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2.1. Turizm Đşletmelerinde Önbüro Departmanının Yeri Ve Önemi

2.1.8. Önbüro Departmanının Diğer Departmanlarla Đlişkileri

O MCidades pode ser considerado um marco para a estruturação da política urbana em âmbito federal no país, pois, antes dele, “os sucessivos governos nunca tiveram um projeto

estratégico para as cidades brasileiras envolvendo, de forma articulada, as intervenções no campo da regulação do solo urbano, da habitação, do saneamento ambiental, da mobilidade e do transporte público” (MARICATO; SANTOS JUNIOR, 2007, p.168). Fruto de uma reivindicação histórica do movimento social pela reforma urbana, em especial o FNRU, a criação do MCidades representou a oportunidade de se fazer em escala nacional uma política urbana que fosse guiada pelo direito à cidade, pela função social da cidade e da propriedade, e pela gestão democrática das cidades.

Enquanto membro da equipe que formulou a proposta de criação do Ministério das Cidades e, posteriormente, Secretária Executiva da pasta (2003/2005), Maricato afirma que, dado a realidade do processo capitalista de produção do espaço urbano brasileiro e o conhecimento acumulado com suas experiências anteriores de gestão pública municipal e metropolitana, não esperava que a criação do MCidades provocasse mudanças grandes, nem rápidas, na política de desenvolvimento urbano do país.

Mas era esperada, sim, a abertura de um canal para o qual convergisse a articulação de todos os que lidavam com os dramáticos e crescentes problemas urbanos, permitindo dessa forma ampliar e fortalecer o debate sobre como encaminhá-los e influir na correlação de forças de modo a encaminhar novas soluções. Parecia claro que esse encaminhamento levaria à construção social, e não apenas governamental, da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano.

(...) Minimizar as injustiças urbanas e a predação ambiental selvagem, ampliar consciências sobre a realidade e organização de sujeitos transformadores, parecia ser suficiente para continuar avançando (MARICATO, 2011, p. 25).

Como primeiro Ministro do MCidades foi escolhido Olívio Dutra, ex-prefeito de Porto Alegre, bastante reconhecido pela implantação do orçamento participativo naquele Município. Na opinião de Maricato, uma figura pública pessoalmente dedicada à construção de políticas de Estado com caráter público e democrático. A autora também destaca que a composição da equipe técnica apresentava “uma convergência rara de militantes sindicalistas, profissionais e acadêmicos com participação anterior em experiências de administração pública e muito prestigiada no meio técnico acadêmico, além de forte inserção nos movimentos sociais urbanos” (Op.cit., p. 26).

O Ministério foi organizado em quatro Secretarias Nacionais – Habitação, Saneamento Ambiental, Transporte e Mobilidade, e Programas Urbanos –, que junto com a Secretaria Executiva deveriam integrar as políticas de habitação, saneamento, mobilidade, urbanização, regularização fundiária, reabilitação de áreas centrais etc., a partir do fio condutor do desenvolvimento urbano.

Também faz parte da estrutura do MCidades o Conselho das Cidades, órgão colegiado de natureza deliberativa e consultiva, constituído por 86 titulares – 49 representantes de segmentos da sociedade civil e 37 dos poderes públicos federal, estadual e municipal –, que tem por

finalidade estudar e propor diretrizes para a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano, bem como acompanhar a sua deliberação (BRASIL/MCIDADES, 2013).

Não é objetivo deste trabalho analisar a atuação do Ministério das Cidades e os avanços e retrocessos da política urbana federal nesse período. No entanto, a partir do que foi observado na política habitacional de Belo Horizonte, tende-se a concordar com Maricato quando a autora afirma que a política promovida pelo MCidades colocou um limite aos movimentos de luta pela reforma urbana:

Após 8 anos de criado o MCidades entretanto, o destino das cidades brasileiras está longe de mudar de rumo. Podemos dizer que os movimentos ligados à Reforma Urbana “bateram no teto”, isto é, estão fragmentados e muitos desmobilizados e têm poucas possibilidades de avanço real na linha preconizada pelas agendas tão debatidas em um sem-número de encontros, reuniões, congressos, seminários etc. As originais experiências de gestão municipais democráticas e populares que marcaram os anos de 1980 e 1990 parecem ter se esgotado. A evidência insofismável é de que as cidades continuam piorando e a questão fundiária, que ocupa a centralidade das propostas de Reforma Urbana e do Direito à Cidade há mais de meio século, não avançou de forma significativa. O MCidades constitui uma central pródiga em anunciar obras, gerenciadas pela Caixa, que entretanto guardam pouca coerência entre si ou com uma orientação que defina um adequado e sustentável desenvolvimento urbano ou metropolitano, em que pese o esforço de muitos técnicos ou militantes profissionais e políticos que fazem parte dos quadros da máquina federal (MARICATO, 2011, p. 27-28).

Não se trata de desmerecer a importância dos investimentos feitos em habitação e saneamento com a criação do Ministério no Governo Lula. Na fala de diversos gestores municipais e de lideranças do movimento popular de luta por moradia de Belo Horizonte, inclusive, observa-se frequentemente o argumento de que sem os recursos liberados pelo governo federal a partir de 2003, teria sido muito difícil prosseguir com vários programas da política habitacional do Município. Todavia, em detrimento do desenvolvimento urbano, a política habitacional do governo federal tem visado quase exclusivamente à dinamização do mercado imobiliário, ao crescimento da produção habitacional no país – ainda que o Brasil apresente um número altíssimo de imóveis vagos – e ao aquecimento econômico através da construção civil.

A ação mais exemplar nesse sentido foi o lançamento do Programa Minha Casa, Minha Vida em abril de 2009. Misto de programa habitacional com pacote econômico, o MCMV “teria o papel de reduzir os possíveis efeitos da crise financeira de 2008 no Brasil, por seu caráter supostamente anticíclico e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso à moradia” para a população de baixa renda (FIX, 2011, p.139). De acordo com Fix, o valor de subsídios ofertados pelo programa na sua primeira edição, “34 bilhões de reais, era de fato inédito na história do país: nem mesmo o BNH [Banco Nacional de Habitação] dirigiu tantos recursos à baixa renda numa única operação” (Op.cit., p. 140).

Um incentivo tão grande à produção habitacional através do mercado, sem que os municípios brasileiros apresentassem uma ação efetiva de regulação fundiária, não poderia deixar de gerar efeitos perversos nas cidades. Em Belo Horizonte, vários terrenos bem inseridos na malha urbana, pretendidos pela Prefeitura para implantação de projetos habitacionais destinados às famílias com renda até R$1.600,00, foram rapidamente reservados pelo mercado imobiliário que, obviamente, direcionou-os para empreendimentos destinados à população com renda familiar acima dessa faixa.