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UFRYK 19 ‘Finansal Yükümlülüklerin Özkaynak Araçları Kullanılarak Ödenmesi’

2.6 Önemli Muhasebe Değerlendirme, Tahmin ve Varsayımları

Artigo Final. Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente, como um fogo ou um rio, e a sua morada será

sempre o coração do homem. Os Estatutos do Homem

Thiago de Mello

Na intensa caminhada deste trabalho procurei conhecer os laços afetivos que poderiam ligar e desligar adolescentes abrigados e o ambiente institucional onde se encontravam, assim como os laços afetivos destes (as) adolescentes e suas famílias de origem. Dirigir-se aos afetos foi uma possibilidade de vislumbrar se o direito à convivência familiar e comunitária estava sendo efetivado de uma maneira potencializadora.

A realidade e as vidas dos (as) adolescentes surpreenderam e tornaram mais complexos os objetivos desta pesquisa. Foi possível perceber que mesmo com a distância física e a continuação do indivíduo na instituição os laços afetivos continuavam presentes, talvez até mais fortalecidos do que no anterior convívio do (a) adolescente com a família. Os abrigos proporcionavam uma convivência familiar por meio de visitas e telefonemas, mas também contribuíam para a proteção e resguardo da vida de muitos dos (as) abrigados (as), proteção esta não fornecida pela família e comunidade. Estar longe de perigos advindos das ruas e da comunidade de origem gerava em algumas famílias um alívio e mesmo com a distância física entre adolescentes e famílias, a proteção assegurada pelo abrigo unia estes laços. Portanto, mesmo desligados fisicamente, adolescente e família estavam ligados afetivamente.

Esta proteção fornecida pela instituição marcou uma nova imagem apreendida na análise dos Mapas Afetivos, a de refúgio, como derivação da imagem contraste. O abrigo era um espaço de acolhimento para os momentos de risco de vida e que poderiam usufruir o tempo necessário até que a situação de vulnerabilidade se extinguisse ou fosse anemizada. O abrigo era um espaço de socorro, de amparo, inclusive quando a própria família era a agressora dos direitos dos (as) adolescentes. A proteção era conseguida, porém os laços familiares continuavam presentes por meio do desejo de retorno à família de origem, tendo esta que efetivar as mudanças necessárias para novamente receber o (a) adolescente. Os (as)

jovens não queriam ficar indefinidamente na instituição, queriam voltar para casa, pois o abrigo não era sentido como casa. As marcas da institucionalização não permitiam que os indivíduos abrigados sentissem apego e pertinência pelo ambiente abrigo.

Uma vez no abrigo, os indivíduos usufruíam não somente da medida de proteção, mas também dos cursos, educação, oficinas. A imagem de atração preponderou entre os (as) adolescentes por meio das oportunidades que tiveram enquanto estavam abrigados. Assim como a proteção, as oportunidades também não estiveram presentes enquanto conviviam com a família. Oferecendo estes dois aspectos, proteção e atrações, o abrigo se destacou como um mediador entre o (a) jovem e a família, e entre o (a) mesmo (a) e o mundo do trabalho, dos sonhos, de oportunidades que poderiam levá-los(as) a uma vida melhor. O abrigo tornou-se a “ponte” para religar ou fortalecer os laços afetivos entre adolescente e família e para encaminhá-los a oportunidades que talvez nem vislumbrassem enquanto estavam com a família de origem.

A mediação vislumbrada nos abrigos pesquisados é uma característica bastante pertinente a real função que a instituição de acolhimento deve ter, segundo prevêem o Estatuto (BRASIL, 1990b) e o Plano Nacional (BRASIL, 2006b). Uma vez que seja preciso o abrigamento, a instituição não pode contribuir para o desligamento dos laços afetivos entre adolescentes e família de origem. Deve, no entanto, garantir o direito à convivência familiar e comunitária, seja na família de origem ou substituta se aliando a outros órgãos que compõem a Rede de Proteção à Infância e Juventude de seu contexto. Quando a institucionalização ocorre é necessário que a brevidade exigida pelo Estatuto seja obedecida, pois, como visto neste trabalho, um longo período de abrigamento não gera pertinência, não se associa a uma estima positiva pelo ambiente e ainda contribui para o desligamento entre jovens e famílias. Neste sentido, reforço o que já prevê a lei e algumas políticas, ou seja, que as instituições de acolhimento respeitem os princípios da medida de proteção de abrigamento que tem caráter excepcional, de última instancia e provisório.

Recai grande responsabilidade das faltas (de proteção e de oportunidades) no próprio grupo familiar, mas principalmente no Estado, enquanto entidade responsável por políticas básicas, de assistência e de proteção. Inadmissível é para o Governo fornecer direitos básicos, como educação e segurança, somente quando os indivíduos se colocam em risco. O que pode ser sugerido a partir do que foi compreendido nesta pesquisa é que o Estado efetive plenamente os direitos de crianças, adolescentes e suas famílias, que estas possam dignamente cuidar e proteger seus adolescentes e oferecer-lhes o que precisam para crescimento pleno e potencializador; que não seja mais necessário ao sujeito estar em situação de vulnerabilidade

para ter acesso a direitos básicos como a convivência familiar e comunitária. Antes do abrigamento, os adolescentes precisam encontrar na família e na comunidade em que vivem as atrações, oportunidades e proteção para serem eles (elas) mesmos (as) mediadores(as) de suas próprias vidas.

Afetos puderam indicar que há esforços das duas instituições de acolhimento pesquisadas em efetivar o direito à convivência familiar e comunitária. É possível dizer que os afetos apreendidos falam de abrigos que são como ponte para este direito e oportunidades na vida, mas também alertam para que políticas sociais sejam asseguradas sem a mediação dos muros de instituições de acolhimento.

Tocando em frente pelos caminhos do coração, parodiando as duas músicas usadas para ilustrar e embelezar a dissertação (Tocando em frente, cantada por Bethânia, e Caminhos do Coração, por Gonzaguinha), quer dizer prosseguir na militância com e pela criança e adolescente; prosseguir levando em consideração a afetividade, não mais colocando em segundo plano ou descartando os afetos que ligam e desligam pessoas e vidas, afetos que tocam e movem as pessoas, principalmente quem se encontra fragilizado. Terminar este trabalho faz com que eu ganhe uma tarefa, um compromisso de expor o que vi, ouvi e senti neste contato com adolescentes abrigados para contribuir na transformação desta realidade vista a fim de alcançar o que diz o poeta: que a liberdade seja algo vivo e transparente, e sua casa seja o coração do homem.

Benzer Belgeler