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1. GİRİŞ

1.1. Problem Durumu

1.1.4. Çok Boyutlu Madde Tepki Kuramı

O estudo particularizado do acompanhamento dos CRAS pela STDS, tomando-se como referência os conceitos de monitoramento e assessoramento embutidos na NOB-SUAS demonstrou que a gestão da assistência social, a nível estadual, apesar das contradições, vem fortalecendo a comunicação com os municípios no que se refere à condução dos serviços na assistência social, embora ainda haja alguns percalços a superar.

Conforme os objetivos da pesquisa – a) identificar os indicadores de monitoramento utilizados pela CPSB e SAN DA STDS no acompanhamento aos municípios cearenses e analisar sua relação com os indicadores de monitoramento do Suas pactuados nacionalmente; b) discutir de que maneira os indicadores de monitoramento disponíveis para análise e acompanhamento dos CRAS contribuem para o assessoramento técnico às Secretarias de Assistência Social nos municípios estudados pela STDS; c) identificar os demais instrumentos de acompanhamento e monitoramento da dos CRAS pela STDS – vimos que: referente aos indicadores de monitoramento, visualizamos que os quatro principais são: estrutura física dos CRAS, recursos humanos, atividade realizadas e horário de funcionamento. Analisados esses indicadores para a consecução do IDCRAS, são traçados pela STDS, através dos Planos de Providência, os principais pontos de dificuldade que devem ser superados nos serviços, o que contribui para orientar o assessoramento técnico às Secretarias de Assistência Social e CRAS pela STDS. Sobre a identificação dos demais instrumentos de acompanhamento e monitoramento do CRAS, vimos que os principais aqui são a metodologia de trabalho com as famílias através do PAIF, e orientações sobre os Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.

Os indicadores utilizados pela STDS no monitoramento dos CRAS recursos humanos, atividades realizadas, horário de funcionamento e estrutura física – podem ser definidos como indicadores de insumo, exceto as atividades realizadas no CRAS, que consideramos aqui como indicadores de processo, de acordo com a classificação de Vaitsman (2009) citada no capítulo anterior.

Entendemos que o monitoramento baseado essencialmente em indicadores de insumo não é suficiente para acompanhar a complexidade dos

serviços executados no CRAS. É preciso incorporar indicadores de processo que contemplem “o que”, o “como” e “para quem” está sendo executado o PAIF e os Serviços de Convivência pode colaborar para a definição de estratégias que contribuam com a ampliação do raio de ação e qualificar as atividades de monitoramento e assessoramento.

Na busca de fundamentos que respondessem às questões problematizadoras da pesquisa – em que medida as ações das STDS estão chegando aos municípios no que se refere ao monitoramento dos CRAS? As ações de monitoramento dos CRAS nos municípios pela STDS estão restritas à “verificação de informações”? O monitoramento é utilizado como ferramenta para qualificar o apoio/assessoramento aos municípios? Como os municípios avaliam os objetivos pretendidos pela STDS ao realizar as ações de monitoramento aos CRAS? –, visualizamos que o monitoramento está sim acontecendo, que existem indicadores orientados pelo MDS, mas que eles não contemplam a complexidade das ações e dos serviços dos CRAS.

Aspectos como acompanhamento familiar e resultados dos serviços de convivência, que são ações centrais no CRAS, não têm indicadores de monitoramento claramente definidos. Importante ressaltar que, embora os técnicos estaduais afirmem que existe um Plano de Monitoramento, ele – aparentemente, pois não foi apresentado pelos entrevistados, embora tenha sido solicitado, nem está disponível no sítio da STDS – norteia os procedimentos a serem adotados na visita, mas pouco diz sobre o processo de monitoramento em si. Pelo que foi dito nas entrevistas, faltam indicadores de processo claros, o que impede a análise e interpretação do acompanhamento dos serviços nos CRAS: ainda que o Serviço funcione todos os dias e tenha a equipe técnica exigida, a definição de indicadores de processo é fundamental para uma análise mais qualitativa de sua execução, o que deveria ser o principal foco de todo o processo de acompanhamento pela STDS

Vimos também que as ações de monitoramento do SUAS nos municípios pela STDS não estão restritas à “verificação de informações”, na medida em que além da coleta de informações para análise dos indicadores de acompanhamento, o monitoramento é utilizado como ferramenta para qualificar o apoio/assessoramento aos CRAS, ainda que haja a ressalva descrita no parágrafo anterior. Na avaliação dos municípios, entretanto, apesar da boa aceitação da presença do estado – não

entendendo as visitas de monitoramento como fiscalização, e sim como apoio – a falta de regularidade/periodicidade das visitas ou contato com os CRAS acarreta prejuízos na condução do monitoramento, na medida em que os indicadores não são acompanhados na periodicidade ou regularidade mínima para o desenvolvimento de um monitoramento. Não se pode desconsiderar que os grandes complicadores dessa fragilidade, na dimensão do monitoramento, devem-se em grande parte a questões administrativas, conforme apontados pelos técnicos da STDS: dificuldades nas condições de trabalho, baixos salários etc.

Na realidade da execução dos processos de acompanhamento do SUAS no estado do Ceará através da STDS, então, a dimensão mais forte apontada nesse trabalho foi o assessoramento, em comparação ao monitoramento. Mesmo entendendo que são duas dimensões complementares, as fragilidades no processo de monitoramento, diante da irregularidade das visitas e de dados insuficientes, incidem na tarefa de assessoramento. Esta, para apontar medidas corretivas necessárias aos serviços, supõe trabalho com base em evidências empíricas, baseadas em um conjunto de ações que incidam na maior efetividade das atividades dos CRAS – diretamente relacionadas, nesse sentido, com os resultados do monitoramento. O assessoramento do estado aos municípios, tendo como horizonte resultados a curto, médio e longo prazos, está intrinsecamente ligado, assim, aos avanços/fragilidades apontados no monitoramento dos CRAS: quanto mais efetivo e amplo for este processo, mais eficaz será aquele.

Consideramos que a STDS, na área da Proteção Social Básica, avançou bastante pelo fato de compor em suas ações as visitas aos municípios como instrumento principal de monitoramento e assessoramento, o que fortalece nos municípios pesquisados o sentimento de que o estado, como ente coordenador da Política de Assistência Social, está buscando cumprir esse papel. Entretanto, convém problematizar em que medida o estado, através da STDS, vem propiciando aos profissionais da equipe interdisciplinar dos CRAS subsídios teóricos e metodológicos capazes de instigar uma postura crítica que vise o protagonismo dos usuários, tendo em vista a conquista dos direitos dos cidadãos. É possível vislumbrar que o monitoramento e a assessoria aos CRAS tenham uma contribuição relevante no aprimoramento dos serviços desenvolvidos mediante ações articuladas, considerando os determinantes internos e externos à família, sem responsabilizá-la

pelos problemas e soluções, mas fazendo com que o poder público atenda em quantidade e qualidade as necessidades dos sujeitos de direito?

Ao finalizar o trabalho com estes questionamentos, reconhece-se que várias questões não suficientemente aprofundadas, mas instigarão a realização de futuros estudos abordados com mais tempo e maturidade intelectual.

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