5.BULGULAR VE YORUM
5.3. Öğretmenlerin Görüşlerine İlişkin Veriler
Recapitulando algo já discutido ao longo da dissertação, para um sistema ser complexo, suas entidades devem possuir quatro propriedades (MILLER; PAGE, 2007): diversidade ou heterogeneidade, 2) interdependência, 3) conectividade e 4) adaptação e/ou aprendizado. A um pesquisador não habituado com a literatura sobre sistemas complexos, pode parecer um exercício um tanto exaustivo atribuir a todas as entidades de um sistema as propriedades acima. Mas que um processo metodológico onde se seguiriam etapas rígidas, atribuir tal conjunto de propriedades a entidades é algo que normalmente cientistas sociais
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fazem com frequência, porém sem a clareza que o conhecimento conceitual auxilia a ter. Antes de adentrarmos em modelo teórico devidamente formalizado e que oferece uma base a desenvolvimentos posteriores de arquiteturas algorítmicas de simulação de sistemas multiagentes, tais como os chamados modelos baseados em agentes (MBAs), considerados mais aptos a modelar sistemas sociais complexos, iremos nos manter um passo antes e utilizarmos de algo atualmente não tão em voga entre os que se ocupam das ciências humanas, a tal “imaginação sociológica” defendida por C. Wright Mills. Sem pretensão de ir além de um nível intuitivo e didático, faremos um breve exercício de como se poderia explorar o espaço de possibilidades teórico-causais sobre um fenômeno intimamente ligado a um dos temas do capítulo, o federalismo, por meio de uma análise da interação entre as suas dimensões estratégicas e valorativas, também discutidas em outros momentos da dissertação, sobre as quais emerge o que chamaremos livremente de uma “cultura federalista” entre os cidadãos norte-americanos.
Iremos supor que todo o aparato institucional do Estado norte-americano possui legitimidade normativa e coercitiva sobre toda a população que vive simultaneamente dentro da fronteira do espaço nacional e particionada entre as jurisdições estaduais. Podemos manter essa premissa da legitimidade para a esfera do arranjo federalista norte-americano ainda que não seja consensual por parte da população norte-americana a atuação igualitária de suas instituições públicas, e realmente não seria difícil encontrar exemplos, a lembrar da situação desigualdade econômica e social enfrentada por suas populações negras, latinas e indígenas tão noticiada por seus próprios meios de comunicação e expressões artísticas como o cinema, a música e a literatura38. Assim sendo, como um fenômeno difuso e persistente, porém não em equilíbrio, pois ele deve ser realimentado, seja por expedientes como a criação de símbolos nacionais e campanhas para contrapor os norte-americanos a outras nações, não seria imprudente afirmar que esta legitimidade não pode ser dita como uma contribuição
38 Em especial, um trecho da obra de Richard Rorty, Contingency, Irony and Solidarity possui enorme força de
síntese sobre a ambiguidade entre a existência de um governo dito liberal-democrático, um Estado considerado robusto em adaptar-se aos contínuos desafios ao infindável processo de instituição da autoridade (ver o modelo de Reis no capítulo 1) e a desigualdade social vivida pelas minorias dos Estados Unidos. O papel de uma ideologia em consolidar o pertencimento das pessoas a uma nação soberana, aos menos no poder de garantir o igual trato de seus cidadãos, em suas palavras ganha imensa força persuasiva: “Consider, as a final example, the attitude of contemporary American liberals to the unending hopelessness and misery of the lives of the young blacks in American cities. Do we say that these people must be helped because they are our fellow human beings? We may, but it is much more persuasive, morally as well as politically, to describe them as our fellow Americans - to insist that it is outrageous that an American should live without hope. The point of these examples is that our sense of solidarity is strongest when those with whom solidarity is expressed are thought of as "one of us," where "us" means something smaller and more local than the human race. That is why "because she is a human being" is a weak, unconvincing explanation of a generous action.” (RORTY, 1989: 191)
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discernível, digamos, em cotas, de todos os estados separadamente ou, em nível de maior precisão, de todos os cidadãos separadamente. E ao mesmo tempo, esta legitimidade doada ao Estado norte-americano, que é um traço do nacionalismo do país, não poderia existir se não houvesse uma legitimidade inicial doada precisamente por seus estados ao fim do século XVIII.
A legitimidade é resultado de uma retroalimentação (feedback) positiva a partir de duas instâncias de irradiação que se generaliza e é constituinte da consolidação do moderno Estado americano. A legitimidade consolidada como uma “cultura federalista” possui duas fontes de irradiação: uma primeira é da população enquanto pertencente aos estados federados, com graus de autonomia definidos pela constituição, a outra é a da população enquanto pertencente à união destes. Essa dualidade presente na cultura federalista, não se torna um antagonismo definitivo ao ponto de impedir a consolidação do federalismo, pois as quatro propriedades citadas no início da seção estão operando entre os atores sociais. O fato de atores possuírem uma língua comum em territórios contíguos é preponderante ao processo de interação iniciado desde a colonização, pois estabeleceu uma rede de dependências e uma ecologia que favoreciam mais a união do que independência de cada estado. No entanto, a dissolução do pacto e a fragmentação territorial poderiam ter ocorrido. Ora, possuíam diversidade de interesses e poder ligados a suas diferenças de origem, religião, cultura e economia, entre os estados, e, certamente, internamente a cada um havia matizes destas, e, portanto, não podemos supor um processo linear e previsível. A interação dessas características criou um padrão mais ou menos de longa duração que veio a se estabilizar ao fim da Guerra Civil Americana já no século XIX.
Não entrando na especificação das circunstancias políticas, econômicas e sociais determinantes na consolidação do federalismo americano, a adaptação eficiente entre os entes federados, o que envolve um aprendizado do que é coexistir como federação, envolvendo coisas como o respeito à constituição federal, aos três poderes e às decisões da suprema corte, e principalmente a aceitação de todos os cidadãos como pertencentes ao um mesmo país, fez emergir estáveis propriedades macroestruturais não reduzíveis as infindáveis interações entre as partes constituintes, incluindo aí o papel desempenhado por americanos notáveis, como um mero somatório. Por sua vez, a dimensão macro retroalimenta as percepções dos indivíduos favoravelmente, caso o governo central mantenha as exigências de autonomia dos entes e a maior eficiência na produção de bens públicos pela união dos recursos financeiros, humanos,
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bélicos e outros dos entes federados, e desfavoravelmente, caso os entes julguem que haja ineficiência e assimetria na distribuição dos custos de produção e dos bens produzidos. Certamente, os juízos avaliativos dos agentes são condicionados por informação limitada e assimétrica, além de noções de justiça distantes de uma clara noção do que seja uma distribuição de bem-públicos, e o bem-estar resultante, em algum sentido que seja próximo a um conceito de solução do tipo ótimo de Pareto (não se pode melhorar a situação de algum agente sem que isso implique em piora da situação de outro). No entanto, mesmo sob contínua ameaça, a população mantem a crença, traço de sua cultura estabelecida, de que as instituições públicas são capazes de resolver os conflitos com foco no bem-estar geral da população norte-americana, ainda que a espera possa ser longa.
Um sistema complexo se caracteriza por cinco características: 1) imprevisível, 2) produz grandes eventos, 3) robusto, 4) emerge fenômenos de baixo para cima (bottom-up) e 5) produz novidade (MILLER; PAGE, 2007). Ao explorarmos nosso caso exemplo, a “cultura federalista”, e agora estendendo ao federalismo norte-americano, essas propriedades acima são também identificáveis. O federalismo e sua adoção valorativa pela população foram uma grande novidade histórica, e para alguns autores a grande contribuição americana à política. Não se imaginava até então como poderia existir um governo único em um território tão amplo, e ainda sob um regime de governo considerado degenerado para pensamento político clássico: a democracia. Certamente um grande evento que não pode ser entendido como um acontecimento normal capaz de ser previsto pelo acúmulo de eventos anteriores criados pelo comportamento dos agentes no nível micro. E, por fim, é robusto porque mesmo com atores políticos questionando continuamente as atribuições do pacto, junto ao risco dos estados se ausentarem de suas obrigações federativas, o pacto se mantem, e do ponto de vista dos valores, a crença positiva sobre a soberania político-econômica fundada na união dos estados permanece intacta. Se não houvesse suficiente capacidade por parte das entidades constituintes em suprir qualquer falha adaptando-se às novas circunstâncias e gerando novidades capazes de manter o pacto, ele simplesmente teria deixado de existir.
Apresentaremos na próxima seção um modelo que vai muito além do exercício heurístico feito acima, no sentido de dar um passo à frente em formalizar matematicamente e derivar consequências analíticas. Também é de interesse o modelo a ser apresentado, pois é fundamentado na história do federalismo norte-americano, e assim consegue conciliar em uma única interface generalidade teórica e realismo histórico. Ainda que não faça o exercício
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de modelar suas premissas por meio de MBAs, a autora fornece um framework conceitual que se enquadra em nossa proposta de tentar fazer a leitura de um evento social segundo uma abordagem baseada em elementos da teoria dos sistemas complexos. Queremos enfatizar que iremos apresentar os resultados de sua análise, porém não iremos avaliar a adequação de seus resultados em contraste com a literatura de estudos sobre o federalismo.