2. DUVAR HARCI HAZIRLAMA
2.3. Çimentolar
2.3.1. Çimento Türleri
Nesta seção, apresento as categorias de análise adotadas nesta dissertação que realizar-se-á segundo orientações do interacionismo sócio discursivo (ISD) de Bronckart (1999). Esse quadro teórico tem como base constitutiva os trabalhos de Vigotsky e Bakhtin/Volochinov, e estabele como objtivo principal analisar as condutas humanas como ações significantes, ou ações situadas, cujas propriedades estruturais e funcionais são, antes de mais nada, um produto da socialização (BRONCKART, 1999).
Por se tratar de um arcabouço teórico muito amplo, serão utilizados aqui apenas alguns dos procedimentos de análise dessa teoria, a saber: conteúdo temático,
As categorias de análise aqui adotadas servirão de base para responder tanto a primeira quanto a segunda pergunta de pesquisa. A seguir, descrevo mais detalhadamente cada uma delas:
2.5.1 Conteúdo temático
Segundo Bronckart (1999:97), o conteúdo temático pode ser definido como o conjunto de informações que são explicitamente apresentadas pela seleção lexical feita pelo produtor do texto oral ou escrito. Liberali (2005) acrescenta, ainda, que a análise dessas escolhas lexicais oferece a possiblidade de sustentarmos a interpretação de quais os sentidos parecem estar em negociação e quais os significados parecem estar em constituição durante o processo de interação da linguagem..
Apresento a seguir um exemplo para melhor compreensão de tal procedimento, no qual analiso o conteúdo temático sobre ensino-aprendizagem do inglês levantado na primeira entrevista.
Quadro 1: Exemplo de análise de conteúdo temático Entrevista 1
Realização Linguística Conteúdo Temático R o d r i g o
30) PP: Quando você começou a estudar Inglês na 5ª
série você gostava da disciplina?R
(31)R: Pra falar a verdade, não. Nunca gostei por causa que é muito complicado, entendeu desde o
começo, falava assim, ah! O inglês, hoje tem aula de
inglês, então hoje é chato.
(1) Inglês é complicado e chato
Como podemos observar, no quadro acima, os conteúdos temáticos foram levantados a partir das escolhas lexicais dos participantes, que encontrar-se-ao sempre negritadas.
2.5.2 Posicionamento enunciativo e vozes
Apesar de a primeira vista ser o autor (ou agente produtor) que assume e se posiciona em relação ao que é enunciado, ou mesmo ser o responsável por atribuir essa responsabilidade a terceiros, segundo Bronckart (1999:121) ao produzir o texto, na verdade, o autor cria, automaticamente, um (ou vários) mundo(s) discursivo(s), cujas
coordenadas e cujas regras de funcionamento são “diferentes” da do mundo empírico em que está mergulhado. É, portanto, a partir desses “mundos virtuais”, e mais especificamente a partir das instâncias formais que os regem que são distribuídas e orquestradas as vozes que se expressam no texto.
2.5.2.1 Vozes
As vozes enunciativas são definidas por Bronckart como entidades às quais se atribuem (ou entidades que assumem) a responsabilidade do que é enunciado. Ele afirma que é a instância geral de enunciação que assume, na maior parte das vezes, a responsabilidade do dizer. Dá-se a essa voz o nome de “neutra” e, diante de determinado tipo de discurso, trata-se da voz do expositor ou do narrador.
Em outros casos, uma ou várias vozes “outras” podem ser postas em cena pela instância de enunciação. A essas vozes é dado o nome de “infraordenadas” em relação ao narrador ou ao expositor. Bronckart classifica essas vozes em três categorias gerais:
vozes de personagens, vozes de instâncias sociais, voz do autor empírico do texto.
Nesta pesquisa, tomarei como base a análise das vozes sociais e do autor empírico do texto, pois as vozes dos pesonagens fogem ao escopo do trabalho.
As vozes de personagens são aquelas que procedem de seres humanos ou de animais ou objetos humanizados em contos, fábulas, etc. Podem ser compreendidos como os agentes implicados nos acontecimentos ou ações constitutivas do conteúdo temático de um segmento de texto.
As vozes sociais, por sua vez, são aquelas procedentes de grupos, instituições ou mesmo personagens sociais. Porém, no percurso temático de um segmento de texto, essas vozes sociais não intervêm como agentes. Ao contrário, elas surgem como instâncias externas de avaliação de certos aspectos do conteúdo.
Por fim, a voz do autor refere-se àquela que deriva diretamente da pessoa que está na origem da produção textual e que, sendo assim, comenta e avalia quesitos do enunciado.
Quando um mesmo texto apresenta várias vozes distintas, considera-se que é um texto polifônico. Segundo Bronckart (op. cit.), existem diversas formas de combinações
polifônicas, pois se pode tratar de relações de vozes de mesmo estatuto (diferentes vozes de personagens ou diferentes vozes sociais) ou de várias vozes de estatuto diferente (voz de um personagem, voz do autor, voz social, etc.).
Quadro 2: Exemplo de análise do posicionamento enunciativo e vozes
Entrevista 2
Realização Linguistica Conteúdo Temático
(106) Karen é também que alguns devem pensar assim, “porque
eu vou aprender inglês se eu não vou sair daqui “((ilegível))
(107) Danilo: eu acho que todo mundo deve ser assim... deve ter uma ambição, (...)
(198) Karina: mas a maioria não tem
(109) Danilo: (...) mas não uma ambição mal, uma ambição boa.
Porque é a ambição que leva a pessoa para um orgulho e querer subir acima de todo mundo. Isso que leva as pessoas ((inaudível))
(110) PP: Então essas pessoas que não têm essa ambição, elas falam assim: “eu não vou aprender inglês...”
(111) Danilo:: porque elas querem um trabalho e pronto.
(112) Karen: “eu estou no Brasil aqui eles falam português, eles
não falam inglês, eu não vou sair pra fora, então porque que eu vou aprender”.
(123) Cybele Tem aquelas pessoas, professora, no caso hoje em dia tem isso, “meu pai, ele conseguiu, ele ta aqui, ele só
conseguiu essa casa, e se meu pai consegui essa casa, eu também só vou conseguir isso, daqui eu não vou sair.” “Então porque que eu vou aprende o inglês.”
(11)Inglês é útil para quem vai viajar para
o exterior
Podemos observar no excerto acima, através dos elentos lexicais sublinhados que os alunos trazem a voz de interlocutores implicados na enunciação, como vimos em Bronckart (1999), para validar o sentido dado à utilidade do inglês pelas pessoas da sua comunidade. Isso pode ser notado pelo uso dos sujeitos: “alguns”, “todo mundo”, “a
maioria”, “elas”, “tem aquelas pessoas”. No entanto, apesar de procurar estabelecer uma certa distância em relação ao que está sendo dito, a utilização do discurso indireto livre, em itálico no excerto, faz com que a voz do autor empírico do texto, neste caso os alunos, misture-se com a dos personagens fazendo com que os sentidos revelados pareçam ser assumidos não só pelos personagens a quem se referem, mas por eles mesmos.