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C- DEĞERLENDİRME

V- ÖNERİ VE TEDBİRLER

consciente, é preciso considerar que a própria formação da fantasia (ao menos até o momento), é definida como uma formação de defesa que ocorre dentro do próprio sistema inconsciente. (FREUD, 1988, p.294). No entanto, caso a excitação relacionada às fantasias tome proporções que forcem sua passagem ao pré-consciente, e assim à palavra e a ação, elas próprias, após certa permanência, são repudiadas e acabam por sucumbir a um novo processo de repressão, gerando sintomas. Freud ainda observa que a irrupção da angústia também está relacionada à presença dessas fantasias reprimidas, ao que segue a seguinte questão: “seria

possível que os impulsos também derivassem das fantasias?” (FREUD, 1988, p.297). Com

isso, podemos verificar como, gradativamente, as fantasias começam a ocupar o lugar e as características anteriormente atribuídas às recordações na formação dos sintomas.

4.2 A natureza dos impulsos e as novas formações de compromisso

No manuscrito N (1897), a natureza dos impulsos que são objetos de repressão assume formas psíquicas que irão reordenar todo o campo analítico: dão lugar a desejos hostis e desejos sexuais. Quanto aos primeiros, Freud afirma: “os impulsos hostis contra os pais

(desejo de que morram) são, de igual modo, um elemento integrante das neuroses.” (FREUD,

1988, p.296). Mais adiante complementa: “recordar nunca é um motivo, mas apenas um

meio, um modo. O motivo primeiro da formação do sintoma é, na ordem do tempo, a libido.”

(FREUD, 1988, p.298). Disso deriva a importante conclusão: “os sintomas, tal como os

finalmente convergem como decorrências de uma mesma vivência de satisfação, a vivência sexual.

O que justifica que a libido sob a forma de um anseio sexual seja vivida como um perigo a ser evitado pela repressão é o fato de que, esses desejos, formados a partir das cenas primárias infantis, são desejos de natureza perversa e incestuosa ou desejos de morte contra pessoas queridas. Nesse sentido, o desejo, para que possa de alguma forma realizar-se, necessita atender aos requisitos da censura inconsciente dando origem a um conflito psíquico e a formação de sintomas que consistem num compromisso entre os dois desejos em questão.

Isto acontece se o sintoma pode funcionar como castigo (a causa de um impulso hostil ou por falta de confiança em impedir o desejo sexual). Assim se somam então os motivos da libido e o cumprimento de desejo como castigo. (FREUD, 1988, p.298).

É o que ocorre nos casos em que os pacientes desejam adoecer e se agarram ao sofrimento como uma proteção contra a ameaça advinda de sua própria libido, ou ainda, nos casos do desejo de morte, em que se apegam às doenças como meio de autopunição por terem alimentado tais anseios inconscientes.

Num segundo momento, Freud remete essas descobertas clínicas à hipótese estrutural sobre a composição dos estratos psíquicos com a qual estão correlacionadas. Na correspondência de 7 de julho de 1897 descreve a hierarquia dos processos desde as cenas primárias até a formação dos sintomas. Para maior clareza da descrição iremos correlacioná-la com seu esquema tópico.

I II III

W Wz Ub Vb Bews x x x x x x x x x x x x x x x x x

A idéia é a seguinte: para que as cenas primárias em Wz (signos de percepção), anteriores a aquisição da linguagem, sejam reorganizadas e dêem origem a um novo estrato psíquico, Ub (inconsciente), é necessário que sejam transcritas. Devido a forte resistência imposta pela própria forma bruta e sensorial na qual o material mnêmico Wz se encontra disposto, assim como por sua natureza sexual, essa transcrição produz um excesso de

excitação que se converte em angústia, o que resulta num processo de defesa na própria

constituição do inconsciente Ub. O processo de defesa se dá através da formação de fantasias que reproduzem de forma distorcida e sublimada as recordações Wz: “vejo que a defesa

contra as recordações não impede que essas dêem origem a produtos psíquicos superiores.”

(FREUD, 1988, p.299). Os produtos aos quais Freud se refere nada mais são do que as próprias fantasias. O importante é notar que a formação dessas ficções passa a ter implicações na própria constituição dos processos no inconsciente.

Conheço mais ou menos as regras segundo as quais estes produtos se compõem, e os fundamentos para que sejam mais intensos que as recordações genuínas, e assim, tenho aprendido algo novo sobre a característica dos processos no interior do Icc. Junto a este se geram impulsos perversos, e a raiz da repressão dessas fantasias e impulsos, que logo se faz necessária, surgem como resultado os determinismos mais elevados dos sintomas que se seguem das recordações, e novos motivos para aferrar-se a enfermidade. Tomo notícia de alguns casos típicos de composição dessas fantasias e impulsos, e de algumas condições típicas para o advento da repressão contra os mesmos. (FREUD, 1988, p.300).

CAPÍTULO 5

Não acredito mais em minha neurótica

Essa relativa segurança expressa em relação à composição das fantasias e seu lugar na estrutura psíquica, Freud já havia demonstrado quando, no contexto da descoberta clínica da participação do desejo na formação dos sintomas, comparou a formação das fantasias com o que se dá na formação dos sonhos.

É possível acompanhar a trajetória, a época e o material da formação das fantasias, que por outra parte é em todo semelhante à formação dos sonhos, salvo que não é uma regressão e sim uma progressão dentro da figuração. Relação entre sonho, fantasia e reprodução. (FREUD, 1988, p.291).

Muito embora Freud no momento não desenvolva de forma sistematizada essas observações, o avanço clínico acerca da participação das fantasias e do desejo na estrutura das neuroses abalou um dos pilares de sua teoria etiológica, provocando um desequilíbrio interno duradouro na obra freudiana. Importante lembrar que esse abalo foi precedido pela observação do prazer e da auto-recriminação nas neuroses de obsessão.

Tendo acompanhado passo a passo essa trajetória, não nos parece nada espantoso, nem mesmo ao próprio Freud, as declarações que faz a Fliess na famosa carta 69 de 21 de setembro de 1897:

Aqui estou eu de novo, desde ontem de manhã, reanimado, bem-disposto, empobrecido e sem trabalho no momento [...]. E agora quero confiar-lhe o grande segredo que pouco a pouco foi despontando em mim nessas últimas semanas. Não acredito mais em minha neurótica. [teoria das neuroses] (FREUD, 1988, p.301).

A descrença, sem dúvida, foi lentamente revelada pela inegável evidência da presença efetiva da sexualidade na vida psíquica infantil. (Cf. IZENBERG, 1999). O colapso eminente

se deve ao fato de que, toda teoria traumática, baseada na hipótese da realidade da cena de sedução, foi edificada sob o pressuposto da inexistência do elemento sexual na infância. Essa concepção sobre a sexualidade a qual Freud adere inicialmente, é uma concepção ortodoxa “pacientemente montada pela biologia e pela psiquiatria do século passado [...]. Desde

Buffon e Bichat, passando por Pinel, Esquirol, Morel até Krafft-Ebbing e H. Ellis.”

(MONZANI, 1989, p.29). A partir dessa tradição, o problema que se impõe a Freud é, precisamente:

como provar a existência da sexualidade infantil se não dispomos de outro critério da natureza sexual de um processo se não o relativo à reprodução? (BOURGUIGNON, 1991b, p.98).

No entanto, é sobre esse pressuposto que se assenta toda eficácia da teoria do trauma. Nessa concepção, as impressões infantis somente manifestam seu efeito quando recordadas após a puberdade (até então considerada como o início da vida sexual para o sujeito), quando recebem um excedente de excitação sexual que resulta num traumatismo psíquico e na formação de sintomas. Pudemos acompanhar as alterações internas por que passou esse esquema explicativo, ao longo dos anos de 1896 e 1897, para dar conta dos novos problemas surgidos nesse trajeto.

Benzer Belgeler