1.3. Kriz Yönetimi
2.1.9. Ölçeklerine Göre İstihbarat
Seguiremos agora para a aplicação do teste nas hipóteses demográficas assumidas, mortalidade de válidos e inválidos, invalidez, rotatividade e geração futura de novos entrados, para o grupo de participantes em atividade na empresa patrocinadora dos planos de benefícios do fundo de pensão.
6.2.1 Mortalidade
A variável mortalidade é expressa por tábuas de mortalidade ou tábuas de vida, que são, conforme ORTEGA (1987), arranjos teóricos que permitem medir as probabilidades de sobrevivência e de morte de uma população, em função da idade.
O segmento de previdência complementar fechado no Brasil utiliza-se de tábuas estrangeiras de mortalidade, tais como CSO/Commissioners Standard Ordinary Insurance,
AT/Annuity Table16, GAM/Group Annuity Mortality e UP/Unisex Uninsured Pension,
construídas a partir de observações dos contratos de seguros de vida e anuidades da população segurada das companhias de seguro e previdência sediadas nos Estados Unidos.
Os fundos de pensão lançam mão dessas tábuas em decorrência da necessidade de estimar o comportamento da mortalidade de suas populações, tendo em vista a exigência na projeção dos custos das aposentadorias e pensões estruturadas nos planos de benefícios organizados sob as condições do regime de capitalização.
Em função de dados escassos ou pouco fidedignos dos registros populacionais, as entidades fechadas de previdência tomam emprestadas essas tábuas americanas para estimação da probabilidade de sobrevivência, por conta principalmente, da inexistência de tábuas de mortalidade aplicável ao mercado de previdência privada no Brasil.
Somente em 2002, a SUSEP-Superintendência de Seguros Privados do Ministério da Fazenda, com base nas informações e registros administrativos coletados das entidades abertas de previdência complementar e sociedades seguradoras, referentes aos contingentes 16 As tábuas mais utilizadas pelos fundos de pensão brasileiros, a AT-Annuity Table para os anos de 1949,
1983 e 2000, foram desenvolvida por Roger Scott Lumsdem, com base na observação dos contratos de anuidades de várias companhias de seguro e previdência reunidos pela Joint Mortality Committy dos Estados Unidos, nos períodos de 1941 a 1946, de 1971 a 1976 e 1992, respectivamente, sendo projetada uma tábua que cobrisse as probabilidades de morte das idades de 0 a 109 anos.
de seguros e previdência de 1998, elaborou uma tábua de mortalidade que poderia ser empregada ao segmento aberto de previdência privada, mas que na prática não tem se verificado nas entidades de previdência complementar.
Pela legislação brasileira em vigor, a tábua de sobrevivência mínima permitida na estimativa de longevidade do participante assistido é a tábua AT-49, que representa 22% dos planos de benefícios existentes nos fundos de pensão, como mostra a TAB 3.7A no Anexo 1.
As tábuas da família CSO (1958 e 1980) utilizadas pelos fundos de pensão no país, com esperança de vida inferior à tábua mínima, são justificadas pela sua aderência à base cadastral dos planos previdenciários nos últimos dez anos, como pode ser verificado no extrato da legislação a seguir.
Regulamento Anexo à Resolução do Conselho de Gestão da Previdência Complementar n° 11, de 21 de agosto de 2002:
“(...)
2. A tábua biométrica utilizada para projeção da longevidade do participante em gozo de benefício de aposentadoria programada e continuada e do beneficiário deste será aquela em que a expectativa de vida completa, ou seja, igual ou superior, no mínimo, àquela resultante da aplicação da tábua AT-49. 2.1.No plano de benefícios em que é utilizada tábua biométrica segregada por sexo, o critério definido neste item deverá basear-se na média da expectativa de vida completa ponderada entre homens e mulheres.
2.2. Caso a tábua biométrica adotada seja resultante de agravamentos ou desagravamentos, estes deverão ser uniformes ao longo das idades.
2.3.No plano de benefícios com mais de 10 (dez) anos de existência, será facultada à EFPC a adoção de tábua biométrica que gere expectativas de vida inferiores às dispostas no item 2, desde que se comprovada por meio de relatório atuarial a sua aderência à base cadastral do plano de benefício dos dez últimos anos. Caso o plano tenha menos de dez anos de existência deverá ser observado o disposto no item 2.”
A TAB. 6.1 mostra a esperança de vida ao nascer e em idades específicas para as tábuas de mortalidade mais utilizadas no Brasil, sendo que o mais importante na determinação do custo das aposentadorias e pensões oferecidas pelos planos de benefícios para o fundo de pensão é identificar o tempo de vida dos participantes assistidos, de modo a se evitar desequilíbrios financeiros que resultem em elevação da taxa de contribuição ou na redução do valor dos benefícios.
Tabela 6.1 - Esperança de vida das tábuas de mortalidade selecionadas por idade e país de origem.
Ano Origem Nome da tábua e0 e20 e40 e55 e60 e65 e70
1958 EUA CSO-58, Age Nearest, Male 68,19 50,26 32,07 19,59 15,98 12,75 9,94
1980 EUA CSO-80 Male Age Nearest 70,69 52,22 33,90 21,12 17,32 13,84 10,72
1949 EUA AT-49, Male 72,96 54,00 34,92 21,95 18,21 14,72 11,52
1983 EUA AT-83 Basic, Male 76,07 56,41 37,06 23,50 19,36 15,44 11,96
2000 EUA AT-2000 Basic, Male 78,93 59,69 40,42 26,67 23,38 18,24 14,36
1971 EUA GAM-71, Male 74,07 54,93 35,68 22,36 18,39 14,71 11,44
1994 EUA GAM-94, Male 78,30 58,71 39,43 25,42 21,08 17,05 13,43
1984 EUA UP-84, Male & Female 73,98 54,38 35,52 22,39 18,50 14,94 11,77
1994 EUA UP-94, Male 77,65 58,08 38,85 24,90 20,59 16,61 13,05
1975 Brasil EB7-75 (1), IRB 70,42 50,79 32,16 19,71 16,20 13,03 10,25
1998 Brasil Susep Homem, PP 77,98 57,98 38,79 24,88 20,68 16,85 13,47
2003 Brasil Brasil IBGE, Unissex 71,35 54,39 36,56 24,29 20,62 17,22 14,13
1988 Colômbia TCMA,1984-88,Unissex 72,12 52,12 35,31 22,81 18,91 15,10 11,64
1992 Argentina Indec,1990-92, Unissex 71,66 54,21 35,44 22,58 18,76 15,17 11,84
1995 Chile SVS,1995, Male 73,02 54,94 36,51 23,16 19,11 15,38 12,01
2000 México CNSF, 2000-G 73,79 54,19 35,48 22,27 18,20 14,40 10,95
Fonte: www.soa.org, SUSEP, IRB e IBGE.
Elaboração do autor.
(1) A tábua EB7-75 foi elaborada pelo IRB-Instituto de Resseguros do Brasil a partir de certificados de seguros em grupo expostos ao risco de morte para o ano de 1975.
A sigla EB7 significa experiência de mortalidade brasileira para o código 7 do Instituto.
A tábua AT-49, mínima pela legislação previdenciária e a mais empregada pelos planos de benefícios dos fundos de pensão, tem menor esperança de vida (ver TAB. 6.1), na faixa de 55 a 60 anos, faixa etária de elegibilidade ao benefício de aposentadoria por tempo de serviço, quando comparada com a tábua completa de mortalidade divulgada anualmente pelo IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que serve de base para o cálculo do salário-de-benefício do regime geral da previdência social.
Nas idades acima de 60 anos, as probabilidades de morte das tábuas utilizadas pelos
fundos de pensão no país foram ajustadas analiticamente pelo método de Makeham17,
segundo a qual a mortalidade é conseqüência de causa fortuita que atinge a todos os indivíduos de uma população – o acaso representa os acidentes, calamidades, fenômenos telúricos, etc, que podem eliminar vidas de pessoas jovens e sãs, sendo que por essa causa, 17
Em 1860, o atuário William Matthew Makeham dando continuidade aos trabalhos de Benjamim Gompertz, introduziu um novo elemento à fórmula desenvolvida em 1825, no qual se enunciava a perda da vida de maneira proporcional à própria força da vida, como descreve a equação abaixo:
x xA Bc
Makeham incluiu o que chamou de fator aleatório ou azar (A), já anteriormente referido na formulação de Gompertz. Fazendo μx em função de lx, pelo qual se opera a fórmula anterior da seguinte maneira:
k c c B Ax dx Bc A lx x x ln ) ( ln Fazendo, gk k c B s A ln ; ln ln ; ln
tem-se a seguinte expressão:
x
c x x k x g
a idade não é uma variável considerada – e causa biológica que se manifesta nas idades mais altas com a deterioração do estado de saúde da população nessa faixa etária, diminuindo a resistência vital e produzindo, correspondentemente, um acréscimo na intensidade da mortalidade.
Passemos agora à verificação da aderência da hipótese de mortalidade assumida pelos planos de benefício definido e de contribuição definida.
Como pode ser visto na TAB. 6.2, a suposição da mortalidade de válidos, a tábua AT-49, para os participantes ativos do plano de benefício definido, já não é confirmada, nos últimos três anos, pelo conceito de DQM-desvio relativo quadrático médio.
No período analisado, a mortalidade média prevista foi de 23 mortes por ano, quando o nível de mortalidade verificada foi, em média, de 16 mortes por ano.
Tabela 6.2 - Verificação da hipótese de mortalidade de válidos para planos de benefício definido e de contribuição definida no fundo de pensão, entre 1998 e 2003.
PBD - Plano de Benefício Definido
Faixa Etária Idade Média qx-AT49,Male Mortalidade prevista qx-verificada Mortalidade Verificada (últimos 3 anos) DQM 0-17 17 0,000567 - - - - 18-29 28 0,000896 0,03 - - - 30-39 36 0,001494 0,45 0,0032895 1,00 0,2979 40-49 46 0,004116 9,83 0,0028878 7,00 0,1809 50-59 55 0,010565 11,99 0,0068085 8,00 0,3044 60-69 63 0,019666 0,63 - - - 70+ 84 0,122669 0,12 - - - TOTAL - 23 - 16 -
PCD - Plano de Contribuição Definida
0-17 17 0,000567 - - - - 18-29 24 0,000733 0,90 0,0081230 1,00 0,8277 30-39 34 0,001297 5,43 0,0016576 7,00 0,0473 40-49 44 0,003187 14,97 0,0012693 6,00 2,2826 50-59 52 0,008038 9,84 0,0016207 2,00 15,6783 60-69 62 0,018199 0,76 0,0212766 1,00 0,0209 70+ 91 0,227192 0,23 - - - TOTAL - 32 - 17 - Elaboração do autor.
Para o plano de contribuição definida, a hipótese de mortalidade apresenta uma suposição de 32 mortes, em média, por ano, bem superior à mortalidade da população, que ficou em 17 mortes por ano, principalmente para os grupos etários de 40 a 49 anos e de 50 a 59 anos.
Tabela 6.3 - Desvio relativo quadrático médio (DQM) da hipótese de mortalidade de válidos dos planos de benefício definido e de contribuição definida no fundo de pensão, por tábuas selecionadas, entre 1998 e 2003.
PBD - Plano de Benefício Definido
Faixa Etária AT-49 AT-83 AT-2000 UP-94 GAM-71 CSO-58 EB7-75 Susep-98 Chile/SVS-95
0-17 - - - - 18-29 - - - - 30-39 0,2979 0,4810 0,5755 0,5158 0,4019 0,0390 0,1221 0,5677 0,1680 40-49 0,1809 0,0024 0,0571 0,1287 0,0222 1,0380 1,0743 0,1196 0,0136 50-59 0,3044 0,0000 0,0647 0,0907 0,0631 0,8270 1,0569 0,0356 0,0070 60-69 - - - - 70+ - - - -
PCD - Plano de Contribuição Definida
Faixa Etária AT-49 AT-83 AT-2000 UP-94 GAM-71 CSO-58 EB7-75 Susep-98 Chile/SVS-95
0-17 - - - - 18-29 0,8277 0,8823 0,8448 0,8416 0,8598 0,5850 0,6909 0,7924 0,6500 30-39 0,0473 0,2246 0,2733 0,2018 0,1361 0,2006 0,0109 0,2759 0,0113 40-49 2,2826 0,4781 0,1233 0,0554 1,0485 8,2723 7,7155 0,0342 1,4868 50-59 15,6783 5,1063 2,1191 1,2810 8,9896 26,4761 29,5311 1,9193 5,6127 60-69 0,0209 0,1752 0,3692 0,2373 0,0647 0,0203 0,0276 0,1755 0,0977 70+ - - - - Elaboração do autor.
Na análise da aderência das tábuas de mortalidade de válidos utilizadas pelos planos de benefícios (TAB. 6.3), em que o valor esperado do desvio relativo quadrático médio deve idealmente se aproximar de zero, percebe-se que não há uma tábua completamente aderente aos diversos grupos etários dos planos de benefícios.
Para o plano de benefício definido, a tábua mais aderente é a AT-83, levando em conta que 90% da população do plano está concentrada nos grupos etários de 40 a 49 e de 50 a 59 anos. No plano de contribuição definida, para cada grupo de idade dos participantes ativos têm-se uma tábua de mortalidade com melhor aderência aos dados populacionais do plano, mas pelo nível geral de mortalidade a tábua com melhor aderência é a UP-94.
A atualização periódica das hipóteses de mortalidade é prática pouco comum nos fundos de pensão brasileiros devido ao alto impacto financeiro nos custos dos benefícios futuros de aposentadorias e pensões, variando, segundo as condições econômicas, em média de 8 a 10 anos a substituição dessa premissa demográfica. Soma-se a essa dificuldade a forma paritária, pelo menos nos planos de benefícios patrocinados por sociedades de economia mista e empresas públicas, de custeio e financiamento de prováveis déficits decorrentes da modificação dessa hipótese.
Para a mortalidade de inválidos, 55% dos planos de benefícios existentes no país utilizam as tábuas IAPB e IAPC, do Instituto de aposentadoria e pensões dos bancários e do Instituto de aposentadoria e pensões dos comerciários, respectivamente, obtidas com a
experiência de mortalidade de inválidos desses institutos, em 1934, como demonstra a TAB. 3.8A no Anexo 1.
Para o fundo de pensão em análise, tanto o plano de benefício definido quanto o plano de contribuição definida valem-se da tábua IAPB do ano de 1955, como hipótese de mortalidade de inválidos.
Tabela 6.4 - Verificação da hipótese de mortalidade de inválidos para planos de benefício definido e de contribuição definida no fundo de pensão, entre 1998 e 2003.
PBD - Plano de Benefício Definido
Faixa Etária População Idade Média qix-IAPB-55 Mortalidade prevista qix-verificada Mortalidade Verificada (últimos 3 anos) DQM 0-17 0 - 0,000000 - - - - 18-29 2 29 0,057300 0,11 - - - 30-39 50 35 0,053200 2,66 - - - 40-49 222 46 0,050400 11,19 0,0136582 3,00 7,2365 50-59 196 54 0,051600 10,11 0,0205185 4,00 2,2946 60-69 21 64 0,061800 1,30 0,1975610 4,00 0,4722 70+ 1 75 0,090000 0,09 - - - TOTAL 492 - 25 - 11 -
PCD - Plano de Contribuição Definida
0-17 0 17 0,182500 - - - - 18-29 1 29 0,057300 0,06 - - - 30-39 37 35 0,053200 1,97 0,0542553 2,00 0,0004 40-49 160 45 0,050500 8,08 0,0060606 1,00 53,7656 50-59 141 53 0,051300 7,23 - - - 60-69 15 63 0,060400 0,91 - - - 70+ 1 70 0,074800 0,07 - - - TOTAL 355 - 18 - 3 - Elaboração do autor.
Assim como na hipótese de mortalidade de válidos, a premissa assumida para o plano de benefício definido, no que se refere à mortalidade de inválidos, mostra-se (ver TAB. 6.4) inadequada no período analisado, uma vez que estima 25 mortes de participantes na condição de inválidos mas ocorreu, em média, no mesmo intervalo de tempo, onze mortes, apresentando grande desvio relativo para a faixa etária de 40 a 49 anos.
Para o plano de contribuição definida, no período analisado, a hipótese assumida pela tábua IAPB-55 para a mortalidade de inválidos também se apresentou pouco aderente à realidade do grupo populacional daquele plano previdenciário, uma vez que estima 18 mortes de participantes inválidos mas houve, em média, apenas três mortes, demonstrando também enorme desvio relativo para o grupo de idade dos participantes entre 40 a 49 anos.
Tabela 6.5 - Desvio relativo quadrático médio (DQM) da hipótese de mortalidade de inválidos dos planos de benefício definido e de contribuição definida no fundo de pensão, por tábuas selecionadas, entre 1998 e 2003.
PBD - Plano de Benefício Definido
Faixa Etária IAPB-55 Exp.CAP, 1923 Exp.STEARRB 1944 Winklevoss Tasa 1927 MI-85, Chile
0-17 - - - - 18-29 - - - - 30-39 - - - - 40-49 7,2365 13,5314 19,8862 208,7610 0,1231 0,9927 0,2549 50-59 2,2946 3,8732 5,0306 893,9453 0,0778 0,9874 0,0493 60-69 0,4722 0,4688 0,4201 16,4976 0,6162 0,9952 0,6711 70+ - - - -
PCD - Plano de Contribuição Definida
Faixa Etária IAPB-55 Exp.CAP, 1923 Exp.STEARRB 1944 Winklevoss Tasa 1927 MI-85, Chile
0-17 - - - - 18-29 - - - - 30-39 0,0004 0,1338 0,6420 0,6801 0,6020 0,9989 0,4634 40-49 53,7656 93,2964 133,6108 941,2634 3,6883 0,9836 5,4022 50-59 - - - - 60-69 - - - - 70+ - - - - Elaboração do autor.
Na análise da aderência das tábuas de mortalidade de inválidos utilizadas pelos planos de benefícios, não se observa uma tábua aderente aos diversos grupos etários dos planos previdenciários. Entretanto, para o nível geral de mortalidade da população inválida do fundo de pensão, em que a maior proporção dos participantes dos dois planos estão na faixa etária de 40 a 59 anos, a tábua mais aderente é a tábua Winklevoss.
6.2.2 Entrada em Invalidez
A variável invalidez é uma das mais difíceis de se estimar devido à evolução do conceito de incapacitação ao longo dos anos, que somada à imprecisão estatística de mensuração tem sido motivo de grande preocupação para a formação de reservas matemáticas apropriadas para cobrir esse tipo de risco nos planos de benefícios.
Os fundos de pensão no Brasil utilizam tábuas de entrada em invalidez como medida para o risco de invalidez. São tábuas muitas antigas, como a Álvaro Vindas, TASA-1927, RRB-1944 (Railroad Retirement Board), Hunter, Zimmermann, Light, IAPB, além de tábuas que traduzem a experiência de empresas de consultorias, tais como Mercer MW Disability e Towers.
Em 2003 (ver TAB. 3.9A no Anexo 1), 29% dos planos de benefícios utilizavam a tábua Álvaro Vindas como variável de entrada em invalidez. Essa tábua foi elaborada, em
1957, pelo estatístico Álvaro Vindas do Departamento Atuarial e Estatístico da Caja Costarricense de Seguro Social (CCSS).
O fundo de pensão objeto de exame nesse trabalho vale-se da tábua Light Média, desenvolvida por consultoria brasileira, em 1973, a partir da experiência dos funcionários do setor operacional de uma companhia de serviços de utilidade pública no Rio de Janeiro, como hipótese de entrada em invalidez para os participantes dos planos de benefício definido e de contribuição definida.
Tabela 6.6 - Verificação da hipótese de entrada em invalidez para planos de benefício definido e de contribuição definida no fundo de pensão, entre 1998 e 2003.
PBD - Plano de Benefício Definido
Faixa Etária
Idade
Média ix-Light Média
Entrada em Invalidez prevista ix-verificada Entrada em Invalidez verificada DQM 0-17 17 0,000110 - - - - 18-29 28 0,000660 0,02 0,0294118 1 0,9556 30-39 36 0,001720 0,51 0,0064725 2 0,5391 40-49 46 0,004570 10,92 0,0032935 8 0,1502 50-59 55 0,010210 11,59 0,0026087 3 8,4904 60-69 63 0,021570 0,69 0,0270271 1 0,0408 70+ 84 0,000000 - - - - TOTAL - 24 - 15 -
PCD - Plano de Contribuição Definida
0-17 17 0,000110 - - - - 18-29 24 0,000370 0,45 0,0024174 3 0,7173 30-39 34 0,001390 5,82 0,0030567 13 0,2973 40-49 44 0,003810 17,90 0,0152960 47 0,5639 50-59 52 0,007840 9,60 0,0218341 30 0,4108 60-69 62 0,019590 0,82 0,0752632 3 0,5472 70+ 91 0,000000 - - - - TOTAL - 35 - 96 - Elaboração do autor.
Pela TAB. 6.6, percebe-se ausência de aderência da premissa de entrada em invalidez assumida para o plano de contribuição definida justificada pelo aumento de concessão de aposentadoria por invalidez no regime geral da previdência social pelo
motivo de LER-Lesão por Esforços Repetitivos18.
18
A LER-Lesão por Esforços Repetitivos é também chamada de DORT-Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho quando a origem do problema é a atividade laboral e abrange diversas patologias, sendo as mais conhecidas a tenossinovite, a tendinite e a bursite, que atacam, juntas ou separadamente, os nervos músculos e tendões, e atingem milhares de trabalhadores – segundo o Mte/Ministério do Trabalho e Emprego, a maior incidência dessa doença ocorre na faixa etária dos 35 a 50 anos - no auge da sua produtividade e experiência profissional em decorrência da automatização e aceleração no ritmo das atividades do trabalho. O programa de prevenção implementado pela empresa patrocinadora, em 2003, previa ações de saúde relacionadas à doença (organização, conteúdo e posto de trabalho) com o objetivo de minimizar a incidência das lesões e por conseqüência, reduzir os casos de empregados que se aposentam prematuramente por invalidez dentro do plano de benefícios.
Para o plano de benefício definido, a previsão, pela tábua Light Média, era de entrada em invalidez de 24 pessoas, quando na verdade entraram 15 pessoas, na média do período de 1998 a 2003, e para o plano de contribuição definida, a divergência apresentada foi grande, uma vez que se tinha a previsão de entrada em invalidez de 35 pessoas, ocorrendo, na verdade, 96 decrementos no plano pelo motivo de incapacidade para o trabalho.
Tabela 6.7 - Desvio relativo quadrático médio (DQM) da hipótese de entrada em invalidez dos planos de benefício definido e de contribuição definida no fundo de pensão, por tábuas selecionadas, entre 1998 e 2003.
PBD - Plano de Benefício Definido
Faixa EtáriaLight Média Light Forte Álvaro Vindas Mercer MWExp.TowersHunter's IAPB-57 ForteTasa 1927
0-17 - - - - 18-29 0,9556 0,9175 0,9603 0,9629 0,9201 0,7436 0,7082 0,9556 30-39 0,5391 0,2651 0,7943 0,7447 0,6386 0,1147 0,0165 0,7899 40-49 0,1502 1,8063 0,3771 0,0921 0,1082 0,7107 2,4798 0,4079 50-59 8,4904 22,1998 0,0339 1,1067 2,5937 9,3137 45,7833 0,0034 60-69 0,0408 0,0079 0,4984 0,3443 0,1671 0,0889 0,9306 0,5551 70+ - - - -
PCD - Plano de Contribuição Definida
Faixa EtáriaLight Média Light Forte Álvaro Vindas Mercer MWExp.TowersHunter's IAPB-57 ForteTasa 1927
0-17 - - - - 18-29 0,7173 0,5047 0,5828 0,5980 0,2536 0,5137 0,7280 0,5777 30-39 0,2973 0,0275 0,6148 0,5700 0,3455 0,1303 0,5434 0,5894 40-49 0,5639 0,3254 0,8628 0,7709 0,7750 0,4085 0,2505 0,8686 50-59 0,4108 0,1955 0,8061 0,6599 0,6209 0,3663 0,1242 0,8227 60-69 0,5472 0,4774 0,8219 0,7483 0,6322 0,5862 0,1303 0,8469 70+ - - - - Elaboração do autor.
Na análise da aderência das tábuas de entrada em invalidez utilizadas pelos planos de benefícios demonstrada na TAB. 6.7, não se observa uma tábua aderente aos diversos grupos etários dos planos previdenciários.
No plano de benefício definido, considerando o nível geral de entrada em invalidez da população ativa, a tábua mais aderente é a Experiência Towers, da consultoria americana, com estimativa próxima do número de entradas em invalidez no período analisado.
Para o plano de contribuição definida, ao nível geral de entrada em invalidez da população ativa, a tábua mais aderente é a tábua IAPB-57 forte. Contudo, deve-se observar para os próximos anos a evolução desse decremento dentro do plano previdenciário, principalmente ao levar em consideração o estabelecimento, pela empresa patrocinadora, de programa de saúde do trabalho adotado com vistas à redução da incidência dos casos de aposentadoria por invalidez causado pela LER-Lesão por Esforços Repetitivos, de modo a não onerar os custos gerais do plano de benefícios administrado pelo fundo de pensão.
6.2.3 Rotatividade
A rotatividade ou o término do contrato de trabalho dos funcionários com a firma patrocinadora do plano de benefícios é uma premissa que deve ser bem dimensionada e guardar relação direta com a movimentação dos participantes dentro do plano, pois imprecisões nas estimativas dessa variável têm efeitos expressivos sobre o volume financeiro das reservas matemáticas desses planos de aposentadoria.
Num passado recente era prática comum nos fundos de pensão brasileiros a adoção de hipóteses irreais para a rotatividade do plano de benefícios, com o intuito de se obter um menor custo das aposentadorias, reduzindo assim o valor das contribuições, principalmente, para as empresas patrocinadoras.
Entretanto, a partir de 2001, com a nova legislação da previdência complementar que exigiu a previsão dos planos de benefícios, pela portabilidade do direito acumulado do participante para outro plano previdenciário da entidade fechada ou aberta de previdência complementar, a definição correta da hipótese de rotatividade passou a ser fundamental no equilíbrio financeiro e atuarial dos planos de benefícios.
Isso é importante, pois quando se aplica a rotatividade, o participante leva para outro plano, caso saia da empresa patrocinadora, apenas a sua reserva de poupança, deixando para o plano de origem a parte relativa às contribuições e rendimentos da empresa, o que traria um ganho ou uma redução de custo das aposentadorias e pensões para os planos de benefícios baseados no mutualismo entre os participantes. Porém com a instituição da portabilidade esses planos passaram a ter um custo adicional, relativo a essa parte solidária dos recursos do plano, necessitando redimensionar a hipótese assumida para a saída dos participantes.
A legislação brasileira permite a utilização de hipótese de rotatividade média até 5% ªa, sendo admitido percentual maior desde que justificado junto ao órgão fiscalizador, mediante declaração conjunta da empresa patrocinadora do plano e da própria entidade fechada de previdência complementar.
Há uma amplitude muito grande na assunção da hipótese de rotatividade, podendo ser pela utilização de um percentual monótono não crescente por idade, mas diferenciada por sexo, de tábuas construídas com base na experiência da empresa (ver GRAF. 6.1) ou do setor econômico, por fórmulas baseadas na idade, no tempo de serviço ou na combinação da faixa salarial e tempo de serviço.
Gráfico 6.1 - Hipóte se de rotatividade (qrx) dos participante s ati vos dos planos de be ne fícios do fundo de pe nsão, base ado na e xpe ri ê ncia de saída da