2. GENEL BİLGİLER
2.3 ÇEVİKLİK
Na nossa realidade normativa, um conceito de direito penal econômico adequado deve ser orientado tanto pela política econômica quanto pela política criminal adotadas pela Constituição.
Diante disso, constatamos que: (i) a ordem econômica constitucional é um bem jurídico digno da intervenção penal; todavia (ii) a intervenção penal na ordem econômica deve passar por uma dupla valoração de subsidiariedade.
A ordem econômica é um valor pré-jurídico, verificável no mundo dos fatos, expressamente reconhecido no texto constitucional. Além disso, o modelo econômico adotado tem como finalidade valorizar a dignidade humana, portanto, trata-se de um bem jurídico-penal coerente com a sua concepção antropocêntrica.
436 Sobre o tema, cf. TIEDEMANN, Klaus. Derecho penal económico: introdución y parte general, p.
As condutas lesivas à ordem econômica constitucional, uma vez que podem implicar lesões reconduzíveis à esfera individual dos cidadãos, enquadram- se no conceito de bem jurídico-penal adotado.437
Da mesma forma, também não nos parece haver dúvidas de que a atividade normativa do Estado no âmbito econômico, já que adotado o modelo capitalista de economia de mercado, mesmo na esfera cível, deve ser excepcional.
A intervenção do Estado somente será autorizada quando necessária a promover os fins da política econômica constitucional.
Destarte, se o próprio texto constitucional reconhece que a intervenção cível (mediante o direito econômico) na ordem econômica deve ser pontual e execpcional, com muito mais razão deve ser a intervenção penal na economia, já que o próprio direito penal traz consigo, intrinsecamente, a noção de ultima ratio.
No âmbito do direito penal econômico, a noção de subsidiariedade da intervenção deve ser dupla, pois, além de ultrapassar o filtro para a própria intervenção estatal no âmbito econômico (primeiro passo), há de ser ultrapassado o limite de que essa intevenção se dê da forma mais grave possível, qual seja, mediante a possibilidade de cominação de uma pena restritiva ao direito de liberdade.
A ordem econômica como objeto jurídico legitimador do direito penal econômico, portanto, consiste na realidade pré-jurídica das condições econômicas que permitam a realização das suas finalidades constitucionalmente previstas (existência digna e justiça social), cuja lesão (ou ameaça concreta de lesão), embora se dê de forma autônoma e institucional (supraindividual), seja reconduzível à esfera pessoal do indivíduo, mesmo que coletivamente considerado.438
Trata-se, portanto, de bem jurídico supraindividual, tal como reconhecido pela teoria monista pessoal de Hassemer, adotada no Brasil por Juarez Travares e Luiz Régis Prado, cuja recondução ao âmbito do indivíduo é necessária para evitar a
437 Diminuindo o emprego e, portanto, a renda; dificultando mecanismos de financiamento e, portanto,
a democratização de acesso à atividade econômica; diminuindo a arrecadação do Estado e, portanto, dificultando a prestação de serviços públicos e a efetiva distribuição equitativa de renda.
438 Tais realidades econômicas são, também, aquelas previstas no texto constitucional, tais como
soberania nacional, propriedade privada e sua função social, livre concorrência, defesa do consumidor e meio ambiente, redução das desigualdades, pleno emprego, incentivo às empresas nacionais e de pequeno porte. Sobre a ordem econômica constitucionalmente orientada como bem jurídico-penal, cf. BRODT, Luís Augusto Sanzo. A tutela penal da ordem econômica. O Sino
subsistência de intervenção penal sobre funções, falsos bens jurídicos ou, ainda, sobre bens jurídicos meramente normativos.439
Esse um conceito geral de ordem econômica, o que não impede que em suas subespécies haja maior concretude do bem jurídico a ser lesado. Por exemplo, no direito penal tributário, o interesse arrecadador do Estado para que possa, mediante a prestação de serviços públicos, promover a vida digna do cidadão; no direito penal do sistema financeiro, os mecanismos de financiamento, que, ao captar recursos da economia popular e repassá-los àqueles que têm necessidade de capital, promovem a democratização do acesso às atividades econômicas.
Quanto ao tema, o professor Luiz Régis Prado ressalta a natureza de bem jurídico categorial da ordem econômica, ou seja, sua condição de um objeto jurídico genérico composto por um conjunto de bens jurídicos específicos, afirmando: “Em cada tipo legal de injusto há um determinado bem-jurídico específico ou em sentido estrito (essencialmente de natureza supraindividual), diretamente protegido em cada figura delitiva”.440
Nesse diapasão, o direito penal econômico será a intervenção indireta do Estado na economia, mediante a edição de normas penais, cuja utilização somente será possível caso já se tenha demonstrado a ineficiência da intervenção cível e, mesmo assim, quando haja fundada expectativa de que a intervenção penal seja eficiente para concretizar as finalidades da ordem econômica constitucionalmente consagrada.
O principal traço distintivo do direito penal econômico em contraponto ao direto penal comum é sua legitimação em razão de interesses supraindividuais, os quais, entretanto, não podem prescindir de uma concepção antropológica.
439 O professor paranaense esclarece que “não há num Estado democrático de Direito nenhuma
preponderância do bem jurídico supraindividual sobre o individual. Muito ao contrário. O que está em debate aqui nada mais é que a tutela de bens jurídicos que se encontram além do indivíduo em si, que se fazem presentes em uma dimensão mais ampla, grupal ou comunitária, e não sobre o indivíduo, no sentido de lhe ser hierarquicamente superior”. Dissertando sobre o meio ambiente como bem jurídico categorial, cujas observações, a nosso sentir, são aplicáveis à ordem econômica, arremata que “todos os objetos de tutela penal devem ser concebidos e tratados em razão da pessoa humana, de forma direita ou indireta”. (PRADO, Luiz Régis. Direito penal do
ambiente, p. 102,109)
Como ramo do direito, o direito penal econômico será aquele que se dedica ao estudo do conjunto dessas normas penais.441