SONUÇ VE ÖNERİLER
5.2. ÖNERİLER
Na Teoria Econômica da Democracia(Downs, 1999[1959]), a implicação do desempenho sobre reeleição deriva diretamente de seus micro-fundamentos. Todavia, uma vez que tal modelo é pensado em eleições aos governos executivos e, primordialmente, em sistemas com dois candidatos (pg’s 59-70), o problema para sua aplicação ao caso das candidaturas a cargos proporcionais no Brasil consiste em transladar as hipóteses downsianas para o campo das eleições em um sistema multinomial com candidatos concorrendo em lista aberta.
Nesse caso, a composição das peças é complexa, não sendo claro em que medida se ajustam. Testar a Teoria Econômica da Democracia em distritos uninomiais com dois candidatos – no qual um deles concorre à reeleição - difere muito de testar essa mesma teoria no modelo institucional brasileiro. As dificuldades aumentam quando a questão é situar a função de utilidade do eleitorado e as estratégias dos deputados no sistema eleitoral proporcional de lista aberta.
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O problema pode ser definido na compreensão, em termos técnicos, sobre o modo como os agentes, candidatos e eleitores, resolvem o problema no mundo e, tendo isso em conta, a formalização desses comportamentos em termos de funções de utilidade dos atores. Tendo isso em conta, o teste da Teoria Econômica da Democracia em eleições de proporcionais envolve:
i. pela hipóteses que defesa uma implicação positiva entre desempenho e maior segurança quanto a reeleição;
ii. pelo fato de tal implicação tem em conta algum equilíbrio apreensível pelos agentes e pelo fato desses moldarem suas estratégias buscando ;
iii. do ponto de vista de eleitores e grupos de interesse, pela propensão com esses votariam ou defenderiam candidatos à reeleição cujo desempenho fosse mais saliente;
Embora as premissa sejam simples, o paradoxo que demove sua importância decorre de dois indícios supostamente contraditórios. Tão frequentemente quanto se diz que parcela considerável dos eleitores se veem alienados antes das eleições - por não saberem em quem votarão -, e com amnésia pós eleição – por não saberem em quem votaram -, revela-se que, em média, e ainda assim, há uma incrível regularidade no qual 2/3 dos que concorrem à reeleição se reelegem. Igualmente importante é relembrar que fortes grupos de interesse conseguem, em diversos estados da federação, empenharem-se e (re)elegerem seus candidatos.
Certamente que alguma ancoragem sociológica será necessária para explicar o paradoxo envolvendo a utilidade marginal dos eleitores e a estratégia dos competidores. Considerando contribuições de Tsebelis (1998, p. 46–50), tal conformação também pode ser compreendida como equilíbrio em jogos com grande número de atores. Se não deseja-se abandonar o pressuposto da racionalidade - única conclusão plausível é que há um sub-grupos de eleitores e de atores (individuais e coletivos) capazes de fazerem escolhas sistemáticas (em contraposição às escolhas aleatórias), e que de suas escolhas no ambiente competitivo apresentam alta capacidade de difusão vis a vis o restante do eleitorado. Ou seja, não importa o percentual de eleitores racionais tomados individualmente, e sim que há atores e grupos capazes de imputar previsibilidade ás eleições.
O desempenho dos deputados é o fator utilizado na escolha eleitoral desses atores estratégicos? Se o for, então o micro-fundamento do modelo downsiano poderia ser provado com variações pertinentes apenas ao modelo institucional (regras eleitorais). Se as técnicas necessárias para tal implicação macro estiverem a mão, que é o que se busca aqui desenvolver, então o equivalente micro-sociológico poderá ser interpretado de modo mais seguro em trabalhos futuros.
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A estratégia inicial para tanto consiste em traçar paralelos e diferenças entre os modos de explicação cientifica se dá no sistema político dos EUA - a House of the Representatives – e, em seguida, discorrer as diferenças no modo como ocorreriam na Câmara dos Deputados - no Brasil. A idéia de comparação será tratada aqui de modo distinto da usual. Tão importante quanto apreender as conclusões, será necessário compreender o modo como discorre-se o explanandum científico nos estudos legislativos dos EUA vis a vis o explanandum científico para o caso brasileiro.
1.2.1. Análise comparada
A revisão bibliográfica objetiva inserir situar a questão frente a bibliografia dos EUA e Brasil - bem como das inconsistências presentes na literatura. Compreender e aproveitar as principais contribuições e problemas é o melhor caminho para detectar e corrigir inconsistências nas técnicas e nos argumentos. De todo modo, o estudo sobre o problema da reeleição tornou necessário a interpretação do campo de estudos legislativos e eleitorais sobre o Brasil.
A escolha House of the Representatives justifica-se em função da larga produção acadêmica dessa instituição como objeto de estudo. Além disso, há certa similaridade-diferença dessa instituições e Brasil. Uma vez que a similaridade situa-se no presidencialismo e voto personalizado, a diferença situa-se - como lembra Abranches (1988) – no sistema partidário (bipartidário versus pluripartidário) e no sistema eleitoral (distrital uninominal versus distritos plurinominais, lista aberta e fórmula D’Hont).
Os comparativos em Ciência Política atêm-se às similaridades e diferenças entre instituições e trajetórias institucionais de diferentes países. As questões centrais que mobilizam estes estudos são que tipos de comportamentos e instituições, ou posições políticas existem em um ou (ou não em) outro país(es), os fatores que levaram a tais conformações, em resumo, a variabilidade e os fatores que explicam essa variabilidade.
Ao se contrapor à ideia de estudos de caso com um empreendimento cientifico legitimo, Reis (2000a) enfatiza que - na medida em que toda pesquisa parte categorias universais de análise – segue que toda analise é eminentemente comparativa e, logicamente, universal. O que Reis defende relaciona-se a universalidade das categorias lógicas e das etapas de trabalho método científico. Por sua vez, a universalidade dos resultados considera que os atores, grupos ou instituições, tomados como equivalentes e submetidos à pressões, ambiente e escolhas também equivalentes, tendessem a (re)agir do mesmo modo, conformando assim uma teoria geral.
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Desse modo, ressalvadas as diferenças entre as instituições, o que se compreende aqui por universalidade da Teoria Econômica da Democracia relaciona-se ao seu conteúdo intrínseco, ou seja, à maximização das utilidades esperadas entre candidatos e eleitores, independente, a princípio, de qual seja o algoritmo eleitoral. Portanto, não seria o fato dessa teoria ter sido defendida em uma ambiente institucional mais simples que a invalidaria para outros sistemas eleitorais. O problema da ambiência da teoria pressupõe que mediações analíticas devam ser consideradas.
A preocupação com a comparação entre os EUA e Brasil tem em conta o aprimoramento do método científico adotado na análise da reeleição de deputados no Brasil. Relaciona-se, portanto, a compreensão do modus operandum da explicação cientifica, sua heurística interna, e a possibilidade de que tal compreensão ajude a compreender o modo como as dificuldades analíticas para o caso brasileiro podem ser superadas em termos teóricos e empíricos.
Assim, a instrumentalidade do caso dos EUA nada tem a ver com o deslocamento automático dos mecanismos e argumentos teóricos e empíricos deste modelo institucional aplicado acriticamente sobre o caso local. Como será visto adiante, conceitos como accountability, contituency ou delegação, aparentemente neutros, carregam, por vezes, os contextos institucionais ao qual a bibliografia primeiramente os tratou. Ao serem transplantados ao Brasil, mas interpretados do modo anterior, terminariam por não gerar bons frutos em terras trópicais. Esse destino infeliz ocorreu nos diversos trabalhos que se ativeram ao problema da reeleição de deputados federais brasileiros. Assim, o sucesso em explicar a reeleição não adviria de mera tradução ou replicação dos termos, mas a compreensão destes termos tendo em conta sua ambiência nas instituições brasileiras. Em resumo, o esforço de tradução implica contextualização sobre o modo como as regras institucionais impactam de modo diferenciado na competição eleitoral e na ambiência parlamentar, bem como nos métodos adotados para mensurar esses efeitos na reeleição, mediados pelo sistema eleitoral
O primeiro desafio a ser superado relaciona-se à noção simplista e cética que vê na atividade individual do deputado federal brasileiro uma conotação depreciativa vis a vis aos seus pares dos EUA. A identidade empreendedora do segundo parlamentar é visto como parte inerente ao seu papel institucional, no caso brasileiro tal perfil – tanto na perspectiva distributivista quanto na perspectiva partidarista - é visto com desconfiança. Na medida que a visão sobre os deputados americanos são vistos como agindo contrapostos às instituições legislativas em prol de ações individuais para seus distritos (pork barrel legislation), enquanto que, no caso brasileiro, o homólogo ora é visto anulado pelas instituições, ora anômico em relação a ela.
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Em ambos os casos, trata-se de um posicionamento normativamente negativo para com a ação individual parlamentar do parlamentar brasileiro. É precisamente nesse ponto que localizava- se um ponto perigoso. Uma análise comparada não acrescentaria em nada se servisse apenas para reafirmar ou negar uma suposta superioridade institucional de um modelo sobre o outro (EUA vs. Brasil). Como será visto nos próximos capítulos, os fraseados normativos que apontavam neste sentido mostram-se muito mais como conclusões disfarçadas do que de premissas e hipótese científicas passíveis de teste.
1.2.2. Instituições como Parâmetro
As propostas de reforma eleitoral no Brasil multiplicam-se nas crises políticas e desvanecem- se a cada eleição. Mal saído dos regimes militares, o sistema político brasileiro sobreviveu à iminência semi-permanente de aprovação de diversos projetos de reforma política ou eleitoral. A profusão de projetos de reforma tem sido acompanhado, igualmente, a profusão de trabalhos que tinham a mudança do sistema como certa.
Todavia, embora seja comum a crítica que há leis que não pegam no Brasil, a longevidade dos fundamentos do sistema eleitoral brasileiro é algo a ser pensado seriamente. O meio século do sistema eleitoral brasileiro é algo distante da experiência estadunidense - ao qual supera dois séculos de existência -, mas também é verdade que - ao que pese o interregno autoritário, no qual a competição fora restrita -, a longevidade do sistema eleitoral brasileiro supera, em tempo de funcionamento, o de algumas democracias européias (Santos, 2007)
A longevidade do sistema eleitoral brasileiro reforça a premissa de que se deva abordar os sistemas políticos tanto dos EUA quanto do Brasil não como variáveis, mas sim como parâmetros. O ponto de partida, para tanto, são os representantes legislativos como unidade de análise em relação com seus respectivos sistemas políticos. Considerando seus respectivos países, eles tem agido sob instituições existentes, não havendo sentido discorrer sobre supostas mudanças institucionais ex ante, nem sobre um suposto comportamento político futuro sobre regras que não se sabe se existirão.
Ao tomar os indivíduos unidade de análise e as instituições como parâmetro, tal posicionamento destoa do afã demiúrgico com que o tema das instituições e dos atores tem sido tratados nos trabalhos que se atém à reforma eleitoral no Brasil. Além disso, tal escolha metodológica retira do leque de preocupações do presente trabalho toda a literatura cuja questão central tem sido a reforma do sistema eleitoral brasileiro. Nós nos afastamos das ilações sobre o atributos normativos do sistema eleitoral brasileiro e apostas sobre o que poderia ter sido ou que virá a ser. Reforçando o viés positivo dessa escolha, a comparação será inútil para captar as
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estratégias dos agentes se o seu uso servir para pugnar possíveis mudanças neste ou naquele sistema, estipular hierarquias ou avalições normativas sobre potencialidades ou deficiências em um ou de outro.
O que ganha relevância é a compreensão da natureza dos incentivos advindos da arena eleitoral, o modo como permeiam a arena legislativa, e o métodos de análise mobilizados para captar as estratégias de reeleição dos parlamentares tendo em conta as particularidades de dois modelos institucionais, EUA e Brasil. Ao revisar a bibliografia que analisa a reeleição no caso dos EUA para depois municiar a análise do caso brasileiro, no terceiro e quarto capítulo, o que se pretende é detectar o modo com que os fenômenos são explicados em termos de métodos, variáveis e atores, ou seja, o explanandum cientifico.
É precisamente tendo em vista tal compreensão, reforçada pela base comum advinda do voto personalizado e do sistema de governo presidencialista presente nos desenhos institucionais dos EUA e Brasil, que os estudos comparativos entre estes dois países ganharam força. Para compreender estes estudos, antes de ir a eles, torna-se necessária a compreensão destes em sua genealogia, ou seja, a produção estadunidense relativa a eles próprios para depois passar ao modo como estes foram transladados a arena institucional brasileira. Por fim, existindo estes incentivos, e ainda que não impactem diretamente no trâmite legislativo, importam aqui para a explicação da reeleição parlamentar.