II. BÖLÜM
4.6. Verilerin Analizleri ve Bulgular
4.6.4. Çoklu Doğrusal Regresyon Analizi İle İlgili Bulgular
Do corpus total do estudo, 19,1% ou 70 notícias pertencem, dentro de bloco temático, à subcategoria Outras Mídias, a qual é composta por matérias informativas e críticas sobre livros, filmes, peças de teatro e novelas que mencionam em seus enredos a temática dos transtornos mentais e de comportamento e seus personagens.
Essas notícias são veiculadas em sete editorias ou seções da Folha de S.Paulo. Ilustrada aloca 51 textos (72,9%), em Acontece há 7 notícias (10%), em Mais 5 (7,1%), em Folhateen 4 (5,7%) e Ribeirão, Ciência e Equilíbrio – as duas últimas consideradas editorias de divulgação científica – divulgam 1 matéria cada (1,4%).
Dos 16 transtornos ou termos gerais utilizados na composição do corpus de pesquisa, 11 estão presentes nessa subcategoria, com exceção de transtorno de ansiedade, estresse pós- traumático, tratamento (distúrbio) psiquiátrico e síndrome do pânico. Nove notícias apresentam dois ou mais distúrbios ou termos utilizados.
Em relação à quantidade de notícias que os abordam, eles são dispostos na seguinte ordem: Neurose com 20 textos (24,1%), psicopatia com 17 (20,1%), loucura com 10 (12%),
esquizofrenia com 9 (10,8%), depressão, fobia e transtorno maníaco-depressivo com 6 matérias cada (7,2%), psicose com 4 (4,8%), autismo com 3 (3,6%) e transtorno (doença, doente, distúrbio) mental e TOC com 1 cada (1,2%).
Dos 70 textos analisados, 64 (91,4%) apenas citam o transtorno enquanto seis (8,6%) falam sobre eles. Quanto à conotação dos distúrbios utilizados, 20 (28,6%) exploram o sentido de ciência, 36 (51,4%) de senso comum e dois (2,9%) de metáfora. Outras 10 (14,3%) matérias trabalham na intersecção ciência/senso comum e duas (2,9%) entre metáfora/senso comum. Em apenas 13 notícias (18,6%) há presença de personagens e somente em 22 (31,4%) ouve-se fontes.
7.2.1 Dos transtornos às imagens: a análise das mensagens sobre Outras Mídias
As notícias classificadas em Outras Mídias destacam livros, filmes, documentários, novelas ou peças de teatro que, na maioria dos casos, caracterizam-se por serem obras exclusivamente de ficção. De modo que essas mídias supervalorizam as imagens e versões populares sobre os transtornos mentais e de comportamento, deixando de lado possíveis preocupações em fornecer enunciados científicos para os distúrbios ou explorá-los em seus enredos com ênfase no rigor científico.
Nota-se, portanto, que as notícias sobre essas obras baseiam-se no estereótipo e na tentativa de explorar personagens caricatos, capazes de provocar no público o terror, a reflexão ou até mesmo o humor. Com isso, além do viés não científico, predomina o senso comum e o imaginário popular que enfatizam as construções negativas, estereotipadas e estigmatizadas dos distúrbios mentais e seus personagens, que são descritos a partir das seguintes relações:
- o psicótico e o “esquizofrênico” como condições permanentes do portador, que materializa a figura do louco total, o estúpido, doido, maluco e completamente irracional;
- o psicopata como a melhor definição para o vilão, o assassino frio e cruel, que só não é o personagem mais perverso, porque esse posto hoje é ocupado pela figura do maníaco, a nova adjetivação do serial killer;
- a neurose como termo que resume todos os males e comportamentais considerados “anormais” gerados pela sociedade atual, os quais se apresentam por meio da paranoia, dos medos, das fobias, da sensação de insegurança, etc.
Por outro lado, é importante destacar o papel desempenhado pela novela global
os transtornos, deu ênfase nas versões populares e estereotipadas e teve o mérito pautar a mídia e incluir a questão da loucura, a esquizofrenia e a psicopatia na agenda pública.
- O caso “Caminho das Índias” e as imagens da loucura, esquizofrenia e psicopatia provenientes de obras de ficção
Oito notícias classificadas em Outras Mídias têm como foco a novela global
“Caminho das Índias”. Obra que, como explicado anteriormente, enfatizou em seu enredo a
questão dos transtornos mentais e de comportamento, que é abordada pela presença de personagens portadores de esquizofrenia e psicopatia e por um núcleo construído a partir de um Centro de Saúde Mental, no qual o psiquiatra Dr. Castanho explicava para um estagiário as características de cada distúrbio, suas ações e as crises psicóticas vividas por Tarso.
A notícia “Português é o novo idioma da Índia!!” (MATTOS, 2009) fala sobre a estreia da novela e nela, a autora Glória Perez enfatiza a questão social incluída na trama, a campanha pelos usuários de saúde mental e o destaque dado à esquizofrenia e a psicopatia. Segundo ela, Yvone, personagem de Letícia Sabatella, a grande vilã da trama, era diferente de Flora, antagonista da novela anterior. “Ela não vai assassinar ninguém. A ideia é mostrar como funciona a mente de um psicopata” (MATTOS, 2009). Em nota da coluna Outro Canal, de 22 de fevereiro, a autora volta a definir Yvone, um “tipo ‘de psicopata que convive com você, está do seu lado e você nem percebe’. (...) ‘Ela não vai matar ninguém porque não será necessário. Mas o faria sem nenhum remorso” (CASTRO, 2009a).
Na notícia de estreia da novela, a autora falou de Tarso, “personagem esquizofrênico vivido por Bruno Gagliasso” (MATTOS, 2009) e fez questão de distinguir os dois transtornos de comportamento abordados:
Toda vez que um psicopata comete uma atrocidade, é posto no mesmo rol que os loucos. Isso alimenta o preconceito. Loucura e psicopatia são condições inversas. Loucura é doença tratável. Psicopatia é estrutura de personalidade e não tem tratamento, ao menos, por enquanto. A loucura implica um excesso de sentimento, já a psicopatia é a ausência deles. O psicopata é pura razão. (MATTOS, 2009, grifo nosso)
O foco de Glória Perez era debater a existência de hospitais psiquiátricos e a inserção do portador de transtornos mentais no mercado de trabalho. Iniciativas positivas e importantes na tentativa de alterar a imagem da esquizofrenia na sociedade brasileira, visto a grande audiência obtida pela novela global. Porém, o discurso da autora foi pautado por representações sociais que relacionam o transtorno à loucura, de modo, que todo o tempo ela
diferiu o psicopata do louco e, mesmo afirmando ser a loucura uma doença tratável – ainda que Tarso seja definido como esquizofrênico, portanto condição permanente -, insinua ser ela ocasionada por excesso de sentimento e ausência de razão.
Já na fase final da trama, Bia Abramo discorreu em sua coluna “Pitadas de sabedoria do domingo” (ABRAMO, 2009b) a respeito da novela e da discussão realizada por atores, diretor e autora sobre a diferença entre psicopatia e psicose, ainda definida por loucura, no programa do “Faustão”. A crítica baseia-se em uma afirmação realizada por Marcos Shechtman, diretor geral da trama: “O importante é a Glória (Perez) ter pintado esse quadro da psicopatia, diferenciando a psicopatia da loucura” (ABRAMO, 2009b). Segundo a colunista há duas possíveis interpretações para essa frase.
Na primeira, a frase contém sua própria negação. Pois se a intenção da autora era “esclarecer determinadas concepções do senso comum sobre as doenças mentais, como, por exemplo, a diferença entre as psicoses, podemos ver aí na frase o fracasso da empreitada. Pelo jeito, nem sequer o próprio diretor na novela entendeu” (ABRAMO, 2009b). Uma vez que, nada é mais senso comum e releva maior preconceito sobre as psicoses do que defini-la apenas como loucura e usar esse conceito para diferenciá-la da psicopatia.
Na segunda possibilidade, a frase é criticada por opor a existência de uma loucura genérica - como a de Tarso, um personagem de olhos azuis, que merece tratamento e uma noiva doce – e a psicopatia – “matriz de todos os vilões e vilãs”. De modo que elas sejam retratadas a partir de uma fórmula moral. “essa loucura genérica é do bem, a psicopatia é do mal” (ABRAMO, 2009b). Segundo ela, separar psicopatia e psicose por meio da relação bem e mal é um desaforo com o público, que recebe informações errôneas – e ainda baseadas em uma imagem clássica da loucura, que, como retratado por Foucault (1978), desde a Idade Moderna separa os loucos entre o bom e o mau, o amoral e o imoral, o doente e o mau caráter - e desrespeitosas, uma vez que a novela prometia discutir a temática e informar o telespectador a seu respeito.
E foi exatamente essa concepção, de psicopata como o vilão mau caráter e o psicótico – incluído o portador de esquizofrenia, que é retratado em notícias sobre outras obras como o esquizofrênico e causador de traumas e sofrimentos – como o louco ou doente, que foi observada em outros textos.
Em “Rodapé Literário: O círculo do escritor” (PINHO, 2009), uma criança, personagem do livro relatado na crítica, é prontamente diagnosticada após imitar a dança do caranguejo na praia: “Esse menino vai ser doido, ele é meio psicótico.” Em “Médico e louco” (LAGE, 2009a), Dr. House, personagem principal da série norte-americana, terá de recuperar