• Sonuç bulunamadı

5. TARTIŞMA

5.1. Ölçeklerin Dil Eşdeğerlik Çalışmalarına İlişkin Tartışma ve Sonuç 84

Os alunos indígenas pesquisados moram, em sua maioria, com a família, na aldeia. Em razão das dificuldades por que passam esses estudantes, a independência financeira se encontra ainda muito distante. Alguns indígenas na universidade já se encontram aptos a

iniciar o estágio, outro ponto crucial na vida desses estudantes, haja vista não ser possível a participação efetiva dos alunos na referida atividade, uma vez que o período a ser frequentado é o contraturno, não dispondo de condições de permanência na universidade por falta de moradia e apoio na cidade, o que poderia, de certo modo, contribuir com esses discentes.

Notamos, com base nos dados da pesquisa, que os pais dos indígenas, como já observado nas informações não possuem escolaridade. Os estudantes, em sua maioria, são chefes de famílias, tendo-se constatado, com base nos questionários respondidos, uma média de quatro a cinco membros por moradia. Para os estudantes cotistas, a distância e as condições de deslocamento, da sua residência até a universidade, a falta de um transporte específico para este segmento, apoio para subsidiar sua alimentação na cidade e a falta de recursos financeiros para atender as demandas na execução dos trabalhos são todos motivos de preocupação de todo o grupo, que, às vezes, traz como resultado a frustração ou até mesmo a sua desistência. Um deles, no questionário depõe:

“Nós indígenas temos muitas dificuldades. Eu encontrei mais no inicio do ingresso na faculdade, mais com bom tempo foi melhorando e eu mi encachei na bolsa permanência ai ficou melhor. A dificuldade financeira foi um dos grandes problemas”. (ALUNO DO 6º

PERÍODO).

De acordo com as entrevistas realizadas, 100% dos indígenas manifestaram a dificuldade na compra dos materiais para o desenvolvimento do curso e a execução dos trabalhos, como sendo um fator de entrave na execução das tarefas. Embora se tenha no

campus um bônus de 50 xerox mensais, os estudantes consideram o quantitativo insuficiente

para atender as suas demandas nessa área. Há que reconhecer que o Campus, ao investir nesse serviço, por vezes inconscientemente, legitima um ato “clandestino”, enquanto que a priori, os serviços ou ações voltadas para a leitura, produção de texto a partir da biblioteca ficam secundarizadas.

Nesse âmbito, considerando algumas falas selecionadas, a realidade que se evidencia vai além da ampliação do acesso ao ensino superior. Um dos grandes entraves se concentra na questão da permanência dos alunos e na implementação de políticas que garantam o desempenho dos estudantes durante toda a graduação, bem como, já pensando proativamente, na sua posterior participação em cursos de pós-graduação.

Em consulta ao material de pesquisa referente a um projeto docente desenvolvido no

campus, intitulado “Sistema de Cotas da UFT: Inclusão e Permanência dos alunos indígenas xerente no Campus de Miracema do Tocantins”, já citado, foram verificadas, além de um

sugere imediata tomada de decisão no sentido de minimizar essa realidade sob pena de existir na universidade um elevado e significativo aumento no tempo de integralização dos cursos por parte dos estudantes indígenas. O gráfico a seguir apresenta uma assustadora realidade, na qual 80% dos indígenas já foram reprovados em mais de uma disciplina

Gráfico 4 – Desempenho acadêmico/indígenas - Campus/Miracema

Fonte: Levantamento/Projeto –PIMI/Miracema (LOPES; ARAÚJO, 2010).

Ainda de acordo com o documento, é reafirmada a necessidade de criação de outras ações que contribuam para a superação dessas e outras dificuldades sentidas pelos estudantes indígenas, tais como: contribuir para o enfrentamento das dificuldades na dimensão acadêmica dos discentes indígenas; intensificar e assegurar a cooperação entre professores e estudantes indígenas nas atividades básicas da universidade; promover atividades que visem à inclusão e à permanência do aluno indígena na Universidade Federal do Tocantins.

Em 2004, quando promulgada a lei, não se previa naquele momento que resultados referentes ao desempenho de estudantes indígenas pudessem apresentar dificuldades de assimilação de conteúdos, e que fosse motivo de preocupação num futuro próximo. Hoje, transcorridos cinco anos pós-política, a universidade, mais especificamente o campus de Miracema, vivencia situações bastante diferenciada com a presença de indígenas na universidade. Sabe-se, no entanto, que decisões sérias deverão ser tomadas pela instituição, de modo que esse estudante possa ser inserido e atendido em suas necessidades.

Esse, aparentemente, não foi o quadro desenhado pela UFT em 2004, pois, em função do modo e organização de vida dos alunos admitidos, os resultados obtidos no momento são estatísticas cruéis: de um lado, a instituição assemelha essa realidade à incapacidade do aluno e, por sua vez, o estudante entende que a universidade precisa implementar novas ações ou repensar a sua prática para lidar com o diferente, obrigando-se a buscar estratégias para a elevação do rendimento escolar dos indígenas. Com base nesse contexto, a expressão do aluno se configura dentro desse processo relacional de incertezas. E relata:

Eu ingressei em 2005, considero o conteúdo do curso muito difícil, é um ensino acadêmico com muito assunto e não entendo plenamente, as disciplinas que são ministradas está fora da nossa realidade, porque o discurso do professor é muito difícil (ALUNO DO 8º PERÍODO).

Para o aluno admitido pelo sistema de cotas da turma de Pedagogia 2005, no entanto, foi vivida com intensidade e apreensão, obrigando-o a buscar alternativas para a manutenção de seu rendimento escolar. Esse aluno, no entanto, sofre com as reprovações, e não está só, pois, se observarmos os Gráficos 5 e 6, a respeito da quantidade de disciplinas e quais apresentam o maior número de reprovações, vamos perceber que esse alto índice não está relacionado apenas à incapacidade do aluno, pois outras variáveis concorrem para esse quadro negativo encontrado na UFT/Campus/Miracema. Assim, é possível presumir que a metodologia escolhida pelo professor não atende às expectativas do aluno e o processo de convergência nesse feedback aluno – professor não se dá de forma plena. Com base nos gráficos a seguir, é possível perceber o índice de disciplinas em que o estudante indígena mais foi reprovado no Campus de Miracema e que, dos 11 alunos matriculados, seis não obtiveram êxito em duas ou mais disciplinas. Isso aponta para uma reflexão, professor e alunos.

Gráfico 5 Disciplinas/Desempenho acadêmico/Reprovação/indígenas - Campus/Miracema

Fonte: Levantamento/Projeto – PIMI/Miracema (LOPES; ARAÚJO, 2010).

Sendo este o resultado encontrado na universidade, surge aí a necessidade de um redirecionamento das ações, haja vista como demonstra o quadro seguinte, o número de reprovações dos estudantes indígenas até o momento do estudo é considerado alarmante, pois 25% dos cotistas ficaram reprovados em cinco disciplinas e 50% deles já em duas disciplinas.

Gráfico 6 – Número de disciplinas/Reprovação/indígenas - Campus/Miracema

Fonte: Levantamento/Projeto –PIMI/Miracema (LOPES; ARAÚJO, 2010).

Observamos, contudo, com base no Gráfico 5, que entre as disciplinas que apresentam maior reprovação entre os candidatos indígenas se encontram: Estágio Supervisionado, Movimento Social e Serviço Social e Fundamentos Histórico – Teórico Metodológico II. Assim, considerando, duas das disciplinas serem pré-requisitos, ao longo das etapas o aluno não consegue avançar satisfatoriamente, pois tem conceito de regular a insuficiente. O que ocorre, então, no geral, é que os candidatos reprovados obtêm resultados insuficientes desde a primeira etapa, mantendo esse desempenho nas fases seguintes.

4.8 Avaliando resultados do Programa de Cotas com alunos Xerentes, gestores e