B1(90/10/0,1), B2(85/15/0,1) e B3(80/20/0,1), respectivamente, há um deslocamento desse pico para 22,7°, valor menor em relação ao do POE puro, resultando em um aumento da distância interplanar para 3,91 Å. Esta variação nos valores da distância interplanar das blendas relacionado ao pico em 23,5° indicam que a presença do PMMA nas blendas, nas referidas proporções, provoca mudanças na estrutura do POE (PEREIRA, 2008, p. 79), consequentemente, alterando as propriedades do material.
TABELA 9 - Distância interplanar e valores de 2Θ para o POE puro e para as blendas POE/PMMA/TiO2. Amostras 2Θ d(Å) POE 23,5° 3,78 B1 22,7° 3,91 B2 22,7° 3,91 B3 22,7° 3,91 B4 23,5° 3,78 B5 23,5° 3,78
Fonte: Elaborada pelo autor.
Os dados apresentados na Tabela 8, referentes à distância interplanar das blendas B4 e B5, mostram que o valor de 3,78 Å é o mesmo para ambas. Isto sugere que não ocorreu alteração na distância interplanar em relação ao POE puro e, portanto, nestas proporções (75/25/0,1 e 70/30/0,1) a presença de PMMA no sistema polimérico não causa mudança significativa na estrutura do POE. A estrutura do POE com a adição de PMMA nas proporções 75/25/0,1(B4) e 70/30/0,1(B5) é parcialmente modificada. De acordo com o observado nos difratogramas no Gráfico 7 (f) e (g), a cristalinidade do POE é menos influenciada pela adição do PMMA. O histograma, apresentado no Gráfico 8, mostra que as blendas B1, B2 e B3 têm uma redução significativa, e em ordem decrescente, na intensidade dos picos em 2Θ = 22,7o em relação ao POE puro (2Θ = 23,5o). Entretanto, nas blendas B4 e
GRÁFICO 8 – Histograma do pico de maior intensidade relativo ao POE em função da
composição do PMMA.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Baseado nos dados obtidos por difração de raios X, nas proporções 90/10/0,1; 85/15/0,1 e 80/20/0,1 a adição do PMMA causa mudança na estrutura do POE e, consequentemente, mudança nas propriedades das blendas estudadas. Enquanto nas proporções 75/25/0,1 e 70/30/0,1 não ocorre mudança estrutural significativa no POE, no entanto, a intensidade do pico destes é menor em relação ao pico do POE puro. Sugere-se, então, que o PMMA esteja interagindo com o POE nestas proporções, sem causar mudança na sua estrutura. As micrografias obtidas por microscopia eletrônica de varredura (MEV), para as blendas B4(75/25/0,1) e B5(70/30/0,1), apresentam aspecto morfológico lamelar, possivelmente, devido a separação de fases, sendo mais evidente na blenda B5. Isto sugere que a formação de lamelas pelo POE cristalino seja separada por regiões interfases contendo
4.1.4.2 Difração de Raios X das misturas físicas POE/PMMA: (a) 70/30 e (b) 80/20
Os difratogramas de DRX das misturas físicas dos polímeros POE e PMMA nas proporções 70/30 e 80/20, na forma de pó como adquirido da Sigma-Aldrich® são mostrados no Gráfico 9.
GRÁFICO 9 – Difratogramas de DRX das misturas físicas POE/PMMA: (a) 70/30 e (b) 80/20.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Os dados mostram que a mistura física entre os polímeros, nas proporções 70/30 e 80/20, não altera a estrutura do POE, uma vez que, os picos permanecem na mesma posição
intensidade do pico entre as misturas físicas e o POE puro é relativamente pequena (≈ 2%), conforme mostrado no histograma no Gráfico 10.
GRÁFICO 10 - Histograma do pico de maior intensidade relativo ao POE puro em função da
composição do PMMA na mistura física POE/PMMA.
Fonte: Elaborado pelo autor.