• Sonuç bulunamadı

Após ter me apresentado como educadora de artes visuais (Antes do antes, p.11), tomo a liberdade de escrever sobre o depois, sobre o trabalho no Interar-te com a conclusão desta experiência acadêmica.

Os resultados apontam para a possibilidade de se atingir mais famílias e esse é um objetivo que se impõe como consequência dessa pesquisa. Uma possibilidade é que o Interar- te seja oferecido aos domingos, por exemplo. Minha expectativa com isso é que o grande volume de público do Parque Ibirapuera, notadamente não frequentador do parque nos demais dias da semana, poderia participar desse programa educativo no Museu.

A construção da pesquisa também levou a um questionamento sobre quem sou como educadora, qual a origem de minha experiência com arte e de minha trajetória profissional desde a formação acadêmica. Essa arte institucionalizada que para mim é significativa, é importante para todos? No entanto, os outros estão realmente desprovidos do contato com as

50

Esclarecemos que as atividades de entretenimento não são entendidas aqui como algo que deva ser evitado. O que se questiona é se as famílias buscam um equilíbrio entre atividades culturais e as estritamente de entretenimento. Além disso, na condição de escolha das pessoas: estão elas optando por esta ou aquela atividade de lazer cientes dos valores que estão reproduzindo ou por falta de opções, de vivência e de educação para o consumo?

51 O conhecimento aprofundado de ações nesse sentido se faz atual e necessário. Há experiências, como o

programa Lá Vai Maria (Centro Universitário Maria Antônia da USP, a programação Bienal na Cidade (29a Bienal de São Paulo), que exibiu vídeos presentes na mostra em outras instituições da cidade e na região metropolitana, e a ação da artista Mônica Nador à frente do JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube). Edições do evento Arte/Cidade, mesmo realizadas em bairros centrais de São Paulo, também podem ser citadas.

artes visuais? Qual é a experiência artística e estética desses a quem chamo de outros? Que podemos dizer sobre sua educação cultural?

As inquietações trazidas por esta experiência acadêmica são mobilizadoras e instigantes. Em busca de elucidar este estado de reflexão, concluo este trabalho citando o final do poema O fim do mundo, de João Cabral de Melo Neto (1994, p.71): “Em vez de juízo final

a mim me preocupa o sonho final”. Explico: como no relato do pai entrevistado da família 9,

também acredito que deveríamos ter mais contato com a arte, onde quer que ela esteja.

(...) nós tivemos uma oportunidade em família de visitar os grandes museus do mundo, então nós tivemos lá uma curiosidade, uma aventura, pegamos uma mochila e... vamos ver de perto! E o museu era como se fosse o ponto de referência, não era chegar no país, era chegar no museu. Então, quando chega lá no Louvre, por exemplo, a gente chegou e pronto, chegamos, sem muito conhecimento, sem muita qualidade de ver as obras específicas, que cada obra é um poder danado, né? A gente via as obras mas a nossa sacada, a nossa vitória, nosso podium era ter chegado ao museu. Então acho que a gente é muito apegado, nós temos muitas histórias com museus, acho que todos nós deveríamos ter mais história com museu. [família 09]

É desejável que as pessoas usufruam dos museus de arte com experiências de qualidade e não de consumismo cultural (BAUMAN, 2008), que os visitem como ao museu

imaginário de Marcelo Araújo: “(...) o museu ideal e utópico, para mim, é o museu que se

tornasse tão vital e importante para as pessoas que elas passariam a ter com ele uma relação tão essencial e cotidiana como se entrassem em um supermercado, em uma farmácia ou em

um cinema”. (GROSSMANN & MARIOTTI, 2011, p.142)

Concluindo, a educação em arte nos museus e instituições culturais pode contribuir à educação visual e cultural das pessoas expandindo o repertório artístico e garantindo acesso aos bens culturais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Figura 25 – Participantes da oficina especial com a artista Paola Parcerisa na exposição Mulheres artistas:

relatos culturais, em março de 2008. Nessa edição, o público confeccionou peças que foram utilizadas na obra, que estava em construção. Essa foi a única sessão do Interar-te ocorrida antes da abertura de uma exposição, na qual os participantes puderam ver e acompanhar a montagem de obras no espaço expositivo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRÉ, M.E.D.A. de. Etnografia na prática escolar. São Paulo: Papirus Editora, 1995. ______. Estudo de caso em pesquisa e avaliação educacional. Brasília: Líber Livro, 2005.

BARBOSA, A.M. A imagem no ensino da arte: anos oitenta e novos tempos. São Paulo: Perspectiva, 2005.

BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Tradução Luís Antero Reto; Augusto Pinheiro. Lisboa, Edições 70, 1977.

BAUMAN, Z. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

BLEGER, J. Temas de psicologia: entrevista e grupos. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1989. (Coleção Psicologia e Pedagogia)

BORDIEU, P. (Org.). A miséria do mundo. 7.ed. Petrópolis: Vozes, 2008. BOTT, E. Família e rede social. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976. BROUGÈRE. G. Brinquedos e companhia. São Paulo: Cortez, 2004.

COELHO, T. Dicionário crítico de política cultural. 2.ed. São Paulo: Iluminuras, 1999. COLI, J. O que é arte? 11.ed. São Paulo: Brasiliense, 1990.

COLOMBINI, Luis. Aprendi com meu pai. São Paulo: Versar, 2006.

CSIKSZENTMIHALYI, M. A descoberta do fluxo: a psicologia do envolvimento com a vida cotidiana. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

DELVAL, J. Introdução à prática do método clínico: descobrindo o pensamento das crianças. Porto Alegre: Artmed, 2002.

DEWEY, J. Art as experience. New York: The Berkley Publishing Group, 2005.

DIAS, J.A.B.F. Algumas considerações antropológicas sobre o ensino artístico. Revista

Gávea, Rio de Janeiro, n.11, p. 195-201, abr. 1994.

DUMAZEDIER, I. et al. Ocio y sociedad de classes. Barcelona, Fontanella, 1971.

FALK, J.H.; DIERKING, L.D. The Museum Experience. Walnut Creek, CA, USA: Left Coast Press, 2011.

FERNANDES, D. Avaliar para aprender: fundamentos, práticas e políticas. São Paulo: Editora UNESP, 2009.

FRANCO, M.L.P.B. Análise de Conteúdo. 3.ed. Brasília: Liber Livro Editora, 2008.

GADOTTI, M. A escola na cidade que educa. Cadernos CENPEC: Educação, Cultura e Ação Comunitária, São Paulo, v.1, n.1, 1o sem. 2006, pp.133-139. Disponível em <http://cenpec.org.br/biblioteca/educacao/producoes-cenpec/cadernos-cenpec-n-1-educacao- e-cidade>. Acesso em: 05 out. 2008.

GADOTTI, M.; PADILHA, P. R.; CABEZUDO, A. (Orgs.). Cidade educadora: princípios e experiências. São Paulo: Cortez/Instituto Paulo Freire; Buenos Aires: Ciudades Educadoras America Latina, 2004.

GÓMES, G.R. Metodologia de la investigación cualitativa. Málaga: Aljibe, 1999.

GONZAGA, A.M. A pesquisa em educação: um desenho metodológico centrado na abordagem qualitativa. In: PIMENTA, S.G.; GHEDIN, E.; FRANCO, M.A.S. (Orgs.). Pesquisa em educação: alternativas investigativas com objetos complexos. São Paulo: Loyola, 2006.

GRINSPUM, D. Educação para o patrimônio: museu de arte e escola – responsabilidade compartilhada na formação de públicos. 2000. Tese (doutorado) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.

GROSSMANN, M. O que é o MAC: catálogo. [São Paulo]: Universidade de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea, [1986]. Catálogo de exposição.

GROSSMANN, M. Interação entre Arte Contemporânea e Arte-Educação: subsídios para a reflexão e atualização das metodologias aplicadas. 1988. Dissertação (mestrado) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1988.

GROSSMANN, M.; MARIOTTI, G. (Orgs.). Museum art today: Museu arte hoje. São Paulo: Hedra, 2011.

IAVELBERG, R. O desenho cultivado da criança: prática e formação de educadores. Porto Alegre: Zouk, 2006.

KANT, I. Resposta à pergunta: Que é “Esclarecimento”?. In: KANT, I. Textos seletos. Petrópolis: Vozes, 1974.

KEHL, M.R. O tempo e o cão: a atualidade das depressões. São Paulo: Boitempo, 2009. KISHIMOTO, T. Brincadeiras para crianças de todo o mundo. São Paulo: UNESCO, 2007. LAFARGUE, P. O direito à preguiça. São Paulo: Editora UNESP/Hucitec, 2000.

LEITE, M.I.; OSTETTO, L.E. (Orgs.). Museu, educação e cultura: encontros de crianças e professores com a arte. Campinas: Papirus, 2005.

LÉVI-STRAUSS, C. As estruturas elementares do parentesco. 4.ed. Petrópolis: Vozes, 2008. MELO NETO, João Cabral de. Obra completa: volume único. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. MOURA, M.L.S.; FERREIRA, M.C. Projetos de pesquisa: elaboração, redação e

apresentação. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2005.

NICHOLS, M.P.; SCHWARTZ, R.C. Terapia familiar: conceitos e métodos. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 1998.

PERROTTI, E. Confinamento cultural, infância e leitura. São Paulo: Summus, 1990. PIMENTA, S.G.; GHEDIN, E.; FRANCO, M.A.S. (Orgs.). Pesquisa em educação:

alternativas investigativas com objetos complexos. São Paulo: Loyola, 2006. PUIG, J.M.; TRILLA, J. A pedagogia do ócio. 2.ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.

QUINTANA, M. Para viver com poesia. Seleção e organização: Márcio Vassallo. São Paulo: Globo, 2007.

ROMANELLI, G. Famílias de camadas médias: a trajetória da modernidade. 1986. Tese (doutorado) – Departamento de Ciências Sociais/FFLCH, Universidade de São Paulo, 1986. SARTI, C.A. A família como espelho: um estudo sobre a moral dos pobres. 5.ed. São Paulo:

Cortez, 2009.

TOJAL, A.P.F. Museu de arte e públicos especiais. 1999. Dissertação (mestrado) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.

VYGOTSKY, L.; LEONTIEV, A.; LÚRIA, A. El proceso de formación de la psicologia

marxista. Moscú: Editorial Progreso, 1989.

WORTHEN, B.R.; SANDERS, J.R.; FITZPATRICK, J.L. Avaliação de programas: concepções e práticas. São Paulo: Gente, 2004.

ZANINI, W. A Expressão Plástica da Criança Excepcional: catálogo. [São Paulo]: Universidade de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea, [1972]. Catálogo de exposição.

Apêndices

Figura 26 – Criança explora a câmera escura que construiu na oficina Vendo o mundo de ponta-cabeça durante

Benzer Belgeler