Os indicadores de C&T dos países desenvolvidos seguem o padrão da OCDE. Países em desenvolvimento, como o Brasil, não dispõem, entretanto, de um sistema eficiente de informação em C&T, capaz de fornecer dados precisos sobre sua atividade na área, embora estejam investindo para se adaptarem ao padrão conceitual dos indicadores da OCDE.
A tentativa de adoção, na América Latina, dos mesmos indicadores e metodologias dos países desenvolvidos, desde os anos 70, para avaliar suas atividades de C&T, seguindo recomendações da UNESCO e da OEA, não teve grande sucesso. Durante grande parte dos anos 80 a produção de informação em C&T foi esquecida, tendo havido uma volta a essas atividades em iniciativas mais recentes, como por exemplo, pela criação da rede Iberoamericana de Indicadores de Ciência e Tecnologia (RICYT), a partir de 1994, que pretende seguir orientações do Manual Frascati na formulação dos indicadores, mas com atenção voltada para as peculiaridades locais. (MARTÍNEZ & ALBORNOZ, 1998).
O processo de institucionalização de política de C&T no Brasil teve início na década de 50, com a criação do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa) e da CAPES (Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Um programa geral para a C&T teve início na década de 1970, com o I PND – Plano Nacional de Desenvolvimento, que previa, dentre outras coisas, a implementação do PBDCT – Plano Básico de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, a estruturação do Sistema Nacional para Ciência e Tecnologia e a criação do Sistema Nacional de Informação para a Ciência e a Tecnologia (SNICT), que contudo não logrou resultados concretos, segundo TARAPANOFF (1992). Em 1974 o II PND previu a implementação do II PBDCT, publicado em 1976, onde a informação científica e técnica apareceu mais uma vez como elemento de apoio para a definição de políticas e estratégias governamentais.
Atualmente, o IBICT (Instituto Brasileiro de Informação Científica e Tecnológica) é o principal órgão governamental responsável por questões relativas à informação científica e tecnológica, gerindo o Sistema de Informação Científica e Tecnológica do país. Suas atribuições básicas são: a) prover informação científica e tecnológica para os pesquisadores; b) promover o intercâmbio de informação, c) contribuir para o desenvolvimento no Brasil da documentação científica e técnica (TARAPANOFF, 1992). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o órgão produtor e
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sistematizador das estatística nacionais, com o objetivo de reunir informações básicas sobre o país como meio de ação do Estado para implementação de suas políticas.
A questão dos indicadores de C&T vem sendo estudada pelo governo brasileiro, através do Ministério de C&T, que está empenhado na tarefa de elaborar novos indicadores e tornar todos confiáveis, segundo padrões internacionais. Essa tarefa é das mais importantes por constituir um dos meios mais eficazes de se conhecer o país e traçar estratégias de aproveitamento do seu potencial. As dificuldades são muitas, iniciando-se por aquelas relativas à conceituação e metodologia na construção desses indicadores.
Em 1993, foi constituído o Grupo de Trabalho sobre indicadores, atuando inter- ministerialmente nos Ministério de Ciência e Tecnologia e Ministério da Educação, tendo como objetivo elaborar elenco de indicadores capazes de “medir o esforço nacional em C&T, elaborar uma proposta para recuperação das séries históricas de dados estatísticos e estabelecer os alicerces para a organização desses dados de forma sistemática e compatível com outros sistemas de informações” (BRASIL/MCT, 1994, p.3).
Esse Grupo, em relatório apresentado em 1994, fez algumas recomendações sobre o processo de identificação e construção dos indicadores, que citamos aqui:
1) Não basta identificar que indicadores são melhores. É imprescindível construí-los a partir de bases estatísticas fidedignas;
2) É necessário aprofundar as discussões sobre conceitos, metodologias e significados dos indicadores quantitativos;
3) É necessário aprimorar as metodologias existentes;
4) Sugere-se a inclusão de informações tecnológicas de empresas;
5) É necessário elaborar glossário de termos em C&T para harmonização dos conceitos;
6) É necessária a seleção de um elenco de indicadores para medir o esforço tecnológico nacional (BRASIL/MCT, 1994).
No mesmo relatório, o referido Grupo selecionou elenco de indicadores que podem expressar o esforço nacional brasileiro em C&T:
- Indicadores de produção científica - para medir a produção, a produtividade da pesquisa e dos investimentos em pesquisa científica.
- Indicadores de capacitação tecnológica - relativos a atividades realizadas dentro e fora das empresas para promover sua capacitação.
- Indicadores de recursos humanos - para medir a qualificação dos pesquisadores e dos recursos humanos e o esforço de formação de recursos humanos.
- Indicadores dos dispêndios em C&T - para medir gastos efetuados pelos governos federal e estadual e pelo setor produtivo (BRASIL/ MCT, 1994).
Em 1995, outra iniciativa criou a Comissão de Constituição de Sistemas de Indicadores de Ciência e Tecnologia, dentro do projeto Sistema Nacional de Indicadores de Ciência e Tecnologia (SICYT); refere-se a um projeto instituído pelo Ministério da Ciência e Tecnologia que teve como objetivo reformular e ampliar a rede de informações estatísticas básicas para a construção de um conjunto de indicadores de C&T. O SICYT foi dividido em quatro sub-projetos, a saber: 1) Desenvolvimento Institucional (responsável por informações estatísticas sobre a área de C&T, coordenado pelo CNPq); 2) Indicadores de Produção Científica (com o objetivo de construir o sistema de geração de indicadores da produção científica nacional, coordenado pelo IBICT); 3) Inovações Tecnológicas (mapeamento das atividades ligadas à inovação e capacitação tecnológica das empresas – MCT/INPI/IBGE/CAPES/BC); E, 4) Balanço de Pagamentos de Tecnologia (identificar fluxos de importação e exportação realizados por empresas brasileiras – UFRJ) (MATESCO, 1997). Relativamente ao segundo sub-projeto, Indicadores de Produção Científica foram definidos como seus objetivos específicos: criar bases para registro e recuperação da produção bibliográfica científica e tecnológica nacional, contribuir para o mapeamento da ciência e tecnologia do país e construir indicadores derivados de análises bibliométricas que subsidiarão o sistema de política científica e tecnológica brasileiro (BRASIL/MCT, 1997).
As informações sobre C&T constituem “um importante indicativo do desenvolvimento da sociedade” sendo que, no Brasil, como pode-se perceber, só muito recentemente os dados passaram a ser divulgados (BRITO CRUZ , 10/1997) e, mesmo assim, de forma não muito sistematizada. Mas, estão em curso tentativas de construção de um sistema de indicadores em C&T, adaptado à realidade brasileira.
No meio acadêmico, vários indicadores são utilizados para analisar as atividades desenvolvidas, devido a necessidades internas ou por demandas de órgãos superiores, e esses serão objeto da próxima seção.
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