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Öğretmenler ve Örtük Program

BÖLÜM 6: DİĞER BAKIŞ AÇILARI

6.4. Öğretmenler ve Örtük Program

Desde o momento do conhecimento do diagnóstico, o cuidador passa por intensas modificações na sua vida pessoal sendo que a adaptação depende de mecanismos que variam de acordo com cada pessoa. Fatores como características de personalidade e disponibilidade de recursos pessoais e sociais, que incluem informações e orientação, levam ao uso de estratégias que colaboram na busca de uma melhor adaptação à nova condição.

Podemos verificar (Tabela 15) que, mediante os resultados obtidos com a aplicação da escala de enfrentamento de problemas, embora cada participante pudesse lidar com o evento estressor através de várias estratégias, para a maioria (45%) o enfrentamento predominantemente se caracterizou por práticas religiosas e pensamento fantasioso.

Tabela 12 - Distribuição percentual das participantes em função das estratégias de enfrentamento predominantes utilizadas

Fator predominante Estratégias Nº de %

predominante focalizadas participantes

Fator 1 no problema e pensamento positivo 7 35

Fator 2 na emoção 0 0

Fator 3 práticas religiosas/pensamento

fantasioso 9 45

Fator 4 busca de suporte social 4 20

Total 20 100

Essas entrevistadas atribuíram maiores escores às seguintes questões: “Eu desejaria poder mudar o que aconteceu comigo.”

“Espero que um milagre aconteça.” “Eu rezo/oro.”

Logo em seguida, o segundo fator com escore maior foi aquele referente à utilização predominante de estratégias focalizadas no problema. Sete mães (35%) empregaram mais estratégias centradas em condutas de aproximação do evento estressor a fim de manejar a situação ou solucionar o problema. A busca de suporte social foi a estratégia mais utilizada por apenas quatro entrevistadas (20%), o que depende da disponibilidade desses recursos para essas mães.

As maneiras de enfrentamento menos utilizadas focavam a emoção, o que sugere a baixa recorrência a estratégias centradas em reações emocionais negativas como raiva, tensão ou ainda reações de culpabilização de outros ou de si próprio enquanto causadores do problema, ou pelas conseqüências que apresenta.

Concluiu-se que a maioria das participantes, além da adoção de condutas na tentativa de solucionar o problema do filho (por exemplo, a inserção da criança nas atividades da instituição especializada), tem utilizado pensamentos ligados à fé e esperança como forma de lidar com a situação e aliviar os aspectos negativos do acometimento do filho.

Quando comparamos (Tabela 13) tais resultados com aqueles encontrados no estudo de Seidl, Tróccoli e Zannon (2001) cujo estressor geral da amostra pesquisada referia-se a um problema atual que estivesse ocasionando estresse (problemas financeiros, familiares, profissionais, dificuldades conjugais ou amorosas, dentre outros), verificamos algumas diferenças: embora um dos dois fatores predominantemente utilizados seja semelhante (problema), o outro fator (busca de suporte social) como forma de enfrentamento do estresse foi sobrepujado neste estudo pelas práticas religiosas/pensamento fantasioso; ainda que observemos a diferença no escore das estratégias focalizadas na emoção nesses dois grupos, estas foram as menos assinaladas em ambos os estudos.

Parece plausível que os modos de enfrentamento centrados na emoção, que poderiam culminar com o afastamento da criança, não sejam uma maneira muito empregada pelas mães enquanto estratégia, já que não há como afastar-se da condição real do filho, tão presente em seu cotidiano. Quanto à busca de suporte social, é conhecida a escassez e pouca disponibilidade dos recursos de saúde em âmbito nacional e da dificuldade do diagnóstico e tratamento do autismo. Ainda assim, para avaliação do suporte social é necessário conhecer a situação individual de cada família que pode mostrar a participação do pai, irmãos e família extensa no relacionamento com a criança autista e se a mãe busca o apoio dessas pessoas.

Tabela 13 - Resultados da EMEP com o estressor saúde do filho, comparados com os resultados de estressor geral (SEIDL; TRÓCCOLI; ZANNON, 2001)

Estratégias de Estressor de Estressor

enfrentamento saúde do filho (Dp) geral (Dp)

(N=20) (N=252) Focalização no problema 3,67 (± 0,80) 3,52 (± 0,58) Focalização na emoção 1,84 (± 0,51) 2,61 (± 0,59) Práticas religiosas/pensamento 3,69 (± 0,82) 3,20 (± 0,79) fantasioso

Busca de suporte social 2,93 (± 0,81) 3,33 (± 0,79)

Seguindo nossas contextualizações acerca do enfrentamento, considerando a variável religião (abordada na descrição das participantes), das mães com estresse na fase de exaustão, com exceção de Virgínia que não segue crenças, todas as outras são católicas e apenas Djanira é praticante. Das participantes com estresse na fase de resistência, três são católicas (uma praticante e duas não), duas são da Congregação Cristã no Brasil, uma é crente e uma espírita.

Então, houve homogeneidade no que se refere à religião das participantes com estresse na fase de exaustão, mas, heterogeneidade de segmentos religiosos das mães com estresse na fase de resistência. Daquelas sem estresse, houve distribuição heterogênea dentre os segmentos citados.

As religiões representam formas de consolo e podem tornar o sofrimento materno mais sofrível, mais suportável dependendo da religião. As religiões evangélicas e neopentecostais criam um envolvimento grande de seus seguidores e provocam um alívio maior do que, por exemplo, a religião católica que não tem formas de atuação mais intensas e presentes. Os ritos das igrejas neopentecostais proporcionam quase uma catarse e isso tem uma repercussão muito mais intensa para a pessoa suportar o sofrimento. As religiões católicas e protestantes tradicionais não oferecem esse “alívio” de modo tão intenso.

A análise estatística indicou as seguintes associações: negativa entre sintomas psicológicos do estresse e o escore no fator problema, ou seja, quanto maior foi a fase do estresse e mais sintomas psicológicos assinalados, menos estratégias focalizadas na resolução de problemas foram empregadas; positiva entre sintomas psicológicos e o fator que se refere à emoção, ou seja, mais sintomas associados com aquelas estratégias paliativas como enfrentamento que podem resultar no afastamento do estressor; negativa entre a renda familiar e as estratégias que focalizam práticas religiosas/pensamento fantasioso. Essa última associação poderia ser explicada tanto pelos recursos e acessibilidade a serviços de saúde das famílias mais abastadas que podem obter mais informações acerca do problema do filho e formas de tratamento, quanto por questões culturais de como as crenças religiosas estão inseridas em cada camada da população.

Tabela 14 - Análise estatística segundo o coeficiente de correlação não paramétrico

Variáveis r p correlação

↑ SP de estresse X ↓ Fator 1 (Problema) -0,54 0,01 significativa negativa ↑ SP de estresse X ↑ Fator 2 (Emoção) 0,47 0,04 significativa positiva ↑ Renda familiar X ↓ Fator 3 (Pens. fantasioso) -0,43 0,05 significativa negativa

Benzer Belgeler