2. KURAMSAL ÇERÇEVE
2.5. Çevre Sorunları ve Çevre Sorunları Tutum Ölçeği İle İlgili Çalışmalar
Independente da tecnologia ou da mídia, o jornalista sempre busca a notícia, aquela informação que acha ser de interesse público. “Os jornais não se definem pela segunda parte da palavra [paper, em inglês]. Têm que ser definidos pela primeira parte da palavra [news (notícia) em inglês]” (SULZBERG JR)108. Ainda mais em uma época em que o impresso está vivendo cada dia mais à sombra da mídia eletrônica e digital. Contudo, vale lembrar que:
[...] a finalidade do jornalismo não é definida pela tecnologia, pelos jornalistas ou pelas técnicas utilizadas no dia-a-dia. [...] os princípios e a finalidade do jornalismo são definidos por uma coisa mais elementar – a função exercida pelas notícias na vida das pessoas (KOVACH; ROSENSTIEL, 2003, p. 30)
A noção de interesse público e interesse do público são coisas bem diferentes. Assim como o critério da objetividade, que atormenta os jornalistas,
108 SULZBERG JR., Arthur, p
esses dois referenciais estão presentes na rotina do webjornalista. De acordo com o editor-chefe do Jornal do Terra, José Toledo109, é importante saber dosar tanto
interesse público como interesse do público. Na hora de decidir quais as manchetes que vão para a home (primeira página de um portal ou website), vários comprometimentos estão em risco. Se a manchete não chamar a atenção do usuário, que lê rapidamente todas as notícias de uma vez, ele não continuará a navegação e, portanto, a notícia não será acessada. No entanto, se a manchete ou a notícia escolhida apresentar algo de interesse público, muitas vezes de gosto duvidoso para o perfil ético do jornalista, a manchete pode render mais acessos. Fica, então, a dúvida e o dilema de trabalhar corretamente e de acordo com os princípios da profissão e ao mesmo tempo correr o risco de perder para a concorrência. Para Toledo (2006), ao contrário, dos jornais impressos que estão mais preocupados com as assinaturas, o jornal na Internet vende-se, justamente, pela notícia que der em primeira mão na sua home.
Nos manuais e livros clássicos de jornalismo há sempre um capítulo sobre o que é notícia e os critérios que devem ser utilizados para chegar a tal conclusão. O exercício de selecionar informações que mereçam destaque para virar notícia não é simples. Muitos aspectos devem ser reconhecidos, entre esses:
[...] proximidade, marco geográfico, impacto, proeminência (ou celebridade), aventura e conflito, conseqüências, humor, raridade, progresso, sexo e idade, interesse pessoal, interesse humano, importância, rivalidade, utilidade, política editorial, oportunidade, dinheiro, expectativa ou suspense, culto de heróis, descobertas e invenções, repercussão e coincidências (ERBOLATO, 1991, p. 60).
Atualmente há necessidade de se repensar alguns critérios relacionados ao que é notícia devido, sobretudo, à globalização e à condição de ubiqüidade da Internet.
A dimensão local ou o critério de proximidade, por exemplo, é difícil de limitar. O caráter de ser próximo ou distante na rede não se aplica com tanta eficiência. Os usuários podem acessar de qualquer parte do mundo o que lhes interessar. Se alguém costumava ler o jornal Zero Hora, por exemplo, enquanto morava no Rio Grande do Sul, e agora está nos Estados Unidos, pode continuar
fazendo através do portal clicRBS. Se o vínculo que havia antes se relaciona com a questão da proximidade, saber das coisas do estado e da sua cidade, apenas um veículo como esse ou outros com o mesmo enfoque poderiam ajudar. Mesmo que seja acessível o The New York Times, às vezes, a peculiaridade da cobertura local faz muita diferença.
A mídia tende a fazer uma cobertura padronizada: as mesmas notícias nos principais jornais; as mesmas manchetes nos portais, as mesmas imagens em diferentes emissoras de televisão e a repetição ad infinitum.
Outra complexidade envolvida com o local está no surgimento do conceito hiperlocal e ainda no neologismo glocal. O hiperlocal seria uma especificidade da matéria que já é local, mas estreita ainda mais sua atuação com os fatos localizados em um determinado espaço geográfico. Seria como uma publicação para determinada comunidade de um bairro, por exemplo. O glocal refere-se á ampliação de importância de fatos locais que se tornam globais por algumas razões da lógica da globalização.
Na ansiedade por participar do processo de produção de conteúdo, “o público espera que seus novos fatos passem a fazer parte do registro das notícias” (KOVACH; ROSENSTIEL, 2003, p. 41). Mas, se a contribuição não é tão direta e imediata na mídia tradicional, através da Internet, pela primeira vez a arrogância (GILLMOR, 2005) dos jornalistas em decidir o que é ou não notícia está ameaçada.
Se determinado veículo de comunicação, da grande mídia, não der a notícia, algum site ou blog pode dar. “A idéia da imprensa como um guardião – decidindo que tipo de informação o público deve saber e qual não – não mais define bem o papel do jornalismo” (KOVACH; ROSENSTIEL, 2003, p. 40).
Acredita-se que o papel do jornalismo passa hoje pela aceitação da seguinte situação: “A linha divisória entre produtores e consumidores vai esbater- se, provocando alterações, que só agora começamos a antever, nos papéis de cada grupo” (GILLMOR, 2005, p. 15). O autor classifica essa “evolução” do jornalismo como um caminho para a transformação do “jornalismo como lição”,
com o qual se estava acostumado, a um novo jornalismo, que seria uma espécie de espaço para troca de idéias ou seminário; um jornalismo de diálogo, como fora dito anteriormente, a respeito da abertura da Internet, no capítulo dois.
Uma outra questão que vem à tona, quando o debate é jornalismo e tecnologia, é da largura de banda. Diz-se que um dos motivos pelo qual o jornalismo online ainda não conseguiu se estabelecer efetivamente como linguagem deve-se à lentidão da rede que impediria algumas concretizações de potencialidades da mídia digital, entre essas, a da multimidialidade. Não há como fazer um conteúdo com texto, áudio e vídeo que seja “leve” se a estrutura da banda não for condizente com a alta velocidade. O que acontece, muitas vezes, é que as pessoas acabam se irritando quando a página demora muito para carregar e preferem que o conteúdo seja mais direto. Se a banda larga se expande, os mesmos transtornos deixam de existir e pode-se trabalhar tranqüilamente com conteúdo multimídia.
Contudo deve-se lembrar que jornalismo não é só forma. É uma aglutinação de forma e conteúdo.
O crescimento da Internet e a chegada da banda larga, contudo, não significa, como dizem alguns observadores, que se tornou obsoleto o conceito que obriga, na hora de definir as notícias, a aplicação do bom senso na tentativa de decidir o que o cidadão precisa e quer para poder se autogovernar. Ao contrário, esse conceito, só tem crescido (KOVACH; ROSENSTIEL, 2003, p. 40).
Na medida em que a banda larga amplia-se, a noção do tempo da Internet toma outra proporção. Se o tempo já era real, agora ele torna-se uma dimensão quase simultânea. O que Kovach e Rosenstiel pretendem com essa argumentação é chamar a atenção para o fato de que as notícias na Internet, ou as webnotícias (CANAVILHAS, 2004)110 têm a lógica de quanto mais rápido melhor. Para os autores, mesmo que a velocidade seja essencial e natural do meio web, ao jornalista caberia a verificação da informação antes de publicá-la como sendo propriamente uma notícia.
110 Disponível em:
<http://www.bocc.ubi.pt/pag/_texto.php3?html2=canavilhas-joao-webjornal.html>. Acesso em: 20 de novembro de 2004.
Na ansiedade em publicar, o jornalista online pode cometer o pecado de divulgar sem ter certeza. Porém, o que se faz importante reavaliar, nessas circunstâncias, nas quais o público se converte em “um híbrido de produtor e consumidor” (KOVACH; ROSENSTIEL, 2003, p. 41), é que o jornalista não precisa entrar no jogo dos blogs ou demais produtos de jornalismos existentes na rede que almejam apenas a divulgação com mais velocidade. Já que não pode competir com as infinitas mídias que surgem a cada dia, caberia ao jornalismo profissional saber como utilizar o conhecimento das pessoas, que são milhões, filtrar e averiguar o que é relevante para ser publicado. Depois disso, a contextualização, os complementos de multimídia e as ferramentas de interatividade podem ajudá-lo na tarefa de melhor informar, desde que sejam utilizadas com bom senso.