Os brasileiros acreditam que em 2005 o governo Lula pagava “mensaleiros” para que eles votassem favoravelmente nos projetos enviados ao Congresso Nacional, versão contada pela oposição, e que houve liberação de recursos de “caixa dois” para campanhas eleitorais, versão admitida pelo PT 33.
A opinião pública também considera que não há qualquer diferença entre “mensalão” e “caixa dois”. Se confrontadas as duas versões, a da oposição leva a melhor: há mais pessoas que acreditam no caso “mensalão” do que na história de que o PT teria alimentado apenas um esquema de destinação de recursos não contabilizados para campanhas eleitorais (REVISTA TEORIA E DEBATE, ed. 68, 2006, p.14). Portanto, menos de um ano depois da crise política de 2005, a opinião pública já estava cristalizada em torno da existência do caso “mensalão.
No período da crise, a população foi bombardeada pela mídia com informações, muitas delas sem qualquer comprovação. A existência de três CPIs para investigar a crise, além dos de escândalos que surgiram no meio do caminho e da enxurrada de denúncias, deixaram o leitor confuso. Ele queria entender a crise sob o ponto de vista do PT. Militantes e simpatizantes procuraram em Teoria e Debate um contraponto à versão da mídia, mas não encontraram.
Quando surgiu essa crise, a fonte que eu procurei para ficar informada do que realmente estava acontecendo, foi o PT, mesmo não sendo mais militante, e foi aí que eu fui para a Internet, daí que eu fui ler a Teoria e Debate, quando eu fui ver, tipo: lá eu vou encontrar o que aconteceu de verdade e quando eu fui ver era uma defesa irracional, era uma coisa que não esclarecia nada. ... 34.
33 Informações obtidas junto a Fundação Perseu Abramo, que por meio do seu Núcleo de Opinião investigou o
assunto.
34 Trechos de entrevistas com ex-assinantes da revista Teoria e Debate realizada pelo Núcleo de Opinião Pública
A cobertura do caso “mensalão” em Teoria e Debate e na versão eletrônica ficou muito aquém da esperada pelo leitor. A publicação não esclareceu os fatos e, quando tentou fazê-lo, adotou uma postura defensiva, como afirmam os assinantes da revista:
Muito baixo, muito ruim, não veio nada e quando veio, já veio com atraso, sabe? Mas isso eu acho que é o problema da periodicidade da revista e da elaboração da revista. Talvez, eu não sei nem se isso é possível, talvez nesse período a gente devesse ter recebido até como um “bônus” assim, alguma coisa pelo menos de 15 em 15 dias, que trouxesse alguma informação pra gente; ainda que a revista não pudesse ser feita, mas alguma coisa, alguma informação, algum alento pra aquilo que a gente estava vivendo...algum contraponto...a revista não fez esse papel...é o meio que a gente tem...ou então o próprio PT deveria ter feito isso...35.
O site da Fundação disponibilizava isso, mas é como eu estou te falando, foi muito tardio, a crise já estava no seu esplendor quando tomaram essa iniciativa. Eu acho assim, que a gente deveria ter feito um processo permanente de auto-avaliação da gestão, onde você poderia evitar esse tipo de erro, acredito que houve uma acomodação desse tipo de erro, que eu chamo de pensamento único e a gente não conseguiu enxergar os erros que a gente estava cometendo.
Suporte e para o entendimento e análise crítica...e ai é trimestral, e até chegar na casa do assinante são 04 meses depois; uma crise que estourou lá em ... então fica complicado entendeu, você tirar reflexões de uma causa que já está consolidada. Por isso que eu digo que o espaço [periodicidade] tem que ser menor e essa disponibilidade na Internet facilitaria com certeza absoluta....36.
Teoria e Debate, que poderia alimentar a militância e simpatizantes com informações, não teria informado nem refletido a crise no seu momento mais agudo. Ao não se posicionar ou, no limite, discutir o caso com atraso, não atendeu as necessidade e angústias do leitor. Poderia ter feito uma autocrítica e apontado rumos para além da crise, mas não o fez.
Ela trabalhou mais opiniões, manifestações dos líderes, mas de contar a história, contar os fatos reais. Do Governo até acho complicado contar, mas poderia ter trabalhado alguma coisa parcialmente, porque o PT é Governo. Então acho que a revista poderia ter falado alguma coisa sobre a corrupção no Governo...37.
Eu acho que isso foi uma confusão geral até pra mim, ficou muito misturado, até por uma utilidade eleitoral, ficou como do PT e não do Governo, o que é contraditório, o
35 Trechos de entrevistas com assinantes da revista Teoria e Debate realizada pelo Núcleo de Opinião Pública da
Fundação Perseu Abramo.
36 Idem.
37 Trechos de entrevistas com ex-assinantes da revista Teoria e Debate realizada pelo Núcleo de Opinião Pública
Partido é um instrumento por opção, mas é o Estado quem tem as verbas e os motivos da corrupção. Uma das coisas que foi confuso num primeiro momento foi isso, ela saiu em defesa e aí tudo a ser defendido, depois ela começou peraí, Governo, Partido....Depois que eu acho que começou a ter uma coisa mais clara, mas eu não sei se eu estou falando de uma sensação que eu tenho da Teoria e Debate, ou de uma mídia que eu esperava uma resposta. Que num primeiro momento não defendeu, acusou o outro lado, o que era uma besteira, num segundo momento defendia, mas era uma coisa negativa, e não fazia um debate porque chegou-se a isso. Existia um tesoureiro que tinha uma autonomia, existiu um cara que manipulava valores altos, então havia coisas a se debater e não se debatia, e ficava com uma postura de mostrar que isso acontecia em outros lugares. Dava a entender que o PT dizia que só fez o que todo mundo faz, o que eu achava muito fraco a defesa ser por aí. As pessoas passaram a não mais ser petistas, não passaram ser do PSDB, mas passaram a não mais fazer a defesa ...38
Assim como o PT, Teoria e Debate não apenas demorou a discutir a crise, como também não conseguiu dar argumentos e justificativas à sociedade, especialmente aos militantes e simpatizantes do partido que acompanham a cobertura da revista, em relação ao que era verdadeiro e falso diante daquele turbilhão de informações jogado pela mídia diariamente à opinião pública.
Obviamente, a periodicidade é uma variável que pesa negativamente na cobertura. Também é preciso considerar que a publicação enfrentou problemas financeiros decorrentes do caso “mensalão”, o que acabou prejudicando a cobertura. Mas há um componente que não pode deixar de ser levado em conta. É possível que, por se tratar de uma mídia partidária, tenha acompanhado a mesma lógica do partido ao qual é ligada: deixar o assunto para depois das eleições.
38 Trechos de entrevistas com ex-assinantes da revista Teoria e Debate realizada pelo Núcleo de Opinião Pública
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A chegada ao Palácio do Planalto foi um teste à coerência dos petistas. Era o tão esperado momento de executar os compromissos assumidos durante 23 anos, tempo da existência do partido quando assumiu o governo federal. Era a hora de mostrar também suas habilidades e competências para administrar a coisa pública e demonstrar que, ao contrário de outras organizações, o PT não seria corrompido pelo poder.
Contudo, quando assumiu o governo, o partido já não era “puro”. As várias experiências parlamentares e governamentais e as transformações impostas aos partidos de cunho ideológico que optam pela via eleitoral, bem como o próprio tempo, foram fundamentais no processo de transformação dos princípios e valores cultivados pelo PT na sua gênese. O partido já não era o mesmo de 1980 ou 1989, quando surpreendeu o país dando um “soco nas urnas” e conquistando uma expressiva votação que o levou a governar 10% dos brasileiros.
Em 1989, as Resoluções do 4º Encontro Municipal do PT recomendavam uma “intervenção” contínua nos governos, pois nenhuma administração deveria ser considerada eminentemente técnica, uma vez que a repercussão de qualquer ato seria política. Fazendo um recorte histórico deste período e comparando-o a 2003, é possível verificar que o PT ficou mais flexível, menos intervencionista e até mais obediente em relação à administração pública e aos seus gestores. Vale lembrar que a mutação não ocorreu de uma hora para outra. Ela foi construída ao longo de pelo menos 10 anos.
Houve reclamações e queixas e até eliminação de alguns “insurretos”. Ao contrário do que ocorreu na administração de Luiza Erundina na prefeitura de São Paulo, o PT não foi um obstáculo ao governo Luiz Inácio Lula da Silva.
No governo, alguns petistas se desviaram dos princípios éticos e se renderam ao sistema. O poder, ao que tudo indica, provocou rachaduras e profundas mudanças na organização partidária petista, demonstrando que havia limites para aquela que era considerada uma inovação partidária original.
A crise política de 2005 atingiu o centro do PT e do governo Lula. A partir das denúncias de Jefferson, havia fortes indícios de que o partido estava envolvido em corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, crimes que, caso sejam confirmados, vão jogar o partido na vala dos comuns. Internamente, a história parece ter sido resolvida com a
expulsão do tesoureiro Delúbio Soares, desligamento do secretário-geral Silvo Pereira e da saída de José Dirceu da cena partidária.
O PT não conseguiu ser o modelo que muitos imaginavam que fosse capaz de derrubar teorias clássicas: não dominou o ambiente e, ao contrário, acabou se adaptando a ele. Não impôs o “modo petista de governar”, a “lógica da diferença” e mostrou que na prática, a teoria é outra. Diante de tantas mudanças e denúncias, o romantismo com que os petistas falavam do próprio partido em 1980, e pelo menos até 1995, parece ter chegado ao fim. Talvez, fim de um ciclo que deverá ser renovado.
Quando Lula venceu a disputa da eleição presidencial, a revista Teoria e Debate foi exposta a um grande dilema: ser ligada ao PT e ter que se posicionar de maneira crítica, como se propõe, em relação ao partido e a seu governo. O PT no comando do Executivo nacional impôs à publicação uma dinâmica bem diferente de quando a legenda estava na oposição, posição que é, inclusive, mais favorável ao exercício da crítica.
A mídia partidária tem suas limitações. Ela não avança o sinal da política até mesmo por ser dirigida por militantes e custeada pelo partido. Entretanto, dentro de suas restrições, espera-se que ela faça um contraponto aos meios de comunicação de massa e leve ao seu público leitor o outro lado da notícia, dê argumentos à base e oriente a militância, especialmente em momentos de turbulência.
Era isso o que esperavam os leitores de Teoria e Debate, a mais tradicional mídia do Partido dos Trabalhadores. Nas ruas, havia um senso comum de que o PT tinha efetuado pagamentos a parlamentares como forma de garantir apoio aos projetos do governo (“mensalão”) e que teria utilizado recursos não contabilizados, arrecadados de forma ilegal em ministérios e instituições públicas, para financiar campanhas eleitorais (“caixa dois”). Isto foi demonstrado por pesquisa realizada pelo Núcleo de Opinião Pública da Fundação Perseu Abramo, realizada em março de 2006, por meio de 2.379 entrevistas a pessoas com 16 anos ou mais de idade.
Paralelamente, a mídia convencional massificava os “crimes” do PT e do governo Lula, alimentando a audiência e repetindo o discurso dia e noite. Fez exatamente o que costuma fazer. Como afirmou Francisco de Oliveira (2004), a mídia “executa um movimento mimético que repete, repete, repete e não aprofunda em nada o conhecimento”, pois faltam interlocução e interatividade na comunicação.
Diariamente, leitores, rádio ouvintes e telespectadores tiveram acesso a inúmeras informações, muitas delas desencontradas, sobre a crise política de 2005. Contudo, em que medida essa “enxurrada” de informação colaborou para ampliar o conhecimento dos brasileiros sobre o que acontecia nos corredores do Palácio do Planalto, da Explanada dos Ministérios e do Congresso Nacional?
Neste processo, os comunicadores atuaram, quase exclusivamente, como os únicos formadores de opinião da crise política. Este seria um bom momento para que houvesse uma intervenção dos intelectuais da esquerda brasileira, em especial aos ligados ao petismo. A eles, caberia ampliar o que foi tratado com superficialidade pela mídia e a levar à opinião pública e aos militantes outra versão dos fatos.
Todavia, conforme discutido neste trabalho, eles enfrentam um período de marasmo e transição, estão em busca de novos paradigmas, de uma nova autodefinição e de uma função para desempenhar na sociedade contemporânea. Mas valem as perguntas: como a guerra ideológica também é travada pela mídia, será que os intelectuais petistas teriam espaço nos meios de comunicação de massa para fazer um contraponto ao que estava sendo divulgado? Será que o espaço reservado a artigos enviados esporadicamente seria suficiente para isso?
Não é possível saber se não havia ou não espaço nos meios de comunicação de massa, pois isto não foi investigado por este trabalho. A alternativa dos intelectuais seria, então, utilizar a mídia partidária. Mas a comunicação petista é ineficiente e fragmentada. Como afirmou Valter Pomar, o PT utiliza mal a comunicação partidária e não percebe o seu valor como parte na disputa pela hegemonia.
Havia uma impossibilidade de se travar este debate em Teoria e Debate, a mais tradicional publicação, com a urgência que o caso exigia. Em 2005, a periodicidade era bimestral e, por conta dos efeitos da crise política no “caixa” da publicação, um número deixou de ser publicado e o outro chegou aos leitores com dois meses de atraso. Mas isto não justifica o fato de a publicação não ter orientado o leitor nas páginas que dedicou ao assunto.
Em entrevista concedida em dezembro de 2006, o diretor de Teoria e Debate, Ricardo de Azevedo, afirmou que a análise da crise política havia sido feita na edição 63. Portanto, a discussão se resumiria a uma entrevista, três artigos e um comentário de Paulo Skromov, fundador do PT e membro de sua primeira direção, no texto publicado na sessão Memória.
A discussão foi empreendida por Tarso Genro, do Campo Majoritário, Juarez Guimarães, da Democracia Socialista, e mais quatro intelectuais (no sentido gramsciano da palavra) independentes: Frei Betto, Hamilton Pereira, Flávio Aguiar e Paulo Skromov. Este último integrava a tendência Convergência Socialista, mas não migrou para o PSTU com os “companheiros” expulsos do PT.
Da mesma forma em que a direção do PT demorou para emitir uma nota oficial sobre o assunto (cerca de três meses depois da entrevista de Jefferson), a revista chegou às mãos do leitor com atraso. A edição da crise foi distribuída na segunda quinzena de agosto, dois meses depois do início do período de turbulência política. É importante destacar que não é uma tarefa fácil, especialmente para a mídia partidária, elaborar um discurso, construir argumentações e encontrar justificativas para uma crise que ainda não tinha chegado ao fim.
Até onde a história poderia ser contada? O que a oposição ainda iria descobrir? Quaisquer respostas neste sentido poderiam ser utilizadas como munição para que a oposição “esticasse” o noticiário sobre a crise nos meios de comunicação de massa e faturasse em cima disso.
Havia uma necessidade por parte do leitor de saber o que estava acontecendo, se as informações veiculadas nas rádios, TVs, internet e jornais tinham fundamento e qual era a culpa do PT e dos dirigentes partidários. Eles não encontravam estas respostas na mídia convencional e esperavam que a partidária o fizesse.
A edição 63, assim como os outros números subseqüentes investigados nesta pesquisa, discutiu, mas não analisou a crise. Havia uma lógica na estruturação dos textos que, novamente citando Francisco de Oliveira, pareciam “um movimento mimético que repete, repete, repete e não aprofunda em nada o conhecimento”. Fala-se de descuidos, de irregularidades, ética bolchevique mal digerida, redes clandestinas de recolhimento de recursos, mas não se esclarece quais eram os descuidos, que irregularidades foram cometidas, quem são os petistas que têm (ou adotaram) uma ética bolchevique mal digerida e que comandaram o “caixa dois”.
Um ano e meio depois que “estourou” o caso “mensalão”, o leitor continuou sem conhecer a versão do PT sobre os fatos, o que realmente tinha acontecido, quem eram os culpados e o que seria feito estancar a “sangria” que maculava a reputação e desconstruía a imagem do Partido dos Trabalhadores. A publicação, assim como a legenda, parece ter
deixado a discussão para depois das eleições de 2006. O único problema é que, dois anos depois, haveria pela frente outros desafios eleitorais e assim sucessivamente.
Esta seria, portanto, uma tarefa para os intelectuais independentes, teoricamente, com mais autonomia para se posicionar de forma crítica em relação aos fatos. Entre os 25 autores dos textos selecionados pela pesquisa, 7 são independentes: Flávio Aguiar, Frei Betto, Hamilton Pereira, Newton de Meneses Albuquerque, Paul Singer, Paulo Skromov e Wladimir Pomar. Eles elaboraram 9 dos 38 textos analisados nesta dissertação, ou seja, 23,7% do total. Um destes textos foi escrito com um dirigente ligado à Democracia Socialista.
Outra contradição em Teoria e Debate é o fato de o diretor Ricardo de Azevedo considerar que a publicação não é uma mídia partidária. Como não seria um veículo de comunicação do PT se a revista é paga pelo partido e escrita por petistas?
Assim como o partido político, a mídia partidária deve desempenhar uma função de intelectual coletivo, como definiu Gramsci, e exercer a função de educar, organizar e dirigir os grupos aos quais é ligada. Mas para ser hegemônica, é preciso ter um pensamento homogêneo e um projeto bem definido, o que a pluralidade do PT, parcialmente representada entre os colaboradores da publicação, acaba inibindo. Como ponderou Gramsci, para forjar uma consciência homogênea é preciso, entre outras coisas, que um centro homogêneo difunda, de forma orgânica, um modo de pensar e agir.
A cobertura de Teoria e Debate não agradou aos petistas e simpatizantes, conforme comprovado na pesquisa realizada pelo Núcleo de Opinião Pública da Fundação Perseu Abramo. Em entrevista, Ricardo de Azevedo disse concordar que a revista não conseguiu atender às expectativas do seu público-alvo. Explicou que, por este motivo, a FPA lançou em abril de 2006 o livro “Leituras da Crise. Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo”, com reflexões de Juarez Guimarães, Leonardo Boff e João Pedro Stedile e Marilena Chauí sobre o assunto.
Uma análise do livro, bem como das outras mídias do PT, podem colaborar para que se entenda melhor como funciona uma cobertura de crise política numa mídia partidária. O assunto poderá ser, portanto, objeto de uma investigação futura.
À crise de 2005 sucedeu uma série de debates internos em relação à deficiência da comunicação partidária e à capacidade do Partido dos Trabalhadores de dialogar com a militância, com sua base social e com o conjunto da sociedade, especialmente, nos momentos de turbulência política. Levou ainda o partido a refletir e perceber que, diante de uma
comunicação desarticulada e de uma mídia alternativa com pouco poder de fogo, estava em desvantagem na disputa pela opinião publica.
Três anos depois do caso “mensalão” (abril de 2008), o PT realizou a 1ª Conferência Nacional de Comunicação e definiu que iria transformar sua mídia em arma na luta pela hegemonia política, econômica e cultural. Teoria e Debate, por sua vez, passaria a trabalhar de forma mais articulada com o partido.
A partir desta resolução, o PT resolveu trabalhar em duas frentes: investir na melhoria de seus equipamentos internos de comunicação e trabalhar, de maneira articulada como outras organizações, na luta pela democratização das comunicações. A 1ª Conferencia Nacional de Comunicação reuniu 160 delegados de todos os estados do país, integrantes do governo Lula e do parlamento, representantes de movimentos sociais, intelectuais, profissionais da área e representantes de veículos alternativos.
O PT resolveu, ainda, fortalecer sua imagem, marca e discurso; ampliar a comunicação com a sociedade por meio da criação de novos veículos de comunicação; fortalecer a integração de sistemas entre as várias instâncias petistas, com a criação de um amplo portal de serviços; garantir um percentual orçamentário para as secretarias de comunicação do partido; e qualificar os canais de informação entre o partido e suas gestões nos governos e parlamentos.
Dois outros pontos importantes são: a criação de uma espécie de “orkut” dentro do site do PT, exclusivo para os filiados, chamado “Comunidade PT”; e o envio, desde o dia 1º de agosto de 2008, do Resumo Diário de Notícias, um clipping eletrônico com uma síntese dos principais assuntos do noticiário político, econômico e internacional. Nas vésperas da