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2.2. ÇOK YÖNLÜ KARİYER 56

2.2.2. Çok Yönlü Kariyerin Özellikleri ve Boyutları 60

Um a colocação dent ro do que está sendo discut ido sobre essa relação entre Direit o e Econom ia. Parece que nas duas m esas, tant o na parte da m anhã quanto agora à t arde, foi sugerida a visão de um a t ensão const ant e ent re um a análise form al do processo, um a análise form al das estruturas das nossas inst it uições, de um lado, e de out ro lado todos apontando para a necessidade de, sem pre que pensarm os na reform a do Judiciário, pensarm os em seus efeit os. Em cert a m edida, um a análise form al do processo e das inst it uições tem conduzido à perpet uação de estrut uras de poder e não a um a com preensão de com o efetivam ent e pode- se garantir o acesso das pessoas à Justiça ou um a redução dos custos.

Do pont o de vista da análise econôm ica e com base na apresentação do professor Castelar, lem bro de declarações do professor Pérsio Arida na sem ana passada. Arida esteve em São Paulo participando de um a discussão sobre pesquisa em Direit o. Quest ionado, ele disse: “ de fat o a análise econôm ica, principalm ent e a análise de cust o de transação, um a tradição neoclássica, leva m uit os que não são econom istas que o Direit o no lim it e at rapalha. Ou a dem ocracia no lim it e at rapalha” .

Por out ro lado, e disso deriva a im port ância da contribuição do professor Arida, esse tipo de análise é incorporado à análise do Direit o. Em cert a m edida, isso produziu um a revolução no ensino do Direit o nos Estados Unidos, quando se incorporou a preocupação com os efeit os. Um a preocupação que, diga- se, não se distancia de quest ões com o j ust iça e dem ocracia. Em cert a m edida, um a redução de cust os não beneficia apenas a eficiência da econom ia, tom ada enquanto um sistem a isolado, m as, sim , um a m elhora nas condições e no bem - est ar econôm ico da sociedade com o um todo. Há tam bém um aum ento da j ustiça social, na m edida em que se passa a ter m aior acesso ao crédit o e às instit uições.

Essa tensão entre a análise form al do processo e da est rut ura, de um lado, e a preocupação com os efeitos, de out ro lado, parece ser a diferença cent ral ent re o t ipo de form ação que um econom ista recebe no Brasil e o tipo de form ação que os nossos j uristas t êm . Existe um a ênfase m uit o m aior em análise form al, no caso das faculdades de Direito, do que um a análise de conteúdo e de preocupação com os efeitos. Talvez a int erdisciplinariedade aí sej a essencial. Deixo, nesse pont o, m ais um passo para reflexão. Em sua fala, o professor Werneck colocou ênfase no fator cult ural. Teríam os um elem ent o cult ural que im pediria ou dificult aria essa com unicação ent re as realidades norte- am ericana e brasileira ( entre Direito e Econom ia) .

Transpondo isso para essa análise que est am os fazendo aqui, reflit am os em que m edida é um problem a cult ural ou em que m edida é possível sim se reform arm os a ót ica do ensino do Direit o. I st o é, se valorizarm os a preocupação com os efeit os, conseguirem os ter profissionais capazes de planej ar e adm inistrar m elhor as nossas inst it uições?

Gost aria de explorar um pouco o ponto que o professor Kazuo levantou acerca da previsibilidade. E o que se espera do Judiciário. E pegando um estudo sobre a econom ia inform al, em que reside a m aior am eaça ao direit o de propriedade no Brasil. O m ercado inform al t raz um a enorm e am eaça nas áreas de soft wares e de indústrias de alta tecnologia em geral. Quando se faz um a análise contratual, chega- se a algo que é m ais fácil de pensar do que quando o j uiz t em que dar um a respost a sobre o que o cont rat o diz. Porque ali é um conflit o bipolar, est á escrit o no cont rat o que as part es pactuaram de antem ão e o j uiz acaba extrapolando algum a coisa que está m uit o concret a. Quando esse t ipo de conflit o, que é m uit o m ais am plo, e que no caso específico não se vai resolver o problem a m ais geral, o Judiciário tam bém é cobrado para dar um a resposta, com o ficaria isso dentro dessa análise de que o Judiciário t am bém é um problem a? Tem - se assim um problem a m ais sério t alvez, que seria um a quest ão m acrossocial, que é essa quest ão da econom ia inform al e a regra j urídica prot egendo um a econom ia form al que m arginaliza a econom ia inform al. I sso é um pont o de conflit o para o Judiciário, entre esses dois m undos da sociedade brasileira. Gost aria de saber a sua opinião sobre esse pont o específico.

N ã o ide n t ifica do

Não acho que exist a um conflit o ent re celeridade e previsibilidade. Os problem as da falt a de celeridade não são causados por um esforço de previsibilidade. Já a quest ão da educação no m eu m odo de ent ender é central e deve influenciar o debate social, a form ação de idéias. E passa m uit o por um a reflexão. Acho que existem problem as polít icos ( de quem é o papel de fazer j ust iça social?) , e, se fôssem os um país m ais igualit ário, essas quest ões nem seriam colocadas. Com o eu disse, é um problem a de inst rum ent o, e acho que discussão em torno de instrum ent os passa por educação em um sent ido m ais am plo, de form ação hum aníst ica. Para que o j uiz possa reflet ir sobre isso, e para que o Judiciário possa entender – o que ainda não fez – a sua im port ância para a econom ia e seu crescim ent o. De toda form a, esse é um debate que está am adurecendo e cuj a im port ância crescerá para a reform a do Judiciário.

Passo agora a palavra ao professor Angarita.

En ce r r a m e n t o