H 30 : Gözlemcilerin algılamalarına göre tarafların güç davranışı arasında farklılık vardır.
3.6. Araştırmanın Bulguları
3.6.2. Ölçeklere İlişkin Geçerlik ve Güvenilirlik Analizler
Na época da divulgação da cartilha do PMCMV no sítio da Caixa, uma ampla discussão se deu entre os arquitetos participantes da rede FNA (Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas) e os dirigentes da CEF. Os arquitetos criticaram duramente as plantas padrão presentes na primeira versão da cartilha, publicada em julho de 2009. A partir da uma moção produzida pela Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR), uma discussão envolvendo os arquitetos da FNA, que se deu através de trocas de mensagens eletrônicas pela Internet, denunciou a apresentação de um modelo de baixa qualidade no “manual da Caixa”. Muitos arquitetos ainda ressaltavam a “perda de mercado” para a classe, que representaria o fornecimento de uma planta gratuita, com a possibilidade de serem replicadas em vários empreendimentos. A rede de arquitetos representada pela FNA venceu o debate, e a Caixa concordou em retirar da cartilha os modelos de propostos, deixando apenas especificações generalistas a serem contempladas nos empreendimentos.
Sem entrar no mérito do que tange à qualidade do projeto apresentado (FIG. 28, p.72), pode-se supor que ao oferecer tais padrões, a CEF pretendia uniformizar os projetos e facilitar a análise dos empreendimentos, a exemplo do que já ocorreu na história brasileira na produção dos IAP’s. No entanto, a maioria dos arquitetos, mais preocupada em evitar o padrão, sequer deu atenção para a verdadeira limitação do “manual” da Caixa, como discutido no item 5.1.3., a saber, a pouca ênfase dada à matéria urbanística. No momento em que a construção civil se depara com o desafio do cumprimento das metas propostas no PMCMV, torna-se essencial que os debates entre profissionais e as esferas governamentais contemplem aspectos mais abrangentes, que resultem em avanços para melhorar a qualidade técnica dos empreendimentos, em detrimento de críticas contundentes. Os projetos ainda
deveriam contemplar a relação do empreendimento com o entorno, assim como a existência de instrumentos que contribuam para a justiça social no acesso ao solo urbano.
Para os empreendimentos de baixa renda, a cartilha especifica duas tipologias residenciais: casa térrea ou apartamento, ambos previstos com apenas dois dormitórios. Historicamente, tem-se associado soluções habitacionais para baixa renda aquelas que apresentam as menores áreas, resumidas à mínima necessária ao desempenho das funções na casa. Esse foi o caminho percorrido pelos teóricos do movimento moderno, que também deixou como herança a eliminação de elementos decorativos, promovendo economicidade ao projeto. Para compensar a área exígua das soluções para as moradias, muitos conjuntos modernistas previam áreas de uso comum, tais como cozinhas ou lavanderias comunitárias e áreas de lazer, como quadras poliesportivas e parques, além de espaços sociais, como creches e escolas. No entanto, a ênfase do PMCMV se dá no financiamento apenas de moradias. Apesar da recomendação do programa da necessidade de acompanhamento e uma análise do trabalho social nos empreendimentos de baixa renda, com previsão de uma capacitação para o “convívio comunitário” entre os beneficiados, não existe nenhum artigo na Lei definindo quais seriam as ações a serem implementadas nesse sentido.
Deve-se reconhecer os méritos da pesquisa modernista na busca de um padrão mínimo para a tipologia residencial, que resultaram em projetos racionalizados e estandardizados, influenciando a produção contemporânea em favor da eliminação dos supérfluos e desperdícios na construção civil. No entanto, para definição do programa de necessidade mínima para a moradia, é preciso ter em mente as mudanças ocorridas nos arranjos das famílias brasileiras, quanto à composição e ao tamanho de seus núcleos. Medeiros (2000) ressalta a distinção entre os conceitos de “família” e “domicílios”, adotados nos censos e nas Pesquisas Nacionais por Amostras de Domicílios (PNAD’s). Enquanto que família refere-se a distintos conceitos, entendida no Brasil como grupos de parentes, não se limitando à fronteira da moradia, o grupo de pessoas que reside em uma mesma habitação é chamado de domicílio. O estudo se baseia no conceito de arranjo domiciliar adotado pelo
IBGE, que pode ser constituído por uma pessoa vivendo só ou um grupo de pessoas, geralmente familiares, vivendo em uma única moradia. O pesquisador constata o aumento da heterogeneidade dos arranjos, evidenciando a formação de novos padrões diferentes do modelo clássico da família nuclear, encabeçada por um casal. No período estudado (1978-1998), o crescimento mais acelerado foi o dos arranjos simples com núcleo feminino (situação evidenciada na pesquisa de PERUCCHI, 2007). Mas, também, ocorrem formações como casais com/sem filhos e outros parentes; mulher com/sem filhos e outros parentes; e homem com/sem filhos e outros parentes. A pesquisa constatou uma diminuição no tamanho dos arranjos domiciliares e, ao mesmo tempo, um aumento em sua heterogeneidade. Realidade que não está representada na cartilha, tendo em vista a homogeneidade do programa de necessidades para as unidades de baixa renda, que prevê apenas dois dormitórios em cada residência.
Os parâmetros urbanísticos do programa, avaliados sob a ótica da sustentabilidade das edificações, também estão aquém do esperado, haja vista o momento da atual indústria da construção civil, que tem se esforçado para incrementar soluções técnicas menos impactantes ao meio ambiente e mais sustentáveis no uso ao longo do tempo. O único critério de sustentabilidade requerido na cartilha é que a madeira utilizada na construção seja proveniente de floresta com manejo controlado; a única autorização especial em favor da eficiência energética das edificações é a previsão de financiamento para de equipamento coletor de energia solar. Seria desejável que um empreendimento de grande proporção, como a máxima prevista no programa (500 moradias), contemplasse soluções técnicas em prol da criação de comunidades mais sustentáveis e mais integradas ao meio urbano para o qual foram projetadas. Esse é o momento de se propor soluções habitacionais sociais, em princípio economicamente viáveis, mas, também, sustentáveis sob o ponto de vista sócio-ambiental.
5.2 Especificações mínimas para o Programa Minha Casa, Minha Vida -