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Çeşitli Hibrit Model Yaklaşımları

BÖLÜM 3: UYGULAMADA KULLANILAN YÖNTEMLER

3.3.1. Çeşitli Hibrit Model Yaklaşımları

Segundo Grimberg e Blauth (1998), a maioria dos programas de coleta seletiva, tanto no Brasil quanto no exterior, atribuem bastante importância à educação no tocante a questão dos resíduos e por ser a reciclagem dos resíduos um assunto bastante popular junto as Organizações Não Governamentais - ONG’s. No meio escolar e na mídia nacional, ela apresenta-se como uma das maneiras mais concretas do cidadão contribuir para a minimização da degradação ambiental.

Até que ponto a inserção da reciclagem na discussão sobre a problemática dos resíduos abre um caminho para a revisão de nossa relação com o meio?

Nos programas brasileiros, as estratégias “educativas” divergem quando a educação da comunidade faz parte das metas do programa ou quando esta é vista como um meio para fazer com que a população separe seus resíduos.

Para as autoras supracitadas alguns dos pressupostos em educação ambiental, no tocante à discussão do lixo, devem ser revistos:

1) “Educação para o lixo depende de campanhas de conscientização”

Os programas de coleta seletiva que desenvolvem seu trabalho educativo segundo uma linha humanista partem do principio que as campanhas não mudam comportamentos de forma

duradoura, mas servem como estímulo inicial, ou até reforço de uma atitude, no entanto este estímulo precisa ser interiorizado para que esta mudança de atitude persista.

Além disso, se conscientização for entendida como sinônimo de informação os esforços educativos poderão ser insatisfatórios. Alguns estudos realizados nos Estados Unidos têm mostrado que a taxa de participação de diferentes grupos demográficos, culturais e sócio- econômicos em programas de coleta seletiva é quase idêntica (VINING apud GRIMBERG; BLAUTH, 1998).

É consenso entre os estudiosos de áreas afins da educação, independentemente das diversas correntes filosóficas, que o comportamento humano só muda se mudarem os valores e sentimentos que o sustentam.

As experiências centradas nas mudanças de valores, percepções e sentimentos garantem que, quando o estímulo é incorporado e as pessoas estão motivadas a separar e reduzir seus resíduos ou, numa escala mais global, assumir sua responsabilidade na melhoria da qualidade do ambiente não é mais necessário um reforço educativo. As pessoas compram a idéia, mudando comportamentos de forma permanente, ou seja, o objetivo do ato de educar é atingido.

2) “Educação começa na escola”

Embora as escolas (ensino formal) venham demonstrando um interesse crescente pelo tema lixo, e especialmente por programas de coleta seletiva, é conveniente lembrar que ela não detém o monopólio da educação, processo que se dá ao longo de toda a vida das pessoas. Além disso, a criança só será bem educada se os professores (adultos) também o forem. Sendo assim, a educação (ambiental ou não) tem igual relevância em todos os contextos, e não deve privilegiar o ensino formal (GRIMBERG; BLAUTH, 1998).

O trabalho escolar em torno do tema dos resíduos é, sem dúvida, indispensável. No entanto do ponto de vista pedagógico, o trabalho sobre lixo, como acontece com quase todos os temas ligados à Educação Ambiental, tem menosprezado os aspectos afetivos da aprendizagem, como se bastasse apenas mais informação para garantir as mudanças de comportamento desejadas. Valores e princípios, como o vínculo entre as pessoas e seu ambiente, o espírito de participação e solidariedade tão necessárias à solução de problemas como os dos resíduos sólidos, não é privilegiado pela metodologia tradicional de trabalho adotada pelo professor em aula.

3) “As pessoas só participam se houver incentivos, como brindes e premiações”.

De acordo com Grimberg e Blauth (1998), uma outra estratégia de “educação ambiental”, muito questionada pelos programas de coleta seletiva com orientação mais humanista, é a troca de recicláveis por bens de consumo, já que contraria o principio da redução na geração de resíduos, do ponto de vista ambiental, incentivando a arrecadação de grandes quantidades de materiais, a troca como estímulo educativo, pressupõe a barganha de atitudes ecologicamente mais adequadas.

A troca não fortalece o vínculo entre a pessoa e seu entorno e nem a percepção de seu poder, como individuo, para interferir na qualidade deste entorno – sentimentos essenciais para a mudança de práticas, não só pertinentes aos resíduos, mas ambientais, de um modo geral. Ela só se justifica como estratégia quando a intenção do programa de coleta seletiva não é o desenvolvimento de novos sentimentos, valores e posturas, enfim de uma nova cultura. Caso contrário está se afirmando que cidadania, ou um espírito de comunidade, carinho, solidariedade, respeito pelo ambiente e pelos bens da coletividade podem ser comprados (GRIMBERG; BLAUTH, 1998).

4) “Educar é divulgar”

Dentro do conjunto das atividades educativas, a divulgação do programa de coleta seletiva tem papel fundamental, embora se deva tomar cuidado para não limitar a educação à divulgação. Haja vista sua importância no repasse dos dados e orientações sobre os materiais a serem separados, os roteiros e dias de coleta, os destinos alternativos dados aos materiais e a aplicação dos recursos resultantes, atingindo todos os setores da sociedade (GRIMBERG; BLAUTH, 1998).

É importante também que sejam divulgados dados de efetiva participação da comunidade no programa, pois servem como estímulo para reforçar novos hábitos e aumentar a participação desta comunidade no programa.

Uma dificuldade apontada pelos programas brasileiros de coleta seletiva é a “falta de espaço” para a inclusão de mensagens educativas nos grandes meios de comunicação, como a televisão, pois quando se aborda o principio dos 3R’s, questionando-se o desperdício, o assunto não é compatível com a mensagem pró-consumo das emissoras em geral.

É conveniente ressaltar que um trabalho educativo bem estruturado otimiza a coleta e triagem dos materiais, reduzindo o custo da tonelada coletada e, proporcionalmente, as despesas do programa.

A coleta seletiva não deve ser entendida como selecionar para reciclar, mas no ato de seleção como mediador de um processo amplo de educação ambiental que vai muito mais além da introdução de um novo hábito junto à população, o da separação, desencadeando uma discussão sobre o próprio conceito que a população tem dos seus resíduos (SEDU/PUCPR/ISAM, 2004).