1.3. HZ PEYGAMBER’İN DEDESİ ve EBEVEYNİ
2.1.1. Çocukları
Na década de 1920, a idéia de resgatar a figura de José de Anchieta como um dos ícones fundantes da vida paulista pode ser atribuída à campanha levada a cabo pelo grupo da revista Terra Roxa e Outras Terras em prol da compra de uma carta do jesuíta localizada em Londres e escrita por ele em 1579.145 Ao discurso de Paulo Prado no momento da recepção da
missiva no Brasil, adquirida pelo montante de “30 sacas de café”, responde e agradece o diretor do Museu Paulista, instituição para a qual foi doado o documento, Affonso Taunay.146
145 Terra Roxa... e outras terras foi lançada em janeiro de 1926. Teve sete números publicados, que expressaram
o anseio de voltar-se para o interior do Brasil, para a pesquisa sobre a nacionalidade. Sob a direção de Couto de Barros e António de Alcântara Machado e tendo como secretário e administrador Sergio Milliet, a revista abrigaria artigos, propaganda e, principalmente, críticas sobre a produção da vertente verde-amarela, com destaque para as obras de Menotti e Cassiano. A campanha a favor da compra da carta começa no primeiro número. Os discursos acima serão publicados no número de 27 de abril de 1926, quando a carta chega ao país.
146 Afonso d’Escragnolle Taunay (1876-1958) nasceu em Florianópolis, mas formou-se em engenharia no Rio de
Janeiro em 1900. A partir de 1917, foi diretor do Museu Paulista e, a partir de 1923, tornou-se diretor dos Museus do Estado de São Paulo. Foi membro da IHGB, da IHSP, da APL e da ABL (1929), dentre outras instituições culturais. Dedicou-se aos estudos historiográficos e adquiriu vasta cultura, tornando-se também lexicógrafo. De 1934 a 1937, foi professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP.
Taunay se refere a Anchieta como o “taumaturgo do Brasil” e associa o apreço pelos primitivos, tão caro aos ideais modernistas e nacionalistas em voga, à atitude cristã de Anchieta.147
À cidade anchietana ofertais uma relíquia rara e preciosa de seu fundador, relíquia da mais subida valia. Não um objeto que recorde a vida material de Joseph de Anchieta e sim a exteriorização dum pouco de sua mentalidade profunda e de sua alma imortal; demonstração daquela inteligência poderosa e invulgarmente culta que poetava em latim e musicava em tupi, encarava, com enorme descortino, as condições do desenvolvimento do Brasil, e tinha a curiosidade imensa das cousas da natureza. E sobretudo a ânsia pela apreensão dos recessos das faculdades primitivas daqueles irmãos brutos, de pele vermelha, a quem imenso se afeiçoara por amor a Cristo (n.5, p.1, 27 de abril de 1926).
Como é sabido, simultaneamente à discussão da questão da brasilidade, crucial para os modernistas a partir de 1924, ocorreria a ruptura no interior do movimento, com a polarização entre o grupo que assumiria a frente da revista Terra Roxa e Outras Terras, do qual participavam Mário de Andrade e Oswald de Andrade, além de contar com o patrocínio de Paulo Prado, adversário do grupo Verde-amarelo, integrado por Cassiano Ricardo, Del Picchia, Plínio Salgado e Cândido Motta Filho. O diálogo das obras desses autores de grupos antagônicos, ao menos formalmente, como uma espécie de auto-imagem em negativo, é notória.148
Mário de Andrade romperia temporariamente sua amizade com Menotti Del Picchia em 1926, mesmo ano em que entrou para o Partido Democrático, que faria oposição aos perrepistas.149 Talvez fosse também dessa época a recordação de Cassiano Ricardo sobre
um momento de irritação de Mário de Andrade com o autor de Juca Mulato.150 “Só uma vez
Mário ficou brabo de verdade, mas sem o gênio festivo do Oswald; foi quando Menotti (não
147 Paulo Prado era sobrinho de Eduardo Prado.
148 Na revista Terra Roxa e Outras Terras há um viés crítico ao autoritarismo fascista na Itália, por exemplo. À
pergunta “Que penso do fascismo”, o entrevistado da revista, Blaise Cendras, responde: – “Não penso nunca nisso, porque Mussolini proibiu de pensar”. (n. 2, de 3.2.1926)
149 Segundo Daniel Barbosa de Andrade Faria, a ruptura se deu em virtude da crítica acerbada de Menotti contra
o terceiro livro de Mário, Losango Cáqui. (FARIA, 2004: 107)
150 Segundo Cassiano Ricardo, Mario de Andrade não gostava dele. “Sei que Mário não me apreciava e até
me lembro ao certo o motivo da desavença) o chamou de ‘macacão mascavo’” (RICARDO, 1970: 38).151
Divergências pessoais e políticas sobrepunham-se a projetos estéticos discordantes, ainda que, muitas vezes, todos esses autores trabalhassem lado a lado e concretizassem alianças em torno de interesses comuns.152 Terra Roxa e Outras Terras
publicou o artigo de crítica de Menotti ao livro de Mário de Andrade O Losango Caqui, assim como a resposta de Mário, parágrafo por parágrafo, com as agressões recíprocas (n. 2, de 03.02.1926, p. 4). Diz Menotti:
“O Losango Caqui” justificava-se há três anos. Nesse tempo tudo servia. Até as partituras do Bródo. Hoje é uma cousa ridícula. Um abuso tardio e inoportuno, sempre melhor que o “Oeil de Boeuf” porquê, pelo menos, o “Losango” é livro pessoal e escrito em língua brasileira.
De outro lado, Mario de Andrade:
Menotti é o dó-de-peito da ignorância. Vaidoso petulante e ridículo. Isto ele carecia de ouvir dum companheiro que sabe respeitar e lembrar publicamente as qualidades nativas que ele tem mais desaproveita pela ambição do luxo fácil. Porém a vida da consciência é fatal.
O livro Raça (1925), de Guilherme de Almeida, recebe uma crítica favorável de Sergio Milliet, que assume o papel de crítico literário em Terra Roxa e Outras Terras.153
151 Plínio Salgado faz de memória a descrição de Menotti Del Picchia e Cassiano Ricardo: “Os retratos: Menotti,
alourado, nervoso, passando os dedos pelos cabelos, andando de um lado para outro (raramente o vi sentado), exprimia-se com eloqüência ao expor suas idéias sobre literatura, arte ou política. Ao contrário, Cassiano de um moreno característico dos caboclos do Vale do Paraíba, falava mais pausado, como em confidências, exceto quando se inflamava numa exposição crítica ou expandindo seu pensamento relativo a questões estéticas, o que fazia com grande sagacidade” (apud RICARDO, 1970: 35).
152 “Se observarmos os colaboradores dos diferentes periódicos, veremos que alguns nomes eram quase sempre
os mesmos. Chegando ao cúmulo de ter sido Oswald de Andrade um dos colaboradores mais assíduos de Novís. E Plínio Salgado ter deixado também suas colaborações nas páginas de Antropofagia. E, apesar da crítica que um grupo fazia ao outro, normalmente seus órgãos de divulgação faziam a propaganda de todas as obras publicadas, não importando o grupo a que pertenciam seus autores. Terra Roxa e Outras Terras, por exemplo, anuncia as principais obras do “Verde-Amarelismo” (GUELFI, 1987:135).
153 O livro Raça é um desfile de metáforas que misturam a policromia percebida na natureza do Brasil tropical,
com imagens católicas, primitivas e fetichistas e as três raças correspondentes, além de se referir aos mestiços. Três caminhos se cruzam – um branco, um verde
Aí está o símbolo simples que Guilherme desenvolveu no seu último poema intitulado “Raça”. Brasil: o branco, o verde, o preto misturando-se, confundindo-se num só tronco, formando a cruz mal feita, “a nossa cruz”, sob o cruzeiro. E com o desenvolvimento desse tema rebatido, Guilherme conseguiu, ainda, deslumbrar, embebedar de santa poesia, os leitores mais exigentes, os críticos mais apegados às chapas modernistas. É que ele tocou na corda musical: na nossa brasilidade154 (n.1, de 20.01.1926, p. 6).
De outro lado, o livro de Menotti Del Picchia lançado pela Editorial Hélios como primeiro número da série “Novíssima”, Chuva de Pedra, é considerado por Sergio Milliet um “bom livro passadista” (n. 1, de 20.01.1926, p. 6).
Em torno da análise da obra de Cassiano Ricardo Borrões de Verde Amarelo, Milliet acusa as fortes influências de Guilherme de Almeida sobre o poeta de Evangelho de
Pan, que considera até positivas, e de Menotti, que considera “neutras”. No entanto, constata
também influências consideradas “ruins”, como de Júlio Dantas e Martins Fontes. O crítico situa os poemas de Cassiano em “pleno simbolismo brasileiro” e ainda um “campo de batalha” entre várias influências.
O ultimo verso é um achado magnífico. Confesso. Mas, repito-o ainda, não falta talento no livro de Cassiano. Talento, imagens, facilidade, fluência, eloqüência, tudo em abundância. Só falta personalidade. E não falei ainda da influência grande de Menotti e daquela, agudíssima, de Guilherme de
E o branco que veio do norte, e o verde Que veio da terra, e o preto que veio de leste.
derivam um novo caminho, completam a cruz unidos num só, fundidos num vértice.
Fusão ardente na fornalha tropical de barro ver- melho, cozido, estalando ao calor modorrento dos sóes imutáveis (sic)[...] (1925:24)
154 É nessa crítica elogiosa a Guilherme de Almeida que Milliet fará a afirmação “só se é brasileiro sendo
paulista, como só se é universal sendo de seu país” que provocará uma “Carta Protesto” de Mário de Andrade publicada no número seguinte (n. 3, de 27.02.1926, p.4), e posteriormente a réplica de Milliet. O tema discutido pelos autores se refere ao problema do regionalismo paulista. Diz Mário de Andrade: “Pois me parece, Sergio companheiro, que o sentimentalismo não está em gemer gozando os desejos que nascem no corpo e no espírito porém em se deixar levar por vaidadinhas rompantes e afirmativas sem realidade e perigosas. Perigosa como a de você que é desnacionalizante, irritante, errada. O Brasil é um vasto hospital. Amarelão de regionalismo e bairrismo histérico. Visão de míope sem futuro e sem presente. Cuidado com o saudosismo! É sintoma de decadência. Sergio, você errou, Sergio.”
Almeida, a tal ponto profunda nos bons poemas do livro, que nem vale a pena citar versos (n. 2, de 03.02.1926, p. 3).
Aliás, Guilherme e Menotti eram na época poetas já conhecidos fora de São Paulo. Pelo menos é o que deixa entrever o longo poema de Gilberto Freyre datado de março de 1926, Bahia de todos os santos e de quase todos os pecados, no qual o autor saúda a miscigenação e as cores baianas, mas critica seus oradores e, subliminarmente, a admiração dos baianos por algumas personalidades de “fora”.155
gente da Bahia!
preta parda roxa morena
cor dos bons jacarandás de engenho do Brasil (madeira que cupim não rói)
[...]
negras velhas da Bahia
vendendo mingau e vendendo angu negras velhas de xale encarnado e de mole peito caído
[...]
sob corpos ardendo suando de gozo muquecas da preta Eva
caruru vatapá azeite de dendê cachos de gordas bananas [...]
mulatinhos de fala fina
literatos que tomam a sério Mario Pinto Serva
requintados que lêem Guilherme de Almeida e Menotti Del Picchia patriotas que dão viva ao sr. Pedro Lago
155 Exemplar pertencente ao acervo do IEB-USP. Na década de 1920, Guilherme de Almeida viajará ao Sul do
Brasil e ao Nordeste, com o objetivo de criticar o regionalismo, que inicialmente considerou um localismo estreito a ser combatido pelo modernismo. Como é sabido, vai encontrar oposição não só do grupo nordestino de Gilberto Freyre como de Augusto Meyer, no Sul do Brasil.
chegado do Rio pelo Ruy Barbosa e outros com saudade do doutor Seabra.[...]
É interessante notar ainda que a comparação com o modelo americano da situação brasileira em termos de relações raciais aparece já em Terra Roxa, que avalia negativamente nossa situação. Na seção “Outras Terras”, afirma-se:
Poucas serão as pessoas que ignoram que, nos Estados Unidos, os descendentes dos antigos escravos atingiram um grau de cultura incomparavelmente superior ao dos nossos negros. Os daqui, por vários fatores, permaneceram colocados no mais baixo nível de civilização. Tem havido, é verdade, exceções. Mas estas, diante da grande maioria inculta, desapareceram praticamente. Em Norte-América, ao contrário, os negros sofreram a pressão de um meio cultural homogêneo, denso e superior, e reagindo, conseguiram alcançar um standard de civilização bastante elevado. Há lá, aos milhares, advogados, médicos, professores, jornalistas, engenheiros, escritores, industriais, milionários, banqueiros, etc. – todos negros. Entre eles como entre os brancos, há uma aristocracia, uma classe média e a arraia miúda. Ora, a nova geração afro-americana está empenhada em dar à sua literatura e à sua arte o cunho típico, racial, afastando-se quanto possível, da influência avassaladora dos brancos. (n. 7, 17.09.1926, p. 1)
Em torno do grupo Verde-amarelo, outros autores vão se reunir para aprofundar as pesquisas sobre o tema da brasilidade. Raul Bopp, por exemplo, antes de se ligar ao grupo da Antropofagia, de Oswald de Andrade, formou com Plínio Salgado uma dupla para aprofundar o estudo da língua tupi. Esses autores procuravam recuperar antecessores nacionalistas que o ajudassem a descobrir os vínculos tradicionais e as raízes profundas da cultura brasileira. Pioneiros regionalistas, como Valdomiro Silveira e Monteiro Lobato, foram relidos por esses estudiosos. Posteriormente, “surge, em seu lugar, outro grupo, com os mesmos elementos: o Grupo da Anta, já com um programa de estudos brasileiros e às voltas com a obra de Alberto Torres, Barbosa Rodrigues, Couto de Magalhães, Roquette-Pinto, Alarico Silveira” (RICARDO, 1970: 39).156
156 Alarico Silveira era irmão de Valdomiro Silveira, considerado o pioneiro na literatura regionalista brasileira
Basta conferir as obras de Alberto Torres publicadas no meio da década de 1910 para perceber a força do legado das concepções nacionalistas que esses autores modernistas buscarão recuperar. Esses escritores conservadores destacarão, ao lado de Oliveira Vianna, Alberto Torres como um dos pioneiros na reflexão e construção de um projeto democrático adequado a um Brasil autêntico, crítico e distante das obsessões imitativas de transplantação de instituições e princípios europeus que as elites passadistas haviam desenvolvido.157
Em 1931, Cândido Motta Filho publica, como resultado de suas pesquisas o livro
Alberto Torres e o Tema da Nossa Geração, com prefácio de Plínio Salgado.158 Membros do
grupo Verde-amarelo consideram Alberto Torres o apóstolo do “realismo social” no Brasil.159
No que se refere à questão racial, os argumentos de Torres servirão de fundamentação para os modernistas de São Paulo viabilizarem uma direção otimista para a discussão, deixando de lado a importância dos argumentos ancorados na pureza ou na superioridade racial absoluta.
A ambição ao domínio universal, das raças teutônicas, fundada na pretensão da sua superioridade, é um ideal político conhecido, que conta a seu serviço com a autoridade de uma ciência e de uma literatura, com a força econômica, o poder militar, aparente superioridade, física e mental, a real vantagem atual, destas raças. É uma pretensão infundada e injusta; e a todas as razões com que a ciência contemporânea respondeu à ciência dos imperialistas, o Brasil – museu vivo de etnologia e esplêndido laboratório de experimentação étnica – pode juntar documentos irrefutáveis. O teutão, localizado no Brasil, prospera ou declina, em função do meio físico ou da vida social, nas mesmas condições que o branco de origem européia meridional, o preto e o índio.
157 Para Plínio Salgado, além dos autores citados, Euclides da Cunha e Farias Brito seriam os dois autores que
inspirariam os escritores nacionalistas (PEIXOTO, 1940: 83).
158 Para Luiz de Castro Faria: “Cândido Motta Filho foi uma figura extremamente importante: aluno da Escola de
Direito de São Paulo, onde depois foi professor, pertenceu a movimentos nacionalistas da década de 1920, foi integralista, dirigiu o Departamento de Imprensa e Propaganda de São Paulo, foi membro da Academia Brasileira de Letras, ministro do Supremo Tribunal Federal, ministro de educação no momento de criação do ISEB, tem uma obra escrita volumosa.” (FARIA, 2002:134)
159 O pensamento de Alberto Torres é dos mais bem informados para a sua época em termos de discussão sobre a
questão racial. O autor teve contato com o pensamento de Franz Boas e tentava dirimir certos preconceitos que considerava sem base científica, mas que orientavam o pensamento elitista brasileiro em sua época e as políticas imigratórias. Curiosamente, ao contrário de uma influente corrente da época, em sua versão o autor duvidava da concepção de que o cruzamento entre as raças produziria “progresso étnico” e achava preferível evitá-lo. De toda forma, em meio às suas preocupações patrióticas, A. Torres estabeleceu uma proposta política de defesa das raças inferiorizadas, como se depreende do trecho a seguir: “É o dever patriótico que incumbe aos brasileiros; e se alguma posição lhes cabe, na obra da civilização humana, esta posição não pode ser outra senão a de luta por seus patrícios, porque esta luta corresponde, precisamente à prática de uma única política imposta ao mundo, no presente: defender as raças e os povos colocados em nível de inferioridade por força de fatores do passado, de forma a permitir que, de posse de fatores cultos e racionais, manifestem, desenvolvam e aperfeiçoem suas qualidades naturais, tomando cada um a posição que lhe couber na sociedade cosmopolita” (1914: 197).
Mas, apesar disto, a teoria continua a ser tema da polêmica política e eixo da luta das hegemonias, das influências, das supremacias (TORRES, 1914:137).
Luiz de Castro Faria, ao tratar da obra de Oliveira Vianna, comenta a identificação promovida pelos autores na década de 1930 entre obra de Alberto Torres e o pensamento desenvolvido por Vianna.
Considere-se que Motta Filho é autor do ensaio Alberto Torres e o tema da nossa geração, publicado em 1933 (sic) pela Livraria Schmidt. O prefácio desse livro, escrito pelo chefe do integralismo Plínio Salgado, expressa claramente o sentido dominante da idéia de geração nos discursos da época: “[...] tal a situação brasileira quando a nossa geração de após-guerra começou a atuar. Desde aqueles dias começamos a dedicar todo o esforço ao estudo das questões do país. A grande obra de Oliveira Vianna trazia à nossa geração novas luzes para o conhecimento integral das populações brasileiras. E foi por esses dias que a obra de Alberto Torres avultou, aos nossos olhos como um grande nome.”
Esse “nós” abrangia os principais intelectuais à direita, centro e esquerda do período. Alberto Torres foi uma referência obrigatória para os nacionalismos de todas as tendências (FARIA, 2004:124).160
A idéia associada ao Brasil como um grande “laboratório de experiência étnica”, em que as teorias européias das superioridades raciais não se comprovariam, é uma idéia presente já no pensamento de Alberto Torres que os nacionalistas verde-amarelos certamente conheceram desde a década de 1920.