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Segundo Andrade Júnior et al. (2007), a melancia (Citrullus lanatus) é uma planta originária das regiões tropicais da África Equatorial. É uma planta anual, de crescimento rasteiro, com várias ramificações que alcançam até 5 m de comprimento.

A “Crimson Sweet” atualmente é uma das cultivares mais plantadas no

Brasil, do Nordeste ao Sul do País. Apresenta frutos grandes, redondos, com peso médio entre 11 kg e 14 kg e boa resistência ao transporte, em função da firmeza da casca. Apresenta casca rajada, com largas faixas longitudinais verde-escuras e verde-claras alternadas. Destaca-se pela excelente qualidade da polpa, de sabor muito doce. Apresenta resistência à antracnose, à murcha de Fusarium e baixa incidência de podridão-apical.

No Brasil, a melancia é considerada uma das mais importantes olerícolas produzidas e comercializadas. Segundo Fernandes (2012), neste ano o Brasil classificou-se como o quarto maior produtor mundial, com um total produzido de 2 milhões de toneladas, e produtividade média de 20,9 t ha-1, tendo a região Nordeste respondido por 34,2% da produção do país, com destaque para os estados de Pernambuco e da Bahia, que juntos foram responsáveis por 63% da produção regional. O Ceará, em 2010, alcançou uma produção de 50.324 toneladas estando somente na décima primeira colocação nacional, respondendo por 7,2% da produção nordestina.

No caso especifico da cultura da melancia (Citrullus lanatus) tem-se observado nos últimos anos um incremento na exploração comercial dessa cucurbitácea (LIMA JÚNIOR; LOPES, 2009).

Oliveira (2008) afirmou que, nas exportações do Estado do Ceará a melancia ocupou a 5° (quinta) posição, com cerca de 12 milhões de dólares vendidos. Foram mais de 26 milhões de quilogramas (kg) dessa fruta que o Estado vendeu para outros países.

Segundo Nóbrega et al. (2009), o Brasil produziu cerca de 12,5 milhões de toneladas de melancia naquele ano, posicionando-se como a quarta fruteira mais produzida no país.

“As condições edafoclimáticas do Estado do Ceará favorecem a exploração

da melancia entre as culturas predominantes nos seus projetos irrigados” (BEZERRA; OLIVEIRA, 1999, p.174).

A baixa produtividade nacional é devido à inclusão da produção das áreas de sequeiro, sujeitas aos riscos da irregularidade das chuvas. O Nordeste destaca-se como a maior região produtora, tanto na agricultura de sequeiro, praticada por pequenos agricultores, quanto na agricultura irrigada (COSTA; LEITE, 2004).

Vários fatores contribuem para que a produtividade dessa cultura não alcance níveis mais satisfatórios, como a carência de informações sobre o manejo da

água, fator que limita o desenvolvimento da agricultura irrigada (BEZERRA; OLIVEIRA, 1999).

Independentemente do método de irrigação utilizado, um dos fatores mais importantes no cultivo da melancia é o manejo da água de irrigação (quando e quanto aplicar de água). A falta ou excesso afeta significativamente a disponibilidade de nutrientes às plantas, o desenvolvimento vegetativo, reprodutivo e consequentemente o rendimento de frutos (OLIVEIRA et al., 1991).

Ademais, a cultura da melancia tem na nutrição mineral um dos fatores que contribuem diretamente para a produtividade e qualidade dos frutos. O nitrogênio e o potássio são os elementos mais exigidos e que devem ser aplicados (fertirrigação) de acordo com as necessidades de cada cultivar, produção esperada, estádio de desenvolvimento e condições climáticas (ANDRADE JÚNIOR et al., 2007).

Na fase inicial, até os 20 dias após a germinação, a cultura exige menos água, sendo que a exigência aumenta durante o período de ramificação à frutificação. Entretanto, a fase crítica (de maior exigência por água) vai da floração à formação dos frutos (30 a 50 dias após a germinação). A falta de umidade adequada no solo, neste período, reduz severamente a produtividade bem como propicia o aparecimento da

podridão apical conhecida como ”fundo preto”. Por outro lado, no período da maturação

dos frutos, um moderado déficit hídrico melhora a qualidade dos mesmos, propiciando polpa menos fibrosa, com maior teor de açúcar e mais suculento (ANDRADE JÚNIOR, 1998).

Do plantio até a colheita, o período varia de 65 dias, para as cultivares mais precoces, a 85 dias, para as mais tardias. A produtividade de frutos comercializáveis depende de vários fatores, principalmente da cultivar, da irrigação, da adubação e das condições ambientais (ANDRADE JÚNIOR et al., 2007).

3.11.1 Características produtivas e de pós-colheita da cultura da melancia

A preferência do mercado consumidor da melancia leva em consideração, sobretudo tamanho e formato do fruto, coloração da polpa, sólidos solúveis, presença ou ausência de sementes, entre outras. Mais recentemente, destacam-se o surgimento de novos tipos, as chamadas mini-melancias. Isto se deve principalmente a exigência do mercado em relação ao fruto, especialmente quando a produção visa aos mercados

alternativos, onde o consumidor opta por frutos menores, sem sementes e de excelente qualidade (RAMOS et al., 2009).

Segundo Karasawa et al. (2008), as mini-melancias, com peso variando 1 a 6 kg, atualmente são preferidas por pequenas famílias, pois são compactas e ocupam pouco espaço na geladeira.

Segundo Garcia (1998), cultivando melancia no sistema tradicional (rasteiro), a diminuição no espaçamento entre plantas proporciona um aumento na produtividade, mas, por outro lado ocorre diminuição no tamanho dos frutos, o que às vezes é desejável.

Segundo Karasawa et al. (2008), as técnicas disponíveis para a melhoria da produção e qualidade dos frutos de melancia na agricultura pode-se citar a irrigação por gotejamento, fertirrigações, uso de cultivares ou híbridos adaptados para o semiárido e uso de coberturas de solo, além de outros.

Andrade Júnior et al. (2007) afirmam que o excesso de água pode provocar rachaduras na casca dos frutos e redução do teor de açúcares, tornando os frutos insípidos (aguados).

Através de pesquisas realizadas nos Tabuleiros Costeiros do Piauí, Andrade Júnior et al. (2007) observaram que usando manejo de água através do tanque classe

“A”, o método de irrigação por gotejamento e a cultivar “Crimson Sweet”, foi possível

obter, em área experimental, produtividades de 65 Mg ha-1 de frutos comercializáveis (frutos com peso igual ou superior a 6 kg) e de excelente qualidade (conteúdo de açúcaresde 10 a 12%).

Azevedo et al. (2005), em experimento realizado na Chapada do Apodi,

com a cultura da melancia, variando lâminas de irrigação, através do tanque classe “A”,

concluíram que os níveis de irrigação influenciaram as variáveis peso, comprimento, perímetro médio dos frutos e produtividade da melancia irrigada. Todavia, a variável SST (sólidos solúveis totais) não foi influenciada pelos níveis de irrigação.

Fernandes (2012), em trabalho realizado em Cruz-CE, com diferenciação das frequências de irrigação em melancieiras, verificou produtividade máxima de 64,66 Mg ha-1 e grau brix máximo de 11.

Benzer Belgeler