3.1. ARAġTIRMANIN YÖNETEMĠ
3.1.14. Ölçeklerin Geçerlilik ve Güvenilirlik Sonuçları
Na semana após a aula inaugural com o evento Sucessos do ofício, o fórum de discussão inicial do Percurso Formativo propôs discutir o que é a docência na Universidade. Foi recuperado aqui o conteúdo daquele evento, a fim de se obter indicativos sobre as representações sociais dos participantes do Percurso Formativo.
O fórum de discussão sobre a docência universitária teve início com o tópico intitulado “socializando as inspirações da vida docente” e a seguinte mensagem postada pela equipe do Giz:
OLÁ, PROFESSORES(AS),
NO DEPOIMENTO DOS PROFESSORES HOMENAGEADOS NA AULA INAUGURAL, OUVIMOS DOS MESMOS QUE A DOCÊNCIA É UMA CACHAÇA, OU SEJA, UM VÍCIO QUE PERPASSA O OFÍCIO DA DOCÊNCIA.
AGORA CONVIDAMOS VOCÊS A COMPARTILHAREM CONOSCO OS SEUS DEPOIMENTOS DA VIDA DOCENTE:COMO É SER DOCENTE?QUAIS SÃO SUAS EXPERIÊNCIAS DE SUCESSO?
SOCIALIZE A SUA VIVÊNCIA E VAMOS JUNTOS FAZER DESSE FÓRUM UM RICO ESPAÇO DE TROCA.
EQUIPE GIZ
Houve a postagem de 63 respostas, sendo quatro intervenções das professoras-tutoras que mediaram a discussão e sete participantes postaram mais de um comentário, portanto, 52 professores registraram os seus comentários nesse fórum. A duração foi de um mês e meio e a discussão ocorreu paralelamente a outras atividades da programação. Na tentativa de agrupar as características dos participantes desse fórum, percebeu-se que 36 professores comentaram sobre o seu tempo de docência no ensino superior. Ao se quantificar, verificou-se que 22 (48%) tinham menos de 5 anos de experiência no ensino universitário; 18 (38%) possuíam de 5 a 10 anos de experiência e os demais (13%) estavam acima dessa faixa. Assim, quase a metade encontra-se no início de carreira. Também foi constatado que muitos desses entraram nas vagas criadas pelo Reuni, preenchidas a partir de 2008.
Ao ser verificado o teor das respostas, posicionamentos divergentes frente à docência, foram observados, analisados e agrupados em posturas otimistas, pessimistas e críticas. No primeiro grupo estão as otimistas, com
Observou-se que algumas expressões recorrentes se tornaram significativas para a análise qualitativa do conteúdo do fórum. Utilizou-se de um recurso tecnológico disponível na Web para se realizar o levantamento desses termos. Trata-se dos Tags31, uma ferramenta tecnológica de levantamento de dados, que fornece uma nuvem de palavras32 e permite uma análise qualitativa dos dados apresentados visualmente, a partir da operação denominada tagueamento.
Ao realizar o tagueamento das respostas ao referido fórum, obteve-se a seguinte nuvem de palavras:
aluno
(16)alunos
(24) aprender(6)aula
(24)cachaça
(20)colegas(10)
curso
(14)docência
(34)docente
(25)ensinar(7) ensino(13) experiência(12)
experiências
(14) feliz(8)formação(7)
vida
(17) prática(7) prazer(7) processo(7)professor
(37)professora
(18) professores(8) profissão(12)profissional(9) sucesso(7) superior(6)
tempo
(14) trabalhar(9)ufmg
(14) universidade(6)Figura 3 - Nuvem de palavras do tagueamento do fórum sobre a docência universitária do Percurso Formativo.
A partir dos termos mostrados na Figura 3 e os respectivos números correspondentes à quantidade de vezes que os mesmos foram empregados nas mensagens postadas no referido fórum, observa-se que a soma das palavras ‘docente’, ‘professor’, ‘professora’ e ‘professores’ resultou em 80. Se se considerar que esses termos apresentam sentidos semelhantes, foram, portanto, os mais repetidos. Essas frequências foram entendidas como referentes ao tema do fórum e em respostas às questões da mensagem de abertura do mesmo.
31 Ver nota de rodapé na página 37. 32 Ver nota de rodapé na página 37.
Os termos ‘aluno’ e ‘alunos’, com 40 frequências, apareceram associados a ‘reconhecimento’ e ‘feedback’. Verificou-se que 16 participantes do fórum relacionaram o ‘ser professor’ com o reconhecimento ou aprovação do aluno pelo trabalho realizado, ou ao perceber o resultado dos seus trabalhos docentes, expressos das seguintes formas: “É gratificante ver ex-alunos no mercado de trabalho e construindo uma carreira de sucesso”; “Vejo que alguns ex-alunos [...] estão se realizando pessoal e profissionalmente mundo afora!”; “Uma de minhas orientandas no TCC acabou mudando de carreira. Fiquei feliz por ter influenciado as suas escolhas...” e “Acredito que os feedbacks que recebemos dos alunos com quem trabalhamos sejam uma das ferramentas mais eficazes para nos direcionar no caminho de um processo de ensino- aprendizagem mais efetivo”. Pode-se perceber a relevância do reconhecimento do trabalho docente feito pelos alunos para a constituição da identidade profissional do professor, como defendido por Pereira-Diniz (2011) e para a reflexão sobre as suas práticas, fundamental para a formação continuada e em serviço, conforme Perrenoud (1999) e Nóvoa (1992, 2009).
A expressão ‘experiência’ no plural e no singular apareceu acompanhada de ‘colegas’, ‘trocar’ e ‘compartilhar’, em algumas das 27 mensagens, como nas seguintes afirmações retiradas do referido fórum: “[...] docência é isso, se relacionar, trocar experiências, ensinar e aprender ao mesmo tempo” e “[...] é igualmente importante ouvir e compartilhar experiências com outros colegas que vivem desafios semelhantes aos que encontro hoje em minha sala de aula”. Outras se referiram às experiências vividas, como no comentário “Para mim, ser docente é uma experiência realizadora”, ou às experiências citadas pelos palestrantes durante o evento que antecedeu a abertura desse fórum de discussão.
Nas visões otimistas, percebidas na metade das respostas, os termos que traduziram as definições sobre a docência foram ‘vida’, ‘feliz’ e ‘prazer’, com 17, 8 e 7 frequências respectivamente. Outras que não entraram na nuvem de palavras, mas são variantes dessas expressões, foram as que exprimiram sentimentos da seguinte forma: “Que tal se a docência fosse uma flor que precisa ser cultivada? É vida e gera vida. Sua beleza pode ser
aproveitada e compartilhada.”; “Gosto de ser professor.”; “É um trabalho prazeroso”; “Sinto alegria em ver os alunos aprendendo”; “Minha maior alegria é ouvir que sou exemplo para eles.”; “Adoro lecionar!”; “Faço o que gosto em uma área que amo.” e “A docência é algo feito por prazer”.
A palavra ‘processo’ foi empregada numa perspectiva mais crítica e atribuída à docência como uma formação processual, da seguinte maneira: “Ser professor é um processo.”; “Estamos em construção.” e “Estamos sempre em transformação, tentando nos superar e a provocar o interesse nos alunos”.
O termo ‘cachaça’ apareceu 20 vezes nos comentários, devido à provocação feita em um dos depoimentos de um dos professores aposentados convidados para o evento Sucesso do ofício. Houve concordâncias, como no comentário de um participante que atribuiu à docência o vício como o da cachaça, e que até tentou deixar, mas que foi vencido por ele. As opiniões contrárias associaram a comparação a algo negativo.
A ‘vocação’ foi atribuída inicialmente a uma postura otimista em relação à docência, porém alguns, numa postura mais crítica, manifestaram que ficaram incomodados com o termo e defenderam a docência como profissão, ao escrever os seguintes comentários: “Incomoda-me o discurso da docência enquanto vocação, ou algo do gênero” e “A docência é uma profissão que deve ser tratada e valorizada como tal”.
A postura pessimista foi identificada em poucas mensagens que reclamaram da falta de tempo ou do excesso de tempo gasto com o trabalho de madrugada e no domingo, o pouco retorno financeiro, a necessidade de buscar alternativas para aumentar os ganhos e a falta de reconhecimento do MEC pela produção acadêmica. Houve a queixa de que a valorização do docente é mediada mais pela quantidade de publicações do que pelo seu trabalho em contribuir para a criação e fortalecimento de pensamentos.
Os comentários dos professores participantes do Percurso Formativo foram tratados por meio do software Qualiquantsoft para obtenção do Discurso do Sujeito Coletivo – DSC, desenvolvido por Lefèvre e Lefèvre (2000). A síntese representativa dos vários discursos, tendo como categoria as expressões-chave ‘docência’, ‘aluno’ e ‘vida’, resultou no seguinte DSC, que
participantes da primeira oferta do Percurso Formativo:
É APRENDER A CADA AULA. É TRABALHAR DE MADRUGADA. REALIZAR-SE PESSOAL E PROFISSIONALMENTE QUANDO O ALUNO RECONHECE O NOSSO TRABALHO.É SENTIR-SE FELIZ POR TER INFLUENCIADO O ALUNO NAS SUAS ESCOLHAS.VER OS ALUNOS ENVOLVIDOS E COM OLHOS BRILHANDO E SER EXEMPLO PARA ELES.FEEDBACKS DOS ALUNOS.OS ALUNOS SÃO OUTROS, ESTÃO MENOS COMPROMETIDOS COM A APRENDIZAGEM. TEMOS QUE EVOLUIR. TEMPOS MUDARAM. SER PROFESSOR É UM PROCESSO ESTREITAMENTE LIGADO À MINHA VIDA. TRANSFORMAR A VIDA DOS ALUNOS E SER TRANSFORMADO NESSE PROCESSO. RELACIONAR, TROCAR EXPERIÊNCIAS, ENSINAR E APRENDER AO MESMO TEMPO.TER PAIXÃO PELO QUE ENSINA. LER, APRENDER, EXPERIMENTAR, CRIAR NOVOS JEITOS DE APRENDER APRENDENDO. BUSCAR NOVOS CAMINHOS E JEITOS DE SER PROFESSOR. DESCOBRIR E APRENDER NOVAS METODOLOGIAS DE ENSINO. TER VOCAÇÃO. DOCÊNCIA É UMA PROFISSÃO. UM SONHO DOURADO.SER APAIXONADO PELO AMBIENTE UNIVERSITÁRIO E PELAS OPORTUNIDADES QUE A CARREIRA ACADÊMICA PROPORCIONA. TRABALHAR COM ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO.ENSINAR É UMA CACHAÇA, POIS VICIA.OFÍCIO TÃO DIFÍCIL. ESTAMOS EM CONSTRUÇÃO. TAREFA DE TRABALHAR COM EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL.MEDIDA PELA QUANTIDADE DO QUE PUBLICA, MAIS DO QUE PELO TRABALHO. PUBLICAR, LECIONAR TEORIA E PRÁTICA E AINDA PARTICIPAR DA GESTÃO. CONDIÇÕES DE TRABALHO SÃO ACIMA DA MÉDIA.TRABALHAR COM O QUE GOSTO.SITUAÇÃO PRIVILEGIADA PROFISSIONALMENTE.INFLUÊNCIA DE UM DETERMINADO PROFESSOR. NÃO PERDER AS ESPERANÇAS. VONTADE DE AJUDAR O NOSSO SEMELHANTE. SUPERAR BARREIRAS EM PROL DA MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DA POPULAÇÃO (DSC1).
Alguns termos presentes nesse DSC fizeram parte dos depoimentos dos professores aposentados como ‘paixão’, ‘processo’, ‘alegria’, ‘prazer’, entre outros. É possível acreditar que o otimismo dos palestrantes, transmitido nos relatos das lembranças trazidas por eles, foi contagiante e inspirador para os professores ativos durante sua participação no fórum inicial do Percurso Formativo. Como declarado pelos professores e descrito anteriormente, a busca por acertar nas escolhas metodológicas e de inovar em suas práticas para enfrentar os desafios da carreira acadêmica fez parte das expectativas expostas por eles ao se inscreverem no referido programa. Nesse sentido, o objetivo de convidar os professores aposentados para proferir sobre suas experiências foi contemplado, principalmente ao se considerar que muitos participantes eram iniciantes na carreira docente e tiveram oportunidades de conhecer e refletir sobre as diversas faces da docência, como um processo de formação profissional, pessoal e institucional (NÓVOA, 1992, 2009).
7.3.2 Ser professor(a) universitário(a) segundo os professores