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3.2. TÜRK TARIMINDA REKABET POLİTİKASI

3.2.3. ÇAYKUR Kararı

Ainda inspirado pelo filme, na construção de uma interpretação é lugar comum afirmar que muito do ator ou atriz entra para composição de um personagem. O que insere realidade, forma e estilo a este personagem vem da capacidade do artista em transmudar-se,

outrar-se. Inspiradas nesta afirmação, as considerações a seguir pretendem ser apontamentos reflexivos sobre a implicação do autor com o lugar de professor frente a governo neoliberal.

Os impactos das reformas consideradas neoliberais no trabalho docente têm sido debatidos de forma competente por autores como Chauí (1999), Gentili (2001), Mancebo (2004, 2006, 2009) entre outros. As conseqüências em relação à saúde, aos direitos trabalhistas, às condições de trabalho e salário, assim como a realidade da produtividade como índice de qualidade são algumas das questões investigadas por pesquisadores e ponto de pauta dos sindicatos docentes.

A forma como o trabalho docente está implicado com questões de precarização das condições, flexibilização da prática, relação com o tempo de trabalho (MAPCEBO, 2007), assim como a perda da autonomia e da crítica e o reducionismo pragmático do saber universitário (GEPTILLI, 2001); também com as competências e habilidades na formação do professor (DEMO, 2008, SAVIAPI, 2005) além de outras questões pertinentes ao modo neoliberal de governar a vida, permite sustentar que uma das primeiras impressões sobre si mesmo de quem precisa enfrentar as reestruturações dos cursos, currículos e P.P.P.s, é assustadora.

Assusta pela sensação de defasagem em relação à velocidade das transformações tecnológicas. Assusta pela incapacidade em compreender e participar da implantação destas novas tecnologias. Assusta pela distância ou diferenças inconciliáveis entre princípios e perspectivas sobre a formação representados por docentes, alunos e gestores. Assusta por não saber se não foi escutado pela pouca relevância do que disse ou porque já não faz sentido.

Assusta por aquilo que se precisa aprender a ser. Pão tanto pelo que se aprende, mas pela forma de governo que as inscreve. Aprender a ser um facilitador e incentivador da circulação da liberdade de mercado. Acolher a regulação da intervenção, tanto sua como a do Estado nas práticas de graduação e profissionais.

Suportar e acolher a flexibilização de seus direitos, assim como desenvolver competências para lidar com a flexibilização necessária na formação de psicólogos. Disto depende seu nível de empregabilidade. Desenvolver competências para ser um professor que convive e utiliza de forma criativa as novas tecnologias, incorpora outros modos de relação e produção na graduação, investindo na sua eficiência como peça importante na criação de possibilidades de emprego para seus alunos.

O operador da sustentabilidade convoca a ser um empresário e um gerente de negócios. Um empresário de si mesmo em relação à sua carreira e sua capacidade de trabalho, um empresário de suas convicções e especialidades frente aos alunos, um gerente da

sustentabilidade do cotidiano de uma sala de aula frente a tantos outros apelos, um gerente do curso frente à instituição que o abriga. Os Projetos Políticos Pedagógicos também são ferramentas de marketing junto às instituições e alunos dizendo: vejam como pode dar certo e como pode ser o melhor entre os cursos.

Professores que não podem esquecer a competitividade que aquece o mercado. Diferenciar-se entre os colegas docentes, entre os cursos de graduação e para os alunos, confere um significado para a inovação e a criatividade que reduzem muito a autonomia das suas práticas docentes. Ou seja, a primeira impressão assustadora frente ao modo como o neoliberalismo considerado uma forma de governo da vida produz motivações para um personagem que está para além de um protagonista solitário. Quem sabe uma criatura, um protocorpo digno dos Caprichos de Goya.

Pois a concepção de governamentalidade que foi fundamento nesta tese, provocou afetações ao não permitir que estas considerações sejam tomadas como lamentações. Lamúrias sobre uma realidade onde o neoliberalismo é a materialização do mal que está destruindo aquilo que somos nós, seres de dignidade. Pão existe um fora e um dentro das formas de governo, mesmo que exista a vontade de não ser governado. Esta figura projetada é o professor que emerge das condições de possibilidades dentro das contingências neoliberais. Mas concebê-lo como produto destas práticas de governo é afirmar sempre a possibilidade de não ser. De ser diferente.

Esta é uma das expectativas em relação à contribuição desta tese para a reflexão sobre o lugar do professor. Tomar o conceito de governamentalidade como território de visibilidade das formas de inflexão e poder do neoliberalismo nas graduações em psicologia, considerar as contingências sobre as quais as reestruturações curriculares foram implantadas não podem ser usadas como argumento de resignação ou naturalização. Pelo contrário, esta perspectiva desenvolvida nesta tese, na medida em que consegue alcançar alguns dos seus objetivos, deseja servir muito mais para fortalecer a invenção de outros modos de ser professor do que ser testemunho de um ocaso niilista.

Pelo menos para este autor como professor universitário, as revisões e reestruturações curriculares dos cursos de graduação em psicologia, não obstante suas contingências neoliberais revestem-se agora como experimentações das relações de poder. Pegligenciá-las porque são frutos de uma prática de governo que não se importa com a formação, mas com o produto que sai dela, ou até mesmo porque não são as mudanças estruturais que farão a diferença, é uma forma de negligenciar estes espaços como territórios que sempre estarão por ser constituídos a partir da micropolítica das relações que se fazem presentes.

É passível de ser interpretado como uma concessão a um governo que não queremos. Uma concessão a uma normalização pedagógica na constituição dos sujeitos, uma pedagogia da subjetivação que pode definir modos de ser convenientes a uma economia de poder presente no neoliberalismo. (THOMAZ DE MEPEZES, 2008)