• Sonuç bulunamadı

Se procurar bem, você acaba encontrando não a explicação (duvidosa) da vida,

mas a poesia (inexplicável) da vida..

Os dados apontam que os estudantes estão comprometidos com o processo de ensino- aprendizagem. Nesse sentido, os portfólios mostram seu desempenho nos aspectos cognitivos de habilidades e de atitudes, a reflexão sobre o próprio trabalho, seus avanços e dificuldades, os sentimentos gerados a partir da vivência pessoal e profissional, informações sobre as atividades curriculares, o desempenho dos professores, atividades pedagógicas e serviços de ensino, enfim, um rico conhecimento sobre o “andamento” de todo o curso.

Os portfólios deram suporte ao desenvolvimento dos educandos, por meio de reconhecimento de limitações e deficiências; proposição de estratégias para superação de lacunas do conhecimento; exercício da leitura e da escrita, estímulo da reflexão e estabelecimento de metas de aprendizagem. Também proporcionaram a busca do aprender a aprender e a percepção de se sentirem autores do processo de construção de conhecimentos.

O diálogo escrito possibilitou maior conscientização sobre o processo de ensino e de aprendizagem: no estímulo da autonomia; na acurácia das descrições; na capacidade de síntese e de sistematização. Além disso, permitiu ao mentor conhecer o estudante, suas ideias, pensamentos, angústias, desejos e possibilidades.

Os resultados evidenciam que o mentor tem relevante papel no desempenho do estudante, nas percepções e superações de lacunas de conhecimento, ao reforçar potencialidades, estabelecer metas de aprendizagem, estimular o aprender a aprender e, principalmente, no estabelecimento das interações afetivas.

Os portfólios revelaram uma grande variação quanto ao número de participação dos estudantes em procedimentos terapêuticos e diagnósticos, palestras e consultorias. As oportunidades dependiam do momento, da presença do paciente e, até mesmo, da sorte. Alguns foram menos pró-ativos, enquanto outros se empenharam mais no aprender a aprender. Alguns teriam aproveitado mais, caso lhes tivessem dado mais oportunidades. O diálogo e o erro foram identificados como condições favoráveis ao aprender, sobretudo, a intenção de aprender, que tornou esse ato forte e significativo.

Apesar de somente 35 % dos estudantes correlacionarem o uso do portfólio com a autoavaliação, em todos os momentos, realizavam reflexões importantes sobre seu percurso acadêmico, expondo os pontos positivos, erros e dificuldades.

Na maioria das vezes, a nota da autoavaliação e da avaliação interpares não era condizente com a apreciação qualitativa. O educando concedia nota máxima ou próxima a ela e, no entanto, relatava dificuldades. A maioria dos portfólios não continha as avaliações do mentor, o que parece um contrassenso. Se o estudante precisar mudar de mentor, torna-se difícil dar continuidade ao acompanhamento, sem conhecer a trajetória do educando.

A pesquisa possibilitou conhecer dificuldades referentes ao Curso de Medicina, como falta de avaliação ao final de algumas tutorias, palestras, consultorias e atividades práticas que não aconteceram e falta de sistematização das atividades do IAPSC, cada setor atuando de maneira diferente do outro.

A falta de uma avaliação eficaz por parte de alguns professores esteve presente nas falas de alguns estudantes, bem como a inadequação da construção de alguns EACs que apresentaram muitas questões teóricas, priorizando a memorização. Questões baseadas em casos clínicos são preferidas. Necessário se faz rever os critérios dos instrumentos avaliativos que, pelas falas de alguns estudantes, engessam a avaliação na dimensão socioafetiva. Em muitas avaliações, os professores e os estudantes se limitaram a “dar uma nota”, não qualificando o desempenho. Não basta “qualificar”. É necessário que os erros sejam discutidos e elaborados, transformando-os em aprendizado. A valorização da nota ainda se encontra fortemente arraigada na concepção pedagógica, afetando a finalidade maior da avaliação, que é a reflexão sobre o processo de aprendizagem. O estudo mostra que muitos estudantes consideraram o processo avaliativo atual um avanço em relação ao tradicional.

O uso do portfólio foi precedido de explicação por parte da gestão e de docentes sobre o seu objetivo e como trabalhar com ele, disponibilizando-se material bibliográfico aos estudantes. Apesar dessas medidas, essa fase deveria ter sido mais bem explorada junto aos estudantes e mentores, principalmente em relação à negociação do portfólio, que, na opinião de 40% dos estudantes e do mentor, não deveria ser obrigatória. Antes de implantar o portfólio, faz-se necessária a discussão com leituras sobre avaliação geral, avaliação formativa, objetivos do uso do portfólio, estrutura, respeitando a individualidade e a criatividade do estudante e o processo avaliativo acerca desse instrumento. Só depois de bem debatido o tema, é que se deve introduzir o uso do portfólio.

Importa conscientizar o educando sobre a necessidade da construção do portfólio ao longo do semestre, pois é pouco provável que consiga fazer um resgate real do acontecido, por

esquecer detalhes importantes e os sentimentos nunca mais serem os mesmos. Além disso, perderá uma oportunidade de participar da avaliação formativa. Nessa vertente, 35% dos discentes queixaram da disponibilidade de tempo para a execução do portfólio. Todavia, se levados em conta os benefícios de tal procedimento e que o mesmo é uma estratégia de aprendizagem, a sua construção, certamente, não constitui perda de tempo.

Em relação à Metodologia ABP, os estudantes, apesar da insegurança inicial, estão se adaptando, engajando e sentindo-se motivados a trabalhar de maneira harmoniosa e efetiva com essa metodologia.

O mentor e os estudantes destacaram a importância de um feedback efetivo, que, no dia-a- dia, permanece mais no nível do discurso do que da prática . Necessário se faz maior integração entre mentor e os demais segmentos do curso, uma vez que a avaliação formativa tem a função de informar, para possibilitar readequação das atividades de ensino- aprendizagem.

Que fazer com as informações do portfólio? É preciso formalizar a retroalimentação, para que dados valiosos não fiquem apenas no papel, sem crítica, perdendo sua função de fornecer subsídios para o aperfeiçoamento do ensino. A implementação sistemática do feedback não concerne apenas ao portfólio, mas a todas as avaliações realizadas.

Como se observou incoerência entre as notas da autoavaliação e da avaliação interpares com as avaliações qualitativas, sugere-se realizá-las apenas de forma qualitativa, incentivando a sensibilização e capacitando os professores e estudantes para que ressignifiquem suas práticas avaliativas. É preciso, também, trabalhar na melhoria da construção dos EACs, explorando assuntos de maior interesse e relevância, privilegiando o raciocínio, análise crítica e articulação de conhecimentos.

O estudo aponta para a necessidade de reaprender conceitos e ressignificar a avaliação com a finalidade de torná-la mais efetiva e homogênea, para aperfeiçoá-la, projetá-la, descobrir pontos positivos, conhecer o que o estudante ainda não aprendeu para estimulá-lo a aprender, mudar, transformar a sua forma de ser, pensar e agir.

A pesquisa indica a importância da formação continuada e permanente para mentores e estudantes, com reflexões, leituras e discussões sobre o tema. A construção do portfólio do

mentor é importante para reorganizar o seu fazer docente e conseguir maior engajamento profissional.

Se ocorrer a retomada do uso do portfólio, ao término do curso, o educando possuirá um comprovante da sua vivência de aprendizagem, para reconstrução de sua própria aprendizagem e como procedimento avaliativo para ingressar em uma pós-graduação ou no mercado de trabalho. Hoje, com o avanço da tecnologia, já se tem o webfólio (portfólio informatizado) como um importante meio de facilitar o arquivamento das informações.

É válido lembrar que as deficiências só vieram à tona devido ao uso do portfólio, caso contrário ficariam camufladas, como se as atividades didático-pedagógicas estivessem sendo vivenciadas da melhor forma possível.

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9 ANEXOS

Um ser humano é uma expressão de vida, espalha luz e reflete o amor em qualquer dimensão que decida tocar. A humanidade não é uma descrição física, mas uma meta espiritual. Não é algo que nos seja dado, mas algo que conquistamos.

Benzer Belgeler