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85TBB Dergisi, Sayı 61,

B. Sebepsiz zenginleşme

III. Ödeme İçin İbraz 1 Genel Olarak

A acolhida em geral positiva reservada à sociologia foi acompanhada na REG por uma intensa colaboração direta. Dos pesquisadores associados à primeira série do AS, cinco se fizeram aí presentes até o final do período aqui privilegiado45. Foram eles o linguista Antoine Meillet, o orientalista Isidore Lévy e os helenistas Pierre Roussel, Henri Jeanmaire e Louis Gernet46.

A atuação dos membros da equipe do AS na REG se deu em dois planos distintos: um administrativo (no seio da AEEG e da própria revista) e outro científico (por meio de artigos, boletins e resenhas). Quanto ao primeiro desses planos, Meillet exerceu um papel nada negligenciável. Embora filiado tardiamente à associação, apenas em 1908, ele atuou no intervalo entre 1910 e 1912 como membro do comitê daàasso iação,àse doàeleitoà segu doà vice-p eside te à oà segu doà se est eà deà ,à fu çãoà ueà oà levouà aà se à o eadoà vi e- p eside te àu àa oàdepoisàeà p eside te àe à 47

. Em 1917, por mais três anos, ele voltou a atuar no comitê da associação. Louis Gernet, por seu vez, ocupou por dois trimestres a funçãoà deà se et ioà deà edação à doà i í ioà daà di eção de Gustave Glotz na REG. Tal fato

44

Veja-se sobre isso o quadro 2.3.6 apresentado anteriormente, no qual três sociólogos – Antoine Meillet, Pierre Roussel e Louis Gernet – figuram entre os nove maiores colaboradores da REG para o período 1914-1920.

45 Seis se considerarmos também o artigo aí publicado por Marcel Mauss em 1921, o qual será discutido

em separado ao final deste subcapítulo.

46 Embora tenha sido o primeiro sociólogo a tornar-se membro da AEEG em 1898, Henri Hubert não

exerceu nenhuma função na associação, tampouco publicou algo em sua revista.

47 Enquanto presidente, Meillet pronunciou um discurso na assembléia geral da associação. Publicado

naquele mesmo ano, ele reflete o momento dramático da Primeira Guerra. Três foram os temas abordados: a impossibilidade de se comemorar o cinquentenário da associação em meio ao conflito e às sérias restrições orçamentárias que a Guerra impõe, as homenagens póstumas aos membros e aos filhos de membros mortos em batalha e, por fim, a crítica da postura do governo grego, até então em paz com a Alemanha e com o Império Austro-Húngaro (REG, 1917: xi-xvi).

145 ocorreu em meados de 1908, justo no momento em que ele havia se tornado membro da AEEG.

No que tange às contribuições científicas durante o período aqui tratado, elas compreendem um total de trinta e dois textos divididos em nove resenhas (comptes-rendus), dezessete artigos e seis boletins epigráficos publicados na seguinte ordem cronológica:

 1899: Um artigo de Is. Lévy (REG, 1899: 255-289).  1901: Um artigo de Is. Lévy (REG, 1901: 350-371).

 1908: Uma resenha de Gernet; uma resenha e um artigo de Meillet (REG, 1908: 380- 381, 388-389 e 413-425).

 1909: Três resenhas e um artigo de Gernet (REG, 1909: 13-32, 340, 353 e 358-359).  1910: Um resenha de Gernet (REG, 1910: 85).

 1913: Um artigo de Jeanmaire, um artigo de Is. Lévy e um boletim de Roussel (REG, 1913: 121-150, 262 e 441-487).

 1914: Um boletim de Roussel (REG, 1914: 441-477).

 1915: Um artigo e um boletim de Roussel (REG, 1915: 234-250 e 446-475).

 1916: Um artigo de Meillet, um artigo de Gernet, um artigo e um boletim de Roussel (REG, 1916: 259-274, 383-403 e 435-456).

 1917: Dois artigos de Gernet, uma resenha e um boletim de Roussel (REG, 1917: 181- 183, 214-215, 249-293, 363-383 e 407-415).

 1918: Um artigo de Gernet e outro de Meillet (REG, 1918: 185-196 e 277-314).  1919: Um artigo de Meillet e outro de Roussel (REG, 1919: 384-387 e 482-489).

 1920: Uma resenha de Meillet, um boletim de Roussel, uma resenha e dois artigos de Gernet (REG, 1920: 97-100, 113-114 123-169, 249-290 e 403-432).

Levando em conta o volume de textos, o longo período que eles cobrem e sua diversidade temática, optou-se aqui por tratar em separado a produção de cada autor. Será possível assim averiguar quem se valeu do trabalho dos demais colaboradores do AS, bem como o uso que faz das intuições e dos métodos sociológicos.

Dos quatro artigos que o orientalista Isidore Lévy escreveu para a REG entre 1895 e 191348, apenas o mais antigo foi publicado antes de sua adesão à equipe do AS, ocorrida em 1899. Desse conjunto, os três primeiros textos formam um só bloco e trazem o mesmo título:

146 Études sur la Vie Municipale en Asie Mineure sous les Antonins. O autor se propôs a apresentar aí um panorama das transformações institucionais nas cidades helenizadas da Ásia Menor durante o século II d.C., sob a dominação do Império Romano. Tal região, afinal, possuía estruturas jurídicas e administrativas próprias já há muitos séculos, o que permitia refletir, nas palav asàdeàL v ,àso eàasà g avesàalte aç esà aàfu çãoàpú li a àe àfu çãoàdeàu àe pedie teà deà o uista .àOàte toàseàest utu aàaàpa ti àdaàsu essãoàdas instituições tratadas (assembleia, tribunais, arquivos municipais, força policial, entre outras), intercalando às considerações de ordem puramente formal discussões sócio-históricas. Com efeito, Lévy procura demonstrar como as eventuais transformações na organização das cidades não dependeram apenas do poder central/imperial, mas também do perfil de quem exercia os cargos no seio da administração pública local. Foram duas as suas conclusões mais gerais (ou seja, desconsiderando aqui as variações constatadas entre cidades): no âmbito municipal, a noção de cidadania antiga foi se enfraquecendo e cedendo espaço para uma plutocracia, na qual pouco importava a nacionalidade, o sexo e a idade. Mesmo indivíduos mortos e divindades, por meio de doações de famílias ou templos, puderam ocupar certos cargos. Por tais expedientes, se favoreceu a criação de dinastias de magistrados pertencentes aos mesmos grupos de notáveis locais – um processo que, segundo o autor, pode ser comparado ao advento do episcopado na Igreja Católica. No âmbito central, por outro lado, a administração imperial aparecia como uma instância pouco disposta a intervir na administração local, a qual, em sua autonomia relativa, era considerada mais como um sustentáculo do sistema que como um potencial concorrente.

Destoando desses longos textos, o mesmo autor ainda publicou na REG um breve artigo em 1913, intitulado . Nele, partindo do vínculo entre Horus e os cultos agrários, algo manifesto na etimologia popular, Lévy propôs a correção da transcrição do nome das divindades evocadas em um hino grego recém-encontrado dedicado a Isis. Em todo caso, seja nesse artigo, seja naqueles, o mais importante é sublinhar aqui a facilidade com que esse ola o ado à doà á“,à fu di doà aà hist iaà dosà povosà doà o ie teà a tigo à o à aà doà hele is o,à resolveu problemas técnicos (de transcrição) ou narrou uma história institucional recorrendo a expedientes comparativos e sociológicos.

Como Isidore Lévy, Antoine Meillet atuou na REG em função de sua especialidade disciplinar: no caso, a linguística. Sua colaboração à REG não foi, contudo, marcada por debates de cunho epistemológico ou metodológico, tal como as que se deu entre ele e os demais colaboradores do AS. Meillet privilegiou em seus textos voltados aos helenistas

147 investigações pontuais sobre a língua grega antiga (ainda que em geral associadas a alguma questão relativa à linguística indo-europeia).

O primeiro artigo que ele aí publicou, La Place du Pamphylien parmi les Dialects Grecs, é paradigmático nesse sentido (REG, 1908: 413-425). Com ele, Meillet almejava complementar a classificação dos dialetos gregos proposta por um linguista norte-americano, Carl Darling Buck. O referido autor havia dividido os dialetos gregos em três grandes grupos: o ocidental (compreendendo o dórico e os demais dialetos do noroeste grego), o oriental (composto pelo jônico e pelo ático) e o árcade-cipriota. Desses, os dois primeiros se apresentavam como conjuntos bastante coerentes do ponto de vista linguístico, ao passo que o terceiro reunia os dialetos dos prováveis remanescentes dos primeiros gregos a habitar a Hélade, repletos de a aís osàe,àpo ta to,à aisàp i osàdoà ueàdeve iaàse àaà at izào igi alàdoà g egoà o u .à Mas então onde situar o panfiliano, dialeto falado no sul da Ásia Menor? Logo no princípio do artigo, Meillet procurou aproximá-lo do grupo árcade-cipriota, mostrando suas semelhanças quanto ao infinitivo, particípio, certos fechamentos vocálicos e expressões. E aqui mesmo as diferenças se mostraram reveladoras, pois em tudo em que o panfiliano não reproduzia dos demais dialetos do grupo, estes dialetos também não concordavam entre si (quanto ao dativo plural, a composição de certas palavras, entre outros). Na sequência, Meillet atacou os partidários da tese que aproximava o panfiliano do dórico, julgando-a superficial (embora ele não descarte a possibilidade de cohabitação de populações falantes de dialetos árcade- cipriotas e dóricos como uma explicação da origem do panfiliano). Ao final do texto, o autor ainda explicitou as principais vantagens de tal estudo. Em primeiro lugar, ele ajudaria a expandir a compreensão da língua comum que originou os dialetos constatados em épocas históricas. Além disso, como o panfiliano se manteve como forma dialetal mesmo após o advento da koiné, a língua franca grega criada a partir do século IV a.C., ele ajudaria a explicar e tasà pe ple idadesà dosà g egosà doà o ti e teà eu opeuà f e teà à lí guaà deà seusà pa e tes à asiáticos. Tratava-se assim, em resumo, de um dos estudos preparatórios de Meillet para a história da língua grega que ele publicou cinco anos mais tarde (MEILLET, 1913).

Os demais artigos de Meillet a REG seguem o mesmo padrão. Em De Quelques Faits Grammaticaux, ele abordou a história do singular infinitivo grego, de certas formas verbais e do dativo plural no dialeto ático (REG, 1916: 259-274). Em seguida, com Sur une Édition Linguistique d'Homère, propôs a estrutura de uma edição crítica da obra de Homero, voltada aos estudiosos do texto antigo (REG, 1918: 277-314). Por fim, seu último e menor artigo, Le Nom de Calypso et la Formation Désidérative, elucidou a formação particular do nome de uma divindade (REG, 1919: 384-387).

148 E quanto às suas resenhas? Ora, nessa seção da REG, Meillet forneceu ainda mais provas de seu amplo conhecimento não apenas da língua grega, como da literatura acadêmica internacional produzida sobre o tema. Por exemplo, ele apresentou ao público francês uma coletânea de ensaios de um helenista-filólogo russo até então ignorado na França (REG, 1908: 388-389). Em outra ocasião, comentando o artigo de um linguista francês sobre o si a usa o ,à dialetoà d i oà faladoà aà “i ília,à i se iuà dig ess esà so eà osà a osà vestígiosà materiais relativos à língua e a dificuldade de reconstituir sua forma original a partir de manuscritos alterados por sucessivas gerações de copistas (REG, 1920: 113-114).

Embora não tenha citado outro colaborador do AS em nenhum de seus textos publicados na REG, Meillet não deixou de se valer de expedientes centrais em sua linguística sócio-histórica, sobretudo da ideia do emprunt à ouà e p sti o .à Talà conceito, o qual supunha a circulação de palavras entre diferentes grupos sociais como algo central para explicar a ampliação e a transformação do campo semântico das palavras de uma língua, foi acionado três vezes nos artigos de 1908 e de 1916 para avançar hipóteses sobre o desenvolvimento da língua grega49.

Além de um orientalista e de um linguista, helenistas próximos à sociologia também colaboraram com a REG. Dentre eles encontrava-se Pierre Roussel, o qual esteve aí constantemente presente a partir da véspera da Primeira Guerra Mundial. Suas contribuições para a REG foram então voltadas tanto à epigrafia, ciência que ele passou a dominar como poucos ao longo dos anos que passou como membro e pesquisador ligado a EFA, quanto ao estudo da mitologia grega. No primeiro caso, a sociologia tinha, quando muito, uma influência secundária. No segundo, ela dominava a cena50.

Os trabalhos de Roussel publicados na REG sobre epigrafia consistiram, quanto ao essencial, nos seis boletins de sua autoria51. Tratava-se de textos extensos, nos quais o autor passava em revista as novas descobertas de inscrições observando suas regiões de procedência, bem como novas discussões em torno do material já conhecido. Longe de ser um simples apanhado ou lista, Roussel também se posicionava quanto aos achados e polêmicas, avaliando o quanto isso acrescentava realmente algo ao que já se sabia. As únicas alusões indiretas à sociologia vinham aí das indicações que Roussel fez em um de seus boletins a um

49 Sobre esse conceito de Meillet, veja-se, a bibliografia já citada no subcapítulo 1.2 da presente tese. 50 A única resenha de Roussel que identifiquei na REG (1917: 214-215) foge a essa dicotomia. Ela trata

de um estudo de Paul Cloché, tributário dos textos antigos, sobre a instituição da democracia grega em 403 a.C..

51 Além dos boletins, Roussel publicou na REG ainda um breve artigo com temática epigráfica (cf. REG,

149 artigo de Gernet sobre as leis de Gortina, texto que será discutido logo mais, e de seus próprios estudos sobre os cultos egípcios em Delos (REG, 1917: 411 e 420-1).

Seus outros artigos podem ser lidos como aplicações da sociologia na análise de motivos mitológicos presentes em poemas épicos e tragédias gregas. Em Le rôle d'Achille dans l'Iphigénie à Aulis, por exemplo, Roussel destacou a importância da temática do sacrifício da filha de Agamêmnon como chave para a trama (REG, 1915: 234-250). Valendo-se do ensaio de Hubert e Mauss sobre o tema, ele apontou para a importância do consentimento de duas das vítimas de líder dos aqueus (a mulher imolada, Ifigênia, e o chefe guerreiro envolvido em uma falsa promessa de casamento, Aquiles) para a resolução da trama52. O segundo artigo, Astyanax, apresentou uma discussão similar (REG, 1919: 482-489). Nesse artigo, contudo, o autor não se restringiu a uma obra ou autor específico, mas sim ao tema da manifestação da heroicidade ou da divindade por meio de sua descendência. Casos como o de Astíanax, filho de Heitor, e de Telêmaco, filho de Odisseu, herdeiros dos atributos de seus pais, foram então evocados para mais tarde passar ao tema dos deuses-criança, em geral associados à proteção das comunidades.

Nesses dois últimos casos, Roussel não se contentou em citar os trabalhos impressos em L’A e “o iologi ue, sobretudo quanto à temática do casamento e da família, bem como um autor próximo aos sociólogos como Arnold van Gennep. Ele valeu-se igualmente dos helenistas britânicos, Jane Harrison e Gilbert Murray, à época bastante influenciados pela sociologia de Durkheim e de sua escola.

Mas Roussel não foi o único helenista presente na revista da AEEG. Henri Jeanmaire, no mesmo ano em que aderiu ao AS, 1913, publicou na REG seu primeiro artigo, o único durante o intervalo aqui investigado. Ainda assim, La Cryptie Lacédémonienne fundiu exemplarmente os interesses da sociologia e dos estudos greco-latinos (REG, 1913: 121-150). Nele,àJea ai eà edis utiuàaà iptia ,à itoàdes ito em detalhes por Plutarco e comentado en passant por outros autores antigos. Tratava-se, segundo tais relatos, de um período no qual os jovens espartanos se mantinham nas margens da comunidade, vivendo furtivamente durante o dia e tendo a obrigação de assassinar os hilotas (escravos) que encontrassem após o entardecer. A maior parte da historiografia havia ignorado até então esses aspectos

52 No que tange às tragédias euripidianas, Roussel apresentou ainda no dia 11 e janeiro de 1917, em um

dos encontros mensais da AEEG, uma comunicação sobre as Fenícias. Um resumo dessa apresentação foi impressa em REG, 1917: iii-iv. Para o desenvolvimento posterior dessas discussões, veja-se também: 1) o artigo intitulado Médée et le meurtre de ses enfants (REA, 1920: 151-171), o qual será discutido no subcapítulo 3.4 e 2) o artigo Le thème du sa ifi e volo tai e da s la t ag die d’Eu ipide, publicado em 1922 na Revue Belge de Philologie et d’Histoi e (ROUSSEL, 1922).

150 o side adosà po à de aisà pito es osà ouà i o siste tesà daà iptia ,à to a do-a como um simples exercício preparatório para a vida militar espartana. Para Jeanmaire, contudo, o referido fenômeno era não só mais complexo como perfeitamente integrado às demais instituições do país. E há mais:à elaà aà iptia à à ape asà uma espécie de fenômenos universalmente presentes, na qual não há nada que não seja conforme aos dados gerais que possuí osàso eàoà a te àeàaàpsi ologiaàdoàho e àe àso iedade .àOuàseja,àaà haveàpa aàsuaà compreensão não residia somente na leitura correta dos textos antigos, mas também no método comparativo.

A primeira parte do texto versa sobre a organização social lacedemônia. Para o autor, os filólogos modernos erraram ao tentar compreendê-la supondo como ponto de partida as divisões dos homens em classes econômicas e de status, bem como exagerando o papel da consaguinidade. Em Esparta, teriam sido os grupos distintos por sexo e por idade que se impuseram aos demais. Valendo-se de autores teóricos conhecidos dos sociólogos, em especial Henrich Schurtz e Hutton Webster, Jeanmaire sustentou que em sociedades assim concebidas: 1) os homens adultos constituem verdadeiras sociedades secretas, cujo emblema é geralmente uma casa comunitária; e 2) os jovens só podem ingressar nestas sociedades após um período de iniciação. O texto ainda se vale de dados etnográficos dos aruntas, dos massais e dos zulus, para só então investigar os indícios de práticas análogas na lacedemônia: a existência de classes de idade bem definidas, a separação das crianças do convívio materno desde a mais tenra idade e, por fim, as refeições comunitárias (o equivalente espartano das

asasà o u it ias .

A segunda e a terceira partes do texto investem no significado e na importância dos siste asàdeà lassifi açãoàpo àidade .àPa ti doàdeàdados etnográficos, Jeanmaire apontou para as semelhanças entre Esparta e outras sociedades – os aruntas e os kwakiutls – quanto ao papel dos ritos de iniciação na promoção de uma gerontocracia. O que se segue é a descrição da especificidade desses ritos, os quais supõem períodos de maior ou menor isolamento, em geral em lugares ermos e nas fronteiras da tribo, pontuados por atos de violência extrema. A iptia à seà e ai avaà o à pe feiçãoà asà o pa aç esà p o ovidasà po à Jea ai eà eà eleà ãoà hesitou em apresentá-la como a derradeira fase da iniciação lacedemônia, responsável por investir o antigo jovem do estatuto de adulto.

Na partes quatro e cinco do texto, o autor voltou ao tema da preparação militar, privilegiado pela historiografia moderna. Para ele, a modalidade de rito doà ualàaà iptia àfez parte inculcava nos indivíduos osà valo esà daà e talidadeà oletiva .à Tendo sido a atividade guerreira orientada, na Lacedemônia, para o combate coletivo e diurno, a caça noturna aos escravos em nada se assemelhava a ela. Não haveria, portanto, como fazer derivar uma da

151 outra, pois os traços básicos de suas organizações eram opostos. O derramamento de sangue hilota surgia então como uma modalidade, certamente extremada, de rito de iniciação. Para reforçar sua hipótese, o autor ainda recorre, ao final do texto, a casos análogos relatados em etnografias sobre a Melanésia.

Louis Gernet, em seu discurso presidencial na assembleia anual da AEEG, quase cinquenta anos mais tarde, ao elogiar o texto, não deixou de situar seu autor no campo da a t opologiaà i glesa à GE‘NET,à :à 9). De fato, Jeanmaire, que aí não referencia ninguém da equipe do AS, valeu-se dos trabalhos dos britânicos James Frazer, Alfred William Howitt e Baldwin Spencer. Ainda assim, ele também citou autores alemães (Henrich Schurtz, Karl Bücher e Hermann Usener) e americanos (Hutton Webster). Em todo caso, para além do jogo das citações, o que chama atenção é a preocupação doà auto à o à osà siste asà deà lassifi ação à e com e talidadeà oletiva , temas absolutamente centrais para a empresa durkheimiana. Cumpre ainda destacar que, publicado às vésperas da Guerra de 14-18, esse texto pouco circulou entre os helenistas até 1920. As únicas referências encontradas vieram da parte de Louis Gernet, o qual se valeu dele em dois de seus artigos53.

Mas se Gernet situou Jeanmaire em outro ramo das ciências sociais, isso se deve, ao menos em parte, à declarada militância pró-sociologia que ele próprio desempenhou entre os helenistas no início do século XX54. Dentre os colaboradores do AS, foi ele quem mais escreveu artigos e resenhas para a REG, sendo raro um texto seu sem alusões diretas a essa ciência. Ilustram bem tal situação os dois primeiros textos que Gernet aí publicou. Na resenha de 1908, por exemplo, ao discutir os resultados de um artigo dedicado à competência dos juízes públicos em Atenas, ele criticou a incapacidade do autor de esclarecer aà o ige àhist i a àdo

Benzer Belgeler