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2. LĠTERATÜR ĠNCELEMESĠ

2.1. Sosyal Sistemin Bir Parçası Olarak Eğitim ve Aile Sistemi

2.1.4. Okul, Aile ve Öğrenci ĠliĢkisi

Durante aproximadamente dois séculos, o humor e o absurdo se mantiveram separados, cada qual do seu lado, até que por uma confusão, não se sabe muito bem de que tipo, deu-se a aproximação dos dois termos, e foi a partir dessa aproximação que Mayoux (1973) decidiu opô-los.

A palavra “humor” tem um percurso um tanto estranho na língua francesa porque, originalmente, tratava-se de um termo francês e não se sabe ao certo quais os motivos que levaram ao seu desaparecimento ou esquecimento. De qualquer modo, o fato é que os ingleses tomaram o termo emprestado, dando uma nova vida a ele, e foi através de Voltaire, mais precisamente de uma carta escrita ao abade Olivier, em 21 de abril de 1762, que os franceses o recuperaram.

Mas é dentro do espírito nacional, que começa a se desenvolver no início do século XVIII, que Byron, um dos nomes mais repre-

sentativos do romantismo inglês (que surge nos primeiros anos no século XIX), estabelece uma relação entre o humor e o nonsense, em suas digressões fantásticas, se mantendo na fronteira entre o bur- lesco e a melancolia. Mas esse humor, que é um dos aspectos de sua rica personalidade e uma etapa de sua vida intelectual e afetiva, foi escondido pela venda do byronismo, gerando um desencantamento (pós-romântico) na sociedade conformista da época. O inglês Car- lyle se inspirou nesse humor byroniano, mas utilizou a atitude e a visão do humorista, e escreveu como se sua loucura – se é que ela existia – fosse do coração, quando na verdade ela era da cabeça.

Essa ideia de loucura reaparece em Thackeray, o verdadeiro sucessor de Byron, em forma de fantasia descontrolada que nos conduz ao que M. Las Vergnas chama de loufoquerie – termo que pode ser traduzido ao mesmo tempo como loucura, absurdo e cô- mico – e que na verdade é a redução do mundo cômico ao ab- surdo (ing. nonsense). Esse absurdo acontece quando a loucura da cabeça toma o lugar da loucura do coração. Em 1846, é publicado, assim, o Book of nonsense, de Edward Lear, e logo, sob os cachos loiros de Alice, Lewis Carroll (1997) vai camuflar sua angústia ra- cional de matemático.

Aliás, Alice talvez seja o exemplo mais notório, um símbolo do questionamento da lógica pelo nonsense; ela representa, entre ou- tras coisas, uma combinação entre realidade e ficção, o jogo perma- nente entre significante e significado, a dualidade dos sentidos, o jogo de palavras e o que elas significam, por isso, vale a pena re- tomá-la:

– Como sabe que sou louca?

– Tem de ser, senão não estaria aqui.

Alice não achou que isso fosse uma prova. Em todo caso, con- tinuou:

– E como sabe que você próprio é louco?

– Eu explico – disse o Gato. – Você concorda que os cães não são loucos, não é?

– Pois bem, você sabe que um cão rosna quando está zangado e abana o rabo quando está contente. Ora, eu rosno quando estou contente e abano o rabo quando estou zangado. Portanto, sou louco. (Carroll, 1997, p.62)

À medida que o humor começa a entrar nessas regiões perigosas como o nonsense, por exemplo, fica difícil continuar a seguir sua pista. Na verdade, ele só voltará a aparecer fora da Inglaterra, onde o humor inquietante – que no fim do século retrasado anunciava na França os verdadeiros herdeiros do nonsense britânico, como Al- phonse Allais, Alfred Jarry, George Fourest – será reinventado.

O nonsense, para Cueto (1999), é a última fase na história do humorismo, definindo-o como “a loucura pela loucura” – assim como “a arte pela arte”. A loucura é para o nonsense a essência, a prática e o limite; o nonsense é loucura, visto que seu humor carece de objeto, de razão e de propósito. Isso indica o vazio ou o esvazia- mento do humorismo, o limite máximo além do qual o humorismo não pode ir. Nonsense significa insensatez.

A noção de absurdo nem sempre aparece diferenciada de modo claro da noção de humor e de riso (sorriso) – e de cômico. A fim de entender um pouco melhor essa questão, teceremos alguns comen- tários.

A “incompreensão” do nonsense pode ser entendida a partir de um desajuste no momento do reconhecimento ou da compreensão. A compreensão – fase seguinte do reconhecimento – consiste na apreensão da referência atual da frase, da intenção do emissor no momento de sua produção. Devido às diferenças de saberes lin- guísticos entre os interlocutores, pode ocorrer falta de “sintonia” entre a intenção subjacente da mensagem, a intenção do locutor e o que é captado pelo receptor, afetando a forma e/ou o conteúdo sig- nificativo da mensagem (Carvalho, 1969).

É desse desajuste, dessa grande diversidade da referência da forma linguística ao objeto que ela significa, que se origina o non-

sense. Diante dela, o interlocutor geralmente demonstra surpresa,

Do mesmo modo, se no momento da compreensão houver uma distorção, ocasionada por uma semelhança entre as formas externas das palavras, ocorrem os fenômenos de mudança de sentido das pa- lavras, que por sua vez está intimamente ligada ao contexto.

A fim de tentar encontrar uma possível explicação para essas produções, que às vezes parecem muito estranhas, Figueira (1995b, p.75) se apoia na ideia de Saussure e diz que essas produções, os cruzamentos inesperados, são possíveis, levando-se em conside- ração que existem “relações que se estabelecem entre o material, consciente ou inconscientemente alinhado, presente ou apenas evocado na cadeia dos enunciados”, relações estas que podem ser desencadeadas pelo aspecto fônico e/ou semântico.

O absurdo é uma resposta irônica e cruel do acontecimento que se aguarda, de que se tem esperança e que se busca (Mayoux, 1973). Quando empregado intencionalmente, ele é um recurso usado para expressar uma visão crítica diante do universo cultural por meio da manipulação lúdica de palavras, do jogo de equilíbrio entre di- versos significados. Ele exclui as relações afetivas e por isso pode assumir, como no caso de Alice, um efeito cômico. É algo que apa- rentemente não faz sentido, mas que na verdade é abundância de sentido.

Para Carroll (1980), o sentido não depende apenas das palavras; o nonsense, que esconde o sentido de efeito de desvio, é justamente a sua maior demonstração. “O sentido é vulnerável [...] perde-se como se cria [...] é muito frágil o laço que liga o significante e o sig- nificado” (Yaguello, 1981, p.109).

No jogo de adivinha, mais especificamente em seu desfecho, o

nonsense também pode ser identificado no rompimento com o espe-

rado, como bem observa Figueira (1997a), a partir da produção de uma criança, sujeito de sua pesquisa.3

3. J – O que é, o que é? Que quando o vestido põe, o vestido sai?/ M (a mãe se anima a responder) – A menina engordou. A menina emagreceu. A dona do vestido./ J (fica em silêncio, um tanto surpreendida, parecendo analisar a resposta, que é

É o que identificamos na fala de G, aos 4 anos, quando sua irmã,

C, contava aos pais as novas piadas que aprendera com os colegas

naquela tarde. G, então, também pede para contar uma piada: G – Agora eu... vou contar uma piadinha... o que é, o que é que o

pintinho vira galinha?

(silêncio dos interlocutores) G – Quando pega fogo. (ri)

Não parece existir em G uma preocupação em comunicar, em manter a lógica, mas antes em brincar com as palavras, com o pre- visível, que são justamente as características do nonsense presentes nesse discurso. E é esse rompimento com o previsível o responsável pelo riso de G e é justamente esse “descompromisso” com a “ló- gica”, com o esperado, com o previsível, que propõe a brincadeira da qual falaram Bruner, Winnicott e François (ver item 2.1).

Com relação ao nonsense, pode-se dizer que é um recurso usado para expressar uma visão crítica do universo cultural através da manipulação lúdica de palavras, do jogo de equilíbrio entre di- versos significados. Ele exclui as relações afetivas e por isso pode assumir um efeito cômico. É algo que aparentemente não faz sen- tido, mas que na verdade é abundância de sentido; “é uma violência contra a semântica, mas desde que é sistemático pode ser apreen- dido [...] (é) algo vivo, em processo, algo a ser descoberto” (Carroll, 1980, p.21).

Bergson (1900) trata da questão do nonsense como um tipo de encadeamento discursivo que – como veremos nos dados desta pesquisa – pode desencadear o cômico nos enunciados. Alice (Car- roll, 1997) se vê em vários momentos diante desses encadeamentos: tem-se uma ilustração desse nonsense no diálogo entre Alice e a Tartaruga Falsa, na qual esta última dizia chamar sua professora – uma velha tartaruga – de Tortoruga, porque estudar com ela era satisfatória) – Tá certo./ M – Mas o que você tinha pensado?/ J – O vestido tá

uma verdadeira tortura. “Tortoruga” seria assim a soma do sentido de “tortura” ao de “tartaruga”.

Por fim, resta-nos fazer mais uma observação. Se compararmos esse processo ao utilizado pela incongruência (anomalia) – ver item 2.3 – poderíamos ser levados a confundi-los. Contudo, trata-se de noções distintas: no nonsense, há ausência de lógica (no conteúdo ou na forma) e falta de “sintonia” entre a intenção subjacente da men- sagem – do locutor – e o que é captado pelo receptor, afetando a forma e/ou o conteúdo significativo da mensagem. Na incon- gruência, o problema está na falta de “normalidade” do fato em si, embora ele seja relatado de maneira clara (não absurda).

A esse respeito, Benayoun (1977) afirma que a incongruência é o aspecto formal e abstrato do humor. O humor implica a desco- berta de um sentido e de valores ligados a ele e é nesse sentido que ele se distingue do absurdo (nonsense); o nonsense, gênero humorís- tico, não tem nada a ver com defeito de significação.

Benzer Belgeler