2.1. Kavramsal Açıdan Öz Yeterlilik
2.1.7. Öğretmen Öz Yeterlik İnançlarının Eğitime Yansımaları
Figura 6 – Seis primeiros compassos da melodia da Marcha Fúnebre de Chopin.
Cópia realizada por Theófilo Helvécio Rodrigues em março de 2006 em São João del-Rei para a Banda Theodoro de Faria.
A marcha fúnebre de Chopin tornou-se das músicas mais solicitadas tanto em salas de concerto quanto em funerais depois que a partitura foi transcrita para orquestra e banda de música. O apelo pela música em funerais e procissões só fez ampliar o seu conhecimento e
que não se ouvia em Paris desde o dia em que os restos mortais de Napoleão haviam chegado a Santa Helena. Os solistas eram a senhora Viardot-Garcia, Joana Castellani, Alex Dupont e Luís Lablache.
354
As adaptações (arranjos) para banda de música da marcha variam muito. Nos arquivos desses conjuntos, podemos encontrar arranjos feitos do total da peça (os 84 compassos) ou somente parte dela, via de regra, os 30 que formam a sua primeira parte.
aceitação pelo público. Sua música foi transformada num “hino fúnebre internacional” em virtude da sua incidência nos enterros em vários países do mundo. A difusão da marcha de compositor franco-polonês foi contundente e passou a ser ouvida em momentos comoventes tanto em espaços privados quanto públicos. No Brasil, essa incumbência coube primeiramente aos pianistas de reconhecida competência que vieram para o país na primeira metade do século XIX, com destaque para Arthur Napoleão e Gottschalk.
Foi na condição de música fúnebre, já popular em sua época, que a marcha chegou ao Brasil, para ser tocada por bandas e adotada pelas Forças Armadas Brasileiras como marcha
“obrigatória” nos funerais realizados pelos militares no país. No capítulo 1 das regras gerais
da Marinha Brasileira, lê-se: Honras na saída de bordo do féretro: III – a banda de música, se presente, toca acordes de marcha fúnebre, antes de cada descarga de fuzilaria.355
O costume de tocar uma marcha fúnebre nos enterros dos companheiros de farda é bastante recorrente. Tanto é que no Brasil seu toque foi normatizado por meio do Art. 132, que traz escrito:
A Guarda Fúnebre, quando tiver a sua direita alcançada pelo féretro dá três descargas, executando em seguida „Apresentar Arma‟; durante a continência, os corneteiros ou clarins e tambores tocam uma composição grave, ou se houver Banda de Música, esta executa uma marcha fúnebre.356
Acrescente-se o Regulamento de Continências, Honras, Sinais de Respeito e Cerimonial Militar das Forças Armadas,357 que prevê:
Durante a continência, se houver banda de música, deverá ser executada uma das seguintes marchas fúnebres: de CHOPIN, de GRIEG (da Suíte „Peer Gynt‟), de RICHARD WAGNER (da Suíte „O Crepúsculo dos Deuses‟) ou de O. P. CABRAL (da Suíte „O Mártir do Calvário‟); se houver banda de corneteiros ou de clarins, deverá ser tocada a marcha fúnebre prevista nos capítulos 5 e 6 do FA-M-13, respectivamente.358
355
Honras Fúnebres, Título IX, Artigo 9 – 1 – 9, da Marinha Brasileira. Verificar também em Coleção das Leis da República Federativa do Brasil, v. 3-4, Imprensa Nacional, 1958, p. 350. No Exército, diz-se, em vez de acordes, Exórdio de uma marcha ao grave, segundo o maestro Teófilo Rodrigues, ex-trompetista e maestro de banda no Exército Brasileiro.
356
Decreto nº 2.243, de 3 de junho de 1997 (republicação), que trata do Regulamento de Continências, Honras, Sinais de Respeito e cerimonial Militar das Forças Armadas que especifica: Fúnebre 1. Relativo à morte ou ao funeral. Honras fúnebres: exéquias; honras civis prestadas a um cadáver. Outro decreto vai mais além e acrescenta outras três marchas consideradas adequadas ao cerimonial. Cf. <http://www.sgex.eb.mil.br>. Acesso em: 20 julho 2009. Vade Mecum das Forças Armadas Brasileiras.
357
Decreto nº 2.243, de 3 de junho de 1997 (reedição), das Forças Armadas. 358
Para as bandas de música da Polícia Militar de Minas Gerais, segundo o Subtenente José Claudio Oliveira, da banda de música sediada na capital mineira, não há normas como existem nas Forças Armadas. Geralmente,
Apesar de o Decreto elencar as quatro marchas, não se tem notícia de que as de Wagner, Grieg e do brasileiro Cabral tenham sido tão utilizadas como a de Chopin. Escutar ou ter notícia dos seus acordes graves em funerais de ilustres personagens do Brasil e do exterior não é fato incomum. Vejamos alguns poucos exemplos.
A música de Chopin foi a escolhida para os funerais de D. Pedro II, que faleceu em Paris no dia 5 de dezembro de 1891. “Da Madeleine partiu imenso cortejo, composto de doze regimentos comandados por um general e formado por cerca de 200 mil pessoas. Ao som da marcha Fúnebre de Chopin, o corpo foi levado para a estação de Austerlitz, de onde seguiu de
trem para Portugal” para ser enterrado no Panteão dos Bragança no dia 12 de dezembro.359
Em 2004, ao morrer o líder palestino Yasser Arafat na França e seu corpo ser encaminhado para o Egito, não lhe faltaram homenagens dignas de chefe de Estado quando oito membros da Guarda Republicana Francesa carregaram o caixão diante de uma guarda de honra e do primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin. Naquele instante, “uma banda militar tocou os hinos da França, da Palestina e uma marcha fúnebre de Chopin”.360
Por fim, no último mês de junho, depois que rebeldes mataram quatro dirigentes da alta cúpula do governo sírio de Bashar al-Assad, um deles cunhado do então presidente, seus corpos foram enterrados em Damasco, capital da Síria, ao som da marcha chopiniana, tocada por banda de música militar daquele país.361 A presença da banda em enterro recente em um país do Oriente Médio envolvido em guerra civil atesta, de forma cabal, como essa marcha fúnebre de Chopin foi transformada em peça obrigatória em eventos fúnebres. Algo parecido com a Marcha Nupcial de Mendelsohn,362 cuja audição em qualquer parte do planeta a associa ao caráter festivo do casamento.
Afora a música de Chopin, referência para a marcha fúnebre de alcance internacional, pode-se notar essa omissão em anúncios veiculados pela imprensa escrita quando são noticiados a
chamam um corneteiro para tocar o “toque de silêncio” em suas cerimônias fúnebres. Cf. <http://www.sgex.eb.mil.br>. Acesso em: 20 julho 2009.
359
CARVALHO, José Murilo de; GASPARI, Elio; SCHWARCZ, Lilia Moritz. D. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 239. (Perfis brasileiros).
360
Jornal O Estado de São Paulo – Caderno Cidades, quinta-feira, 11/11/2004. 361
Cf. Reportagem exibida no programa Sem Fronteiras (22h30) da Globo News – Rede Globo de Televisão – de 29/7/2012. Disponível também em: <www.g1.globo.com/globo-news>. Acesso em: 30 julho 2012.
362
Jakob Ludwig Felix Mendelssohn-Barthooldy (1809-1847) concluiu a composição de Sonho de uma noite de verão, música incidental dividida em quatro movimentos, no ano de 1842, para o drama de Shakespeare que iniciara em 1826 aos 17 anos de idade. A marcha nupcial faz parte da obra.
participação de bandas de música em funerais e o repertório tocado pelas mesmas. Isso se verificará nos anúncios fúnebres de grandes figuras brasileiras, quando, por vezes, diz-se da presença da banda nos seus funerais sem menção aos títulos das músicas tocadas, muito menos seus autores, da forma como veremos a seguir. Mesmo que negligenciada a menção ao nome do autor, Chopin, como Beethoven e outros, apesar de terem falecidos na primeira metade do século XIX, mantêm-se vivos entre nós por meio da sua obra de valor.