Eğitimi ve Danışmanlığı
II. Çocukların Kişisel Kariyer Gelişim Süreci İlişkis
3.5.1 A Crítica de McGregor e Swales
McGregor e Swales dedicaram três trabalhos (1985, 1986, 1991) à crítica ao modelo desenvolvido por Thirlwall. A primeira crítica refere-se às implicações de se assumir “Lei do Preço Único”, ou Paridade do Poder de Compra na modelagem da Lei de Thirlwall. A segunda crítica envolve o método de teste empírico da Lei de Thirlwall, e será discutida no próximo capítulo, quando será estudada a metodologia e os resultados dos testes empíricos dessa modelagem. A terceira crítica é que as elasticidades renda não captam os efeitos da “competição não-de-preço”. Nesse capítulo, serão discutidas as primeiras e a terceira crítica, enquanto a segunda será discutida no próximo capítulo.
A primeira crítica refere-se à incompatibilidade entre a Lei do Preço Único, tal como colocada na literatura neoclássica e o arcabouço keynesiano da Lei de Thirlwall. Segundo Krugman (1989), a Lei do Preço Único decorre de um modelo de competição perfeita no Longo Prazo, ou seja, como os países podem produzir os mesmos bens, fortes oscilações nos preços relativos, fariam a produção mudar de país, de modo que, no longo prazo, os preços se equalizam.
Claramente, esses não são os fundamentos teóricos subjacentes à Lei de Thirlwall, como se enfatiza diversas vezes no capítulo anterior. Assim, McGregor e Swales exploram essa incompatibilidade entre assumir a Lei do Preço Único em um modelo keynesiano. Além disso, decorre da aceitação da Lei do Preço Único, da estrutura competitiva do mercado entre países, e de cada país ser pequeno em relação ao resto do mundo, que cada país se depara com uma demanda infinitamente preço-elástica, e que, portanto, o único fator que impossibilita os países de exportarem mais são restrições de oferta, exatamente como nos modelos neoclássicos de uma pequena economia aberta.
A resposta de McCombie e Thirlwall é que em um mercado de competição imperfeita, cada produtor individual se depara com uma demanda limitada pelo seu produto, justificando a restrição de demanda. No entanto, segundo eles “não é irrealista postular que para muitos bens, reduções de preços por alguns países serão aproveitados por competidores externos, enquanto para outros bens rigidez fruto de oligopólio prevalece” (MCCOMBIE; THIRLWALL, 1994, p. 321). Eles concordam com McGregor e Swales que existe uma forte
rivalidade entre países tanto nos preços como na “competição não-de-preço”, sendo que este último fator estaria embutido na elasticidade renda da demanda.
Assim, introduz-se a terceira crítica. Segundo McGregor e Swales, ainda que não houvesse a primeira e a segunda crítica, a Lei de Thirlwall não explicaria a “competição não-de-preço” ou equivalentemente, não explicaria a dinâmica da restrição externa.
Nesse caso, a resposta de Thirlwall é direta:
(..) é verdade que no modelo original não existe um modelo formal de “competição não-de-preço”, ou a inclusão dela como elemento separado na função exportação, mas o que as diferenças entre as elasticidades renda das exportações captam se não as diferenças entre a natureza e a qualidade dos produtos exportados por países diferentes? (p. 321).
Em outras palavras, a “competição não-de-preço” está embutida na elasticidade renda.
McGregor e Swales argumentam que a elasticidade renda só capturaria modificações na composição da pauta. Já McCombie contra argumenta que essa conclusão foi baseada nas “elasticidades aparentes”, ou seja, é verdade que diferenças no crescimento das exportações entre países baseados nas elasticidades aparentes (elasticidades mantido o market share do país), refletiriam apenas mudanças na pauta de exportação, como concluem McGregor e Swales. No entanto, as elasticidades aparentes não têm alta correlação com as elasticidades reais, utilizadas nos modelos de Thirlwall. Logo, essas elasticidades reais refletiriam não apenas mudanças de pauta, mas também a “competição não-de-preço”.
O aprofundamento desse debate é extremamente interessante, mas não é o ponto central deste trabalho. Para este estudo vale enfatizar que, segundo Thirlwall (1994), a elasticidade renda refletiria tanto a “competição não-de-preço” quanto a mudança de pauta, que parece ser um importante fator no caso brasileiro, como se viu nos dois capítulos anteriores. Ainda sem querer nos aprofundar demasiadamente nesse debate, parece razoável assumir que as elasticidades renda englobem a “competição não-de-preço”, pois se um aumento da competitividade não significar nem queda de preços, nem aumento da quantidade exportada para uma mesma renda externa, ela pouco importa do ponto de vista de alívio da restrição externa, e, portanto, toda competitividade que não se traduz em variação de preços deve realmente, estar incorporada na elasticidade renda.
3.5.2 A Crítica de Krugman
Segundo Krugman, economistas sofrem uma certa esquizofrenia ao analisar o equilíbrio da taxa de câmbio. Enquanto no curto e médio prazo usam o instrumental de elasticidade preço e renda, o que implica que os bens produzidos por países diferentes não são substitutos perfeitos, no longo prazo, assume-se a Lei do Preço Único.
Assumindo-se as mesmas equações de demanda por importação, exportação e equilíbrio do Balanço de Pagamentos da Lei de Thirlwall original (equações 30, 31 e 26), chega-se à equação (32) de renda compatível com o equilíbrio externo. Assim, por essa equação, deveriam ocorrer variações na taxa de câmbio real sempre que a renda diferisse da razão de elasticidades. Na Lei de Thirlwall, assume-se que não há variação do câmbio real no longo prazo e, portanto, a razão de elasticidades determina a renda. No entanto, para a teoria neoclássica, a renda é determinada pelos fatores de produção e suas produtividades, enquanto as elasticidades são parâmetros. Dessa forma, como o crescimento da renda e razão de elasticidades raramente deveriam coincidir, sendo ambas exógenas, o ajuste seria obrigatoriamente via variação de preços relativos.
Entretanto, Krugman observa que apesar dessa implicação da teoria neoclássica de ajuste via câmbio real, existe empiricamente uma correlação entre o crescimento da renda e a razão de elasticidades, tal como na equação da Lei de Thirlwall (equação 33), ainda que não cite o trabalho desse último, chamando essa igualdade de Regra de 45o. Logo, constatou que no longo prazo, valem a Lei do Preço Único e a Regra de 45o.
Assim, Krugman passou a analisar como entender esse resultado dentro do arcabouço neoclássico. Segundo ele, a hipótese, assumida por diversos economistas, de Lei do Preço Único no longo prazo decorre de um modelo de competição perfeita, ou seja, como os países podem produzir os mesmos bens, fortes oscilações nos preços relativos, fariam a produção mudar de país, de modo que, no longo prazo, os preços se equalizam. Baseado nessa constatação, ele infere que, dado que os preços não se ajustam porque a produção migra em resposta a variações no câmbio real e, assumindo que, as diferenças de renda são diferenças na dotação e produtividade dos fatores, então, são as elasticidades que devem se ajustar a variações de renda para manter a regra de 45o. Segundo ele “a outra explicação é que taxas diferentes de crescimento afetam fluxo de comercio de maneira a criar diferenças na
elasticidade aparente” (KRUGMAN, 1989, p.1037). A elasticidade é aparente porque não é a curva de demanda com que os países efetivamente se deparam e sim a curva de demanda deflagrada por variações na oferta.
Dessa maneira, a lógica do modelo é que países que crescem mais rápido expandem sua participação no mercado mundial, não reduzindo os seus preços relativos, mas aumentando o escopo de bens que produzem. Como as elasticidades aparentes são calculadas no agregado, uma economia em crescimento terá uma razão de elasticidades aparentes mais favorável, pois está constantemente deslocando a oferta. Ou seja, Krugman inverte a relação de causalidade da Lei de Thirlwall, fazendo com que a taxa de crescimento de um país determine sua razão de elasticidades, em outras palavras, Krugman endogeiniza as elasticidades.
Para demonstrar isso formalmente, ele recorre a um modelo neoclássico que tem como pressuposto básico que todos os países podem produzir os mesmos bens e que a especialização ocorre, não devido a vantagens comparativas, mas devido aos ganhos da especialização em si, ou seja, retornos crescentes. Desse modelo, decorre que as diferenças nas elasticidades aparentes entre países são fruto das diferenças na oferta do trabalho efetivo desses países, como nos modelos neoclássicos de crescimento.
Portanto, a conclusão de Krugman decorre exatamente da hipótese que o instrumental de Thirlwall rejeita, ou seja, de que os países são similares na capacidade de produzir bens. Assim, toda a inversão da casualidade feita por Krugman não decorre da sua formalização e sim dessa hipótese, cuja rejeição também é a base do modelo de Thirlwall. Essa foi uma das razões de termos dedicado todo o segundo capítulo a analisar a literatura teórica sobre as relações entre estrutura produtiva e crescimento, que embasam a rejeição dessa hipótese, tal como foi feito por Thirlwall.
Segundo Krugman “todos sabemos que diferenças na taxa de crescimento entre países são determinadas por diferenças na taxa de crescimento da produtividade total de fatores” e complementa “é difícil perceber o canal de transmissão entre equilíbrio perverso do balanço de pagamentos e produtividade total dos fatores”.
Na resposta de Thirlwall (1991) a Krugman, o autor coloca que existe uma vasta literatura relacionado maior taxa de crescimento da produtividade total de fatores a maior crescimento do produto e das exportações, como, por exemplo, os modelos de Crescimento Liderado pelas Exportações (MYRDAL, 1957) e os testes empíricos da Lei de Verdoorn`s que mostram um forte feedback do crescimento do produto ao crescimento da produtividade (BAIRAM, 1987).
3.6 Conclusão
Neste capítulo, percorreram-se diversas modelagens de crescimento sob restrição de divisas, assim como explorou-se a contraposição desses modelos com a teoria neoclássica de crescimento econômico.
Como se ressaltou anteriormente, o resgate desses modelos não tem como objetivo explorar as especificidades de cada autor, ou as contraposições internas dessa literatura. O objetivo central deste capítulo é, portanto, entender os aspectos que as diferentes formalizações consideram e as hipóteses subjacentes aos modelos. Assim, poderão ser utilizados os aspectos, hipóteses e sugestões de modelagem que parecerem apropriados para descrever a economia brasileira.
Logo, pode-se questionar se, por exemplo, a hipótese de uma relação estável de Conta Corrente/PIB, tal como se discutiu na especificação Moreno-Brid (1998/2003) é realista ou não para o caso brasileiro. Pode-se tentar discutir o papel da alteração na pauta de exportações e importações no cálculo da elasticidade renda no caso do Brasil, tal qual a discussão traçada entre McCombie e Thirlwall e McGregor e Swales. Pode-se discutir, também, o papel das variações dos termos de troca no Brasil, como feito por Barbosa-Filho (2001). Enfim, o objetivo central é usar todo o instrumental que esses autores forneceram para analisar a melhor especificação da restrição externa para o Brasil.
Como o objetivo final é testar essas especificações empiricamente para economia brasileira, torna-se importante discutir a metodologia dos testes empíricos desses modelos, assim como descrever alguns resultados interessantes desses testes empíricos. Portanto, será feito esse estudo dos testes empíricos e seus resultados no próximo capítulo.
4 TESTES EMPÍRICOS DOS MODELOS DE RESTRIÇÃO EXTERNA – METODOLOGIA E EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS
4.1 Introdução
Este capítulo tem como objetivo fazer uma resenha da literatura empírica sobre a “Restrição Externa à Thirlwall”. Esse relato é fundamental uma vez que está repleto de técnicas que foram utilizadas em vários países, para captar diversas peculiaridades, muitas delas que nos interessa considerar para a economia brasileira. Dessa forma, diversas dessas técnicas, ainda que modificadas, podem ajudar a captar os aspectos relevantes da manifestação da Lei de Thirlwall para o Brasil e, assim, ajudar a responder à questão central deste trabalho.
Para cumprir esse objetivo, uma primeira parte trata da metodologia geral do teste empírico, de algumas técnicas especificas para captar diferentes aspectos do setor externo, e da natureza das séries estatísticas envolvidas.
A segunda parte do capítulo relata alguns estudos empíricos que foram feitos para os países desenvolvidos e em desenvolvimento, mais especificamente para América Latina e Brasil.