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2. YÖNTEM 1 ARAŞTIRMA MODELİ

4.2 ÖNERİLER

popularidade dos literatos, conseguida através dos folhetins e

colunas publicadas nos jornais. Esta também é a hipótese de

Miceli ( 1 977), que aponta o período entre 1907-8 e 1922 co­

mo o do desenvolvimento das condições de profissionalização

do trabalho intelectual.

O trabalhar no "formigueiro humano" de Bilac implicava

uma atividade intensa

e

incansável para quem tinha a preten­

são de viver da sua profissão. Coelho Neto, que deixou uma

imensa obra em livros e escritos em jornais e revistas, traba­

lhava num regime de dez a doze horas diárias. Segundo Ma­

chado Neto, "não é certo que vivesse exclusivamente da pena,

ainda que, sem dúvida, vivesse sobretudo dela" (1973, p . 78).

BELLE ÉPOQUE 1 1 5

A venda de originais aos editores, o recebimento antecipa­ do por livros a serem escritos e, para os que tinham alcançado

este status, os j

e

toas da Academia Brasileira de Letras faziam

parte do cotidiano da vida dos literatos. Para poderem viver co­ mo os outros homens, os intelectuais combinavam a literatura com outras atividades: o emprego público, o magistério e, sobre­ tudo, o jornalismo.

Bilac considerava o jornalismo um bem, uma vez que era o único meio de um autor ser lido e se comunicar com o pú­ blico. Outros escritores criticavam o jornalismo por tomar su­

perficial tanto a expressão como as idéias. De toda forma, a

grande imprensa dominava a vida intelectual. Era ela quem oferecia empregos, sobretudo através das colunas de jornal, e gratificava mensalmente os escritores.

O jornalismo tomou-se a atividade central deste novo tipo de intelectual profissional, os " anatolianos" , para usar a expres­ são de Sergio Miceli. O "anatoliano" ou o "dãndí" era aque­ le escritor cujas obras e vida expressavam a importação dos modelos parisienses de produzir literatura e de viver. "A tal ponto encontram-se fundidos 'criador' e obra que o sucesso e a rentabilidade da segunda será tanto maior quanto mais con­

sumado o mundanismo do primeiro" (Miceli,

1977,

p.

77).

Por volta de

1900,

as transformações registradas na vida

literária levaram o boêmio tradicional a ceder lugar ao "dândi" . Agora importavam "não mais os cafés e restaurantes, mas os salões onde a literatura se tinha assimilado ao mundanismo da metrópole cosmopolita e civilizada em que o Rio tímbrava por

transformar-se" (Machado Neto,

1973,

p.

94).

Na primeira década do século XX, o mundo intelectual brasileiro perdeu figuras das mais eminentes. Machado de Assis

morreu em

1903,

Euclides da Cunha em

1 909,

e Joaquim Na­

buco em

1910.

Em

1914

morreu Silvio Romero e, em

1916,

Jo­

sé Veríssímo, duas grandes figuras de intelectuais que vinham produzindo desde o fmal do século XIX.

Além de Olavo Bilac e Coelho Neto, figuras já consa­ gradas, outros intelectuais passaram a ocupar o primeiro plano da vida cultural. Afrãnio Peixoto elegeu-se para a cadeira de

Euclides na Academia Brasileira de Letras em

1910;

João Ri­

beiro foi recebido por José Veríssimo na Academia em

1911;

João do Rio (Paulo Barreto) ingressou na Academia em

1910

116 LÚCIA LIPPI OLIVEIRA

Uma das figuras que compunham este mundo cosmopoli­ ta do Rio de Janeiro era Osório Duque-Estrada, para quem a tarefa da crítica literária significava o exercício do controle da língna. Conhecido como "o guarda-noturno da literatura brasilei­

ra" , escreveu em

1909

a nova letra do Hino Nacional, expres­

sando a idéia de nação própria do seu tempo. 1

Nem todos os intelectuais, obviamente, merecem ser enqua­ drados nesta produção diletante. Alguns acusavam a República de ser o "paraíso dos medíocres" e combatiam na vida políti­ ca tanto as oligarquias quanto os movimentos jacobinistas .

Eles foram de alguma forma os herdeiros da geração de

1870,

e não tinham lugar neste espaço público. 2 Euclides da Cunha e Lima Barreto, com todas as diferenças que os separam, podem ser vistos como consciências críticas da vida literária e intelec­ tual da época. Outras figuras transitavam de um campo a ou­ tro, como Manuel Bonfim e o próprio Olavo Bilac.

Participante habitual das conferências literárias da moda, Manuel Bonfim era membro da roda boêmia da qual Coelho

Neto fazia parte (Brito Broca,

1975).

Seu livro

A América

La­

tina -

males de origem,

publicado em

1905,

inaugurou uma

nova perspectiva para o saber científico do s�u tempo, mais tar­ de recuperada pela corrente nacionalista de Alvaro Bomilcar.

A antropologia brasileira da época acreditava-se capaz de identificar as verdadeiras causas do conflito social, localizando­ as nas questões de ordem étnica. Este pressuposto, que não era específico do pensamento bra�ileiro, supunha uma homologia entre a vida orgânica e a vida social. Manuel Bonfim criticava a equivalência entre a biologia e a vida social, considerando que os fatos sociais teriam uma complexidade maior por sofre­ rem a ação tanto das leis sociais quanto das biológicas (Susse­

kind e Ventura,

1984).

1 A história do Hino Nacional foi contada por Luiz Paulo Horta em artigo publicado no Jornal do Brasil em 24 de abril de 1985 . . , A melodia foi escrita pelo excelente Francisco Manuel quando da abdicação de Pedro L A letra original era de Ovídio Carvalho e Silva; mas quando o hino foi tocado, em 1841, na coroação de Pedro n, já apareceu com outra letra, de autor desco­ nhecido. Depois, até a República, foi tocado sem letra. Queriam um hino es� pecífico para a República - que foi composto por Leopoldo Miguez. Mas o marechaJ Deodoro acabou mantendo�o como hino nacional. Em 1900, aparece a letra de Osório Duque-Estrada, que o Congresso só aprova em 1922." 2 O pensamento cientificista preocupado em resolver o atraso brasileiro não desaparece. Ele está presente no pensamento sanitarista e nas campanhas de

Benzer Belgeler