O segmento de fabricação de móveis para escritório caracteriza-se pelos elevados graus de especialização, sofisticação tecnológica e terceirização (GORINI, op cit.). Além disso, destaca-se a preocupação das empresas do setor pela qualidade dos serviços pós- venda, devido às exigências do mercado sofisticado em que atuam.
FIGURA 11 – Cadeia produtiva moveleira FONTE – Adaptado do Instituto Euvaldo Lodi (2003)
seus processos produtivos – marcenaria, metalurgia, injeção, tapeçaria, acabamento e outros – são complexos, o qual, conjuntamente com a oferta de serviços tais como o projeto de instalação dos móveis, dificulta a presença de pequenas empresas.
O setor de móveis de escritório no Brasil está concentrado na Grande São Paulo, região que engloba aproximadamente 80% do mercado nacional desse segmento (COUTINHO
et al., 2001). Além de ser um setor exclusivo das médias e grandes empresas, possui
alguma forma de vínculo com líderes mundiais fabricantes de móveis de escritório, quer seja por acordos formais, tais como joint ventures, ou por fornecimento de projetos por
Indústria Madeireira Silvicultura e exploração florestal Desdobra- mento da madeira Fabr. madeira laminada, prensada, compensada, aglomerada. Fabr. estruturas de madeira e carpintaria Diversos Indústria Química Indústria Metalúrgica Artefatos
têxteis Artefatos de couro
Britamen- to e outros trabalhos em pedra Produção de relamina- dos, tref. de aço Fabrica- ção de artigos de vidro Ferra- gens em geral Produção de tubos de aço Metalur- gia do alumínio e suas ligas Fabr. tintas, lacas e esmaltes Fabr. impermeabi- lizantes e solventes Fabr. lamina. planos e tubul. plástico Fabr. adesivos e
selantes diversos de Artefatos
plástico Fabricação de móveis de madeira Fabricação de colchões e persianas Fabricação de móveis de metal Fabricação de móveis de outros materiais Mercado Interno e Externo Atacado e varejo Represen- tante comercial Transformação
parte das empresas estrangeiras; características que, de modo geral acompanham às grandes empresas nacionais do setor. Outras formas de vínculo existentes são: a nacionalização de antigas subsidiárias e a entrada de alguns fabricantes estrangeiros via aquisição de empresas nacionais.
3.2.1 Produto, processo e comercialização
Segundo o estudo realizado por Coutinho et al. (op cit.), as grandes empresas de móveis de escritório fabricam uma linha completa de produtos, a qual pode ser chamada de full
line, abrangendo: cadeiras, mesas, armários e divisórias. Já que o mercado demanda
uma linha completa, o projeto de todos os produtos deve ser realizado de forma integrada, o qual implica um período de renovação da linha de pelo menos dois anos. O setor prioriza a importância da imagem do produto no mercado, o qual implica em priorizar a concorrência via diferenciação do produto no lugar de uma concorrência via preços.
O processo produtivo no setor caracteriza-se pela elevada verticalização (diferentes processos tecnológicos em uma mesma planta industrial), o qual resulta numa maior defasagem tecnológica (por exemplo, máquinas obsoletas e de última geração convivendo em uma mesma planta industrial), em particular nas etapas de metalurgia e tapeçaria. Os investimentos em maquinário novo destinam-se principalmente à aquisição de máquinas com controle numérico computarizado (CNC) utilizadas nas etapas de trabalho de marcenaria. Os investimentos em design são maiormente destinados a viagens e visitas a feiras no exterior, aquisição de equipamentos CAD, prototipagem e treinamento de pessoal especializado.
Uma das tendências do setor é a redução da utilização de madeira e o crescente emprego de materiais como metal, plástico e vidro entre outros. Assim mesmo, destaca-se a introdução do MDF como uma das principais inovações enquanto a materiais se refere, ao lado de novos revestimentos e acabamentos (por exemplo, lâminas recompostas de madeira renovável), compostos plásticos (PVC e nylon) e novas ligas de metal. Existe
ainda uma crescente preocupação e estímulo à utilização de chapas de madeiras reflorestáveis ou mesmo de materiais recicláveis devido às restrições ecológicas.
Ainda com Coutinho et al. (op cit.), no segmento de móveis para escritório existe uma relação muito próxima com os usuários finais, o qual implica na venda direta às empresas interessadas através de lojas próprias/showrooms, fato que ocorre com a mesma freqüência que as vendas via representantes comerciais.
3.2.2 Design
Vários autores (GORINI, op cit.; COUTINHO et al., op cit.; VENZKE, 2001) sustentam que a principal fonte que dá origem ao design de móveis no Brasil é a adaptação regional de modelos estrangeiros. No caso do setor de móveis de escritório, a principal fonte é a compra e adaptação de projetos estrangeiros, já que a maioria das
empresas deste segmento mantém vínculos estáveis com empresas líderes mundiais
(COUTINHO, op cit.). Empresas que não contam com esses vínculos esforçam-se no desenvolvimento interno do design, através da contratação de designers ou serviço externo de especialistas. A ergonomia (conforto/funcionalidade) é apontada como característica fundamental dos produtos de escritório já que existe uma necessidade de adaptar as condições de trabalho às condições humanas. Outro aspecto importante no projeto dos produtos de escritório é a facilidade de fabricação e montagem dos mesmos.
De modo geral, os aspectos que se destacam em matéria de inovação quando se trata do projeto de móveis são (GORINI, op cit.):
• A diminuição do uso de insumos (materiais e energéticos)
• A queda do número de partes e peças envolvidas em um determinado produto • A redução do tempo de fabricação
Esses aspectos, além de contribuir para a inovação no design de móveis e para a diminuição de custos na produção dos mesmos, favorecem o desempenho ambiental dos produtos moveleiros. O design de móveis deve ir além do visual, incluindo aspectos
ecológicos entre outros, tal como aponta Gorini (op cit.): Ou seja, design é mais que um
avanço na estética, pois significa também o aumento da eficiência global na fabricação do produto, incluindo práticas que minimizem a agressão ao meio ambiente.
3.3 Caracterização dos problemas ambientais associados com o ciclo de vida dos