ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.1.4 Çevre Sorunları
Para Berto e Nakano (2000), as abordagens de pesquisa são condutas que orientam o processo de investigação, isto é, são formas ou maneiras de aproximação e focalização do problema ou fenômeno que se pretende estudar.
A abordagem a ser utilizada na pesquisa é qualitativa. Segundo Bryman (1989), essa abordagem deve ser utilizada quando a ênfase do trabalho é na perspectiva do indivíduo a ser estudado. No caso do presente trabalho, para que se possa verificar quais são os tipos de projetos de melhoria utilizados pelas empresas, é necessário que sejam investigadas as pessoas envolvidas no processo de melhoria, porque apenas elas poderão afirmar quais são os elementos e características dos diversos tipos de projetos de melhoria e se existem elementos ou relações que não foram encontrados na literatura.
Ainda de acordo com Bryman (1989), a pesquisa qualitativa procura extrair o que é importante para os indivíduos, assim como suas interpretações do ambiente nos quais eles trabalham, por meio de investigações aprofundadas dos indivíduos e de seus arredores. Portanto, é imprescindível que o pesquisador observe de maneira qualitativa o ambiente para saber como os indivíduos que participam efetivamente dos projetos de melhoria perceberam seus impactos e mudanças tanto esperados quanto alcançados, a necessidade de treinamentos para a realização do projeto, as ferramentas utilizadas, entre outros pontos.
Além disso, a perspectiva do ambiente não pode ser dada apenas pela análise de um indivíduo, mas, sim, de diversos indivíduos envolvidos nos diferentes projetos de melhoria de empresas que possuem um determinado Programa de Melhoria. O pesquisador tenta aprender sobre o sistema, presente de um modo ou de outro em todos os indivíduos da amostra, utilizando as particularidades das experiências dos indivíduos, enquanto reveladores da cultura organizacional tal como é vivida (THIOLLENT, 1987).
O processo de melhoria está inserido nas organizações, portanto aquelas a serem estudadas (objeto macro de estudo) são as que apresentam Programas Estruturados de Melhoria, possibilitando uma maior observação de diferentes projetos relacionados ao tema da pesquisa. Segundo Bryman (1989), a pesquisa qualitativa tende a lidar melhor com aspectos processuais da realidade da organização, sendo essa realidade necessária para que se encontrem novas relações entre os temas e para afirmar ou refutar as relações encontradas na literatura.
3.1.2 Método da pesquisa
O trabalho é dividido em duas partes. A primeira está relacionada à realização de uma pesquisa bibliográfica, primeiramente sobre as abordagens para a melhoria, sendo as principais para o trabalho a abordagem da Gestão da Qualidade Total, Kaizen, da Melhoria Radical, Seis Sigma e abordagem de Juran. O objetivo dessa parte é observar os tipos de projetos de melhoria existentes nas abordagens e levantar suas características sem enfatizar a separação entre abordagens para melhoria contínua e abordagens para melhoria radical. O segundo tópico da pesquisa bibliográfica são os Programas Estruturados para a Melhoria, Produção Enxuta (Lean Production ou Sistema Toyota de Produção) e Seis Sigma.
Para Lakatos e Marconi (2000), a pesquisa bibliográfica é um apanhado geral sobre os principais trabalhos já realizados, por serem capazes de fornecer dados atuais e relevantes relacionados com o tema. Devido a isso, a pesquisa envolve levantamento bibliográfico para a análise dos tipos de projetos de melhoria de cada uma das abordagens e dos Programas citados.
Durante a pesquisa bibliográfica é realizado o levantamento dos Meios e Resultados para caracterizar os diferentes projetos. Para os Meios, avalia-se em relação ao nível de treinamento necessário para a realização da melhoria, ao nível hierárquico das pessoas envolvidas no projeto, aos autores da sugestão da melhoria e da decisão em realizar a melhoria, ao investimento injetado, ao método, às ferramentas e às técnicas utilizados. Como resposta a essas entradas, existem os Resultados relacionados, como o nível da mudança gerada pelo projeto e o impacto no desempenho.
Todas essas características são observadas para caracterizar um determinado projeto de melhoria e classificá-lo comparativamente aos demais projetos. Como pode ser observado na figura 3.1, é necessário que sejam avaliados os Meios e os Resultados para uma correta caracterização dos diferentes tipos de projetos de melhoria.
Utilizando-se a pesquisa bibliográfica das abordagens (Capítulo 2), é criada uma matriz de caracterização, apresentando-se os elementos, as características dos projetos e os tipos de projetos constituintes de cada abordagem, resultado da pesquisa teórica do trabalho. As características observadas em cada projeto, como já dito anteriormente, são relativas aos Meios utilizados para a realização dos projetos e aos Resultados esperados com a realização dos mesmos. Dessa maneira, foram realizados quadros de resumo das características dos diferentes projetos ao final de cada abordagem no Capítulo 2, para facilitar a visualização dos Meios e Resultados. Além disso, são criados níveis em relação aos Meios e Resultados, facilitando a caracterização dos projetos na escala e, conseqüentemente, facilitando a construção da matriz de caracterização. A concepção da matriz de caracterização pode ser melhor entendida observando-se a figura 3.2.
Figura 3.2: Estrutura de concepção da matriz de caracterização.
Como resultado da pesquisa teórica, além da matriz de caracterização, é apresentado um gráfico com os tipos de projetos de melhoria existentes em cada abordagem e a classificação de suas respectivas características, utilizando-se os Meios e Resultados divididos em níveis para realizar essa classificação. Os Programas Estruturados para a Melhoria apresentam projetos similares aos das abordagens apresentadas anteriormente e são avaliados no contexto das mesmas.
A matriz de caracterização, que é resultado da pesquisa teórica, é utilizada no trabalho como ferramenta da pesquisa para caracterização dos projetos em relação aos Meios e Resultados. O estudo também analisa a relação entre projetos e ambientes que possuem diferentes Programas Estruturados para a Melhoria e compara com os projetos levantados na prática com os da teoria. A caracterização dos projetos realizados no contexto real permite que se possa analisar a relação entre os esforços (Meios) e os Resultados obtidos nos projetos de melhoria ou mesmo quais resultados são esperados e que esforços devem ser utilizados para o alcance dos mesmos.
A pesquisa tem caráter exploratório, pois, apesar do tema, Melhoria, possuir estudos aprofundados, pouco é observado em relação à caracterização e avaliação sistemáticas de projetos de melhoria. O relacionamento entre os Programas Estruturados e os tipos de projetos de melhoria também não é abordado de maneira ampla na literatura. Para Voss (2002), no estágio inicial de muitos programas de pesquisa, a exploração é necessária para desenvolver idéias e questões de pesquisa, portanto, este trabalho tem a intenção de fazer uma exploração inicial sobre a caracterização dos projetos de melhoria e evidenciar a relação entre os tipos de projetos existentes no contexto dos Programas Estruturados para a Melhoria, com a finalidade de apresentar questões interessantes a serem estudadas posteriormente.
Gil (1988) afirma que a pesquisa exploratória visa proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Envolve levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e análise de exemplos que estimulem a compreensão para explicitar o mesmo.
A segunda parte do trabalho, por sua vez, é uma pesquisa de campo que utiliza o método de estudo de caso. A pesquisa de campo tem o intuito de verificar no ambiente real quais são as características dos projetos de melhoria realizados em cada tipo de Programa Estruturado para a Melhoria estudado no presente trabalho. Os projetos são caracterizados em relação aos mesmos itens (Meios e Resultados) propostos no Capítulo 1; portanto, a matriz de caracterização que foi gerada por esses dados, assim como a pesquisa bibliográfica, auxiliam na formação do roteiro de pesquisa que é aplicado nas empresas que possuem os Programas Estruturados para a Melhoria, ajudando a caracterizar os projetos realizados nesse contexto. A estrutura da pesquisa de campo está ilustrada na figura 3.3.
Fig ura 3.3: Estrutura da pesquisa de campo.
O método de estudo de caso proporciona a investigação inicial, exploratória, na qual as variáveis ainda não são determinadas e o fenômeno não é completamente conhecido (MEREDITH, 1998 apud VOSS, 2002). As variáveis dos diferentes tipos de projeto de melhoria não são completamente conhecidas e pode haver outras que não foram identificadas na revisão da literatura.
De acordo com Yin (1994), o estudo de caso é preferido no exame de eventos contemporâneos, mas somente quando os comportamentos relevantes não podem ser manipulados. Este é o caso da pesquisa que visa explorar como são realizados os diferentes projetos de melhoria que visam abranger a melhoria da empresa como um todo. Além disso, o processo de melhoria, independentemente de qualquer abordagem ou sistema, envolve pessoas e inúmeras variáveis comportamentais, habilidades e conhecimento que não podem ser manipulados.
Segundo o mesmo autor, o fenômeno pode ser estudado em seu ambiente natural e significante, ou seja, as organizações que possuem Programas Estruturados para a Melhoria, sendo que o ambiente natural é o melhor para se verificar na prática o que efetivamente ocorre. O estudo de caso investiga fenômenos contemporâneos dentro do
contexto de vida real, especialmente quando as fronteiras entre fenômenos e contexto não estão claramente evidentes (YIN, 1994).
Portanto, o objetivo desta segunda etapa é a verificação das características da melhoria, dentro de um ambiente prático, onde ocorrem melhorias em diversos níveis e de diversos tipos. Em síntese, pretende-se verificar, no ambiente real, como cada Programa realiza a melhoria dentro da empresa e esse estudo visa identificar como ocorrem os projetos de melhoria, como existe a sustentabilidade de cada projeto e quais são os resultados obtidos e esperados. Para melhor identificação das características da melhoria nos diferentes Programas, é necessário estudar vários casos para ampliar o número de características diferentes observadas na prática.
De acordo com Voss (2002), a vantagem de se analisar vários casos é que existe um aumento da validade externa, ajudando a diminuir as tendências e influências do observador, diminuindo também os riscos de uma falsa conclusão gerada por um único evento. Portanto, para aumentar a quantidade de dados disponíveis e diminuir o viés gerado por um único estudo de caso, é interessante utilizar estudo de múltiplos casos.
Para Miles e Huberman (1994), a utilização de múltiplos estudos de caso reforça a precisão, a validade e a estabilidade da análise, pois pode comparar e contrastar os diferentes casos. Para a realização desse estudo são necessárias técnicas de pesquisa, que colaboram para o levantamento e análise dos dados.