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3. ÇOK ÖLÇÜTLÜ KARAR VERME ( ÇÖKV ) YÖNTEMLERİ

O conceito de imagem que apoia esta dissertação se funda nas hipóteses formuladas pelo neurocientista Antônio Damásio8 (2011) em seu livro E o Cérebro Criou o Homem, no qual discorre sobre a formação da consciência, do self e da mente. Em suas argumentações, define como imagens todas as formas de mapeamento criadas pelo cérebro daquilo que se encontra fora dele, no mundo ao seu redor. Imagens mapeiam as ações do cérebro com os objetos à sua volta. A habilidade de criar imagem feita pelo cérebro garante a gestão da vida porque registra imagens que são essenciais para a sua sobrevivência. Algumas destas imagens vêm acompanhadas de emoções e sentimentos gerados em nosso self, que se justapõem aos fluxos mentais e são chamados pelo autor de marcadores somáticos. Quando eles estão presentes, ocorre a formação da consciência.

A mente surge quando a atividade de pequenos circuitos organiza-se em grandes redes, de modo a compor padrões momentâneos. Os padrões representam objetos e fenômenos situados fora do cérebro, no corpo ou no mundo exterior, mas alguns padrões também representam o processamento cerebral de outros padrões. O termo ―mapa‖ aplica-se a todos esses padrões representativos, alguns dos quais são toscos enquanto outros são refinadíssimos, uns são concretos, outros, abstratos. Em suma, o cérebro mapeia o mundo ao redor e mapeia o seu próprio funcionamento. Esses mapas são vivenciados como imagens em nossa mente, e o termo ―imagem‖ refere- se não só as imagens do tipo visual, mas também às originadas de um dos nossos sentidos, por exemplos as auditivas, as viscerais, as táteis (DAMÁSIO, 2011, p.32). As imagens não ficam restritas a mapear os padrões de ações presentes, e envolvem a memória e, com ela, emoções e sentimentos. Registros ocorridos em ocasiões distintas são acionados de modo não linear. O mapeamento do cérebro não é uma cartografia estática, pois reflete o tempo todo as trocas de informações que ocorrem em nossos neurônios que, por sua vez, refletem as alterações ocorridas nos padrões do corpo, no ambiente ao redor e no fluxo entre ambos. Nem todas as imagens ocorridas em nosso cérebro apresentam-se de forma consciente, o que não significa que elas não interfiram em nossas atitudes.

8António Damásio ocupa a cadeira David Dornsife de neurocinência, psicologia e neurologia da Universidade do

Sul da Califórnia onde também dirige o Instituto do Cérebro e da Criatividade. Integra entre outros o Instituto de Medicina da Academia Americana de Artes e Ciências dos Estados Unidos.

Para Damásio (2011), responsável por embutir emoções e sentimentos nas imagens, o self não é uma coisa pronta e fixa, mas formado em etapas, construído em um processo dinâmico que envolve a relação com o objeto, o conhecimento deste objeto e, no caso do cérebro humano, a capacidade de se tornar autobiográfico; é nesta etapa do self que o ser humano é capaz de refletir sobre seus aspectos individuais, sociais e consegue agir criativamente na cultura. O importante para se destacar nesta proposição é que toda esta interação não ocorre de modo dualista entre corpo e mente, ela está diretamente ligada com o funcionamento do organismo e com as informações provenientes do próprio corpo. O autor propõe que o centro da consciência nos humanos não está apenas no córtex central, mas é originado no tronco cerebral, de onde se garantiria que as dinâmicas ocorridas do cérebro, que acontecem tanto na mente como no self, provêm das informações presentes em outras regiões do corpo.

O desenvolvimento da consciência é responsável pela regulação e gerenciamento da vida. Esta função ocorre em seres unicelulares de estruturas orgânicas muito simples através de um processo autônomo de equilíbrio conhecido como a homeostase. A homeostase é um processo inconsciente de regulação da vida, que atua sobre o valor biológico; como o próprio termo já enuncia, valor está diretamente ligado às necessidades básicas de sobrevivência, presente nas relações biológicas que vão desde moléculas e genes até organismos inteiros. O valor é, segundo Damásio (2011), o representante da eficiência fisiológica e migra também para as nossas relações socioculturais.

Nos seres humanos, a evolução da consciência dá origem ao self autobiográfico, capaz de monitorar o funcionamento de outras regiões do cérebro, aprimorando a capacidade de raciocínio e da elaboração de linguagem. A homeostase básica progride para a homeostase cultural, ambas com a função de manter a regulação da vida através do princípio do valor biológico, cada qual em seu nicho.

Tanto a homeostase básica, que é guiada de modo não consciente, como a homeostase sociocultural, criada e guiada por mentes conscientes reflexivas, atuam como zeladoras do valor biológico. A variedade básica e a sociocultural da homeostase estão separadas por bilhões de anos de evolução e, no entanto promovem o mesmo objetivo, a sobrevivência de organismos vivos, embora em diferentes nichos ecológicos. Esse objetivo é ampliado, no caso da homeostase sociocultural, e passa a abranger a busca deliberada do bem estar. Nem é preciso dizer que o modo como o cérebro humano administra a vida requer as duas variedades de homeostase em contínua interação. Mas enquanto a variedade básica de homeostase é uma herança estabelecida, fornecida pelo genoma de cada um, a variedade sociocultural é um processo em desenvolvimento um tanto frágil, responsável por grande parte dos dramas, das loucuras e esperanças humanas. A interação desses dois tipos de homeostase não se dá apenas em cada indivíduo. Há

evidências crescentes de que, ao longo de muitas gerações, transformações culturais levam a mudanças no genoma. (Ibid, 2011, p. 43)

A compreensão da homeostase poderá ser mais uma ferramenta para nos auxiliar a pensar a mudança na imagem do corpo cristão protestante nas igrejas e na mídia. Ela tem gerado outros padrões de experiências que, no momento social e político em que nos encontramos, se mostram fundamentais para manter a sobrevivência das igrejas. Numa cultura de valorização do corpo, a ação de associar a imagem do corpo protestante à dança representa uma estratégia de sobrevivência, que se mostra não só necessária, mas eficiente.

Podemos retomar agora a discussão da imagem de corpo protestante atentando-nos para o fato de que os padrões de mapeamentos estabelecem-se em acordo com o contexto sociocultural.

Benzer Belgeler