4. RÖNTGEN STATİF TUTUCULARI
4.1. Çeşitleri
Eventuais atos ilícitos praticados na ordenação de despesas podem caracterizar crimes previstos na legislação penal, podendo-se mencionar, por serem mais comuns, exemplificativamente, aqueles previstos no art. 312, art. 359-C e art. 359-D, do Código Penal, e art. 1º, I e V, do Decreto-Lei no 201/1967.27 À exceção das hipóteses previstas na legislação sobre crimes ambientais em relação às pessoas jurídicas, a prática de ilícitos penais depende de comprovação do elemento subjetivo: Art. 18 — Diz-se o crime: I — doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo; II — culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. Parágrafo único —
Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.
Segundo o conceito analítico de crime, trata-se de ação ou omissão típica, ilícita e culpável de Francisco de Assis Toledo (2001). Em outras palavras: uma conduta voluntária, dolosa ou culposa, contrária ao ordenamento jurídico, atribuível a um agente imputável, sobre o qual seja possível realizar um juízo de reprovação ou censura.
Em se tratando dos atos de ordenação de despesas, as infrações penais mencionadas anteriormente são puníveis apenas na modalidade dolosa. Assim, a responsabilização do titular da competência delegada depende, nesses casos, da demonstração de que agiu com dolo. Por outro lado, para que seja responsabilizado o titular da competência delegada, faz-se mister identificar sua contribuição para a cadeia causal que leve à execução da prática delitiva. Como regra, a responsabilidade penal há de incidir sobre o agente que ordena a despesa, ainda que no exercício de competência delegada.
Não obstante, há duas circunstâncias importantes a serem consideradas. A primeira delas relaciona-se ao disposto no Art. 29, caput, do Código Penal, que estabelece: “quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade”. Ainda que não seja autor material do ato de ordenação de despesas, o titular e autor da delegação pode sofrer responsabilização na hipótese de se identificar sua contribuição por instigação ou cumplicidade. A primeira prescinde de atos materiais e envolve a influência no elemento anímico do executor do crime. De outro lado, é necessário apurar a dolosa violação a dever legal de vigilância, caracterizando, assim, omissão penalmente relevante prevista no Art. 13, §2º, “a” e “c”, do Código Penal: § 2º A omissão é penalmente relevante quando o que se omite devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; [...] c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. Assim, embora em primeira linha a responsabilidade sobre os ilícitos decorrentes da ordenação de despesa executada por agente delegado recaia sobre este, não se pode afastar a possibilidade de imputação ao titular da competência delegada quando os elementos de prova permitirem identificar sua contribuição voluntária, dolosa ou culposa, para a prática de crime.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do apresentado aqui, é possível constatar a necessidade de padronização entre os municípios para a ordenação de despesas aos Secretários Municipais. Por mais que a discricionariedade e a autonomia municipal devam ser resguardadas como desdobramentos das características de uma república federativa que é o Brasil, é visível a urgência em sopesar tais elementos com o mínimo de critérios para a ordenação de despesas municipais e, consequentemente, de responsabilização da pessoa física gestora. Como sugestões a esse critério pode se dar o número de habitantes do município ou a renda per capta desse, fatores que influenciam diretamente a necessidade de políticas públicas Municipais, ou até mesmo pode ser empregado como critério para se decidir sobre a ordenação e responsabilização de despesa as características específicas do Município, sendo esperado que, a depender desta, haja uma maior necessidade de atenção e, necessariamente, de individualização, em algum grau de gestão, na área de saúde, educação, turismo, infraestrutura, pesca, indústria e assim por diante.
Cabe também ressaltar a importância dos Tribunais de contas na fiscalização mais próxima das contas municipais e do debate sobre o julgamento de tais contas na atualidade que são diferenciadas se oriundas do cargo de prefeito, passando por uma espécie de julgamento político na câmara dos vereadores, contando apenas com parecer não vinculante do tribunal de contas local, ou dos cargos de secretariado, estas julgadas por Tribunais de contas competentes e mais próximas do que seria um julgamento imparcial e de um julgamento condizente com o grau de responsabilidade do cargo ocupado.
REFERÊNCIAS
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MEDINA OSÓRIO, Fábio. Teoria da improbidade administrativa: má gestão
pública:corrupção:ineficiência, São Paulo, 2007
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Zmitrowicz, Witold, Cibele Biscaro, and Karin Regina de Casas Castro Marins. A
organização administrativa do município e o orçamento municipal. São Paulo: EPUSP,
2013. P 28 (Texto Técnico da Escola Politécnica da USP, Departamento de Engenharia de Construção Civil, TT/PCC/20). http://www.pcc.usp.br/files/text/publications/TT_00020.pdf, acesso em: 24 de março de 2018.
APÊNDICE TABELA
IRREGULARIDADE PREVISÃO
LEGAL
INSTRUMENTO PENALIDADE
Deixar de expedir ato determinando limitação de empenho e movimentação financeira, nos casos e condições estabelecidos em lei. LRF Art. 5o, inc. III LF 10.028/2000 Multa de 30% dos vencimentos anuais do agente que lhe der causa.
Descumprir o orçamento aprovado para o exercício financeiro.
Art. 4o, inc. VI Decreto-Lei 201/1967 Cassação de mandato. Omitir ou negligenciar na defesa de bens, rendas, direitos ou interesses do Município
Art. 4o, inc. VIII Decreto-Lei 201/1967 Cassação de mandato. Conceder benefício administrativo ou fiscal sem observar as formalidades legais ou regulamentares aplicáveis. Art. 10, inc. VII
Lei n° 8.429/1992 Perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de 5 a 8 anos, multa até duas vezes o valor do dano.
Negligenciar a
arrecadação de tributos ou rendas, bem como a
conservação do
patrimônio público.
Art. 10, inc. X Lei 8.429/1992 Perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de 5 a 8 anos, multa até duas vezes o valor do dano.