Ultrapassados quase dez anos desde a promulgação da Constituição nacional, que passou a prever a instauração de um órgão especializado na prestação e assistência jurídica76, o Estado do Ceará implementou em 28 de abril de 1997 a Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará.
Tal órgão foi inaugurado através da Lei Complementar Estadual nº 06 que, acompanhando os liames legais da Lei Complementar Federal 80/1994, instalou a mais recente entre as instituições jurídicas, com a efetiva autonomia, além de balizar suas prerrogativas próprias com o fito de assegurar a proteção a direitos fundamentais de significativa parcela da sociedade cearense.Conforme anotação de Thiago Franco Teófilo Freitas:
76 Constituição Federal: Art. 134. A Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do
Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados, na forma do art. 5º, LXXIV.§ 1º Lei complementar organizará a Defensoria Pública da União e do Distrito Federal e dos Territórios e prescreverá normas gerais para sua organização nos Estados, em cargos de carreira, providos, na classe inicial, mediante concurso público de provas e títulos, assegurada a seus integrantes a garantia da inamovibilidade e vedado o exercício da advocacia fora das atribuições institucionais. § 2º Às Defensorias Públicas Estaduais são asseguradas autonomia funcional e administrativa e a iniciativa de sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias e subordinação ao disposto no art. 99, § 2º.
(...) A Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará, dotada de autonomia funcional e administrativa, foi criada por Lei Complementar nº06, de 28 de abril de 1997, para exercer o papel de instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe prestar, gratuita e integral, assistência jurídica, judicial e extrajudicial, aos necessitados, compreendendo a orientação, postulação e defesa de seus direitos e interesses, em todos os graus e instâncias, na forma do inciso LXXIV, do art.5º, da Constituição Federal, em consonância com as diretrizes gerais prescritas pela Lei Complementar Federal nº80, de 12 de janeiro de 1994, nos limites de sua competência legal.77
Inicialmente, a Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará (DPGE) esteve vinculada à Secretaria de Justiça do Estado do Ceará sob a denominação de Coordenadoria de Assistência Judiciária do Estado (CAJE) até ser devidamente dotada de autonomia funcional e administrativa (28.04.1997).
Aprovada em 27 de dezembro de 2012, a Lei Complementar Estadual nº117 reformulou a estrutura organizacional da DPGE, modernizando e atualizando uma conformação orgânico-administrativa vigente desde a criação da DPGE em 1997.A Defensoria ganhou organograma adequado às suas necessidades operacionais, instrumento tornado público no sítio da instituição na rede mundial de computadores, onde se encontra representada a estrutura formal da organização.Na esteira da nova conformação administrativa, o Conselho Superior aprovou o novo Regimento da Interno da DPGE, corporificado na Resolução nº72, de 18 de janeiro de 2013.78
Como identificação organizacional, a Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará apresenta os seguintes patamares79:
a)Missão:promover a assistência jurídica integral e gratuita a todos os necessitados, prestando serviço público eficiente e eficaz.
b)Visão:consolidar-se como Instituição de excelência, reconhecida e valorizada por toda a sociedade como essencial ao sistema de justiça.
c)Valores:legalidade, impessoalidade , moralidade,eficiência , eficácia,transparência , publicidade,cooperação,ética,responsabilidade socioambiental, inovação e modernização.
77 FREITAS, Thiago Franco Teófilo. A atuação da defensoria pública no sistema penitenciário
cearense. Monografia (graduação) - Universidade Federal do Ceará, Faculdade de Direito, 2007, 81 p.
78 CEARÁ. DEFENSORIA PÚBLICA GERAL DO ESTADO DO CEARÁ. (Org.). Manual
Organizacional da Defensoria Pública Geral do Ceará. 2013. Disponível em:
<http://www.defensoria.ce.gov.br/>. Acesso em: 12 fev. 2014.
79 CEARÁ. DEFENSORIA PÚBLICA GERAL DO ESTADO DO CEARÁ. (Org.). Manual
Organizacional da Defensoria Pública Geral do Ceará. 2013. Disponível em:
Válido salientar a atual divisão no organograma da Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará, como Órgãos da Administração Superior: Defensoria Pública Geral do Estado (DPG), Subdefensoria Pública Geral do Estado (SDPG), Conselho Superior (CONSUP), Corregedoria Geral (CONGER); como Gerência Superior: Secretaria Executiva (SEXEC); como órgãos de assessoramento: Assessoria Jurídica (ASJUR), Assessoria de Desenvolvimento Institucional (ADINS), Assessoria de Relacionamento Institucional (ARINS), Assessoria de Desenvolvimento de Projetos (ASPRO); como órgãos de apoio administrativo: Coordenadoria de Tecnologia da Informação (CTI), Assessoria de Comunicação (ASCOM), Coordenadoria Administrativa Financeira (COAFI); como órgãos auxiliares: Ouvidoria Geral da Defensoria Pública do Estado (OUV), Escola Superior da Defensoria Pública do Estado do Ceará (ESDEP); como órgãos de execução programática: Coordenadoria das Defensorias Públicas da Capital (CDC), Coordenadoria das Defensorias Públicas do Interior (CDI); como órgãos de atuação: Defensorias Públicas do Estado e Núcleos da Defensoria Pública do Estado; como órgãos de execução: Defensores Públicos do Estado.80
Incumbe ao Defensor Público Geral, chefe da instituição, dirigir, superintender, coordenar as atividades administrativas e representar a Defensoria Pública judicial e extrajudicialmente. Já ao Subdefensor Público Geral, caberá o auxílio ao Defensor Público Geral em assuntos de interesse da Instituição, substituindo-lhe em suas ausências, além de cumprir as missões que lhe forem delegadas pelo chefe da Instituição.81
O Conselho Superior é o colegiado máximo da DPGE, sendo-lhe atribuída a função de exercer atividades consultivas e normativas, além de proceder a promoções dos membros da carreira, aprovar a lista de antiguidade, decidir sobre a avaliação do estágio probatório, elaborar as normas reguladoras do processo eleitoral para Defensor Público Geral, Corregedor Geral e Ouvidor Geral.O mencionado conselho é composto pelo Defensor Público Geral, Subdefensor Público Geral, Corregedor Geral e Ouvidor
80 CEARÁ. DEFENSORIA PÚBLICA GERAL DO ESTADO DO CEARÁ. (Org.). Manual
Organizacional da Defensoria Pública Geral do Ceará. 2013. Disponível em:
<http://www.defensoria.ce.gov.br/>. Acesso em: 18 fev. 2014.
81 CEARÁ. DEFENSORIA PÚBLICA GERAL DO ESTADO DO CEARÁ. (Org.). Manual
Organizacional da Defensoria Pública Geral do Ceará. 2013. Disponível em:
Geral, além de quatro representantes eleitos pela categoria dentre os membros estáveis e que não estejam afastados do cargo.82
A Corregedoria Geral fiscalizará e orientará a atividade funcional e a conduta dos membros e demais servidores da Defensoria Pública, tal fiscalização tem por objetivo primordial verificar a regularidade do serviço, bem como a eficiência e a pontualidade daqueles que desenvolvem trabalhos na seara da DPGE.
Uma das grandes inovações instauradas pela Defensoria Pública do Estado foi o Centro de Assistência de Estudos Jurídicos e Aperfeiçoamento Funcional (CEJ), sendo tal órgão competente para promover a atualização profissional e o aperfeiçoamento dos membros, estagiários e defensores, realizando cursos, conferências, seminários e outras atividades científicas. Cabe a esse também a manutenção de intercâmbios e convênios com instituições de ensino, órgãos públicos e entidades cuja atuação guarde afinidade com as atribuições institucionais da Defensoria, edição de revistas e boletins periódicos de conteúdo multidisciplinar visando à divulgação de estudos, artigos e pesquisas de interesse institucional, promoção de constantes atualizações legislativas, doutrinárias e jurisprudenciais capazes de melhorar o atendimento prestado pela DPGE, organização do curso de preparação à carreira.
Não se pode olvidar de expressar a importância da Defensoria Pública de Segundo Grau.Tal núcleo é composto pelos membros da mais alta classe da carreira de Defensor Público, apresentando como função primordial o acompanhamento de processos em grau de recurso ou de competência original do Tribunal de Justiça nas esferas cível e criminal, atuando em defesas escritas e orais, além da interposição de recursos aos Tribunais Superiores e, caso necessário, sustentações orais perante as Cortes de Convergência.Ademais, incumbe-lhe o atendimento e orientação jurídica aos assistidos da DPGE em relação aos processos que tramitam nas instâncias recursais de jurisdição.
Vale ainda ressaltar a função desempenhada pelos núcleos descentralizados.A Defensoria Pública inicialmente contava com apenas um núcleo localizado no bairro João XXIII, atualmente existem mais duas sedes nos bairros do
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Organizacional da Defensoria Pública Geral do Ceará. 2013. Disponível em:
Mucuripe e do Tancredo Neves.Em resumo, tais órgãos são responsáveis pelo atendimento inicial dos cidadãos, podendo esses ter acesso aos mesmos serviços disponibilizados pelo Núcleo Central de Atendimento (orientação jurídica, peticionamento, propositura de ações, celebrações de acordos extrajudiciais, defesa na via administrativa, dentre outros).
Após 16 anos de existência, alguns avanços foram realizados. Aqui é apresentada uma relação de marcos históricos elencados pela Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará83:
a)A criação do Centro de Estudos Jurídicos e Aperfeiçoamento Funcional (CEJ) (ano: 2008), visando à capacitação profissional dos membros da Instituição, servidores e estagiários, através de cursos, conferências e seminários;
b)A construção e entrega da Sede Administrativa Defensor Público José Euclides Ferreira Gomes Júnior com estrutura moderna e adequada ao atendimento de rotina administrativa, bem como espaço de congregação dos membros da Instituição (ano: 2010);
c)Atendimento jurídico nas Varas de Família, Cível, Criminais, Varas do Júri, de Sucessões, Infância e Juventude, de Delito sobre Tráfico e Uso de Substâncias Entorpecentes e Sucessões;
d)Inauguração da Central de Relacionamento com o Cidadão (Alô Defensoria)
– (ano: 2011);
e)Inauguração da Biblioteca Institucional (ano:2011);
f)Inauguração das Galerias dos Ex-Defensores Gerais e Ex-Corregedores Gerais (ano:2012);
g)Elaboração do primeiro Planejamento Estratégico da Defensoria Pública Geral do Estado (ano: 2012);
h)Mudança do Núcleo Central de Atendimento para a sede administrativa da Defensoria Pública Geral do Estado (ano: 2012);
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i)Início das construções da sede própria da DPGE em Sobral e da nova sede no Bairro João XXIII (ano: 2012);
j)Criação da linha de ônibus Defensoria/Papicu/Via Câmara, para acesso direto dos assistidos ao Núcleo Central de Atendimento (ano: 2012);
k)Inauguração de sedes próprias nas cidades de Aracati, Sobral e Caucaia (ano: 2013).
Indiscutivelmente, significativos avanços foram alcançados, contudo ainda há muito a ser perseguido. A Defensoria Pública do Estado do Ceará não conta ainda, por exemplo, com número suficiente de defensores, servidores e estagiários para atender a demanda cearense.Podemos exemplificar tal afirmação com o seguinte dado: o Ceará apresenta atualmente 184 municípios e apenas 56 deles são atendidos por serviços da Defensoria Pública84.
Conforme demonstrado acima, a DPGE apresenta uma estrutura administrativa organizada, porém ainda com projetos extras em número incipiente para atendimento da população,como exemplos em outros Estados da Federação(como elemento comparativo, podemos mencionar a Defensoria Pública do Acre que,apesar de ter sido efetivada apenas no ano de 2002, inovou ao inaugurar o atendimento no lar, realizando, dessa forma, núcleos de serviço focado principalmente em idosos, mulheres, menores e portadores de necessidades especiais), necessitando ainda de recursos e inserção de programas externos a fim de proporcionar um melhor caminho para levar informação, dando devido acesso à Justiça a todos os cidadãos.
6.2.O Núcleo de Assistência aos Presos Provisórios e às Vítimas de Violência